Que rico fim-de-semana…

Versão Portuguesa

Ora bem, isto está a começar a tornar-se deveras complicado. Não é que eu tenha perdido a pica, de vir até aqui explanar as insanidades que me correm nas ligações cerebrais. Não é nada disso. O problema é que nos últimos dias tenho estado sob efeito de uma qualquer amarração, e a única coisa que consigo fazer nos bocadinho livres que tenho é ler mais 20/30 páginas de Grey, o ultimo livro da saga da E.L. James. Provavelmente, já devia ter terminado o livro, mas do alto dos meus 27 anos, adquiri um novo conceito. Aproveitar bem, e saborear o livro, de contrário acabo muito rápido e sofro pela falta de ocupação. Além disso no fim-de-semana passado, tive uma viagem de finalista de 2 dias. Ou seja, parece mal estar a curtir o namorado e os amigos à beira rio, ou à beira da piscina e andar com o livro… Por isso, acabei por demorar mais do que o normal e também deixei passar o dia da escrita. Desengane-se no entanto quem acha que eu não tenho ido à cozinha. MENTIRA! Eu não só tenho ido, como hoje trago a minha receita de cookies de viagem. Que desta vez não fiz no fim-de-semana da viagem, mas fiz esta semana que passou para a Sofia ter o que comer na viagem dela.

Pois bem, viagem de finalistas de 2 dias.

Eu já falei que tenho os mesmos amigos desde a minha adolescência. Não tenho exatamente os mesmos, mas os que ficaram, parecem-me bons o suficiente para tentarmos fazer coisas como fins-de-semana em família. Nós somos muitos, mas os 5 que vou falar hoje, são os que estão sempre por perto. O João, a Milai, a Rachel, o Diogo e o Pedro.

Sinto que corre nas nossas veias a cena da nostalgia e saudade, tão tipicamente Portuguesa. Porque todos os fins-de-semana quando nos encontramos acabamos sempre por recordar a nossa viagem de finalistas. Sente-se sempre o fado na voz, quando se fala daquele mítico ano. Assim, e depois de muitas promessas, lá conseguimos organizar um fim-de-semana entres os 6 para voltarmos a viver, de uma forma muito mais ponderada, uns dias em família.

Sexta-feira, depois de sairmos do trabalho, metemo-nos no carro, com o CD que o Diogo fez, a tocar e la fomos nós. Rumos ao Gerês. O João e a Milai, foram mais tarde, porque como sempre o João é o ultimo. O mais acelera, o mais deixa andar e por isso mesmo sempre o ultimo. A viagem correu bem na nossa “camioneta” com exceção dos últimos quilómetros. Musica muito boa, muita cantoria, muita parvoíce dita, mas também muita curva e ás tantas eu já rezava à nossa Senhora dos estômagos sãos. Consegui aguentar tudo, dentro de mim. Não sabendo contudo que isso poderia ser só um presságio para o que se seguia…

Chegamos ao hotel, cada um se instalou na sua casa, e enquanto esperávamos pelo João e a Milai, eu e a Rachel acabamos por tratar do jantar. Bolonhesa. Tinha de fazer algo simples e rápido, estávamos todos famintos. O João e a Milai, lá chegaram, jantamos, tratamos do piquenique para o dia seguinte fomos até casa do Diogo e da Rachel para a sessão de jogos. Como era de esperar dividimo-nos em três equipas e jogamos Party and co. O jogo é uma mistura de Trivial Pursuit, Tabu, PictionaryLogo, e Jogo dos Gestos. A ideia era ver, que equipa conseguia terminar o jogo e obter todos os “queijinhos” até ao fim do fim-de-semana.

Com este jogo concluímos que o Diogo e a Rachel, se entendem extremamente bem…. Foram os vencedores. Eu e o Pedro damos uns toques, desde que seja eu a adivinhar, porque o Pedro na parte de adivinhação não é grande coisa. Já o João e a Milai, são extremamente engraçados, porque pensam exatamente da mesma maneira e por isso mesmo acabam por não conseguir perceber o outro. Como é isto possível? Não sei…

A noite acabou cessada por cansaço extremo dos jogadores.

No dia seguinte, eu acordei muito mal da barriga e cheia de dores de cabeça. Porem não desisti. Não vou ser eu a mete nojo, nem que para isso ande a arrastar-me para todos os lados.

Adquirimos um mapa e metemo-nos nos carros e fomos nós para as cascatas ver o que acontecia. Às tantas o João faz sinal para pararmos… Estamos no meio de nada, não se vê vivalma para além de nós seis. Ele para, para nos informar que está sem gasóleo e não sabe até quando vai conseguir andar… SÉRIO?!?!? LEMBRASTE-TE DISSO AGORA?!?! Ele muito descontraidamente diz que acha que dá para seguir, mas só queria avisar. Bem continuamos caminho. Aconteça o que acontecer, temos comida e bebida nos carros, telefones com bateria e temo-nos uns aos outros… Era isto que o meu pai dizia quando íamos para o Algarve e no meio de nenhures a luz do combustível acendia… Além disso se o João estava descontraído nós também estávamos… Não estávamos, eu a Rachel e a Milai estávamos bastante preocupadas…. Caminho acima e eis que eu depois de me aguentar quase tão bem como a Joana D’Arc se aguentou na fogueira, peço encarecidamente ao Pedro para parar, e corro para um canto para acalmar o meu estômago… Exatamente eu “libertei” o meu enjoo nas belas paisagem do Geres… Lamento, não queria estragar tudo. Se bem que não foi isto que preocupou as almas, porque enquanto eu vomitava convulsivamente, e o Pedro em pânico preocupado comigo e a Rachel à procura de guardanapos e o Diogo a ajudar, o João e a Milai faziam selfies… Não sei como não me apanharam como pano de fundo… Note-se que a Milai é a médica do grupo, provavelmente por isso mesmo não se preocupou muito, porque percebeu que foi reação ao caminho.

