O conforto hoje soube-me a trouxas de carne

Versão Portuguesa

Esta coisa de ter um cão e um gato tem mexido com o meu sono. Digo isto de ânimo, muito pouco leve. Até porque, ao fim de alguns dias a conviver com estes relógios ambulantes, já nada é feito de ânimo leve. É mais feito de olhos pesados e corpo cansado.

Quando aceitamos ter a Lili (a gata), a intenção não era tê-la cá em casa. Era mante-la na aldeia, porém, as condições tornaram-se adversas, e a gata teve de vir para a cidade. Veio viver com o seu cão, e com mais um grupo de estranhos que lhe dão comida TOP e muita atenção. No início, para o cão da Gata, tudo foi dramático. De tal forma, que ele acabou nas urgências veterinárias a ser examinado. Quanto à gata do Cão, a essa nada lhe custou. Foi conquistando o seu espaço, como se fosse D. Afonso Henriques. Inicialmente dormia na cozinha, depois começou a abrir os olhos, como o Gato das Botas do Shrek, e num fim-de-semana em que eu não estava, os meus pais deram-lhe tudo. (Tenho para mim que se ela fosse uma borlista, neste momento, nem cidade nem aldeia. Vivia debaixo da ponte.) Dar-lhe tudo, significa podes ir para qualquer parte da casa menos ao último piso. Porque é lá que estão os 7 pássaros. Ora, o fruto proibido é sempre o mais apetecido, escusado será dizer, que ela já por várias vezes que foi apanhada com as patas nas gaiolas e a língua a lamber o focinho. Gata malvada… Eu digo gata malvada, porque ela tem feito do Leo, um escravo Egípcio. Ele bem se revolta, mas duvido que alguma vez se dê ao trabalho de atravessar o deserto. Este Leo, é um subjugado à gata. Eu ainda não entendi porquê. Ele mora nesta casa à 4 anos, toda a gente o adora, até os vizinhos. No entanto, no que toca à Lili ele é um manso. Ela ferra-lhe as patas, ela faz do rabo dele, cabeleira, ela salta por cima dele e agarra-lhe o focinho. O que faz o Palerma?! Precisamente, nada ou então ronca… É revoltante ver um cão, ser subjugado a uma amostra de gato. O problema maior é, todos nós estamos subjugados à Lili…

Chegamos assim ao início desta conversa. A Lili tem um relógio interno. Desde que lhe abriram as portas da casa, ela tirou o Leo da minha cama para poder dormir nela. Ou então o Leo cedeu-lhe a minha casa para não ser assediado. Desde então todos os santos dias, mas todos mesmos, eis que às 7 da manha, ela levanta-se, espreguiça-se e vem ao encontro da minha cara. Senta-se muito quieta e fica a olhar. O relógio desperta, eu digo bom dia, calo o relógio e ela encaminha-se para os meus pés e começa a ferrar. Eu afasto o pé e ela começa a fazer asneiras. Anda pela mobília do quarto a meter tudo ao chão, até eu perder a paciência, e levantar-me. Depois de levantada já não há volta a dar. A gata tem fome e já acordou o cão, da forma mais doce que existe…. Ferrando-o. O cão, desce as escadas numa corrida só e vai para a  porta da cozinha, bater na porta para fazer o seu xixi matinal, e a gata enleia-se nas minhas pernas porque a malga de comida dela está vazia… Com isto, devo admitir que gastei pelo menos 50 minutos. Ou seja, quando finalmente me sento para tomar o meu café da manhã, já o relógio está prestes a dar 8h e eu tenho de sair… Bom dia, digo eu a mim mesma…. Pego na mala, vou para o trabalho.

Hoje andava nos meandros da internet, quando me deparei com umas trouxas de carne, com aspecto muito suculento. Não sei de que forma o meu cérebro, correu para a minha manha de hoje. Que foi exactamente, como a que aqui descrevi. Pensei então, na sorte que tenho, por ter uma família incrivelmente estranha, um cão e uma gata que me massacram. 7 Pássaros, que mal sentem a entrada do sol, já não se calam. Senti-me aconchegada. E porque o aconchego neste momento me soube a trouxas de carne, é precisamente isso que trago. Trouxinhas de carne, em louvor de todos aqueles, que como eu têm uma família tudo menos comum e no entanto sentem que estão no sitio certo!

