Musica pimba e madalenas…

Ontem, fui assistir ao concerto: “Deixem o pimba em paz”. Não sei se sabes do que se trata… É um espectáculo protagonizado pelo Bruno Nogueira e a Manuela Azevedo. Eles transformam o cancioneiro pimba nacional, em musica de um outros géneros como jazz, blues, R&B… enfim tudo o que é considerado musica de classe. Antes de continuar a desenvolver, quero ressalvar que eu gosto de musica. Não sou fã de um único género, até porque eu aprendi que com a musica e com a comida, só se deve dizer não gosto, depois de ouvir/comer. Além disso, o meu avô era contra mestre de uma banda musical, o meu padrinho acordeonista, o meu pai é o homem dos sete instrumentos, porque tem formação musical, e eu própria tive alguma formação musical e muitos anos num grupo folclórico. Por isso, até decidir por mim, toda a musica é audível.

Como eu estava a contar, fui ouvir/ver o concerto do “Deixem o pimba em paz”. Durante todo o espectáculo, a sensação que tive foi de voltar a ter 5/7 anos, e estar a brincar na rua com os outros meninos enquanto o som de fundo era Ágata, Romana ou Marante. Recordei as viagens em família até ao Algarve, enquanto no rádio tocavam as cassetes dos meus pais, Dino Meira, José Malhoa e Marco Paulo. Lembrei-me de como era fixe cantar aquelas musicas, de como me achava cool por saber as letras todas. Sim, eu sabia as letras todas. Não sabia o que queriam dizer, não sentia o teor sensual incluído nas letras, ou o sofrimento vivido, mas debitava palavra por palavra como se fosse um prodígio da musica.

Contudo, um dia isso mudou. Estava eu em casa da Sra.Clara, uma amiga e vizinha da tia Lina, fã da Ágata. No leitor de cassetes, cantava a Ágata, naturalmente alto. Às tantas ela canta o sofrimento da separação, e dizia coisas como:”Só não leves a coisa mais Q’rida que é dos dois, não posso negar. Mas fui eu quem lhe deu mais na vida, e é comigo que ele quer estar”. Aquilo mexeu comigo. A senhora cantava sobre não perder alguma coisa. A voz dela era chorada, era tão sofrida… Ora eu não contente com aquela violência toda, questionei a Sra. Clara sobre o que significava tudo aquilo. STOP. Eu era uma criança com 7 anos, eu vivia num mundo de brincadeiras e felicidade. Nós brincávamos às casinhas na rua, jogávamos à macaca desenhada na estrada. Nenhum de nós vivia dramas.RETOMANDO. A Sra. Clara decidiu explicar-me aquilo da maneira menos traumática e mais simples:”Ela está a viver um drama. O marido deixou-a”. OK?! “Então e o que é que ela vai perder?!”. A Sra. Clara nunca foi muito paciente, e sempre foi muito directa, por isso disparou: “O filho, claro. O marido quer o filho dela!”.

Tenho para mim, que foi aqui que perdi 25% da minha inocência. Eu nunca tinha ouvido falar, em deixar-se as mulheres e querer-se os filhos! Eu pensava que as musicas falavam daquela coisa dos namorados…

Ontem, enquanto ouvia a versão do Bruno Nogueira e da Manuela Azevedo, senti um aperto no estômago. Lembrei-me de toda a minha infância, da descoberta, à bruta, do conceito de separação. Ao mesmo tempo, pensei em como estas musicas, maltratadas por uns e veneradas por outros, conseguem explicar de forma tão descritiva o que acontece na vida dos comuns mortais. Eu estou a falar de “Comunhão de bens”, mas podia falar de “Perfume de Mulher”, ou “Não és homem para mim”, que por sua vez é da Romana.

Resumidamente, ainda bem que existe o “Deixem o pimba em paz”, para transformar “Comunhão de bens” em algo verdadeiramente poético. Ah, e ainda bem que existem Sras. Claras, alguém tem que ajudar a criar mulheres neste mundo.

E porque todas as musicas pimba, falam de mulheres, que sofrem, fazem sofrer ou que estão apaixonadas, hoje trago uma receita muito simples de Madalenas. Estas foram feitas com muito amor, quase como o amor que descreve “Cara de cigana”, do José Malhoa. Vendo bem, acho que são a companhia ideal se ouve o sofrimento da Ágata. Ou então, enquanto o Marante conta a sua historia de vida, diz que foi a uma casa de meninas e esqueceu-se da mulher que tinha em casa. Quando se apercebeu, ela já era mais uma das funcionárias da casa de meninas!