Na verdade paramos a meia dúzia de metros da cascata que procurávamos, por isso, caminhei apanhei ar puro e… acabei por voltar a vomitar o que já não tinha, convulsivamente. Nesta altura, já todos se preocuparam de verdade. Até o cabeça no ar do João estava preocupado. Acabamos por cancelar a procura de cascatas. A Rachel e a Milai não acharam piada aos trilhos, eu estava a momentos de voltar a “virar o barco” pela terceira vez, e o carro do João estava sedento. Assim, voltamos para traz, e fomos optar por uma programa com água não elevada e com caminhos fáceis de encontrar. Quando regressamos ao hotel, foram todos piquenicar para “casa” da Rachel e do Diogo enquanto eu fui descansar. Coisa que não durou muito, e o Pedro meia hora depois andava à minha volta super preocupado por eu não estar bem. Eu já me sentia melhor, levantei-me almocei um chá e bolachas e desencantei forças para aproveitar o dia. As meninas deram-me ben-u-ron e brufen, que eu me tinha esquecido de levar, e consegui sentir-me melhor. Estive a tarde toda entre a piscina e o rio, fomos bafejados pela presença de um mini sapo muito fofinho e acabamos no bar do hotel a comer gelados. Sim, porque eu até podia estar mal disposta, mas não podia recusar um gelado.

À noite fomos jantar à vila do Gerês, todo o caminho, na nossa “camioneta” o Pedro, o Diogo e a Rachel me perguntaram se estava bem, se era preciso parar… Mas eu sentia-me bem melhor. Depois de jantar, e de desgastar o jantar, voltamos para o hotel para mais um trielo.

No domingo, dia de regresso, eu estava bem melhor. Até termos ido ao S. Bento da Porta Aberta…. Às tantas já estava a desfalecer, e o Pedro andava a passear a minha mala…

Na volta de regresso, fomos almoçar na Apúlia. Não vou falar do restaurante, porque estou com a sensação que passamos por um grupo de adolescentes e por isso mesmo fizeram-nos esperar 1h e 30 minutos por comida que, até trocada veio… Enfim, estamos bastante conservados para a nossa idade.

No fim do almoço rumamos a casa, a felicidade já não era tão grande. Estávamos de volta à rotina e para traz ficou um fim-de-semana em família cheio de gargalhadas, brincadeira e parvoíce. Agora estamos a magicar onde vai ser o próximo.

Enquanto isso eu concluí que só posso ser alérgica ao ar puro, porque de cada vez que vou para sítio com ambiente limpo acabo doente. Alem disso, quando regresso, parece que não se passou nada…

Estes fins-de-semana fazem-me regressar às minhas férias em família. Porque os amigos são exatamente isso, a família que nós decidimos adotar.

English Version

Well, this is starting to become rather complicated. Not that I missed the high, to come here to explain the insanity that run on my brain connections. That’s not it. The problem is that in recent days I have been under the influence of a witch craft, and the only thing I can do on little I have is reading more pages 20/30 of Grey, the last book of the EL James saga. Probably I should have finished the book, but with 27 years, I acquired a new concept. Enjoy the book and savour it, otherwise I finish it really fast and suffer from lack of occupation. Also at the end of last week, I had a 2-day trip. In other words, to enjoy my boyfriend and friends along the river, or by the pool and it’s not very polite to be reading a book … So I ended up taking longer than usual and also I missed the writing day. Think again however who think I have not gone to the kitchen. LIE! I have not only gone, as today I bring my recipe travel cookies. This time did not for my trip, but for Sofia’s one.

Well, 2-day trip.

Did I mention that I have the same friends since my adolescence. I have not exactly the same, but those who stayed, seem to me good enough to try to do things like get-a-week with family. We are many, but the 5 I will talk about today are the ones who are always around. João, Milai, Rachel, Diogo and Pedro.

I feel that flows in our veins the scene of nostalgia and Saudade, so typically Portuguese. For all purposes weekend when we met we always end up remember our senior trip. Always feel Fado in the voice, when speaking of that mythical year. Thus, after many promises, we finally were able to organize a 2-day trip between the 6 to return to live in a more measured way, a few days family.

Friday, after leaving work, I got into the car with a CD playing, made by Diogo. Direction: Gerês. João and Milai were later because as always João is the last. The trip went well in our “bus” with the exception of the last kilometers. Music very good, a lot of singing, a lot crap said, but also a lot of curves, so I have prayed to Our Lady of healthy stomachs. I could endure everything inside me. Not knowing however that this could be an omen for what would follow…

We arrived at the hotel, each one installed in his house, and while we waited for João and Milai, I and Rachel end up dealing dinner. Bolognese. I had to do something simple and fast, we were all hungry. By the time João and Milai, got there, we had dinner, we took care of the picnic for the next day and we went to Diogo and Rachel’s house for a game session. Not surprisingly split up into three teams and played Party and co. The game is a mixture of Trivial Pursuit, Taboo, Pictionary, Logo, and gestures game. The idea was to see which team could finish the game till the end of the weekend.

With this game we conclude that Diogo and Rachel, get along extremely well…. They were the winners. I and Pedro give a few taps, provided it is me guessing, because Pedro on the guessing is no big deal. In other hand, João and Milai, are extremely funny, because they think alike and therefore end up unable to understand the other. How is this possible? I do not know…

The night ended terminated by extreme tiredness of the players.

The next day, I woke up with a huge stomach pain and painfull headaches. However I did not give up. I will not be the one messing everything, even if to that I’ll have to drag myself everywhere.

We acquired a map and got into cars and went to the waterfalls see what was happening. Long in the way, João signs us to stop … We are in the middle of nowhere, besides us there’s no soul. He stops to inform us that he has no diesel and do not know how long will be able to drive … SERIOUSLY?!?!? Did you remember THAT NOW?!?! He even says very casually, that he thinks it is enough to follow, but only wanted to warn. Well, whatever happens, we have food and drink in cars, phones with battery and we have each other … That’s what my father used to say when we went to Algarve and in the middle of nowhere fuel light lit … Also if João was relaxed we also were … we were not, Myself, Milai and Rachel were very concerned …. Way above and behold. Till this moment, I endure almost as well as Joan of Arc held up at the fire, but I urge Peter to stop and ran to a corner to calm my stomach … Exactly I “freed” my sickness in the beautiful landscape of Geres … sorry, I did not want to screw it up. Although this was not worrying souls, because while I was vomiting convulsively, and Peter panicked worried about me and Rachel looking for napkins and Diogo helping, João and Milai were taking selfies. Did not know how they haven’t caught me as a backdrop … Note that Milai is the doctor of the group, probably it did not bother much, because she realized that was a reaction to path.
Actually we stopped half a dozen meters from the waterfall we were looking for, so we walked caught fresh air and … I ended up returning to vomit what no longer had convulsively. At this point, everyone was bothered. Even João, the cloud guy, was concerned. We ended up canceling the demand for waterfalls. Rachel and Milai found no joke on track, I was moments back to “rock the boat” for the third time, and João’s car was thirsty. So we come back, and we opt for a program with no high water and easy ways to find. When we returned to the hotel, they went to do a picnic at Diogo and Rachel’s “home”, while I was resting. Thing that did not last long, and Pedro half an hour later walked back to see how I was, worried that I was not better. But, I already felt better, and got up and had tea and cookies for lunch, and found forces for the day. The girls gave me ben-u-ron and Brufen, I had forgotten to take, and I could feel better. I’ve been all afternoon between the pool and the river, we were visited by a small frog and ended up in the hotel bar to eating ice cream. Yes, because I could even be unwell but could not refuse an ice cream.

