Quando acontece…

Versão Portuguesa

Ontem dei comigo a sentir um conforto estúpido em ouvir o relato enquanto passava a ferro. Sim, eu a passar a ferro. Pode parecer e soar muito estranho, mas é a verdade. Eu, a passar a ferro, a um domingo de tarde, enquanto na televisão acontece um derbi qualquer.

Quando eu vivia em casa dos meus pais, a minha mãe dizia, não te habitues muito, isto é sol de pouca dura. Um dia destes és tu com as preocupações. Eu ignorava, quem não ignora, um futuro que nos coloca de ferro em punho e tábua à frente? Pois bem, ontem, depois de três semanas de férias sem parar cheguei ao momento que a minha mãe falava. De ferro em punho tábua à frente e o relato de fundo.

Confesso que ao fim da primeira camisola, queria desistir. Até porque eu não me importo da maior parte das tarefas domésticas, mas passar a ferro… bem passar a ferro roça o suplicio. Julgo no entanto que é uma cena de família, visto a minha mãe ter contratado à uns anos um serviço que eu louvo muito, o Ferro Amigo. Uma empresa que vai a casa à quarta buscar a roupa e à sexta traz toda arranjada. Ou seja,eu fui criada a achar que todos temos direito a um ferro amigo. Na verdade temos, porque a minha mãe fez um upgrade, tipo serviço de net, cabo e telefone, e agora tanto eu como a minha irmã podemos usufruir deste serviço. No entanto há sempre umas peças de roupa pelas quais não dá para esperar nem por quarta muito menos por sexta. Foram precisamente essas peças que eu estava a passar enquanto ouvia o relato. Foi todo o cenário, tipo filme que me fez sentir confortável em minha casa. Foi toda a envolvente que me fez perceber que as mudanças e a novidade são assustadoras mas muito boas.

Incrível, um ferro roxo, uma tábua rosa e o relato do Porto-Sporting, quando eu sou Benfiquista. Realmente, o conforto e a felicidade acontecem nos momentos mais estranhos. Isto faz-me lembrar a massa que decidi fazer hoje para o jantar.

Há uns tempos, ainda não dividia casa com o Pedro, ele ligou-me porque os pais iam sair e ele ia jantar sozinho. Perguntou se não queria jantar com ele, mas que não queria sair para jantar. Eu, não hesitei a dizer que sim, mas hesitei no que cozinhar. O Pedro adora massa, mas massa com massa não lembra a ninguém… abri o frigorífico e lá estavam, as amigas do Judeus. ALHEIRAS. Pronto dai à massa de alheira foi um tirinho. Refogar a alheira com massa de tomate caseira, cozer a massa juntar tudo, tiras de chouriço por cima e voilá, comida de conforto. Comida que hoje ao jantar aposto me vai fazer substituir a minha actual imagem de conforto, um ferro roxo, uma tábua rosa e o relato do Sporting-Porto.

English Version

Yesterday I found myself feeling a stupid comfort in hearing the football commentaries while ironing. Yes, I iron. It may look and sound very strange, but it’s true. Me, ironing, on a Sunday afternoon while there’s football on the television.

When I lived in my parents’ house, my mother used to say, don’t get the habit of not doing a thing, this won’t last long. One of these days you’ll be like me. Obviouly I ignored, who doesn’t? A future that puts us with an iron and a board ahead? Well, yesterday, after three weeks of vacation without stopping I got to the point that my mother spoke. Iron on one hand board at the front and the background football comments.

I confess that at the end of the first sweater, I wanted to give up. Also because I do not care of most household chores, but ironing … ironing feel like hell. I think however that it is a family thing, as my mother has a service that I praise very much, it’s called “ferro amigo”, “iron friend”. A company that that goes pick the clother on Wednesday, and returns at Friday with everything ironed. So, I was raised to thinking that we are all entitled to an iron friend. In fact we have, because my mother did an upgrade, like an internet, cable and telephone kinda service, and now both I and my sister can use the service. However there are always clothes for which you cannot wait for Wednesday or much less by Friday. It was precisely these clothes I was taking care while listening to football comments. It was the whole scenario, type movie that made me feel comfortable in my home. It was the whole environment that made me realize that the changes and the new are frighten but very good.

Amazing, a purple iron, a pink board and the report of Sporting-Porto when I’m from Benfica. Really, comfort and happiness happen at the strangest times. This reminds me of the pasta I decided to do today for dinner.