English version

Having a dog and a cat, messed with my sleep. I speak not freely of mind, because, after a few days living with this clocks, nothing seems freely to me.

When we accept having to Lili (the cat), the intention was not to have it here at home. It was to keep it in the village, however, the conditions become adverse, and the cat had to come to town. She came to live with her dog, and with a group of strangers that give it great food and lots of attention. In the beginning, everything was dramatic, for the Cat’s dog. So, he ended up in the veterinary emergency room being examined. As for the Dog’s cat, it didn’t cost him nothing. It was conquering space, like D. Afonso Henriques. Initially, it slept in the kitchen, then began to open its eyes as Shrek’s Puss in Boots, and then during a weekend of, my parents gave it everything. Give it all, means it can go anywhere in the house less penthouse. Because that is where 7 birds cages are. As you know, the forbidden fruit is always the most wanted, needless to say, she was repeatedly caught with its paws in the cages and tongue licking his nose. Evil Cat … I say evil cat, because she has made of Leo (the dog), an Egyptian slave. He feel angry, but I doubt he would ever bother to cross the desert. Leo is a subjugated to the cat. I still do not understand why. Leo lives in this house for four years, everybody loves him, even neighbors. However, when it comes to Lili he is a silly. She bites his paws, she makes his tail like a wig, she jumps over him and grabs his nose. What does the silly Leo do ?! Precisely, nothing or else he snores at her … It’s sickening to see a dog, being subjugated to a sample of a cat. The biggest problem is, all of u, the adult humans, are subjugated to Lili …

So we come to the beginning of this conversation. Lili has an internal clock. Since they opened the doors of the house, she took Leo from my bed to be able to sleep in it. Or Leo gave her my home to avoid being harassed. Since then all days, at 7 am, she gets up, stretches and meets my face. She sits very still and stares at me. The clock rings, I say good morning, shush the clock and she forwards to my feet and begins to bite my toes. I pull my foot away and she starts making trubles. Walks through the bedroom furniture to put everything on the floor until I lose patience and get up. After being up, I no longer sleep. The cat is hungry and has already waked the dog, in the sweetest way…. biting him. The dog, runs down the stairs and goes to the kitchen door, knocks on the door to make his morning pee, and the cat, she is around my legs because her food bowl is empty … With this, I must admit I spent at least 50minutos. That is, when I finally sit down to take my breakfast it is about 8am and I have to leave … Good morning, I say to myself …. Caught my bag, I leave to work.

Today I was wondering around internet, when I came across little meat pies, with very juicy aspect. I do not know how my brain went for my morning today. Which was exactly like the one I described here. Then I thought, how lucky I am for having an incredibly strange family, a dog and a cat bother me. 7 Birds, who barely feel out the sun, no longer get silent. I felt cozy. And because the warmth at this time knew me in front of meat pies, that is precisely what I bring. Meat pies, in honor of all those, who like me, have a family anything but ordinary and yet feel that they are in the right place!

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TROUXAS DE CARNE (serve 4)

O que vais precisar?

  • 1 rolo de massa quebrada;
  • 150gr de presunto, cortado em pedaços pequenos;
  • 4 fatias de queijo;
  • 4 colheres de café de orégãos;
  • 4 tomates cherry

Como vais fazer?

  1. Liga o fogão a 200º.
  2. Divide o rolo de massa quebrada em quatro;
  3. Corta os tomates em rodelas pequeninas;
  4. Enrola as fatias de queijo e corta-as também em pequenas rodelas;
  5. Em cada pedaço de massa quebrada, dispõe os orégãos, depois o tomate, de pois o queijo e por fim o presuntos.
  6. Fecha o pedaço de massa quebrada como se fosse um embrulho;
  7. Leva ao forno num tabuleiro bem untado com azeite;
  8. deixa assar até ficar louro.

Come e saboreia a sensação de conforto!

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Quando num dia estás e no outro já não…

Versão Portuguesa

Existem momentos nas nossas vidas que nos fazem questionar, até que ponto vale a pena andar por estes lados.

Eu tive um desses momentos este fim-de-semana.