In the evening we had dinner at Gerês village. All the way up to the village, in our “bus” Pedro, Diogo and Rachel asked me if I was well, if they should stop … But I felt much better. After dinner, we went for a walk and we returned to the hotel for another trielo.

On Sunday, returning home, I was much better. Until we have gone to St. bento da Porta Aberta…. Suddenly I felt I was gonna faint, and for that Pedro was walking my suitcase….

On the return back, we had lunch in Apulia. I will not comment on the restaurant, because I have the feeling that we look alike a group of teenagers and therefore they made us wait 1 hour and 30 minutes for food that come exchanged … Anyway, we are quite conserved for our age.

At the end of lunch we headed home, happiness was not in our feelings. We were back to the routine and behind was a weekend in family full of laughter, play and silly. We are now conjecturing when will be next time.

Meanwhile I concluded that I can only be allergic to fresh air, because every time I go to places with clean environment I end up sick. Also, when I return, it seems that nothing happened…

These weekends make me return to my family holiday. Because friends are exactly that, the family we decided to adopt.

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COOKIES PARA VIAGEM

O que vais precisar:

  • 3 canecas de farinha;
  • 1 caneca de amêndoa moída;
  • 1.5 canecas de açúcar branco;
  • 150gr de vaqueiro sabor a manteiga
  • 2 colheres de essência de baunilha;
  • 2 ovos médios;
  • 250gr de pepitas de chocolate.

Como vais fazer?

  1. liga o forno a 100º;
  2. Mistura todos os ingredientes menos a farinha a amêndoa e as pepitas de chocolates;
  3. Depois dos ingredientes bem misturados, adiciona a farinha, a amêndoa e o fermento e mexe com uma varinha potente até a massa ficar bastante consistente e fácil de moldar com as mão.
  4. Faz pequenas bolas, e espalha por um tabuleiro e depois emborracha a bola para ficar com aspecto de bolacha;
  5. Leva ao forno e deixa cozer até ficarem loiras;
  6. Retira, deixa arrefecer e ensaca.
  7. Faz boa viagem e sempre que tiveres fome, petisca as cookies!

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Quando num dia estás e no outro já não…

Versão Portuguesa

Existem momentos nas nossas vidas que nos fazem questionar, até que ponto vale a pena andar por estes lados.

Eu tive um desses momentos este fim-de-semana.

Eu não sou muito de olhar para a vida, e pensar na sorte de ser bafejada com tantas coisas boas e pessoas incríveis. Sou mais do tipo, ainda bem que aqui estás. Sigo em frente, amanhã é outro dia, mas o que conta é o hoje. O problema é que tudo é efémero, e já dizia o João Pedro Pais:” Ninguém é de ninguém, mesmo quando se alma alguém”. Todos temos um caminho, pessoas a encontrar, todos temos pessoas a quem tocar. Ou seja, a vida é feita de pequenas ligações que de alguma forma nos vão fazer chegar a outros, ou que de alguma forma nos vão fazer crescer.

Todos temos, ao longo dos anos, encontros e desencontros, e muitas vezes fazemos comentários como: “Raios, 10 minutos da minha vida perdidos”. A verdade, é que não é bem assim, esses 10 minutos, a certa altura da vida vão responder a alguma questão.

Quando eu era miúda, comecei a conviver com 3 senhoras com alguma idade, 2 ainda não eram consideradas idosas, mas a terceira não só era idosa, como teve uma passagem física por mim quase tão rápida como o desenvolvimento de um bebé na barriga da mãe. Porém, gravo memórias dela sentada na sua poltrona e muito parca em palavras. Do contacto com essas três “meninas”, recordo o gelado feast, mas não é aquele que hoje temos à venda, é um primo afastado cujo interior era feito de leite e o exterior chocolate negro e amêndoa. Este gelado aparecia imensas vezes, depois de jantares que tínhamos em casa daquelas três. Eu e a Marta acabávamos quase sempre, no jardim a lambuzarmo-nos com o gelado, enquanto os adultos à mesa conversavam sobre coisas que nunca me chamaram muita atenção. Os jantares ali repetiram-se durante alguns anos, alguns deles já sem a velhinha, mais velhinha.

Os aos passaram, e as duas restantes mantiveram-se sempre por perto. Ou porque as laranjas tinham rebentado e estava na hora de ir buscar algumas, ou porque o natal estava à porta e as couves estavam à espera. Enfim, sempre foram duas pessoas que perdido e achado lá ouvíamos falar nelas.

Entretanto os invernos, que aos olhos da juventude sabem a camisolas quentes, novas e giras, aos olhos da Ilda e da Gracinda, tornaram-se demasiado frios. Como os amigos eram a única opção para as duas, a decisão foi pedir ajuda para passar mais um inverno.

Os amigos, os meus pais, fizeram o que tantas vezes sentiram não ser capazes de fazer, adotaram as duas como se de filhas se tratassem. Filhas mais velhas é certo, mas filhas. Ora eu e a Marta, já sem feast, aproveitamos e adotamo-las também. Tias ou as Avós que tão cedo nos foram arrancadas.

Em resumo, passamos de uma família de 4 com um cão a uma família de 6 com cão e gato. Fizemos tudo o que uma família normal e feliz faz. Até tínhamos aquela avó que fala muito e não diz coisas muito acertadas, que também é a avó que opina sobre tudo o que não sabe. Que também é a avó que muitas vezes queremos que se cale um bocadinho, porque já chateia. Contudo, é avó. Os avós são aquelas pessoas que apesar de tudo, ficam altamente felizes quando estamos por perto. A Gracinda era assim, adorava que lhe arranjasse as unhas, que lhe desse coisas doces, que na mesa houvesse sempre salada com tomates e alfaces do campo dela, que ao domingo o meu pai a levasse ate ao café para ela poder conversar com as novas amigas. Era uma pessoa de lida simples, o que justifica o facto de tanta gente a conhecer. Era uma pessoa vaidosa, com 50 saias no armário e mesmo assim, precisava de uma nova… Teimosia não lhe faltava, o não, ia acabar sempre em sim. Enfim, uma jovem num corpo travesso e mal mandado.