Once, Pedro and I we weren’t living together yet, he called me because his parents went out and he was dining alone. He asked if I wanted to have dinner with him, but did not want to go out to dinner. I did not hesitate to say yes, but I hesitated in cooking. Pedro loves pasta but pasta with pasta isn’t a good chance … I opened the fridge and there they were, Jews best friends. Alheiras. From that to pasta with Alheira it was a really small step. Sauté sausage with homemade tomato pasta, boil the pasta put it all together, chorizo strips on top and voila, comfort food. Food that today at dinner I bet will make me replace my current image of comfort, a purple iron, a rose board and commentaries the Sporting-Porto.

MASSA DE ALHEIRA (2 PESSOAS)

O que vais precisar?

  • 1 alheira;
  • Polpa de tomate, eu uso caseira;
  • Chouriço aos bocadinho
  • Massa tipo espiral, 100gr
  • Sal;
  • Agua qb;
  • Azeite

Como vais fazer?

  1. Coloca água a cozer com 2 colheres de sal grosso;
  2. Numa frigideira funda, tipo Wook, coloca azeite no fundo, e leva ao lume;
  3. Retira a pele à alheira e refoga-a, adiciona chouriço cortadinho em bocadinhos pequenos, cobre com a polpa de tomate de deixa cozinhar bem, vai adicionando água para cozer bem e provando para perceber a quantidade de tempero.
  4. Quando a massa estiver cozida, retira-lhe a água adiciona ao ragu de alheira.
  5. Com uma colher mistura tudo bem, e serve.
  6. A minha de hoje ficou assim!

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Uma semana em terrenos de sua Majestade!

Desde a minha primeira aula de inglês, que tenho um sonho. Visitar Londres. Às tantas, ponderei  não só visitar como habitar. Ser um imigrante em Inglaterra. De tal forma que quando disse, ao fim de 18 anos a sonhar com a corrente semana, aos meus pais que ia  passar uma semana a Londres, a ideia deles voo para:” mas vais para ficar?” Eu disse que secalhar, muito descontraidamente. A sensação que tive, foi que os meus pais ficaram com um nó na garganta. Contudo não cederam, e deixaram os dias passar.

Isto aconteceu à cerca de 2 meses.

Os preparativos continuaram, e rapidamente chegamos a dia 16 de Novembro. O chamado dia D. O dia pelo qual eu tanto esperava. Eu e o Pedro. Os pais do Pedro levaram-nos ao aeroporto e 2 horas depois aqui estávamos nós em Inglaterra, o país onde a rainha manda, mas o Prime minister tem  sempre uma palavra a dar… O país que pertence à União Europeia, mas tem a sua própria moeda… muito diferente do nosso Euro… Um pais onde cada um sai à rua vestido como bem entende e eu julgo que as únicas pessoas que ficam em choque sou eu e o Pedro. Sim, porque os nossos companheiros de viagem, parece-me que já são mais ingleses que portugueses… tudo porque para eles é normal…

Por falar em companheiros de viagem. Esqueci-me de explicar que viemos para casa do Paulo e da Cátia o primo do Pedro e a namorada. Que são um dos muitos e típicos, casos portugueses que deram tudo para ser profissionais de sucesso, nas suas áreas, mas oportunidades nem vê-las e então decidiram procurar o seu lugar ao sol, na terra onde o sol raramente brilha….

A primeira reacção que tive foi: “oh minha nossa, o Paulo conduz contra a mão…”. A segunda foi: “oh meu Deus, todos conduzem contra a mão”. Depois de me ambientar, ou pelo menos explicar ao meu cérebro desleixo que na Inglaterra tudo funciona assim, descontraí, relaxei e vivi uma semana incrivel.

Quero ressalvar que comecei a escrever isto num starbucks (dos muitos que existem) em Fleet, e estou a acabar no meu escritório. Ou seja qualquer mudança temporal entre estou e estive é puramente realismo do texto!

Pois bem. Fleet é uma cidade engraçada, que às 6 da tarde se torna um lugar fantasma… Tudo fecha.

De Fleet, fomos a Aldershot, uma cidade maioritariamente habitada por Nepaleses. Tinham um Lidl. Fiquei satisfeita, mas ou o meu sotaque é horrível, ou os ingleses são pretensiosos, porque na minha cabeça soava igual ao que eles diziam, mas eles não percebiam. Neste mesmo dia, ofereci, aos donos da casa um jantar made by Angie Clouds, que é o que vou partilhar hoje.

No dia seguinte, os rapazes, tomaram o pequeno almoço britânico. Depois de tantos anos a passar férias em Albufeira, ainda não tinha conhecimento do aspecto da REFEIÇÃO… Eu recusei-me e ainda bem, porque de tarde fomos conhecer Reding, e o Pedro e o Paulo andaram empanturrados o dia todo… Afinal o Paulo ainda não é Britânico. Reding é uma cidade muito engraçada, e tem uma Anne Summers, ou seja tive de a retirar da minha lista de Londres, porque a visitei em Reding. Que loja incrivel. Aviso já que é de elevado teor sexual e direccionada para mulheres de muito bom gosto. Pelo menos é a minha opinião pessoal. Quero ressalvar, que neste dia compramos uma caixa de donuts, incríveis.