Eu não sou muito de olhar para a vida, e pensar na sorte de ser bafejada com tantas coisas boas e pessoas incríveis. Sou mais do tipo, ainda bem que aqui estás. Sigo em frente, amanhã é outro dia, mas o que conta é o hoje. O problema é que tudo é efémero, e já dizia o João Pedro Pais:” Ninguém é de ninguém, mesmo quando se alma alguém”. Todos temos um caminho, pessoas a encontrar, todos temos pessoas a quem tocar. Ou seja, a vida é feita de pequenas ligações que de alguma forma nos vão fazer chegar a outros, ou que de alguma forma nos vão fazer crescer.

Todos temos, ao longo dos anos, encontros e desencontros, e muitas vezes fazemos comentários como: “Raios, 10 minutos da minha vida perdidos”. A verdade, é que não é bem assim, esses 10 minutos, a certa altura da vida vão responder a alguma questão.

Quando eu era miúda, comecei a conviver com 3 senhoras com alguma idade, 2 ainda não eram consideradas idosas, mas a terceira não só era idosa, como teve uma passagem física por mim quase tão rápida como o desenvolvimento de um bebé na barriga da mãe. Porém, gravo memórias dela sentada na sua poltrona e muito parca em palavras. Do contacto com essas três “meninas”, recordo o gelado feast, mas não é aquele que hoje temos à venda, é um primo afastado cujo interior era feito de leite e o exterior chocolate negro e amêndoa. Este gelado aparecia imensas vezes, depois de jantares que tínhamos em casa daquelas três. Eu e a Marta acabávamos quase sempre, no jardim a lambuzarmo-nos com o gelado, enquanto os adultos à mesa conversavam sobre coisas que nunca me chamaram muita atenção. Os jantares ali repetiram-se durante alguns anos, alguns deles já sem a velhinha, mais velhinha.

Os aos passaram, e as duas restantes mantiveram-se sempre por perto. Ou porque as laranjas tinham rebentado e estava na hora de ir buscar algumas, ou porque o natal estava à porta e as couves estavam à espera. Enfim, sempre foram duas pessoas que perdido e achado lá ouvíamos falar nelas.

Entretanto os invernos, que aos olhos da juventude sabem a camisolas quentes, novas e giras, aos olhos da Ilda e da Gracinda, tornaram-se demasiado frios. Como os amigos eram a única opção para as duas, a decisão foi pedir ajuda para passar mais um inverno.

Os amigos, os meus pais, fizeram o que tantas vezes sentiram não ser capazes de fazer, adotaram as duas como se de filhas se tratassem. Filhas mais velhas é certo, mas filhas. Ora eu e a Marta, já sem feast, aproveitamos e adotamo-las também. Tias ou as Avós que tão cedo nos foram arrancadas.

Em resumo, passamos de uma família de 4 com um cão a uma família de 6 com cão e gato. Fizemos tudo o que uma família normal e feliz faz. Até tínhamos aquela avó que fala muito e não diz coisas muito acertadas, que também é a avó que opina sobre tudo o que não sabe. Que também é a avó que muitas vezes queremos que se cale um bocadinho, porque já chateia. Contudo, é avó. Os avós são aquelas pessoas que apesar de tudo, ficam altamente felizes quando estamos por perto. A Gracinda era assim, adorava que lhe arranjasse as unhas, que lhe desse coisas doces, que na mesa houvesse sempre salada com tomates e alfaces do campo dela, que ao domingo o meu pai a levasse ate ao café para ela poder conversar com as novas amigas. Era uma pessoa de lida simples, o que justifica o facto de tanta gente a conhecer. Era uma pessoa vaidosa, com 50 saias no armário e mesmo assim, precisava de uma nova… Teimosia não lhe faltava, o não, ia acabar sempre em sim. Enfim, uma jovem num corpo travesso e mal mandado.

Os invernos são mesmo muito rigorosos, para alguém tão vivo de espirito e fraco de corpo. Os invernos levam-nos parte da alma quando não conseguimos ver com clareza a cor das flores… Mas foi no fim da primavera que a Gracinda deixou de ver tudo, a partir do corpo que lhe designaram à 85 anos atrás.

Resta-me agora a avó Ilda, de cabeça branquinha como a neve, pele crestada pelo sol, e olhos da cor do céu em dia de sol. Para compensar, o facto de nem sempre ter tido paciência com a Gracinda, vou aproveitar bem a Ilda. Não sei se ma tiram no fim deste verão ou só do próximo. Sei, que não quero nada sentir a sensação de perda que senti este fim-de-semana que passou.

English Version

There are moments in our lives that make us question, why are we here?

I had one of those moments this past weekend.