MADALENAS

O que vais precisar?

  • 140gr de Açúcar;
  • 140gr de Manteiga;
  • 140gr de farinha;
  • 1 colher de sopa de essência de baunilha;
  • 100gr de pepitas de chocolate (opcional);
  • 1 Colher de café de fermento me pó;
  • 3 Ovos;
  • 1 Gema;

Como vais fazer?

  1. Liga o forno a 150′;
  2. Unta formas de queques;
  3. Numa bacia mistura a gema, os ovos, o açúcar e a baunilha.
  4. Quando estiver a ficar com um tom mais uniforme, adiciona a farinha e continua a mexer;
  5. Adicionar a manteiga e continuar a mexer, até a massa ficar homogénea. Se preferires madalenas com pepitas de chocolate, adiciona agora as pepitas e mexe a massa.
  6. Coloca 2 colheres de sopa de massa em cada forma de queques.
  7. Leva ao forno por 15 minutos, ou até a massa ficar cozida.

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Fim-de-semana como antigamente

Uma das memorias que eu guardo, com afinco e doçura, são as viagens de carro para fazer férias em família e as actividades que fazíamos em conjunto. Ouvia-se e cantava-se José Malhoa e as 24 Rosas (eu ainda hoje sei a letra toda), e quando chegava ao dia de ir às piscinas de tubos, levávamos a marmita e fazíamos um lanche. Que demais. Julgo que quando tinha 5/6 anos achava isto muito cool, aos 14 achava ridículo e vergonhoso… Aos 26, acho novamente incrivel!

Este fim-de-semana que passou, fui até Ferreira do Zêzere com parte da minha “seita” (não religiosa porque isso é uma cena muito pessoal). Eu, o Rui, o Diogo e a Raquel fomos fazer uma escapadinha, cá dentro. A intenção era sermos mais, mas foi complicado porque hoje em dia, todos são demasiado ocupados para parar 3 dias consecutivos. Porém, lá conseguimos ir os 4 à descoberta. Até aqui tudo dentro da normalidade, 4 amigos à descoberta das entranhas de Portugal… Num sitio idílico, ou não. Pois vejamos, Século XXI, eu e a Raquel somos dependentes de novas tecnologias, ela tem um blogue (bookshelf) e eu outro. O Diogo passa a vida a ler noticias de desporto no telemóvel, quanto ao Rui, aguenta-se muito bem sem internet, agora sem televisão… Nem pensar, ele adora televisão e ainda por cima este fim-de-semana jogou o seu Porto. Em resumo, quando na sexta paramos para aquilo que prometia ser mega fim de semana, rapidamente percebemos que teríamos de por as cabeças a funcionar e tentar perceber como funcionava o mundo na altura em que a roda não existia…

Felizmente para a “seita”, existem 2 pessoas altamente criativas e 2 pessoas disposta a alinhar na criatividade. Como a minha intenção não é ferir o Diogo ou o Rui, não vou proferir o nome das pessoas criativas. Em suma, rapidamente tornamos a noite de sexta numa paragem de táxis, onde os condutores passam o tempo de espera a jogar à sueca. Foi isso que fizemos, várias partidas de sueca, eu e a Raquel fomos enganadas pelos rapazes e acabamos por perder… isto porque eles não sabem respeitar regras, como por exemplo o cansaço das oponentes. Contudo não vou gastar muito tempo em redor deste tema, porque sinto uma revolta interior perante o abuso e aproveitamento à desconcentração do oponente.

Quero sim, contar que no sábado tive um dia como os de antigamente. Não numa piscina de tubos, mas no rio. De manhã eu preparei o piquenique com a minha subchefe e os nossos moços de recados, e assim saímos à procura da aventura. A sensação que tivemos quando chegamos à primeira praia fluvial foi do tipo:”Ah é isto…”, mas mudamos logo de perspectiva porque estávamos ali para descomprimir. Usufruímos muito do rio, jogamos Uno e “Piquenicamos”.

Eu ADORO “Piquenicar”. Descobri esta minha faceta quando finalmente recebi a minha cesta de piquenique, em verga.