Com isto estou na terça-feira, dia 18 de Novembro. À noite o Pedro ainda sofria por causa do pequeno almoço.

Na quarta-feira fomos pela primeira vez a Londres. A cidade é magnífica e tem um peso histórico que se sente no ar que se respira. Aproveitamos este dia para fazer o famoso tour turistico. Westminster, China town, Picadilli, Soho, Covent Garden e ao fim do dia, quando as pernas estavam menos vivas que a lua que no acompanhava desde as 5 da tarde, acabamos a caminhar pelo London Bridge city Pier, em direção a Tower bidge. Foi um dia melhor do que imaginava, e ainda que a minha excursão achasse impossível eu ver tudo o que tinha planeado para aquele dia. O Pedro bem disse: “com a Angélica vocês vêm, ela não pára para comer. Nós em três dias vimos Madrid, e só usamos o metro no ultimo dia…”. Verdade seja dita, eu só parei porque a excursão precisava de comer.

De volta a Fleet, e já no dia seguinte, fizemos o merecido descanso. Combinamos porem, um jantar com um colega de trabalho do Paulo. O Paulo e a Cátia decidiram que aquele era o melhor dia para conhecermos um Pub típico e assim foi. A sensação que tive foi:” Estou de volta ao Algarve”, com excepção das baixas temperaturas, que pelos vistos só o nosso grupo sentiu. Isto porque os “nativos” andavam de top’s e t-shirts… Aqui bebi a minha primeira sidra de pêra. todos odiaram, eu adorei!

Na sexta as ferias começavam a tornar-se curtas e estávamos a ficar nostálgicos. O Paulo ficou adoentado, mas conseguimos enfia-lo num carro e ir até Winchester ver a inauguração do natal.

Sábado, voltamos a Londres. Conclui por esta altura, que hora de ponta decorre todo o santo dia de sábado. Gente sem fim. Metro cheio, autocarros atravancados, ruas inundadas. Enfim. Neste dia fomos ao Madame Tussaud, ao museu de historia natural, a Portobello Road e ao seu famoso mercado, que aparece no filme Notting Hill e quando voltávamos para casa, fomos à Winter Wonderland, na zona de Kensington. Pelo meio ficamos sem um bilhete de transportes. Contudo, o que seriam umas ferias sem perder alguma coisa?

No domingo estávamos de volta. O Pedro trazia o coração apertado, por ter deixado o primo-irmão em terras de sua Majestade. Eu trazia o cérebro cheio das bonitas coisas que vimos e fizemos. Claro que é sempre difícil despedir dos amigos, mas sabendo que estão bem, só temos de pensar positivo.

Em resumo, foi uma semana incrivel, deu para o Pedro matar saudades e deu para nós descomprimirmos. Contudo, atrasou o meu blog e por isso peço desculpa se cá vieste saber de novidades…. andava em Inglaterra a entrar no espírito natalício. Sim, porque na rádio, passam muitas musicas de Natal.

Agradecimentos? Ao Paulo e à Cátia por me receberem tão bem como receberam o Pedro. Obrigada meninos, foi uma boa semana!

O que comemos…

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A excursão…

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MASSA E BACON (4pessoas)

O que vais precisar?

  • 600gr de massa crua, seja ela cortada, penne ou parafuso;
  • 1l de molho bechamel;
  • 300gr de cogumelos frescos;
  • 450gr de Bacon em pedaços;
  • Queijo mozarela ralado;
  • meia cebola picada;
  • 1 dente de alho triturados;
  • 4 colheres de azeite;
  • oreganos e sal q.b.;

Como vais fazer?

  1. Põe a massa a cozer, em água e sal;
  2. Numa wook, coloca o azeite o alho e a cebola e deixa refogar;
  3. Quando começar a fervilhar, adiciona os cogumelos cortados em lamina e o Bacon;
  4. Deixa fritar um pouco o bacon e quando a massa estiver Al dente, retira-lhe a água e adiciona-a ao refogado;
  5. envolve bem, coloca sal e oregaos a gosto. Adiciona o queijo mozarela, na quantidade que preferires e ainda meio pacote de bechamel e mistura tudo muito bem;
  6. Coloca o preparado numa assadeira, rega com o restante molho bechamel e leva ao forno para tostar a parte superior;
  7. Serve.

Eu acho que este é um daqueles pratos de conforto. Simples rápido e no frio do inverno, aquece a barriguinha!

 

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