I’m not much to look at life, and think about the good fortune to be graced with so many good things and amazing people. I’m more like, I’m glad you’re here. Go on, tomorrow is another day, but what counts is today. The problem is that everything is ephemeral, like João Pedro Pais’ song: “No one belongs to anyone, even when you’re in love.” We all have a way, people to find, people to tuch. In other words, life is made of small encounters that somehow we are going to have and somehow will make you grow.

Over the years, we might say sometimes: “Damn, 10 minutes of my life lost, because of this person” The truth is, these 10 minutes, at a certain point of life will answer any questions in our life.

When I was a kid, I started to private with 3 ladies with long age, 2 were not considered elderly, but the third was not only elderly, as had a physical passage for me almost as fast as the development of a baby in the womb . However, I remember her, sitting in her chair and sparse in words. In the contact with these three “girls”, I remember the ice cream feast, but it is not one that today we have for sale nowadays, is a distant cousin whose interior was made of milk and the outside black and almond chocolate. This ice cream appeared many times, after dinner we had at home of those three. Myself and Marta spent time after dinner eating ice cream in the garden, while the adults at the table talked about things that never caught my attention. The dinners there were repeated for a few years, some of them already without the elder lady.

Years gone, and the remaining two ladies were always around. Either because oranges were busted and it was time to go get some, or because the Christmas was at the door and the sprouts were waiting. Anyway, they were always 2 people in our life.

Suddenly winters came by. For the eyes of young people this means warm, cute and new sweaters, but for both, Ilda and Gracinda, it became too cold. As friends were the only option for the two, the decision was to ask for help to spend another winter.

Friends, my parents, did what so often they felt not be able to do, have adopted two daughters as if they were theirs. Older daughters, but daughters. Now myself and Martha have no feast, but decided to adopt them as well. Aunts or grandparents, like the ones that so early were taken from us.

In short, we went from a family of 4 with a dog to a family of 6 with dog and cat. We did everything a normal, happy family does. We even had one grandmother who talks a lot and says things not very right, which is also the grandmother who opines on everything you do. Which is also the grandmother who often you want to shut up a little, because it’s boring. However, she is grandmother. Grandparents are those people who after all, are highly happy when we’re around. Gracinda was like that, she loved when we spent time doing her nails, when we gave her sweet things, when salads were cooked with tomatoes and lettuce from her field, when on Sunday my father took her to the café house so she could talk to the new friends. It was a person of simple deal, which justifies the fact that so many people knew her. She was also a bit vain, 50 skirts in the closet and still needed a new one … Stubbornness was her deal, not, would always end in a yes for her. Finally, she was a young woman in a mischievous and evil warrant body.

Winters are really strict, for someone with such an alive spirit and weak body. Winters take us part of the soul when we cannot see clearly the color of the flowers … But it was in the late spring that Gracinda left to see everything from the body given to her 85 years ago.

Now we only have Ilda, a grandmother with hear colored as snow, light brown skin colored by the sun, and eyes with the color of the sky on a sunny day. To compensate, the fact that I did not always had patience with Gracinda, I will have more patience with Ilda. I do not know if she will be taken from me later this summer or just on the next one. I know, I do not want anything to feel the sense of loss I felt this past weekend.

Natal e rabanadas… no forno!

