O conforto hoje soube-me a trouxas de carne

Versão Portuguesa

Esta coisa de ter um cão e um gato tem mexido com o meu sono. Digo isto de ânimo, muito pouco leve. Até porque, ao fim de alguns dias a conviver com estes relógios ambulantes, já nada é feito de ânimo leve. É mais feito de olhos pesados e corpo cansado.

Quando aceitamos ter a Lili (a gata), a intenção não era tê-la cá em casa. Era mante-la na aldeia, porém, as condições tornaram-se adversas, e a gata teve de vir para a cidade. Veio viver com o seu cão, e com mais um grupo de estranhos que lhe dão comida TOP e muita atenção. No início, para o cão da Gata, tudo foi dramático. De tal forma, que ele acabou nas urgências veterinárias a ser examinado. Quanto à gata do Cão, a essa nada lhe custou. Foi conquistando o seu espaço, como se fosse D. Afonso Henriques. Inicialmente dormia na cozinha, depois começou a abrir os olhos, como o Gato das Botas do Shrek, e num fim-de-semana em que eu não estava, os meus pais deram-lhe tudo. (Tenho para mim que se ela fosse uma borlista, neste momento, nem cidade nem aldeia. Vivia debaixo da ponte.) Dar-lhe tudo, significa podes ir para qualquer parte da casa menos ao último piso. Porque é lá que estão os 7 pássaros. Ora, o fruto proibido é sempre o mais apetecido, escusado será dizer, que ela já por várias vezes que foi apanhada com as patas nas gaiolas e a língua a lamber o focinho. Gata malvada… Eu digo gata malvada, porque ela tem feito do Leo, um escravo Egípcio. Ele bem se revolta, mas duvido que alguma vez se dê ao trabalho de atravessar o deserto. Este Leo, é um subjugado à gata. Eu ainda não entendi porquê. Ele mora nesta casa à 4 anos, toda a gente o adora, até os vizinhos. No entanto, no que toca à Lili ele é um manso. Ela ferra-lhe as patas, ela faz do rabo dele, cabeleira, ela salta por cima dele e agarra-lhe o focinho. O que faz o Palerma?! Precisamente, nada ou então ronca… É revoltante ver um cão, ser subjugado a uma amostra de gato. O problema maior é, todos nós estamos subjugados à Lili…

Chegamos assim ao início desta conversa. A Lili tem um relógio interno. Desde que lhe abriram as portas da casa, ela tirou o Leo da minha cama para poder dormir nela. Ou então o Leo cedeu-lhe a minha casa para não ser assediado. Desde então todos os santos dias, mas todos mesmos, eis que às 7 da manha, ela levanta-se, espreguiça-se e vem ao encontro da minha cara. Senta-se muito quieta e fica a olhar. O relógio desperta, eu digo bom dia, calo o relógio e ela encaminha-se para os meus pés e começa a ferrar. Eu afasto o pé e ela começa a fazer asneiras. Anda pela mobília do quarto a meter tudo ao chão, até eu perder a paciência, e levantar-me. Depois de levantada já não há volta a dar. A gata tem fome e já acordou o cão, da forma mais doce que existe…. Ferrando-o. O cão, desce as escadas numa corrida só e vai para a  porta da cozinha, bater na porta para fazer o seu xixi matinal, e a gata enleia-se nas minhas pernas porque a malga de comida dela está vazia… Com isto, devo admitir que gastei pelo menos 50 minutos. Ou seja, quando finalmente me sento para tomar o meu café da manhã, já o relógio está prestes a dar 8h e eu tenho de sair… Bom dia, digo eu a mim mesma…. Pego na mala, vou para o trabalho.

Hoje andava nos meandros da internet, quando me deparei com umas trouxas de carne, com aspecto muito suculento. Não sei de que forma o meu cérebro, correu para a minha manha de hoje. Que foi exactamente, como a que aqui descrevi. Pensei então, na sorte que tenho, por ter uma família incrivelmente estranha, um cão e uma gata que me massacram. 7 Pássaros, que mal sentem a entrada do sol, já não se calam. Senti-me aconchegada. E porque o aconchego neste momento me soube a trouxas de carne, é precisamente isso que trago. Trouxinhas de carne, em louvor de todos aqueles, que como eu têm uma família tudo menos comum e no entanto sentem que estão no sitio certo!

