Life doesn’t have to be perfect to be wonderful

Versão Portuguesa

Estou sentada na mesa de jantar da minha sala e enquanto aprecio a vista estou a pensar em como as coisas mudaram.

Antes de mais, a minha vista tem tanto de incrível como assustadora. Um campo verde que parece pertencer a ninguém, prédios que provavelmente são mais altos que o meu, mas daqui parecem-me bem mais pequenos, e o mar. O mar que tanto traz alegrias como infortúnios a esta cidade à beira mar plantada.

Eu perco-me quase diariamente enquanto tomo o pequeno almoço a admirar o facto deste mar não se mexer. Ele mexe, eu sei que mexe, mas daqui parece um quadro que retrata um momento parado. Isto é assustador. Um momento parado.

Está prestes a fazer um ano que as coisas mudaram de facto. São  365 dias de uma nova vida. Não porque eu não gostasse da antiga, mas porque o universo assim o quis. Sim, eu culpo muitas vezes o universo, a minha mãe diz que a culpa nunca morre solteira…

26 de Março 2016, jardins do Palácio da Pena, frio, chuva, um mapa sem uso.

“é por este lado… olha olha esta árvore parece a mãe da Pocahontas, que incrível”

“Sim, e não é que parece mesmo?! Põe-te ai, vamos fazer uma foto”

“oh de costas? Pronto ta bem…”

“Já tá?…Já tá?”

“SIM”

Foi mais ou menos esta a conversa que nos levou a um dos momento mais incríveis da minha vida.

Eu tive uma fase que dizia que não queria casar, pronto não queria. Depois conheci o Pedro e mudei completamente de forma de pensar. Juro que sonhava com aquele momento. Quem não sonha, e não entendo bem o porquê. Acho que está relacionado com a imaginação das meninas. A Kate Midleton e a Leticia Rocasolano, não ajudam. Mostram viver numa espécie de conto de fadas da vida real…

23 de Julho 2016, 23.30h, sobem-se escadas, um cão ladra incessantemente. Fecha-se uma porta.

Foi mais ou menos assim, que eu e o Pedro começamos a viver juntos. Enchemos os nossos carros com os nossos mais preciosos pertences, roupa interior. E rumamos em procissão até à nossa nova casa. Mais um momento incrível que me fica na memória. Desde esse dia que a minha vista passou a ser esta. Da janela, tenho acesso a uma paisagem que me parece muitas vezes parada no tempo, para cá da janela vivem dois seres humanos e um cão que têm experienciado as mais bizarras e incríveis situações. Conto de fadas da vida real? Esquece.

O Diogo e a Andreia ofereceram-nos um tabuleiro, nós usamo-lo como quadro e diz assim “life doesn’t have to be perfect to be wonderful”.  Sempre que passo pelo quadro ganho um sorriso. Porque para mim a vida é isto, um universo como escritor e encenador que nos pousa aqui no meio e nos vai deixando actuar. Às tantas mete uma árvore no caminho.

Ps: Eu juro que continuo a comer coisas incríveis e a fazer experiências na cozinha, mas ainda estou um bocado perdida nesta nova vida. Assim que tome o rumo, eu volto às receitas 🙂

English Version

I’m sited at my dining room table and while I absorb the view I’m thinking on how things have changed.

First of all, my view has both of incredible and frightening. A green field that seems to belong to no one, buildings that are probably taller than mine, but from here they seem smaller, and the sea. The sea that brings both joys and misfortunes to this seafront city planted.

I lose myself almost daily while having breakfast, admiring the fact that this sea does not move. It moves, I know it moves, but from here it looks like a picture that shows a stopped moment. This is scary. One stopped moment.

It’s almost a year now, that things have indeed changed. 365 days of a new life. Not because I did not like the old, but because the universe wanted it. Yes, I often blame the universe, my mom says that guilt never dies alone …

March 26, 2016, Palacio da Pena’s garden, cold, rain, an unused map.

“It’s on this way … look looks, this tree looks like Pocahontas’ mom, how amazing”

“Yes, indeed. Put yourself there, let’s take a picture”

“Oh, of my back? okay …”

“Is it yet? … is it yet?”

“YES”

It was more or less like this, the conversation that led to one of the most incredible moments of my life.

Once I thought I didn’t want to get married, I didn’t. Then I met Pedro and I completely changed my way of think. I swear I dreamed with that moment. Who does’t dream, actually I don’t understand why. I think it’s related to girls’ imaginations. Kate Midleton and Leticia Rocasolano, don’t help. They show living in a kind of real-life fairy tale …

July 23, 2016, at 11:30 p.m., up on stairs, a dog barks incessantly. A door is closed.

It was more or less like that, when Pedro and I began to live together. We fill our cars with our most precious belongings, underwear. And we proceeded in a kind of procession to our new home. Another incredible moment that I keep in memory. From that day on my view has become this. From the window outside, I have access to a landscape that seems to me often stopped in time, from the window inside lives two humans and a dog who have experienced the most bizarre and incredible situations. Real life fairy tale? Forget about it.

Diogo and Andreia offered us a tray, we used it as a wall frame and it says “life does not have to be perfect to be wonderful”. Whenever I pass by the picture I instantly smile. Because, for me, life is this, a universe as a writer and director that puts us here in the middle of nowhere and lets us act. Suddenly, a tree is on our way.

