31 Dezembros…

Ai Dezembro!

Pronto não há mais para a acrescentar.
O espírito natalício atravessou-me como uma flecha do cupido. Faltam precisamente 7 dias para o meu aniversário e 13 para a noite de consoada.
TREZE!
Portanto, está na hora de começar a fazer preparação para a insanidade da consoada de natal. Preparar o estômago, sem lhe provocar um flagelo só. Como quando vamos fazendo caminhadas de preparação para a maratona. Neste caso é preparar o estômago para a noite mais longa do ano, a comer. Porque longa mesmo, só a noite de S. João e a da passagem de ano, que também acontece ainda este mês…
Tenho de acrescentar na minha lista de actividades deste mês, insistir nas caminhadas com o Sheldon para caber no vestido da passagem de ano…
Voltando ao tema base, hoje fiz a primeira experiência, rabanadas recheadas. Eu adoro rabanadas, desde que assadas… E sem óleo… Porque durante as épocas festivas isto é uma a bomba entre gorduras de comida e acidez de estômago…
C’um carago!
Para quem como eu adora doçuras de natal misturadas com queijo da serra, daquele mesmo agressivo de bom e ainda bacalhau com azeite…
Raios, já senti o refluxo…
Pronto, hoje Não me alongo mais, até porque conto cá vir nos próximos dias com as minhas versões de doces de Natal… E anos. Afinal, Dezembro é natal para muitos, mas para mim é a dobrar, nasceu o menino Jesus numa manjedoura, e eu num quarto da Ordem do Carmo, no dia 19!
31 Dezembros!
RABANADAS RECHEADAS
O que vais precisar?
  • 2 copos altos, daqueles de sumo, cheios de leite, eu uso magro;
  • 1 Ovo L;
  • Pão de forma, paras as quantidades eu usei 8 fatias;
  • Nocilla, podes também usar Nutella;
  • Manteiga sem sal;

Como vais fazer?

  1. Ligas o forno a 150º;
  2. Misturas o ovo com o leite, misturas com auxilio de um garfo, até ficar um liquido homogéneo;
  3. Cortas as extremidades do pão, e com um rolo da massa esticas o pão, até ficar bem fininho e esticado;
  4. Com uma faca, barras bem o pão com Nocilla/Nutella;
  5. Enrolas o pão, como se de um rolinho se tratasse e mergulhas no liquido do leite com ovo;
  6. Num tabuleiro de forno, vais dispondo os rolinho e pelo meio vais distribuindo nozes/quadrados de manteiga;
  7. Levas ao forno e quando começarem a alourar, viras ao contrário até ficarem tostadinhas;
  8. Retiras do forno e polvilha com açúcar em pó e canela. As minha não levam canela porque o Pedro tem um ódio de estimação pela canela…

Et voilá. Difícil é deixar que arrefeçam…

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Adeus Adeus Bolachinha

Ainda na linha da manteiga de amendoim…

 

Nós temos dois armários de “porcaria” comestível, mas que deixa qualquer barriga em estado vegetativo, caso se ingira mais do que a quantidade legalmente permitida. Um dos armários está na cozinha e está naturalmente recheado de bolachas com e sem chocolate e batatas fritas de pacote, e cereais açucarados. O outro, está na sala. Este está recheado de chocolates, rebuçados, chupa-chupas e paçocas. Normalmente, estes armários estão em dia, datas, e quantidades sempre actualizadas. No entanto, hoje cheguei a casa e dei com os únicos pacotes de bolachas existente, só por aqui já começa a ser assustador, passados de data…. COMO?! Exacto, foi precisamente isso que eu me questionei, como deixei que tal fosse acontecer?

Eu sou uma pessoa, que gasta tempo a mais a pensar em comida. Ao ponto de uma conversa que começa com stick de queijo faz-me desfiar todo um rosário, acabando nas sobremesas de um jantar… Eu juro que isto é muito complicado de gerir, principalmente quando dou por mim com a boca a salivar, porque alguém se lembrou de falar em bolo de chocolate húmido ou guisado de vaca…

Em suma, o armário das bolachas estava vazio, e eu dei por mim cheia de vontade de comer bolachas.

Isto também é algo que me acontece com frequência, ter vontade de comer alguma coisa que não tenho à mão de semear, como por exemplo comer um crepe de nutella no Trocadero, virada para a Torre Eiffel… Não dá, no entanto na maior parte dos casos dá para resolver, conduzindo-me somente para a minha cozinha. Como foi o caso hoje. Não haviam bolachas, mas eu tinha muita vontade de comer bolachas…

Então, na minha cabeça listei o que tinha no armário vizinho do armário das bolachas. O armário da mercearia gourmand, e percebi que havia coisas mais que suficientes para fazer bolachas de pepitas de chocolate e manteiga de amendoim… Esta ultima tinha mesmo de acabar, não tenho muitas opções onde a usar.

O resultado foi incrível, arrisco a dizer, que foram as melhores bolachas que já fiz até hoje. Acho que vai passar a ser um habitué cá de casa. Não me safo da manteiga de amendoim.