English version

Having a dog and a cat, messed with my sleep. I speak not freely of mind, because, after a few days living with this clocks, nothing seems freely to me.

When we accept having to Lili (the cat), the intention was not to have it here at home. It was to keep it in the village, however, the conditions become adverse, and the cat had to come to town. She came to live with her dog, and with a group of strangers that give it great food and lots of attention. In the beginning, everything was dramatic, for the Cat’s dog. So, he ended up in the veterinary emergency room being examined. As for the Dog’s cat, it didn’t cost him nothing. It was conquering space, like D. Afonso Henriques. Initially, it slept in the kitchen, then began to open its eyes as Shrek’s Puss in Boots, and then during a weekend of, my parents gave it everything. Give it all, means it can go anywhere in the house less penthouse. Because that is where 7 birds cages are. As you know, the forbidden fruit is always the most wanted, needless to say, she was repeatedly caught with its paws in the cages and tongue licking his nose. Evil Cat … I say evil cat, because she has made of Leo (the dog), an Egyptian slave. He feel angry, but I doubt he would ever bother to cross the desert. Leo is a subjugated to the cat. I still do not understand why. Leo lives in this house for four years, everybody loves him, even neighbors. However, when it comes to Lili he is a silly. She bites his paws, she makes his tail like a wig, she jumps over him and grabs his nose. What does the silly Leo do ?! Precisely, nothing or else he snores at her … It’s sickening to see a dog, being subjugated to a sample of a cat. The biggest problem is, all of u, the adult humans, are subjugated to Lili …

So we come to the beginning of this conversation. Lili has an internal clock. Since they opened the doors of the house, she took Leo from my bed to be able to sleep in it. Or Leo gave her my home to avoid being harassed. Since then all days, at 7 am, she gets up, stretches and meets my face. She sits very still and stares at me. The clock rings, I say good morning, shush the clock and she forwards to my feet and begins to bite my toes. I pull my foot away and she starts making trubles. Walks through the bedroom furniture to put everything on the floor until I lose patience and get up. After being up, I no longer sleep. The cat is hungry and has already waked the dog, in the sweetest way…. biting him. The dog, runs down the stairs and goes to the kitchen door, knocks on the door to make his morning pee, and the cat, she is around my legs because her food bowl is empty … With this, I must admit I spent at least 50minutos. That is, when I finally sit down to take my breakfast it is about 8am and I have to leave … Good morning, I say to myself …. Caught my bag, I leave to work.

Today I was wondering around internet, when I came across little meat pies, with very juicy aspect. I do not know how my brain went for my morning today. Which was exactly like the one I described here. Then I thought, how lucky I am for having an incredibly strange family, a dog and a cat bother me. 7 Birds, who barely feel out the sun, no longer get silent. I felt cozy. And because the warmth at this time knew me in front of meat pies, that is precisely what I bring. Meat pies, in honor of all those, who like me, have a family anything but ordinary and yet feel that they are in the right place!

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TROUXAS DE CARNE (serve 4)

O que vais precisar?

  • 1 rolo de massa quebrada;
  • 150gr de presunto, cortado em pedaços pequenos;
  • 4 fatias de queijo;
  • 4 colheres de café de orégãos;
  • 4 tomates cherry

Como vais fazer?

  1. Liga o fogão a 200º.
  2. Divide o rolo de massa quebrada em quatro;
  3. Corta os tomates em rodelas pequeninas;
  4. Enrola as fatias de queijo e corta-as também em pequenas rodelas;
  5. Em cada pedaço de massa quebrada, dispõe os orégãos, depois o tomate, de pois o queijo e por fim o presuntos.
  6. Fecha o pedaço de massa quebrada como se fosse um embrulho;
  7. Leva ao forno num tabuleiro bem untado com azeite;
  8. deixa assar até ficar louro.