Ps: I swear I keep eating amazing things and doing experiments in the kitchen, but I’m still a little lost in this new life. As soon as find myself on it, I come back with recipes 🙂

wp_20170304_11_16_24_pro

Crepes Chineses Aldrabados…

Versão Portuguesa

Sabes quando vais a conduzir e o teu carro pede para aumentares ou diminuíres as mudanças? Isto, foi das primeiras lições de condução que aprendi com o meu pai. “Ouve o som do motor. Ele quer mais uma!”. Foi assim que aprendi a ouvir o motor do meu carro, se bem que por vezes venho tão distraída que deixo de o ouvir, principalmente quando toca uma musica que conheço, na rádio. No entanto, isto fez-me aprender a ouvir outras coisas. Quase como o cego, que toda a vida viu e sem contar perde a visão, é obrigado a apurar outros sentidos. Eu apurei a minha audição, o Pedro acha que não, mas eu aprendi. Até porque eu refinei a minha audição interna, principalmente o canal que vem do meu estômago. Aquele que me permite ouvir a minha barriga dizer:”Angélica manda chocolate que eu estou sem açúcar.” ou “Angélica e a xixa vermelha? Quero muito muito carne mal passada”. É verídico, o meu estômago fala-me assim. E eu entendo tão bem, que há uns dias ouvi-o pedir legumes. A verdade é que quando ouvi ignorei, e pensei que só poderia estar em sofrimento. No entanto, ele persistiu e alegou que ou vinham os legumes ou então fazia greve ao processo digestivo, e depois queria ver quem o aturava. Honestamente, pensei mesmo continuar a ignorar, no entanto, não aguentei por muito, até porque o novo ano Chinês estava a começar, e todos sabemos que os que os Chineses usam mais na sua alimentação são os legumes.

Eu não sou grande fã de comida chinesa. já fui a alguns restaurantes, mas nunca tive uma refeição suficientemente satisfatória. Provavelmente nunca fui aos melhores sitio, porém, se há coisa que eu gosto, são os crepes. São tão bons, trazem muitos legumes e no entanto eu não me importo, porque eu sei que a bolinha de carne de porco vai aparecer também. Então como-os contente e regalada como se de um bife se tratasse. Ou seja, não sou fã de comida Chinesa, sou no entanto fã de crepes chineses.

Assim sendo, quando o estômago falou e depois de muito o ignorar, prometi a mim mesma que estava na hora de me aventurar pela cultura chinesa. Ui que resultado. Já experimentei isto há alguns dias, mas hoje enquanto escrevo estou a babar por me lembrar do sabor.

English Version

You know when you’re going to drive your car and it asks you to go up or down on your shifting gear? This was the first driving lessons I learned from my father. “Hear the engine sound. It wants one more.” It was how I learned to hear the engine of my car, although sometimes I’m so distracted that I can’t hear, especially when on the radio is playing a song I know. However, this made me learn to listen to other things. Almost like a blind man who saw forever in his life and suddenly loses his sight and he is obliged to refine other senses. I refined my hearing, Peter doesn’t think so, but I learned. Also because I have refined my inner hearing, especially the channel coming from my stomach. One that allows me to listen to my stomach saying. “Angélica send some chocolate, I’m sugar free” or “Angélica what about red meat? I need blood from meat.” It is true, my stomach tells me so. And I understand so well that a few days ago I heard it asking for vegetables. The truth is that when I heard it I ignored it, and thought that could only be in distress. However, he persisted and claimed that either vegetables or a strike on the digestive process. Honestly, I thought on continuing ignoring it, however, I couldn’t stand for long, because the Chinese New Year was beginning, and we all know that the Chinese use a lot of vegetable on their gastronomy.

 

I’m not a big fan of Chinese food. I’ve been to a few restaurants, but never had a sufficiently satisfying meal. Probably I’ve never gone to the best place, but if there’s one thing I like are the spring rolls. They are so good, and bring a lot of vegetables and yet I do not care, because I know that the pork ball will also appear. So I eat them happy, and self-indulgence as if it were a steak. In other words, I am not a Chinese food fan, I am however a fan of spring rolls.

 

Therefore, when the stomach spoke and after much ignoring it, I promised myself that it was time to venture out for Chinese culture. What a result. I’ve tried this a few days ago, but now as I’m write I am drooling for reminding me of the flavor.

CREPES CHINESES ALDRABADOS

O que vais precisar?

  • 2 cenouras raladas;
  • 1 lata de milho;
  • 1 lata de cogumelos laminados;
  • 150gr de bacon;
  • masa filo;
  • vinho verde 2 copos;
  • molho inglês
  • 1 colher de sobremesa de sopa de rabo de boi;
  • 1 colher de sobremesa de farinha maizena;

Como vais fazer?

RECHEIO

  1. Coloca o bacon numa wook e quando começar a libertar a gordura, adiciona os vegetais e uma colher de azeite;
  2. Deixa misturar sabores e adicionas 1.5 copos de vinho e uma colher de sobremesa de molho inglês;
  3. Ao resto do vinho adicionas a maizena e misturas até ficar homogéneo. Depois mistura também a sopa de rabo de boi e coloca na wook, mistura tudo e deixa repousar;

FAZER OS CREPES

  1. Pega na massa filo e divide em quatro pedaços. Eu fiz duas camadas de massa, para ficar mais resistente. Coloca o recheio e enrola, como no videohttps://youtu.be/FJTdKyDg_2Y

FINALIZAR

  1. Coloca óleo numa frigideira, de batatas fritas. Quando estiver bem quente, coloque os crepes e frite-os.

WP_20160208_19_56_47_Pro

 

Que te saiba tão bem como me soube a mim. Ps: o meu estômago já se esqueceu dos legumes!

WP_20160208_20_04_35_Pro.jpg