Os invernos são mesmo muito rigorosos, para alguém tão vivo de espirito e fraco de corpo. Os invernos levam-nos parte da alma quando não conseguimos ver com clareza a cor das flores… Mas foi no fim da primavera que a Gracinda deixou de ver tudo, a partir do corpo que lhe designaram à 85 anos atrás.

Resta-me agora a avó Ilda, de cabeça branquinha como a neve, pele crestada pelo sol, e olhos da cor do céu em dia de sol. Para compensar, o facto de nem sempre ter tido paciência com a Gracinda, vou aproveitar bem a Ilda. Não sei se ma tiram no fim deste verão ou só do próximo. Sei, que não quero nada sentir a sensação de perda que senti este fim-de-semana que passou.

English Version

There are moments in our lives that make us question, why are we here?

I had one of those moments this past weekend.

I’m not much to look at life, and think about the good fortune to be graced with so many good things and amazing people. I’m more like, I’m glad you’re here. Go on, tomorrow is another day, but what counts is today. The problem is that everything is ephemeral, like João Pedro Pais’ song: “No one belongs to anyone, even when you’re in love.” We all have a way, people to find, people to tuch. In other words, life is made of small encounters that somehow we are going to have and somehow will make you grow.

Over the years, we might say sometimes: “Damn, 10 minutes of my life lost, because of this person” The truth is, these 10 minutes, at a certain point of life will answer any questions in our life.

When I was a kid, I started to private with 3 ladies with long age, 2 were not considered elderly, but the third was not only elderly, as had a physical passage for me almost as fast as the development of a baby in the womb . However, I remember her, sitting in her chair and sparse in words. In the contact with these three “girls”, I remember the ice cream feast, but it is not one that today we have for sale nowadays, is a distant cousin whose interior was made of milk and the outside black and almond chocolate. This ice cream appeared many times, after dinner we had at home of those three. Myself and Marta spent time after dinner eating ice cream in the garden, while the adults at the table talked about things that never caught my attention. The dinners there were repeated for a few years, some of them already without the elder lady.

Years gone, and the remaining two ladies were always around. Either because oranges were busted and it was time to go get some, or because the Christmas was at the door and the sprouts were waiting. Anyway, they were always 2 people in our life.

Suddenly winters came by. For the eyes of young people this means warm, cute and new sweaters, but for both, Ilda and Gracinda, it became too cold. As friends were the only option for the two, the decision was to ask for help to spend another winter.

Friends, my parents, did what so often they felt not be able to do, have adopted two daughters as if they were theirs. Older daughters, but daughters. Now myself and Martha have no feast, but decided to adopt them as well. Aunts or grandparents, like the ones that so early were taken from us.

In short, we went from a family of 4 with a dog to a family of 6 with dog and cat. We did everything a normal, happy family does. We even had one grandmother who talks a lot and says things not very right, which is also the grandmother who opines on everything you do. Which is also the grandmother who often you want to shut up a little, because it’s boring. However, she is grandmother. Grandparents are those people who after all, are highly happy when we’re around. Gracinda was like that, she loved when we spent time doing her nails, when we gave her sweet things, when salads were cooked with tomatoes and lettuce from her field, when on Sunday my father took her to the café house so she could talk to the new friends. It was a person of simple deal, which justifies the fact that so many people knew her. She was also a bit vain, 50 skirts in the closet and still needed a new one … Stubbornness was her deal, not, would always end in a yes for her. Finally, she was a young woman in a mischievous and evil warrant body.

Winters are really strict, for someone with such an alive spirit and weak body. Winters take us part of the soul when we cannot see clearly the color of the flowers … But it was in the late spring that Gracinda left to see everything from the body given to her 85 years ago.

Now we only have Ilda, a grandmother with hear colored as snow, light brown skin colored by the sun, and eyes with the color of the sky on a sunny day. To compensate, the fact that I did not always had patience with Gracinda, I will have more patience with Ilda. I do not know if she will be taken from me later this summer or just on the next one. I know, I do not want anything to feel the sense of loss I felt this past weekend.

Jantar de redenção… fim de curso… Oh foi um jantar!

A minha vida este fim de semana foi uma espécie de Reality Show. Estive no Kitchen nightmares, e ao mesmo tempo no What not to wear e finalmente um outro que chegou a passar na televisão portuguesa Queer Eye for the Straight Guy que eu julgo que na versão portuguesa era “Esquadrão G”. Sim é verdade, nas 24h que durou o dia de “Todos os Santos”, a cozinha da minha mãe transformou-se num set digno do canal E!

Vamos recuar quase um ano, 19 de Dezembro de 2013. Eu fiz anos, não vou dizer quantos porque me sinto constrangida… Os meus amigos, juntaram-se e fizeram uma vaquinha. Ofereceram-me um vaucher para fazer um curso de culinária. Os meses passaram eu ganhei coragem, inscrevi-me no curso e fui toda contente tirar o curso. Até aqui nada de novo. Visto que ja contei esta história. Acontece, que eu prometi, que quando tivesse o curso fazia um jantar para todos. Aqui começa a trama…

Sabes o programa “What not to wear”? Em que, andam a filmar uma pessoa que se acha uma estrela fashion, mas na verdade não passa de uma pessoa com um péssimo gosto para vestir? Pronto, o mesmo aconteceu comigo… mas nada a ver com roupa, é mais a ver com a cozinha. Eu achava que era uma cozinheira inata. Nasci para cozinhar para os amigos… até que eles me oferecem um vaucher para ir aprender a cozinhar… Foi como se estivesse a ver a Stacy e o Clinton a dizer: “numa semana tens de mudar”… mas era mais o Chefe Francisco Lobão a dizer: “vais ter de aprender”. Foi doloroso, mas eu aceitei o desafio e no fim ate recebi um diploma. Por esta altura, dou entrada no programa “Esquadrão G”, quando depois de um dia a ensinar um homem a tratar da sua pele, a fazer um prato incrivel para a sua mais que tudo, ele é largado aos leões. Pronto para mostrar, como um dia com os “Senhores G” o transformaram num homem metro sexual e preocupado… No meu caso foi mais, seis semana de curso com o Chefe Francisco Lobão e agora cozinha para os amigos que se uniram para te dizer que não sabes cozinhar… Oh Angie Angie, onde te foste meter….

