Cozinhar que é bom… nada

Versão Portuguesa

Quando me propus a criar este blog, encontrava-me numa fase diferente. O tempo era extenso e a cozinha ficava no andar inferior. Entretanto, a vida foi me dando limões, e eu fui experimentando vária receitas de limonada. O problema, é que nem sempre a limonada tem de ser feita na cozinha. É precisamente isso que me está a acontecer… Estou a deixar de fazer tantas limonadas na cozinha, e a fazer limonadas noutros sítios. Ou seja, já não faço tantas experiências na cozinha como fazia à pelo menos um ano atrás. Tudo isso me afasta um bocadinho do propósito deste espaço, que supostamente seria para contar uma historia que me levou a cozinhar alguma coisa. Desengane-se quem acha que eu deixei de fazer bombas calóricas, eu mantenho esse espirito, o problema é que comecei a cozinhar pelo seguro.

Porquê? Não faço ideia mesmo.

Sei que, com esta história de controlar o peso, condição médica que me foi imposta, já não posso provar de tudo… Vá, eu posso provar de tudo, eu não posso é comer de tudo. Isso leva-me ao abismo. Tudo porque a minha relação com a comida é uma relação amorosa ativa. Uma daquela relações prematuras, em que não se consegue resistir quando o outro fala baixinho ao ouvido. Obviamente, a comida não me fala baixinho ao ouvido, não no sentido físico, mas fala-me no sentido imaginário. Não sei se te lembras de quando eras miúdo, dos desenhos animados da rua sésamo, havia sempre uma personificação de tudo, desde comida a objetos, animais a vegetação. Todos comunicavam. Pois bem, eu vivo num desenho animado, porque sinto por exemplo o chamamento do chocolate de cada vez que vou ao frigorífico. Ou o chamamento, a roçar o erótico, das batatas fritas quando estão a ser colocadas na frigideira…. O mesmo não consigo decifrar por parte dos brócolos, ou do peixe em geral. Pela certa, falam uma das muitas línguas que eu não domino.

Enfim, o que eu quero dizer, é que não tenho escrito com tanta frequência, porque também não tenho cozinhado com tanta frequência. Contudo, como com igual frequência, e a comida é o que alimenta o cérebro, principalmente os frutos secos não acompanhados de sal ou de uma larga camada de chocolate. Por isso o bichinho de partilhar as minhas loucuras, que vejamos, são cada vez mais frequentes, fazem-me querer vir aqui. Ou seja, para alem de viver dentro de um desenho animado, estou amarrada a um vicio.

Assim, quero me desculpar a todos aqueles que cá vem verificar as quantidades de açúcar da minha ultima receita. Vai acontecer eu partilhar receitas, mas se por algum motivo eu não o fizer (como vai acontecer hoje), por favor não me desvalorizes. Pensa que eu estou prestes a ser pesada a qualquer momento como os animais, e se não tiver atingido o peso certo, posso correr grandes riscos de acabar no prato de alguém.

Quanto à limonada, o ideal é adicionar, gengibre fresco, e folhas frescas de hortelã. Sabe a verão, isso eu garanto!

English Version

When I decided to create this blog, I found myself in a different phase. Time was extensive, and the kitchen was downstairs. However, life was giving me lemons, and I was experiencing various lemonade recipes. The problem is that not always lemonade must be made in the kitchen. That is precisely what is happening to me … I am stopped making so many lemonades in the kitchen and started making it elsewhere. Thismeans, that I no longer spend so much time in the kitchen as I did at least one year ago. All this keeps me a little of the purpose of this space, which was supposed to be to tell a story that led me to cook something. Forget if you think I stopped doing calorie bombs, I keep this spirit, the problem is that I started cooking it safe.

Why? I have no clue.

I know that with this story of controling weight, medical condition that was imposed on me, I can no longer taste everything … Well, I can taste everything, I can not eat everything. This brings me to the abyss. All because my relationship with food is an active love affair. Like in a premature relations, when one can not resist when the other speaks softly in his ear. Obviously, the food does not talk to me softly, not in the physical sense, but talk me in the imaginary sense. I do not know if you remember when you were kid, in  Sesame Street, there was always a personification of everything from food to objects, animals to vegetation. All of them communicated. Well, I live in a cartoon, because I ear the call of chocolate every time I go to the refrigerator. Or the call, skiming the erotic, when french fries are being placed in the pan …. The same does not apply to broccoli, or fish in general. That might e because they speak a language ​​I do not understand.

Anyway, what I mean is that I haven’t written so often, because I have not cooked so often. However, I eat with equal frequency, and the food is what fuels the brain, especially nuts ithout salt or a large chocolate layer. So the gut to share my craziness, that is becoming more frequent, make me want to come here. In other words, in addition to live within a cartoon, I am tied to an addiction.

