Sem prazo de validade no calcanhar…

Ontem fui a um funeral.

Que bela maneira de começar isto…

Pois bem, fui a um funeral de um vizinho, pelo qual criei alguma estima, depois de ter acompanhado de perto o início da doença que acabou com ele ali, sem vida num caixão e comigo, cheia de vida a pensar que na última vez que o tinha visto, ele foi simplesmente um doce quando me viu. Como aliás era sempre.

A esposa, já morreu há algum tempo, não tive oportunidade de ir ao funeral dela. No entanto, também ela me ficou marcada, porque enquanto cuidava preciosamente do marido, foi diagnosticada com um problema rarissimo nos ossos e só durou o tempo de perceber que o marido tinha alguma independência. Quando ele já conseguia fazer a vida dele, ela foi-se.

Isto parece um fado demasiado pesado. E é. É um fado que eu julgo, nenhum de nós decide ter, quando os nossos pais nos conseguem finalmente conceber.

Fado…

Ontem, o Diácono, enquanto pregava, para as almas com vida, e as sem vida também, dizia: “será que nascemos para morrer, ou vivemos para morrer?”. Confesso que aquilo mexeu comigo.

Nós somos concebido, com ou sem amor, o processo até chegarmos cá fora é uma seleção. Uns chegam outros ficam pelo caminho. Depois, de já cá fora, vamos aprendendo o básico, uns atingem o complexo, outros chegam a um nível superior, e depois há os restritos, que atingem o nível de conhecimento extra superior. (Novamente seleção natural). Atenção, não me refiro a conhecimentos académicos, refiro-me a conhecimentos sociais, conhecimentos que aprendemos uns com os outros. O meu pai sempre disse: “Tu aprendes muito na sala de aula, mas nos corredores acabas mestre mais cedo…”

Ou seja, estar aqui, hoje, mais velho ou mais novo, é um bilhete de lotaria… Premiado!

O que eu quero dizer com isto, é que nós temos duas opções. Ou, aprendemos diariamente a acordar e a escolher o que vale a pena fazer, sentir e amar, e ser feliz. Ou simplesmente levamos uma vida de preocupações, na esperança que o próximo dia é o ultimo.

Eu penso da seguinte maneira: “pena para as latas de atum que trazem uma data de fim de consumo. Muitas vezes acabam intactas no lixo, porque achamos sempre que o dia de amanha ainda está longe do fim. Já nós, não trazemos a nossa data de fim, impressa no calcanhar, pelo menos não visível. Portanto, hoje pode ser mesmo o último dia. Assim, o melhor é saborear um bom bolo de chocolate e acreditar que amanhã se não houver fatia faço um novo. Ou então, se não houver amanha, ao menos este vai comigo.”

Para mim nós nascemos para viver, amar e ser felizes!
BOLO DE CHOCOLATE
O que vais precisar?

  • 125ml de Óleo;
  • 1 colher de sobremesa de baunilha
  • 125gr de açúcar;
  • 4 ovos;
  • 200gr de chocolate negro em tablete (50% ou mais de cacau);
  • 60 gr de farinha;
  • 60gr de amido de milho;
  • meia colher de café de fermento em pó;

Como vais fazer?

  1. Liga o forno a 130º;
  2. Colocas o óleo e o chocolate em banho-maria, até juntos formarem uma calda bem homogénea;
  3. Bates os ovos com o açúcar e a baunilha até duplicar o tamanho;
  4. Adicionas a farinha o amido e o fermento, misturas bem;
  5. Agora adicionas o chocolate com o óleo. Envolve muito bem a massa;
  6. Colocas o preparado numa forma, previamente untada;
  7. Levas ao forno, e acompanha a cozedura, até não sair massa no palito.

Quero deixar bem claro, que eu adicionei, antes de levar o bolo ao forno, bombons frutos do mar, a todo o bolo, ou seja não aguentei muito para ele ter uma temperatura aceitável e poder ser comido…

Et voilá! Vamos viver o nosso “prazo”…

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Saborear o maracujá

Esta noite, enquanto tentava reconciliar o sono que me parecia quase perdido, veio-me à mente a primeira vez que saboreie maracujá. Eu digo saboreei, porque existe o comer sem perceber sabores, e existe o saborear. Aquela sensação, que acontece quando te falam em algo e as tuas papilas gustativas disparam malvadamente. Pois bem, nunca mais me poderei esquecer do mítico dia em que percebi o porquê do maracujá ter uma tradução de passion fruit, ou seja, fruto da paixão.