Decidi que de hoje até ao natal vou fazer post’s, somente relacionados com o Natal. Ou seja, receitas natalícias e historias a combinar. Já estás a enjoar? Como é possível? Eu tenho um fascínio incomensurável pelo Natal. Vários são os motivos, sendo que o melhor de todos é a onda de boa vontade e caridade que se sente nesta altura. Todos temos a sensação de que o mundo é realmente afável e cheio de pessoas boas. Falsa sensação, será? Eu não acredito nisso. Acredito sim, que muitas pessoas têm a doçura tão escondida que só sobe à superfície quando ouvem as musicas natalícias. Ou então, quando na televisão aprece alguém a viver em baixo da ponte, e cuja refeição de natal não passa de uma marmita oferecida pelos voluntários do Natal. Todos aqueles que se decidem por um natal diferente, onde a regra não é estar em família, mas sim ajudar o próximo. São imagens tocantes, principalmente quando assistes a isto enquanto estás sentada à lareira a comer a bela da rabanada e as luzes estão todas acesas… Eu fui ensinada, pela minha crença, que o nascimento do menino Jesus é uma época de esperança, de união. De conforto. No entanto, a sociedade banaliza muito e acaba por se esquecer de passar os verdadeiros motivos dos festejos, recordando somente a parte do consumismo. Eu quando era miúda agia praticamente da mesma maneira, passava horas a pensar na carta ao Pai Natal. Quais os brinquedos, tendo inclusivamente pesadelos porque me tinha esquecido de mencionar que queria a boneca dos arrotos e não só o carrinho de bebé… ou então o facto de o pobre Pai Natal não ter forma de trazer a minha bicicleta pela chaminé abaixo… Contudo o meu pai, que lia sempre as minhas cartas e as corrigia antes de irem para o Polo Norte, mencionava-me sempre a importância de referir o quão sensibilizada eu estava com a fome e a tristeza dos que têm nada. Eu achava aquilo uma perda de tempo, mas se a intenção era conseguir entregar a carta a tempo, que fosse. Eu escrevia. Hoje olho para traz,e penso que a intenção dele era alertar-me para a realidade do mundo. Até porque o Pai Natal sabe de tudo, sabe se te portas bem ou mal… Com os anos, fui absorvendo aquele primeiro paragrafo da minha carta ao Pai Natal e hoje sei, que o Pai Natal não pode fazer grande coisa pelo pobre que vai dormir debaixo da ponte. Contudo, descobri que o Pai Natal e o menino Jesus juntos, podem ajudar o comum mortal a tornar a ceia do pobre muito mais quentinha. Como a que nós fazemos nas nossas casa. Por isso é que eu gosto tanto do espírito natalício, todos somos invadidos pelo tsunami da ajuda ao próximo e aprendemos a pensar no primeiro paragrafo como uma realidade que cabe a todos nós ajudar a ultrapassar, e não ao Pai Natal. Por isso hoje, decidi agradecer a todas as pessoas que fazem o magnifico trabalho, de oferecer Natal aos que dificilmente sabem em que dia estamos. Obrigada. São pessoas como vocês que me fazem acreditar que o Natal não é só uma época de consumismo, é uma época de amor e entreajuda. Se eu me sinto mal por não fazer o mesmo? Não. Sinto que se durante o resto do ano eu puder ajudar, dando-me aos que precisam de mim, posso tirar umas ferias na noite de Natal. Chorar feita maluca, porque os outros estão a ser uns anjos, comer a minha rabanada quentinha e ao mesmo tempo rezar para que no próximo ano não se restrinjam à noite de natal. Ok, e ser egoísta porque não troco o meu lugar à lareira por uma noite nas ruas com os que precisam… Obrigada do fundo do coração, a todos os voluntários do Natal. Vocês são realmente especiais. Por falar em rabanadas… RABANADAS DE FORNO O que vais  precisar?

  • pão recesso. Pode ser cacete, ou pão normal com alguns dias
  • Açúcar qb;
  • 1l de leite (magro ou meio gordo)
  • 2 ovos batidos
  • 1 pau de canela
  • 1 casca de limão
  • canela em pó q.b.
  • manteiga/margarina para untar

Como vais fazer?

  1. Corta o pão em fatias com 1cm de espessura;
  2. leva ao lume o leite com 5 colheres de sopa de açúcar,  pau de canela e a casca de limão;
  3. Quando o leite estiver prestes a ferver retira-o do lume e deixa arrefecer;
  4. Bate 2 ovos e assim que conseguires colocar 1 dedo dentro do leite, adiciona os ovos e mexe, com ajuda de uma varinha;
  5. Liga o forno nos 200º;
  6. Untar uma forma com uma boa quantidade de manteiga ou margarina;
  7. Ensopa o pão no preparado e leva ao forno;
  8. Quando começarem a ganhar cor, retira-as e dispõe num prato;
  9. Polvilha-as com canela e açúcar;
  10. Se resistires, óptimo para a tua coxa, se não conseguires. Come-as ainda quentes que é de chorar por mais!

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Quando o calor te traz marmelada!!!