So I want to apologize to all those who come here to check the quantities of sugar from my last recipe. Sharing recipes will continue to happen, but if for some reason I do not do this (as will happen today), please do not underestimate me. It probably might be linked to the fact that I’m about to be weighed at any time. Like animals, if I have not reached the right weight, I can take big risks to end up in someone’s plate.

As for the lemonade, the ideal is to add fresh ginger and fresh mint leaves. It will taste like summer. That I guarantee!

Anúncios

O porquê dos meus posts andarem atrasados…

Estou sem dúvida a atingir o meu limite…. raios, não aguento muito tempo sem poder vir aqui e partilhar os dramas que me fazem trazer comida. Acontece que, nos últimos dias fui colocada com a espada contra a parede… ao contrário do Paulo Bento, eu não sou a espada, sou sem dúvida a parede…
Vou regredir no tempo, até dia 1 de Julho. Dia em que fui ao médico e as palavras proferidas foram: “Ou a angélica faz uma enorme restrição alimentar, ou então, vai tomar medicação para o resto da vida (…)”
Escusado será dizer, que a sensação que tive foi a de que me tiraram o chão. Tu pensas:” lá vens tu com os exageros, as dietas são cena de gaja. Tu és uma, tas habituada”. Não. Comigo a palavra dieta é TABU. Eu não sei cumprir, só sei cometer erros e para piorar, sinto-me quase sempre demasiado bem na minha pele para pensar em dietas. Com excepção daqueles dias, em que aparece um boazona qualquer, e por escassos minutos me faz pensar, tens um pneu… da Michelin… Ou seja, quando ouvi dizer dieta eu paniquei e disse à minha médica que tinha um blog e precisava de matéria prima… Ela riu-se do meu desespero, eu acho que ela estava feliz por me poder ver tão desorientada… deve ter pensado: “Ganhei o dia”.
Em suma, desde esse dia estou numa tão grande restrição alimentar que nem eu sei quanto tempo mais aguento.
Contudo, tudo seria muito mais simples não fosse o facto de ao longo destes últimos 14 dias de dieta terem aparecido as festas todas. Foi o aniversário do pai do Pedro e da madrinha do Pedro, onde houve sapateira e leitão estaladiço, foi a sexta de futebol com os rapazes, onde o prato foi hambúrguer, foi a despedida de solteira da Judite, o rei era rodízio, a comunhão do meu primo António e as entradas e sobremesas, o baptizado da pequena Joaninha, onde a sopa era cocktail de gambas, é o casamento da Judite que ainda tá para vir, mas já ouvi dizer que a comida vai ser de valor… e mais, são todas as páginas de comida que eu gosto no facebook a postar coisas como tarte de coisas boas, mousse de coisas ainda melhores… bolas ainda só passaram 14 dias dos 90 e eu já sinto um vazio na minha barriga… Ah e já fiz uma lista de comidas que quero.
Quanto às comemorações que falei, o meu prato foi sempre o mesmo, 1 colher de arroz, um peito de frango grelhado e uma salada. Não acreditas? Nem eu. Na minha cabeça criativa, eu comi de tudo o que me apeteceu e acho que até acumulei gordurinhas virtuais.

No outro dia, depois de mais um convite social, o Pedro disse muito carinhosamente:” Eu avisei-te que só devias ir ao médico depois das festas todas. Assim, cometias os erros todos e depois curavas-te”. Ele tem razão devia mesmo ter feito isso, mas ainda acabava no hospital inundada em colesterol e triglicerideos. Acho que já não era muito boa namorada nessa situação… Enfim, contou pela intenção.

Findado este desabafo, e não podendo eu comer as minhas coisas prediletas, acho que posso beber um dos meus refrescos de verão preferidos. Ou, se não posso, ontem cometi o meu primeiro erro de dieta e vou ali ao lado auto-flagelar-me e já volto.

O que hoje trago é a limonada da minha infância, com mais uns pozinhos perlimpimpim !!

LIMONADA PERLIMPIMPIM

O que vais precisar?

  • 4 limões sumarentos;
  • 3 folhas de hortelã;
  • raspa de gengibre;
  • 5 pastilhas de adoçante;
  • água q.b.;
  • 1 jarro.

Como vais fazer?

  1. raspa as cascas dos limões e espreme-lhes o sumo;
  2. no jarro colocas o sumo dos limões, as raspas, o gengibre, a hortelã e o adoçante e mexe muito bem;
  3. Adiciona água até preencher o jarro.

Se quiseres servir fresquinho, coloca uns cubos de gelo. Um bom refresco para as tardes de verão que se avizinham!

PS: Só consegui esta foto da minha limonada, mas assim que der, coloco uma foto mais atraente!

image_3