Decidi escolher algumas receitas que aprendi e fiz um jantar de tapas. Nada de transcendente… não fosse o facto de eu não ser um polvo, mas sim um ser humano com um grau de descoordenação muito acima da média… Ou seja, quando o Senhor Gordon Ramsay entrou na cozinha da minha mãe, pensou logo: “Ora aqui está uma cozinha com potencial, mas com uma péssima cozinheira….”. Ora eu que não sou de me ficar, disse:” Chefe Ramsay, isto não é o hell’s kitchen e eu não vou receber um prémio no fim. Isto é a vida real”. Resumidamente, deixei de me preocupar com o caos que se acumulava na banca, e passei a preocupar-me com as tapas que iam ficando a meio ponto. Trabalhei mais que um mouro em dia de apanha da uva… Fiz 8 pratos, tudo sozinha e ainda consegui organizar mais ou menos a cozinha, o Pedro veio ajudar a meter cadeiras que faltavam. Por favor, não penses no lava-louça, porque eu também não… além disso agora está arrumado!

Às 20.45 começaram a chegar os convidados, pontualidade britânica não aconteceu… mas ainda bem, porque assim consegui terminar as chips.

Depois de todos terem chegado, e eu ter feito uma pequena introdução ao jantar que se seguia, todos nos sentamos à mesa e só de lá saímos às 23.45… Ao que parece o que comemos era tão bom, que ninguém tinha vontade de sair da mesa.

Por esta altura já tinha dispensado a crew dos reality shows e voltei a sentir-me a adolescente que, todos os sábados à noite, trazia os amigos para casa, para conversar até altas horas…

A ementa de tapas vou dizer aqui, mas não vou dar nenhuma das receitas da escola de culinária. Não são receitas minhas, e não pedi autorização para as dar. Vou sim passar a receita de uma das sobremesas que fiz, que foi inventada por mim na hora!

Ementa de Jantar de Tapas ou Jantar de Redenção

Entrada

  • Pão de Alho;
  • Pizza de Fiambre e 4 queijos;

Prato principal

  • Arroz de Marisco;
  • Bife com Cogumelos com Batatas chips e yorkshire punddings;
  • Bife com Mostarda com Batatas chips e yorkshire punddings;
  • Penne com Bacon e Cogumelos;

Sobremesa

  • Mousse de chocolate;
  • Salada de fruta soft crunchy.

A receita que vou partilhar é a da salada de fruta.

SALADA DE FRUTA SOFT CRUNCHY

O que vais precisar?

  • 3 maçãs;
  • 3 laranjas;
  • 3 pêras;
  • 6 iogurtes de vários sabores (eu usei morango, coco, e frutos exóticos);
  • 2 pacotes de filipinos de chocolate de leite, triturados em tamanho granulado;

Como vais fazer?

  1. Começa por descascar e cortar a fruta em pedaços pequenos e mistura-os todos;
  2. mistura os seis iogurtes num recipiente;
  3. Começa a fazer a montagem da salada de frutas. Começa por uma camada de granulado de filipinos, uma camada de frutas e cobre com iogurte;
  4. Repete o processo e termina com uma camada de filipinos.
  5. Leva ao frigorífico e retira só na hora de servir.

IMG_0309Agora que aprendi a fazer vídeos, não quero outra… Por isso vou deixar aqui o vídeo das fotos de sábado!

Ps: João e Milai, eu vou tentar fazer algo do mesmo género depois do Harrison. Mas só para vocês… 9 pessoas é digno de um filme de halloween….

Actualização de brownies!

Acho que já deu para perceber, que a maioria das coisas que aqui escrevo, têm personagens extra a mim. Quero com isto dizer, que as histórias que partilho trazem sempre um outro ser vivo… Ou seja, o Leo, os pássaros, a minha família, o Rui, os meus amigos… Enfim, eu incluo todos aqueles que de alguma forma vão acabar relacionados com aquilo que cozinho. Até porque eu sempre ouvi dizer que “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és” e “tu és o que comes”. Ora fazendo um bolinho com estes dois podemos ter, “diz-me com quem andas, dir-te-ei o que comes”. Não sejamos, menos próprios, isto está associado a quem se senta à mesa contigo. Sim porque, é muito complicado, pelo menos para mim, fazer uma refeição sozinha…

Pois bem, a personagem que trago hoje é a Andreia. Ontem falei do facto de ela e a Raquel terem feito anos a semana passada. Eu fiz um bolo para festejar foi um sábado incrivel. Contudo, a vida continuou e a Andreia tem uma espécie de veia cigana. Não me interpretes mal. Eu acho realmente incrivel o facto de os ciganos terem festas de casamento de verdade. Três dias de casamento, com muita poupa e circunstancia. O George Clooney pela certa baseou-se na etnia cigana para festejar o seu próprio casamento. A Andreia é mais ou menos assim. A Andreia fez anos na sexta, mas como esteve num congresso, não pode fazer grande festa, então reservou, o sábado, o domingo, a segunda e a terça, para os festejos (afinal ela faz mais festa que num casamento cigano).

No sábado, foi a festa que te falei ontem. No domingo foi almoço cá em casa e não contente pediu se eu fazia o obséquio de fazer bolo de anos para os amigos de Lisboa.

Vejamos, eu não sou interesseira, mas pensar que os meus bolinhos chegam à Capital, fez-me vibrar internamente… Resumidamente, aceitei logo tratar dos bolinhos para os amigos de Lisboa. Fiz os brownies que aprendi com a Nigella. Pensei que sendo um sucesso cá, no estrangeiro seria um sucesso maior… O estrangeiro é Lisboa…

Pois bem, na segunda a Andreia zarpou para Lisboa com os brownies. Eu fiquei em Espinho à espera do telefonema que fazia uma espécie de review dos brownies. Esperei… Esperei… e foi então que ela ligou para dizer que no laboratório todos gostaram. Respirei fundo e pensei, já só falta a festa de amanhã… Bolas porque faz ela tanto festejo… são 26 anos…

(Amigos da Andreia do laboratório, e da cafetaria, que estejam a ler isto, espero mesmo que não tenham sido bondosos em dizer que os brownies eram bons. Eu sou forte e aguento as criticas negativas… Afinal os meus maiores críticos são o meu pai e o meu namorado…)

Esperei, liguei. Esperei, liguei.