Come e saboreia a sensação de conforto!

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Leo, o cão que canta

Eu sei que por norma quando aqui faço um post, tem uma receita associada. Porem, hoje é diferente…

Já aqui falei do meu cão orelhudo, abelhudo e dependente da família. Ou seja, se algum de nós sai por 2 dias o animal começa a entrar em depressão. Ele é típico português, porque sofre o fado e a saudade como poucos. Em resumo, eu estou aqui hoje para comprovar como é verdade.

Não sei se te lembras do anuncio da Mokambo que devia passar na televisão algures entre 1990 e 2005. Era um onde a família se atrasava para o trabalho, todos a correr e a tomar o seu Mokambo, a mãe preparava e todos iam buscando o pequeno-almoço. No meio todos cantavam a musica do spot. A letra era:

“Diga bom dia com Mokambo Mokambo Mokambo;

O gosto é bom bom bom bom bom;

e diga Mo e diga Mo (nesta altura não me lembro bem se não era o pai a comer uma torrada e a tentar cantar);

diga bom dia com Mokambo;

Mokambo, Mokambo“.

A publicidade em muitos dias fazia lembrar o drama matinal, vivido cá em casa. Então eu, que por norma tenho um acordar bem disposto, passava a vida a cantar isto. Os anos passaram, o meu antigo cão morreu e adoptamos o Leo. O Leo, segundo a veterinária, tem muita gente a puxar por ele. Resumidamente, ele percebe praticamente tudo, sendo que se julga dono da razão, esquecendo-se que é um cão.  Isto para explicar, que à uns tempos, numa manhã solarenga, veio-me à mente a musica do Mokambo, e comecei energética a cantar. Qual não foi o meu espanto, o Leo começou a acompanhar. Correu excitadissimo para vir ao meu encontro e fazer o dueto. Eu não percebi muito bem o que se estava a passar, então uma vez por outra lá me surge a canção e ela faz um som super engraçado. Como se estivesse a cantar. Inicialmente, só fazia comigo. Eu achei que era porque cantava mal, pronto eu não sou cantora, percebo de musica, mas dou muitas ao lado. Mas ás tantas começou a fazer com a minha mãe e a minha irmã. Sendo que se recusa a fazer com o meu pai. Resumindo, ou o Leo quer uma carreira de cantor publicitário da Nestlé, ou então está a dizer-me avidamente:”Gecla, cala-te que eu já não aguento a pressão!”

Vou colocar aqui o vídeo para opinares sobre se ele quer ser cantor ou está a mandar-me calar?!

https://www.youtube.com/watch?v=35D90bNJvig (só consegui esta versão da publicidade original… mas não é bem esta)

(está neste link o Leo, porque pelos vistos o vídeo é demasiadamente grande para colocar aqui….)

Incentivos ao exercício físico !

Todos precisamos constantemente de pequenos incentivos para tornar os nossos dias ainda mas apetecíveis. Óbvio, que o facto de viver com uma saúde não problemática, é o maior incentivo que o ser humano pode pedir. Contudo, todos sentimos falta de novos desafios, novas formas de evoluir e crescer. Pronto, eu sei que nem todos somos assim, mas muitas pessoas são. Ou pelo menos é assim que a minha inocência me permite ver o ser humano.