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Depois de “Piquenicar” e deixar o almoço chegar a um ponto de segurança, metemos-nos no carro, pedimos auxilio à Luísa Micaela, também conhecida por GPS da Raquel, e lá fomos até Dornes. Uma aldeia muito pequena, onde nem mercearia há, mas há o senhor das bifanas. Quando nos sentamos para aproveitar a incrivel e natural paisagem eu avistei as canoas. foi então, que o meu lado competitivo tomou conta de mim e ludibriei toda a gente a uma corrida de canoas… Ou assim eu achava. Sim porque, na verdade andamos foi a passear pelo rio, porque estava demasiado calor para fazermos maluqueiras… Mas valeu muito a pena. Foi deveras incrivel, com excepção do corte que ambas, eu e a Raquel, fizemos nos pés. Como diria o meu Sr. Pai:”Gajas, são fraquinhas”.

Depois de rotos, e eu ter voltado a experimentar a loucura e libertação de me passear de biquíni, num espaço onde já ninguém repara em ninguém, mas repara se há água fresca num raios de 5 cm, voltamos ao resort do século antepassado, ora o céu ainda estava bem iluminado e nenhum de nós tinha coragem de recolher, então montamos o estaminé no jardim e fizemos o duelo de mentes, Trivial Porsuit. Desta vez a Raquel deu-nos um “bailinho da madeira”… e depois quando jogamos Uno, dançamos, novamente todos, o bailinho mas desta feita de Vilar do Paraíso!

Como tudo o que é bom acaba, chegamos a domingo. Carregamos calmamente o carro, ainda fomos a Tomar, para torrar. Sim porque 39º não é temperatura para gentes do litoral. Quando entramos no carro e começamos a fazer o caminho de volta, iniciamos aquilo a que eu chamo de habito nas viagens com o Diogo e a Raquel. A rixa de canções, ou seja pomos um CD a tocar aos berros e vimos a viagem toda a seleccionar as musicas que conhecemos e cantamos a plenos pulmões. Este é para mim dos melhores momentos da viagem. Todos descomprimimos e parece que estamos a fazer o remake do  video clip da Alanis Morisset, “Ironic“. Eu faço o instrumental e a Raquel, nesse momento canta sempre INSTRUMENTAL. Os rapazes, acabam contagiados com a nossa dose de loucura e começam a cantar alto. O Rui adora cantar, mas evita fazê-lo em frente aos outros, nestes momentos até perde a cabeça e buzina. O Diogo, finalmente mostra o seu lado verdadeiramente descontrolado e canta tambem ele cheio de vontade. Parecemos novamente miúdos. Eu consigo facilmente transportar-me para as minha viagens em família, onde todos cantávamos e riamos descontroladamente.

Em resumo, o fim de semana foi incrivelmente positivo. Jogamos jogos de cartas e tabuleiro (ainda que tenhamos ignorado as regras do scrabble), fizemos um piquenique à beira rio com toalha e comida caseira, cantamos a plenos pulmões somente musicas portuguesas. Assim vale a pena uns dias de lazer. Obrigada à “seita”, que tem um radar mas não apanha Wi-Fi no ar!

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Quando à receita de hoje, vou dar a dos wraps que foi o nosso piquenique.

WRAPS DE PIQUENIQUE

O que vais precisar?

  • Fajitas ou wraps, comprado no supermercado;
  • Pesto, pode ser feito ou comprado;
  • Peito de frango, um por wrap;
  • Fiambre de peru e queijo fatiados;
  • Bacon fatiado
  • Tomate cortado em fatias.

Como vais fazer?

  1. Grelhas o peito de peru e na chapa quente passas o bacon para espalhar a gordura;
  2. No centro do wrap, espalhas uma colher de sopa de pesto, colocas o peito de peru e o bacon, depois o tomate e por cima as fatias de queijo e fiambre;
  3. Fechas o wrap, e com auxilio de uns palitos fixas para ele não abrir.

PS1: Eu ainda estou em dieta por isso não coloquei nem queijo nem bacon.

PS2: O pesto pode ser qualquer um, eu usei o de rúcula e ervas.

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PS3: A Raquel fez um post e falou do maracujá, passa !

http://raquelbookshelf.wordpress.com/2014/08/18/amigos-castanheiros-ou-os-limites-do-maracuja/

Iogurtes da pequena Gequinha!

Já contei que em miúda fui muito mimadinha, que fui a menina bonita e a mais nova de 4 até aparecer a Piolha. Mas não contei que apanhava joaninhas, passava por baixo do vagões do comboio e que caía como se não houvesse amanhã. Também não contei que comia iogurtes caseiros porque a minha mãe os adorava fazer. Pois bem, hoje vou contar algumas das diabruras que fazia, incitada pela tia Lina, o meu pai ou até mesmo os meus vizinhos. No fim pretendo restituir a receita que a minha mãe fazia e que depois de uma tarde de arrumações decidimos voltar a fazer, iogurtes caseiros.