Vou recuar uns 20 anos. Setembro de 1994, Quarteira.

Eu tinha 6 a fazer 7 anos no fim do ano. Estava de férias com os meus pais e a minha irmã, em Albufeira. A minha atual madrinha de crisma, Meninha, tinha chegado à dias com os filhos, sobrinho e marido, para umas bem merecidas férias na Quarteira. Encontramo-nos todos e marcamos um jantar na casa de férias deles, e um jantar na nossa casa de férias. Eu e a minha irmã estávamos excitadíssimas, finalmente íamos poder estar com os nossos amigos pequenos. Fomos até casa deles, brincamos muito, julgo que comemos salmão grelhado, mas não tenho certeza, lembro-me muito bem do momento SOBREMESA. O Duarte, filho da Meninha, pediu a sua sobremesa. Eu não fazia ideia do que era. Aguardei para ver. Se me agrada-se pedia também. A Meninha chegou da cozinha com uma chávena de maracujá. Eu pensei, ah é isso… sim pode ser para mim também. Ela trouxe-me igual. Pela primeira vez saboreie à colherada o maracujá. A sensação que tive foi de júbilo na boca. A doçura e agressividade do sabor fizeram-me arrepiar. Foi indescritível.

O momento acabou, nós voltamos para “nossa casa”. As férias de sol, praia e diabruras continuaram. Contudo o maracujá, nunca mais saiu do meu pensamento. Regressamos a casa, época de escola, e alguns maracujás. Eu comecei a experimentar colocar açúcar, funcionava, mas o sabor original era imbatível.

Os anos passaram e eis que estamos, novamente, em 2014. Ano de tempo louco, pouquíssimo verão, e pelo menos cá em casa pouquíssimo maracujá. Ou seja pela primeira vez, eu não fiz sobremesas com maracujá. Contudo, à umas semanas quando fui até Fátima com o Pedro, e levei piquenique, fiz uma salada de fruta regada com maracujá… os únicos que vi. O resultado foi muito bom, o Pedro pelo menos pareceu-me encantado. Eu senti um prazer incrível por poder saborear o fruto da paixão. Comecei então, a imaginar o que poderia fazer com maracujá.

Esta semana, enquanto andava com a minha mãe a aproveitar os 10% em cartão do continente, passei miraculosamente pelo corredor das conservas e lá estava ele, polpa de maracujá enlatada. Ok, não é o original, mas tem um parecido sabor irresistível. Meti instantaneamente no carrinho, havia de pensar no que fazer.

Ontem comecei a pensar que estava na hora de um post, sobre o quê? A lata de maracujá surgiu-me no cérebro, pensei em contar sobre a fuga do meu agaporne amarelo… mas, parece que as almofadas são mesmo boas conselheiras e quando acordei de manhã, lembrei-me da primeira vez que saboreie maracujá e disse: “é isso, bolo de maracujá!”

Enquanto escrevi este post, ele esteve a crescer no forno, agora que estou a acabar, vou cortar uma fatia pequenina e vou saborear porque verdade seja dita… EU CONTINUO A DIETAR.

BOLO DA PAIXÃO

O que vais precisar?

  • 5 ovos grandes, inteiros;
  • 240gr de açúcar;
  • 170gr de farinha;
  • 50gr de óleo;
  • 20gr de fermento;
  • 100gr de polpa de maracujá sem gracinhas + um bom bocado para ensopar o bolo ;
  • Sementes de papoila qb.

Como vais fazer?

  1. Liga o forno nos 100º;
  2. Numa taça coloca os ingredientes todo menos a semente de papoila. Mexe bem, até envolver a massa toda;
  3. Unta uma forma, com manteiga e polvilhar com farinha;
  4. Cobre o fundo da forma com sementes de papoila. Tapa o fundo;
  5. Verte a massa do bolo e leva ao lume tapado com papel de alumínio, até ficar pronto;
  6. Retira da forma, com o lado das sementes virada para cima;
  7. Com um palito comprido, faz alguns buraco no bolo e rega com a polpa extra. De forma a escorrer pelas paredes do bolo;
  8. Espera que arrefeça e come… ou então come logo. O máximo que pode acontecer é uma mega dor de barriga.

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