Guisado não é estufado

Adoro quando o Pedro não está presente para poder fazer zapping muito rápido. A ver se encontro algum reality show de noivas, ou multimilionárias, ou então de vidas passadas, ou pessoas que falam com mortos, mas também de comida. Se vir bolos ou panelas paro. Então se for uma panela com comida preparada pela Martha Stewart, Filipa Gomes ou pela Nigella Lawson, bem aí ninguém me arranca deste meu sofá.  Não sei porquê, mas estas três fazem-me ter ainda mais vontade de ir para a cozinha. Sinto uma alegria naquilo que fazem. Não digo da Martha Stewart, mas digo da Filipa e da Nigella (perdoa-me esta coisa de as tratar pelo primeiro nome mas elas vêm a minha casa, portanto eu posso) elas têm uma sensualidade na forma como cozinham que me prendem ao ecrã. Eu queria ser como elas na cozinha, ter um aspecto suave, doce e ainda acabar com coisas boas na panela. Quando elas abrem as panelas, eu fico sempre expectante… Até parece que o programa não é gravado e que aquilo que ali está não vai ser espectacular. Vai de certeza, mas eu aguardo, nunca se sabe. Depois elas dizem, hmmm que cheirinho tão bom. Eu penso, não da para saber daqui e agora? Lá vou eu para a cozinha tentar repetir tudo.

Esta semana, tive um AHA moment. 

Na quinta-feira, ficou instituído que sexta o jantar era em nossa casa. Nós cá em casa temos um acordo, terças, quintas e sextas o jantar é em casa dos pais do Pedro, no entanto, existem sextas, em que o jantar acontece em nossa casa. Normalmente eu não cozinho à sexta, porque vou para o voluntariado, no entanto, às vezes dá-me muita vontade de fazer alguma coisa diferente, e desdobro-me para conseguir cozinhar. Foi o que aconteceu precisamente esta sexta. Vinha eu do trabalho, e liguei para a minha mãe: “como se faz um guisado?” Ela respondeu-me, explicando-me como se fazia um estufado. Fiquei um bocado frustrada, e desliguei o telemóvel, não sem antes me despedir. Então comecei, na minha cabeça, a visualizar todos os programas de culinária que já vi até hoje, para me tentar recordar de um que tivesse um guisado. Veio-me então a imagem da Martha Stewart, na sua cozinha XPTO, e a explicar como se fazia, e como se devia aproveitar bem todos os sucos da carne. Não me lembrava de maneira nenhuma, que condimentos tinha usado, mas lembrava-me da cor do molho, e do processo. Então pensei, é desta que vou experimentar um guisado.

Cheguei a casa, amarrei o cabelo e coloquei o meu avental mais bonito. Cortei a carne em cubos, peguei na minha panela de ir ao forno, e pus mãos à obra. No meio fui ao voluntariado e voltei, e o guisado quase sem líquido. Equilibrei e la ficou mais um pedaço.

Ao jantar servi com arroz. Estava muito bom, senti-me uma Martha Stewart, porque não tenho nem a sensualidade nem a doçura da Nigella e da Filipa

GUISADO (serve 5 pessoas)

O que vais precisar?

  • 0.5kg de carne para assar, cortada em cubos. A minha era Alcatra;
  • 10 Batatas descascadas e também cortadas em cubos (se forem grandes 5);
  • 4 Cenouras, descascadas e cortadas em 4;
  • 1 Cebola ralada;
  • Azeite e manteiga, para cobrir o fundo da panela (meio meio);
  • 1 Colher de sopa de sopa de rabo de boi
  • 1 Colher de sopa de molho inglês
  • Pimenta, colorau,  chipotle q.b.
  • 250ml de vinho branco
  • 1 folha de louro
  • Água q.b.

Como vais fazer?

  1. Tens de ter uma panela de ir ao forno, e acende o forno a 130º;
  2. Metes a panela ao lume colocas o azeite, a manteiga e a cebola.
  3. Deixas alourar e de seguida colocas a carne e os condimentos secos, todos;
  4. Deixas a carne tomar o sabor e selar completamente, ou seja deixar de ter cor crua;
  5. Adicionas as batatas e as cenouras, o vinho e cobre com água até tapar completamente a carne e os legumes;
  6. Tapas a panela com o testo, ou com folha de alumínio e leva ao forno durante pelo menos 2h. Ao fim de uma hora eu tive de repor água e condimentos. Portanto ir provando ao longo do processo ajuda.
  7. Retirar do forno quando a carne já se desfizer e as batatas já estiverem bem cozidas.