Chegou aquela altura do ano em que as arvores brotam frutos. Vá este ano com algum atraso porque o clima anda tresloucado, mas não importa. Finalmente começaram a chegar cá a casa os frutos tão doces e típicos do mês de agosto, figos e marmelos. Dos figos o pouco que posso dizer está relacionado com o fascínio do meu pai, da minha mãe e da tia Lina, que não é minha já que eu a partilho com toda a gente. Estes três elementos fulcrais na minha vida, para alem do fascínio por figos e o amor que nutrem por mim, são diabéticos. Um deles é inclusivamente insulina-dependente. Não vou nomear quem é, dou só a pista que é o elemento que não é só meu mas do mundo. Pois bem estes três adoram figos. Contudo, existe algo que eles gostam mais do que figos, chama-se marmelada e geleia. De tal forma que rapidamente foi introduzida na minha cultura, a sobremesa Romeu e Julieta. O meu pai comia com muita frequência e depois ganhou juízo.

Só  à parte, eu tenho um primo que não conhece mais nenhum tipo de sobremesa, somente Romeu e Julieta. Bruno, estamos contigo, mas o mundo é vasto em coisas novas… e que tal profiteroles ou mousse de chocolate???

Pois bem, voltando à marmelada e geleia, todos são fãs. Principalmente quando é caseira. Para nossa sorte nesta altura, aparecem sempre muitos cestos de marmelos ca em casa… seja porque a tia Lina marralhou na feira, ou porque um amigo aleatório dos meus pais tem um marmeleiro e decidiu abençoar-nos com a sua dádiva. Até ao corrente ano eu fui só menina de cheirar o vapor dos cozinhados de marmelada e geleia. Vá, dava para provar. Além disso, sempre que faço um rolo recheio com geleia, porque quando não o faço, tanto o meu pai como a minha mae, como a tia Lina verbalizam o seguinte:’ tá bom, mas para a próxima recheia com geleia’… e acabo a fazer isso mesmo. Contudo, este ano fui eu quem fez as conservas cá de casa!!! Vá, não fiz bem bem sozinha. Primeiro, porque os marmelos apareceram descascados, e tanto eu como as minhas unhas agradecemos. Segundo, porque a minha mãe funcionou praticamente como um GPS atualizado e foi-me dando as indicações acertadas para eu não acabar a estragar 10kg de marmelos… de qualquer forma, devo dizer que foi um trabalho árduo. Estar na cozinha, a mexer os panelões, sempre preocupada com as consistências, tonalidades e cheiro… foi tão desgastante. De tal forma, que nesse dia acabei por ir até à praia descomprimir. Atividade que este ano, apesar da chegada dos marmelos, se está a tornar cada vez mais escassa por causa do tempo temperamental.

Em resumo, hoje trago a receita de marmelada e geleia da minha mãe. Ah aposto que pensavas que te ia dar a famosa receita do Romeu e Julieta… pronto, eu dou. Tudo em prol do facto de teres alguém na família que suspira pela combinação agridoce desta sobremesa… que não passa de uma fatia de queijo limiano, grossa, e uma fatia de marmelada, igualmente grossa… é verdade o meu pai adora… quanto ao meu primo Bruno, não vou comentar, a relação dele com esta sobremesa é parecida com a relação do Romeu e da Julieta, todos são contra mas eles amam-se.

Quanto aos meus três diabéticos, tenho a dizer que passo a vida a esconder a geleia e a marmelada… mas eles farejam… é como se o açúcar lhes estivesse no sangue… espera eu sei, está.

MARMELADA

O que vais precisar?

  • 2kg de marmelos descascados (reservas as cascas);
  • 1,750kg de açúcar.

Como vais fazer?

  1. Começas por retirar os caroços aos marmelos. Junta as cascas e os caroços e reserva, com eles vais fazer a geleia;
  2. Cozes os marmelos em agua;
  3. Côa-se o liquido e passa-se com a marinha mágica;
  4. Adicionas o açúcar ao marmelo cozido e levas ao lume. Com uma colher de pau vai mexendo a marmelada ate engrossar;
  5. Deixa arrefecer e um bocado e divide por recipiente de conserva.

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GELEIA

O que vais precisar?

  •  cascas e caroços dos 2kg de marmelos;
  • Açúcar q.b.

Como vais fazer?

  1. Cozes em água as cascas e caroços. Coze muito bem;
  2. Coa o liquido e reserva;
  3. Pesa o liquido e adiciona a mesma quantidade de açúcar. Por exemplo, 1litro de liquido 1kg de açúcar;
  4. Leva novamente ao lume e vai mexendo até ficar com um tom avermelhado;
  5. Divide por recipientes de conserva e tens geleia todo o ano.

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