Chegou finalmente o momento da ultima festa.

A Andreia joga à bola com um grupo de rapazes. Ela toda a vida foi futebolista, e andava com coceira no pé para poder voltar a jogar. Quando surgiu a oportunidade de jogar com os “meninos do IMM” (se estiver a cometer um erro diz!) não perdeu tempo. Encheu os pulmões de ar e foi enfrentar as feras. Todas as vezes que cá vem, um dia é para falar do futebol e dos “meninos do IMM” que a tratam muito bem. Que aprendeu a ser caceteira com eles. Enfim, maus hábitos que deixam a minha mãe a roçar o desgostoso…. Pois bem, ontem ela fez a festa com eles, e prometeu sem me consultar, que eu vinha a este meu cantinho, falar deles. Ao que tudo indica os brownies também foram um sucesso entre eles. (Novamente espero não ter sido enganada, porque isto é um espaço idóneo)

Resumidamente, eu estou aqui para republicar a receita dos brownies, e caso pretendam esclarecimentos é contactar. Caso queiram um carregamento, contactem. Pela certa, hei-de encontrar uma solução de fazer os brownies chegarem ao destino.

https://angiecloudsdisappear.wordpress.com/2013/06/25/piramide-de-brownies/

PS: não tenho fotos, porque mal os brownies secaram, a Andreia guardou-os para ninguém os roubar.

PS2: Obrigada aos meninos do IMM, às meninas da cafetaria e aos colegas do laboratório, por tomarem conta da nossa Andreia enquanto ela vagueia pela Capital.

Foi então que fiz um registo diferente….

Quanto gosto eu deste meu espaço na web? Gosto tanto, que tornei uma simples conversa com o namorado, num autêntico Brainstorming…

Na semana passada, estava a falar com o Rui sobre o que postar no blog. Tinha de ser algo diferente, sentia necessidade de quebrar a “rotina”. Falei com tanto entusiasmo e vontade, que abalroei o Rui. Literalmente…. Ele ficou extasiado , quando eu disse que adorava, quando alguém me ligava só para dizer: “uma amiga minha foi ao teu blog e adorou.” Ou “o tema de conversa foi o teu blog“. Bem eu fico tão contente. Fico com a sensação que este meu cantinho não é só meu, mas é também de todos os que optam por vir até ao Angie Clouds ler as histórias… que são sempre verídicas…

Pois bem, depois de me “gabar” ao meu namorado e depois de ter falado em fazer um post diferente do tipo, coisas que fui comendo ou lendo, eis que o Rui se revelou e disse:” Então e porque não um filme?”. Confesso que lhe perguntei se tinha começado a tomar substancias ilícitas, mas ele insistiu. Disse que era uma forma de eu sair da minha zona de conforto, e poder fazer aquilo que eu mais gosto de fazer, falar. Eu adoro falar é certo, mas não receber feedback é incrivelmente estranho.

Acabei por ceder, ele aconselhou-me a tomar a decisão o quanto antes, para não perder a coragem

Fazendo um ponto de situação, estamos na terça-feira dia 21 de Outubro , dia de aniversário da Raquel. Estava tomada a decisão de me filmar a elaborar uma receita.

  • Problema numero 1: Qual receita?
  • problema numero 2: Com que intuito?

Pois bem, a semana passada foi rica em festejos natalícios, a Raquel e a Andreia fizeram ambas anos. Em dias diferentes, porque não há cá misturas. Eu muito prontamente combinei com o meu namorado e com o namorado da Raquel, também conhecidos por Rui e Diogo respectivamente, que devíamos fazer um jantar com a Raquel e a Andreia mas que sem ambas sonhassem que o intuito era cantar-lhes os parabéns. Ora estes meus dois comparsas de crime, guardaram o segredo até à ultima. Ao Rui, ainda revelei, que ia fazer um bolo diferente. Expliquei ponto por ponto qual era a minha intenção e ele disse logo: “vamos gravar o teu trabalho, e assim tens um post novo”. A única coisa que me passou pela cabeça foi, acho que encontrei a pessoa a quem vou ligar quando cometer um crime. Tenho a certeza que ele não só esconde o corpo, vem para os copos comigo e no fim ainda diz: “Tivemos uma noite incrivel!”

Em suma, chegamos a sábado, eu e o Rui passamos a tarde a trabalhar. À noite metemos a Raquel no carro e fomos os 4 (eu, o Rui, o Diogo e a Raquel) até Aveiro para jantar com a Andreia. Na mala ia o “bolo”. Depois de eu passar a viagem a rezar, para que o “bolo” não se estragasse, chegamos a Aveiro e fomos jantar. Tudo sem que as duas soubessem da nossa tramóia. No fim do jantar chegou o “bolo”. Acho que ambas adoraram, e ficaram estáticas com o “bolo”. Melhor de tudo foi ver o Diogo e o Rui com ar de senhores do segredo. Estes dois são demais, e estão sempre prontos a entrar nas minhas tramóias…

Quanto ao “bolo”, vê o vídeo a seguir, espero que gostes. Tem lá a receita, o resultado final e os diversos passo. Ou seja, hoje não escrevo receita.

Aproveito para mais uma vez dar os parabéns à Raquel e à Andreia. Meninas sabe tão bem fazer alguma coisa pelos outro e ver como os outros ficam contentes!

Finalmente, eu quero explicar, que umas vezes chamo ao meu namorado Pedro e outras Rui. Não, eu não tenho dois namorados. Eu tenho só um com dois nomes!

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Esqueci-me de mencionar, o restaurante La Mamaroma em Aveiro. Estou a mencionar porque eles foram incansáveis com a nossa loucura….

Fim de Friends e Apple Pie!

Foi então que ao fim de 10 anos, vi o ultimo episódio de toda a série de Friends.