Lamento esta minha foto, mas como demorou imenso tempo a cozinhar, depois tive de correr com a panela para a mesa. Aconselho portanto a experimentares para perceber como funciona bem!!

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Actualização de brownies!

Acho que já deu para perceber, que a maioria das coisas que aqui escrevo, têm personagens extra a mim. Quero com isto dizer, que as histórias que partilho trazem sempre um outro ser vivo… Ou seja, o Leo, os pássaros, a minha família, o Rui, os meus amigos… Enfim, eu incluo todos aqueles que de alguma forma vão acabar relacionados com aquilo que cozinho. Até porque eu sempre ouvi dizer que “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és” e “tu és o que comes”. Ora fazendo um bolinho com estes dois podemos ter, “diz-me com quem andas, dir-te-ei o que comes”. Não sejamos, menos próprios, isto está associado a quem se senta à mesa contigo. Sim porque, é muito complicado, pelo menos para mim, fazer uma refeição sozinha…

Pois bem, a personagem que trago hoje é a Andreia. Ontem falei do facto de ela e a Raquel terem feito anos a semana passada. Eu fiz um bolo para festejar foi um sábado incrivel. Contudo, a vida continuou e a Andreia tem uma espécie de veia cigana. Não me interpretes mal. Eu acho realmente incrivel o facto de os ciganos terem festas de casamento de verdade. Três dias de casamento, com muita poupa e circunstancia. O George Clooney pela certa baseou-se na etnia cigana para festejar o seu próprio casamento. A Andreia é mais ou menos assim. A Andreia fez anos na sexta, mas como esteve num congresso, não pode fazer grande festa, então reservou, o sábado, o domingo, a segunda e a terça, para os festejos (afinal ela faz mais festa que num casamento cigano).

No sábado, foi a festa que te falei ontem. No domingo foi almoço cá em casa e não contente pediu se eu fazia o obséquio de fazer bolo de anos para os amigos de Lisboa.

Vejamos, eu não sou interesseira, mas pensar que os meus bolinhos chegam à Capital, fez-me vibrar internamente… Resumidamente, aceitei logo tratar dos bolinhos para os amigos de Lisboa. Fiz os brownies que aprendi com a Nigella. Pensei que sendo um sucesso cá, no estrangeiro seria um sucesso maior… O estrangeiro é Lisboa…

Pois bem, na segunda a Andreia zarpou para Lisboa com os brownies. Eu fiquei em Espinho à espera do telefonema que fazia uma espécie de review dos brownies. Esperei… Esperei… e foi então que ela ligou para dizer que no laboratório todos gostaram. Respirei fundo e pensei, já só falta a festa de amanhã… Bolas porque faz ela tanto festejo… são 26 anos…

(Amigos da Andreia do laboratório, e da cafetaria, que estejam a ler isto, espero mesmo que não tenham sido bondosos em dizer que os brownies eram bons. Eu sou forte e aguento as criticas negativas… Afinal os meus maiores críticos são o meu pai e o meu namorado…)

Esperei, liguei. Esperei, liguei.

Chegou finalmente o momento da ultima festa.

A Andreia joga à bola com um grupo de rapazes. Ela toda a vida foi futebolista, e andava com coceira no pé para poder voltar a jogar. Quando surgiu a oportunidade de jogar com os “meninos do IMM” (se estiver a cometer um erro diz!) não perdeu tempo. Encheu os pulmões de ar e foi enfrentar as feras. Todas as vezes que cá vem, um dia é para falar do futebol e dos “meninos do IMM” que a tratam muito bem. Que aprendeu a ser caceteira com eles. Enfim, maus hábitos que deixam a minha mãe a roçar o desgostoso…. Pois bem, ontem ela fez a festa com eles, e prometeu sem me consultar, que eu vinha a este meu cantinho, falar deles. Ao que tudo indica os brownies também foram um sucesso entre eles. (Novamente espero não ter sido enganada, porque isto é um espaço idóneo)

Resumidamente, eu estou aqui para republicar a receita dos brownies, e caso pretendam esclarecimentos é contactar. Caso queiram um carregamento, contactem. Pela certa, hei-de encontrar uma solução de fazer os brownies chegarem ao destino.

https://angiecloudsdisappear.wordpress.com/2013/06/25/piramide-de-brownies/

PS: não tenho fotos, porque mal os brownies secaram, a Andreia guardou-os para ninguém os roubar.

PS2: Obrigada aos meninos do IMM, às meninas da cafetaria e aos colegas do laboratório, por tomarem conta da nossa Andreia enquanto ela vagueia pela Capital.