Pois bem, eu moro numa das zonas mais pitorescas da cidade de Espinho. Ao fundo da rua tenho a praia, ou seja, em noite de temporal ouço as ondas e vejo os relâmpagos, e em tardes de inicio de verão tenho acesso aos mais belos pôr-do-sol que se possa imaginar. Um misto de laranja, vermelho, amarelo, a beijar o verde azulado da água. Na outra ponta da rua, em tempos completamente aberto, tenho as linhas do comboio. A imagem pode não ser simpática, mas acreditem é. Leva-me sempre ao filme de a “Dama e do Vagabundo”, quando o Vagabundo entra em cena para descrever os seus dias. Era assim em Espinho, antes da obra de enterramento da linha.

A vizinhança, essa é pacífica, tirando as pegas entre famílias, porque o marido de A se envolveu com a mulher de B. Hoje pouco se houve a expressão “sua relaxada”, mas aquando da minha meninice ouvia muito e era tão genuíno. Vê-las na rua, nas suas tão típicas poses de revolta a encetar uma luta de palavras agressivas, em que a rua era a arena. Eu falo da rua, porque nessa altura poucos eram os carros que vinham aqui para os nossos lados, era considerada a zona pobre da cidade e nós podíamos brincar ao pirogalo na rua. Hoje já não dá. Hoje a zona tornou-se muito procurada pelos turistas e mesmo Espinhenses, ou seja, já não se vêm miúdos a brincar na rua.

Eu, sendo a mais novinha, ia sempre atrás dos meus primos e nunca queria ficar para traz e brincava à macaca, aos berlindes e claro ao meiinho. Mas também tinha os meus momentos de botânica, que o meu pai considerava horrível porque eu estava a roubar a primavera… Eu juntava as caixas de fósforos da tia Lina e à vinda da escola, pedia-lhe para pararmos na zona da linha do comboio, onde havia muita verdura, para apanhar joaninhas. Eu depois cuidava delas. Não as deixava morrer. Via-me era obrigada a liberta-las porque o meu pai insistia que eu era uma delinquente que roubava a primavera… Raios que inocente. Depois de apanhar as joaninhas, costumávamos ter de passar pelos vagões que estavam parados na linha. Ou subíamos os vagões, ou passávamos por baixo. Este exercício era bastante perigoso e minucioso, os vagões podiam começar a ser deslocado a qualquer momento… Já para não falar que às vezes a mochila ficava presa… vendo bem, era a loucura. O problema é que faziamos isto coma tia Lina… Raios, ela era pior do que nós. Findada esta alquimia de actividades, quase diárias, eu podia brincar com os vizinhos, que por incrível que pareça eram mais rapazes… daí ter até aprendido a jogar berlindes e claro, passar a vida com arranhões e joelhos esfolados. Tudo era uma aventura.

Hoje, por mais incrível que pareça, consegui realizar uma das minhas aventuras de miúda, fazer o caminho para casa pelos caminhos de ferro do vouguinha. Foi delicioso. Eu costumava fazê-lo com o meu pai, mas ele insistia que tinha de ser pelo trilho…. era tão difícil e eu era tão descoordenada… hoje não deu para o fazer, porque o Leo vinha comigo, mas viemos a saltar entre as sulipas do caminho de ferro. Eu gargalhei a ver a desorientação do Leo e bateu a nostalgia… a verdade é que ao chegar a casa e abri o frigorífico para repor energias, eis que lá estavam eles, os iogurtes caseiros. Foi só um cheirinho da minha feliz, alegre e amada infância. Contudo foi o suficiente para me fazer lembrar que já se passaram 20 anos e nunca é tarde para recordar aquilo que tanta alegria nos deu!

IOGURTES CASEIROS

O que vais precisar?

  • Uma iogurteira
  • 1 iogurte natural
  • 1litro de leite
  • 1 colher de sopa de leite em pó
  • 1 colher de sopa de essência de baunilha

Como vais fazer?

  1. Numa taça mistura os ingredientes todos com auxilio de uma varinha mágica. O leite em ultimo;
  2. Divide o preparado pelos copos de iogurte e deixa repousar na iogurteira, ligada, durante 12h;
  3. Ao fim das 12h leva o ao frigorífico por 4h e está pronto a comer.

Eu costumo adicionar uma colher de doce de morango ou outro doce qualquer. Mas também podes pôr uma colher de açúcar. Isto porque ficam iogurtes naturais!

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