Eu sempre fui adepta de acompanhar séries, novelas e colecções de historias. De tal forma, que não consigo parar até saber o que vem a seguir, significando que durante o ano vou tendo épocas de actividades de sofá. De Setembro a Maio, vejo séries, de Maio a Setembro, leio livros. Pelo meio sigo novelas brasileiras. Nada contra a produção de novelas nacionais, mas para mim tanto as novelas soam melhor em brasileiro como os filmes da Disney. Custa-me imaginar a musica da Ariel, “aqui no mar” cantada em português. Toda a minha infância deixa de fazer sentido. Alem disso, eu consigo “interagir” muito melhor com novelas brasileiras, é como se todos fossem os meus amigos além Atlântico… A verdade é que quando somos miúdos os psicólogos atribuem a este comportamento a criação de um amigo imaginário, mas quando se tem a minha idade os psicólogos preenchem papelada para nos encaminhar para a psiquiatria… Note-se que este meu desabafo quanto a hobbies de sofá, não faz de mim um vegetal que está a criar raízes no sofá ou um buraco. Não, quero dizer que atribuo um tempo ao meu “busy schedule” para poder ver e ler tudo a que tenho direito.

Actualmento isto já é conciliável com a vida moderna, visto hoje as televisões serem abençoadas com a capacidade de puxar para traz até 7 dias e ver tudo o que aconteceu. Contudo, quando Friends dava na RTP2 isso não acontecia e eu acabava sempre por ser chamada para jantar ou para ir estudar. Em resumo perdi muito episódios fulcrais, entre eles o fim da ultima season. Em resumo, os anos passaram, as series começaram a aparecer em catadupa e eu nunca ganhei coragem para rever os 236 episódios que relatam a relação entre 6 amigos nova-iorquinos. Porém às uns meses a série voltou a passar na televisão portuguesa, mais precisamente na SICmulher, e eu durante o zapping parei várias vezes a ver episódios soltos. Quem fez isto comigo foi o meu namorado, que até então ouvia falar de Friends mas nunca tinha visto a série. Ele gostou tanto que começou a fazer serões para acompanhar a série. Eu voltei a ver episódios, sempre que estávamos juntos. Ou seja, passou a integrar o nosso quality time, ver esta série. Mas eu não estava a acompanhar de fio a pavio, pedi-lhe foi que não engolisse a ultima season sem me deixar ver toda também. Daí ontem termos terminado o ultimo episódio. Já passava da hora do recolher da Cinderela, mas valeu muito a pena. Devo ainda confessar que de todas a séries que acompanho ou já acompanhei, esta teve dos melhores finais. Simples e óbvio, tal como se espera. Por forma a fazer-te digerir e sentir que fez todo o sentido as horas que deste.

Sobre a história, posso dizer que a acho muito real e natural. Quando se tem um grupo de amigos, existem sempre aquelas personagens. Eu revejo-me em muitos deles, confesso. Isso faz-me sentir ainda mais orgulhosa da minha família de amigos.

No inicio enchíamos uma autocarro, com o tempo e as divergências irremediáveis, enchemos 2 carros e sobram lugares. O que não é dramático porque os que ficaram até hoje são os que realmente valeram a pena e são aqueles, que eu espero um dia, quando eu tiver a minha casa, se sintam confortáveis em aparecer. Porque também haverá comida para todos e a mesa será suficientemente grande para acolher toda a gente em dia de festa. Tal como a Mónica cede a sua casa a todos e cozinha para todos, eu espero poder ser essa pessoa para os meus amigos.

Quanto à série, só há da minha parte e opinião, muitos parabéns a dar a todos os actores, escritores e produção (englobando todos mesmo).

Ainda com base na séries, hoje trago uma receita muito americana. Apple Pie. Muito diferente da que se costuma fazer em Portugal, mas eu diria que bem mais gostosa. Infelizmente não tenho fotos porque a ultima vez que fiz, não consegui fotografar. Fica no entanto aqui prometido, que quando eu voltar a fazer actualizo o post com um foto!

A receita original em que me baseio, é na da Martha Stuart, http://www.marthastewart.com/344255/old-fashioned-apple-pie

APPLE PIE

O que vais precisar?

  • 5 maças descascadas, descaroçadas e cortadas em cubos finos;
  • 4 colheres de sopa de açúcar amarelo;
  • 2 colheres de café de canela;
  • 2colheres de café de gengibre;
  • 2 colheres de café de noz moscada;
  • 4 cravinhos da índia;
  • 4 colheres de sopa de farinha;
  • 5 nozes de manteiga;
  • 2 bases de massa quebrada;
  • Sumo de meio limão;
  • 1 ovo batido para pincelar;
  • Açúcar em pó para polvilhar.

Como vais fazer?

  1. Forra uma tarteira com uma das bases de massa quebrada;
  2. Numa bacia coloca as maças, as especiarias, o sumo de limão e mexe muito bem;
  3. Adiciona a farinha e faz uma espécie de recheio. Este recheio vai ficar consistente, isto é o pretendido;
  4. Coloca o recheio dentro da tarteira forrada e por cima distribui a nozes de manteiga;
  5. Cobre com a outra base e faz alguns buracos para conseguir cozer homogeneamente;
  6. Ante de colocar no forno, pincela a superfície da massa quebrada com o ovo;
  7. Leva ao forno, a 200º por 35m, coberta com papel de alumínio;
  8. Retira o papel de alumínio e deixa ficar por mais 5/7minutos, para alourar a massa;
  9. Deixa arrefecer e serve morna. Polvilhada com açúcar em pó.

Sabe tão tão bem!

PS: o Diogo e o Rui odeiam canela, por isso não faço esta tarte com muita frequência quando estou entre amigos. Porque eles distinguem bem demais o sabor da canela… até em sangria!

A tortura dos tres chocolates!

Eu considero a semana que está, praticamente, acabada, como a semana da tortura. Sim é verdade TORTURA!