Toda esta panóplia de incentivos, lembra-me a minha mais recente actividade. Caminhadas. Não é correr, que isso é para quem perdeu o juízo, é caminhar longos percursos com um passo acelerado. Nos meus tempos de jovem inconsequente, eu fazia longas caminhadas, acompanhada ou sozinha. Fazia-o por vontade e necessidade, contudo, hoje sendo eu uma mulher madurita, tenho necessidade de incentivos para tornar possível esta prática de exercício saudável. Ok, podes pensar do género, ontem comeste uma fatia a mais de bolo, o incentivo é tira-la do teu sistema. Verdade, mas só isso já não é mais um incentivo. Preciso de mais. Surgem então elementos fulcrais, um MP3 que o namorado me cedeu, para eu encher de musicas brasileira. Isto depois de eu ter insistido, que tinha de comprar qualquer coisa desse género mas faltava-me a vontade. Ou seja, já temos o MP3, a fatia de bolo que comi a mais e o que poderia faltar? Boa Angélica, contigo é só incentivos. Falta-me a companhia. Se em tempos eu tive a minha prima Patrícia, hoje é mais difícil porque ela tem uma bebé. Enquanto penso nisto e, me dedico a comer umas quaisquer bolachas de manteiga, surge-me a resposta… Vem a correr da cozinha, para ser mais franca, porque ouviu o barulho das bolachas a serem trincada. O Leo. Não há sensação melhor do que levar um monte de pelo a caminhar. Para ele tudo é alegria, os cheiros, as pessoas, o longo caminho, os barulho… enfim tudo. Para mim é o coração derretido por ver o meu amigo de 4 patas tão feliz. Em suma, tudo reunido e um dia ameno é a receita certa para eu acordar energética e fazer os meus 10km a pé. Nunca pensei que isto me pudesse sair do sistema, mas aqui vais: “É incrível fazer caminhadas!!” 

Toda esta minha descrição me leva à minha mais recente experiência altamente calórica. Farófias! E tu pensas, Angélica o que tem farófias a ver com caminhadas? Tudo, porque depois de experimentares comer esta sobremesa vais realmente precisar de umas caminhadas para poderes extrair este elemento do teu sistema. De contrário sempre que vestires o biquíni, vais ver a farófia no teu antigo ventre liso! Ou seja, eu iniciei o meu processo de caminhadas de 2014 depois de a minha mãe ter pedido para eu fazer farófias para a sobremesa. Logo, aqui está o meu primeiro incentivo, as farófias e não a fatia de bolo.

Posto isto, vou aqui deixar a minha receita de farófias e também uma imagem do Leo nas caminhadas… Aviso já que ele está sem pelo porque já era difícil para ele caminhar tanto e com tanto pelo!

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FARÓFIAS

O que vais precisar?

  • 7 claras
  • 2 ovos inteiros
  • 7 copos de leite + 1 copo de leite
  • 8 colheres de sopa de açúcar
  • 7 colheres rasas de farinha maizena
  • 2 paus de canela
  • 1 saco de palitos de la Rene
  • 2 cafés bem fortes e quentes
  • 1 copo de shot de licor de chocolate
  • 1 casca de limão

Como vais fazer?

  1. Bates as 9 claras até ficarem bem espessas e guarda as 2 gemas restantes;
  2. Numa panela colocas o leite, o açúcar, os paus de canela, e a casca de limão e leva ao lume;
  3. Pega num prato e mistura o café com o licor e vai mergulhando os palitos e dispondo-os numa taça como na receita do tiramissu;
  4. Agora está na hora de tratar das farófias, faz pequenas bolas com as claras batidas, como se estivesses as servir gelado, e leva ao leite. Vai virando para dar uma espécie de cozedura às farófias. Eu fiz 3 de cada vez, tens de ter cuidado para não deixar claras dentro do leite. Depois de as virares no leite, sobrepões aos palitos. Faz este processo para todas as claras. Ao longo do processo tens de ter cuidado para o leite não ferver, por isso regula o calor.
  5. Neste momento tens na tua taça uma camada de palitos “bêbedos e eléctricos”, uma camada de farófias e agora vem a parte final, uma cobertura de leite creme.
  6. Numa bacia,  mistura as gemas, a farinha e o copo de leite restante. mistura bem até ficar um liquido, deixa aparecer o fumo do leite que está ao lume, e adiciona este preparado. Com o auxilio de uma colher de pau mexe bem para não ficar com grumos.
  7. Quando este leite creme estiver espesso cobre as farófias com ele e polvilha com canela.

Podes fazer esta receita sempre que te sobrarem as claras de outra qualquer receita.

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