Pois bem, está uma exposição na Alfandega do Porto sobre as máquinas de tortura utilizadas noutros tempos, sendo que algumas delas ainda hoje se utilizam. Até aqui, tudo normal, com restrições bem sei. O drama no meio de tudo isto, é o facto de ter sido eu a mentora do programa, ir ver a exposição das máquinas de tortura. Pior, eu estou à quase um mês a fazer a terapia do falar baixinho. Sabes como é? é do tipo, queres fazer alguma coisa e vais dizendo isso assim de uma forma descontraída e despreocupada e introduzes a opção nas actividades de grupo. Por exemplo: “ah o João faz anos, o que vamos fazer para passar o dia com ele?” e a resposta é “olha, até podíamos ir à exposição das máquinas de tortura.” Ou então, “a Andreia quer passar a tarde connosco, o que poderíamos fazer?”, “olha, até podíamos ir à exposição das maquinas de tortura!”. Isto parece meio chanfrado, mas aconteceu mesmo. Em tempos diferentes, num espaço de 30 dias e basicamente com o paciente namorado de sempre, o Pedro. Que depois de ter dito não, acabou por dizer que sim… quando a insistência era duas gajas em uníssono! Depois de toda esta descrição tu dizes, “olha lá oh exagerada, e é a isso que chamas de semana da tortura?” e eu digo que sim. Porque desde que entrei naquela sala de paredes vermelhas, com alguns objectos parecidos com os descritos no livro “50 sombras de Grey“, que não tenho tido sossego. Já para não falar, que me arrependi com todos os ossos que tenho no corpo de ter ido ver o flagelo à humanidade. Cum caraças, aquilo é tão descritivo e tão doentio que magoa as entranhas… e eu só estava a assistir, não estava a viver… Foi de arrepiar um cubo de gelo! A parte descomprimida, foi o facto de ter levado o Pedro e a Andreia. Por um lado a Andreia andou a exposição toda a olhar para tudo com ar de nojedo, e ao mesmo tempo de interesse no papel do carrasco. Diga-se, que lhe saíram comentários do género: “Olha que fixe, eles ali a jogar às cartas enquanto o homem morre lentamente”… Juro que não me conseguia concentrar na imagem de fundo, somente no flagelo representado. Por outro lado, o Pedro estava fascinado com a exposição. Ele que estava a odiar a ideia, foi o que mais gozou. ele até conhecia algumas das máquinas. Vou acreditar piamente que o meu namorado não me mentiu quando disse, que conhecia algumas máquinas de alguns filmes que viu… De contrário, posso voltar a perder o sono. Eu digo voltar, porque desde então, tenho tido algumas visões mórbidas a meio de sonhos… Raios, quem me manda a mim ter a curiosidade de um gato!

Quando finalmente, acabou a exposição a Andreia decidiu que tínhamos de ir lanchar à beira rio, ou mais precisamente à beira-eléctrico… Isto porque acabamos num restaurante-pastelaria cuja esplanada se encontra à distancia de um fio de cabelo, e não é dos compridos, do eléctrico. Depois de pedirmos o que nos aprazia, eis que uma gaivota se lembrou que ainda não tinha feito o seu cocó publico… e pronto, aliviou-se ali próximo. Segundo a Andreia, ela aliviou-se dentro dos nossos copos… o nojedo voltou. Se até aquele momento eu estava a conseguir manter o almoço no estômago, naquele momento eu atrevo-me a dizer que o almoço andou mais uns metros na direcção da boca… Nojeira à parte, acabei de beber o meu compal, porque como se sabe eu estou em dieta e não como coisas de pastelaria. Levantei-me e percebi que a gaivota se tinha aliviado próximo, mas não ali… Ou seja, a sensação que tive, foi a de estar a entrar no século XIV quando a peste bubónica assolou a Europa e haviam instrumentos medievais para se castigar ou matar pessoas… Por um lado os animais a defecar na rua, por outro as maquinas de tortura ali tão próximo…

Para aliviar os ânimos, fomos ver a exposição da Lego que me deixou muito mais animada. Aquelas construções todas, dão-me vida. Pena os senhores da Lego ainda não terem percebido, pela quantidades de currículos que envio para lá, que eu adoro fazer e apreciar as construções. Um dia, meto-me num avião e vou bater à porta do Senhor Kjeld Kirk Kristiansen e pergunto se não arranja mesmo um lugarzinho para mim lá no meio das peças todas. A exposição está muito bonita, vale a pena.

Quando demos por terminada a tarde cultural, eu apercebi-me do quão doida tinha sido de obrigar o Pedro e a Andreia a virem ver aquela insanidade, valeu pela Lego. Apercebi-me também, que trazia os músculos retesados e contraídos só de pensar no que tinha visto. Digamos que eu vinha mesmo mal impressionada.

Ou seja, quando cheguei a casa, iniciei o meu processo terapêutico, PASTELAR!! ou como dizem os ingleses Baking.

Sim, é verdade, eu estou proibidissima de ingerir elementos de pastelaria, mas não estou proibida de os fazer. Assim para me acalmar criei as bolachas de amendoim e três chocolates. Fiz especialmente para agradecer ao Pedro e à Andreia por terem alinhado na minha insanidade. Fiz também, para poder voltar a sentir o aroma de bolachinhas a sair do forno e a compressão a abandonar o meu sistema nervoso!

Que tortura o aroma das bolachas sem as provar!

BOLACHAS DE AMENDOIM E TRÊS CHOCOLATES

Do que vais precisar?

  • 2 Canecas de farinha;
  • 1 Colher de chá de fermento;
  • 1 Caneca de açúcar Amarelo;
  • 1 Caneca de açúcar Branco;
  • 2 colheres de sopa de creme vegetal;
  • 1 colher de sopa bem cheia de manteiga de amendoim;
  • 2 Colher de chá de baunilha;
  • 1 Ovo grande;
  • 4 Colheres de leite morno;
  • 100gr de uma tablete de chocolate branco picada;
  • 100gr de uma tablete de chocolate de leite picado;
  • 100gr de uma tablete de chocolate negro picado;
  • 1 mão cheia de amendoins picados;

Como vais fazer?

  1. Numa bacia misturas os açucares com as manteigas, faz isto com auxilio de uma batedeira;
  2. Adiciona o leite, a baunilha e o ovo e continua a bater.
  3. Agora a este preparado mole, adiciona os chocolates e os amendoins. Mexe bem, com a batedeira;
  4. Adiciona a farinha e o fermento com auxilio de um coador e continua a mexer. A massa não é muito dura, pelo que funciona bem com batedeira;
  5. Deixa descansar 15min. Neste tempo, liga o forno na temperatura mais baixa e começa a forrar um tabuleiro de forno com papel vegetal e besunta com manteiga para não colar ao fundo;
  6. Com auxilio de duas colheres de sopa, faz bolas e espalha pelo tabuleiro;
  7. Leva ao forno até começarem a ganhar cor. Nesta altura tira. Se estiver mole está óptimo, quando arrefecem ficam crocantes. Não deixes torrar muito, de contrário ficam muito difícil de ser comidas…

Foi torturante fazer, mas mais torturante foi ver o ar de consolo da Andreia e do Pedro a comerem as bolachas!

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