Eu segui uma receita americana, mas deixo aqui as quantidades que eu usei.

BOLACHAS DE PEPITAS DE CHOCOLATE E MANTEIGA DE AMENDOIM (ORIGINAL)

O que vais precisar?

  • 1 1/2 Chávena de farinha;
  • 1 Colher de chá de bicarbonato de sódio;
  • 4 Colheres de sopa de manteiga à temperatura ambiente;
  • 3 Colheres de sopa de manteiga de amendoim com pedaços de amendoim;
  • 1/2 Chávena de açúcar branco;
  • 1/2 Chávena de açúcar amarelo;
  • 1 Chávena de chá de essência de baunilha;
  • 1 Ovo grande;
  • 75gr de Chocolate de culinária cortado em pedaços.

Como vais fazer?

  1. Ligar o forno a 130º;
  2. Numa taça misturas a farinha com o bicarbonato de sódio e deixas ficar;
  3. Na batedeira misturas as manteigas, quando estiverem bem misturadas, adicionas os açucares, e continuas a misturar, depois a baunilha, o ovo e finalmente o chocolate, e deixas a batedeira misturar tudo muito bem, de forma a criar uma espécie de pasta;
  4. Agora adicionas a farinha lentamente e misturas, sempre com auxilio da batedeira;
  5. Quando a massa estiver consistente mas elástica, esta na altura de separar a massa em pequenas bolachinhas;
  6. Num tabuleiro, foras com papel vegetal e colocas pequenos montinhos de massa, depois com uma colher molhada passas em cima para a bolacha ficar com forma redonda.
  7. Levas ao forno e deixas uns 10minutos no máximo, ou até as pontas começarem a ficar castanhas, mas o meio ainda mole;
  8. Retiras do forno, deixas arrefecer o tabuleiro, e depois tiras o papel (com as bolachas em cima) do tabuleiro e coloca sobre uma superficie fria, como o balcão da cozinha, durante mais uns 10 minutos;
  9. Depois é só resistir e guardar, ou perder a cabela e começar a comer…image4

Só para conhecimento geral, o título é a ode que o Monstro das Bolachas canta…

Manhã de dia 23

Janeiro 2018

“Angélica, faltam 6 meses, e eu vejo-te muito calma. Tu já pensaste nos mapas para os convidados? Tu já convidaste toda a gente? Tu já pensaste como vais fazer no dia?”

“Mãe, respira, eu e o Pedro temos tudo sob controle”

Não tínhamos, mas ainda tínhamos 6 meses.

Março 2018

“Mãe, estive a pensar e acho que no dia do casamento, como é à tarde, podíamos levantar-nos cedo, e íamos fazer um brunch a qualquer lado, ou arranjar alguém que nos venha cá a casa fazer um brunch. Ou eu própria posso organizar um brunch… Faço panquecas, French Toasts, sumo de laranja natural… e lá para as 11 vamos ao cabeleireiro e então iniciamos o processo, preparar a noiva”

Confesso que não consigo lembrar-me de ter conseguido dizer tudo isto à minha mãe, que estava a conduzir para o cabeleireiro, comigo no lugar do pendura.

Confesso também, que agradeço o facto de ela ser uma bomba que explode antes do tempo. De contrário, julgo que se me tivesse ouvido até ao fim, teria tido um micro enfarte, e a 3 meses do casamento não ia ser muito simpático.

“Ouve lá, tu estás bem? Tu vais acordar cedo para ires para o cabeleireiro minha menina, brunch?? Primeiro não faço ideia o que isso é, segundo nós vamos é abrir a porta de nossa casa, com comida na mesa para os convidados não irem de estômago vazio para o casamento”

Aqui percebi que ia ser uma luta inglória, ela desarmou-me com “não sei o que é um brunch“. Para piorar, eu sei que numa luta com a minha mãe, mesmo que eu ganhe ela é sempre a vencedora.

Maio 2018

“Meus meninos, vocês já têm tudo organizado? Timmings dos fotógrafos? Cerimónia pronta? Eu vejo-vos demasiado calmos para quem casa em pouco menos de um mês! A Meninha, tem de organizar a agenda dela! Todas as tias estão em compasso de espera porque vocês não dizem horas. O Sr. Henriques, diz que vem ter a nossa casa e que come por lá qualquer coisa. A tia Dália já ligou, para saber se vai haver comida em nossa casa…”

“Então, e a ideia do brunch? Nós e as damas de honor, a comer bastante logo pela manhã para nos aguentarmos todo o dia??”

Pronto a minha mãe aqui, morreu um bocadinho por dentro. Olhou para mim, como se eu fosse um caso sem solução. Respirou fundo, olhou para mim e disse: “Escolhe outro dia para essa coisa, no dia do teu casamento, tu vais estar com os sentimentos à flor da pele. No dia do teu casamento tu vai nem vais ter tempo para pensar um brunchs. Tu vais estar nervosa e stressada, para que tudo corra bem. A comida nem te vai descer”

Eu absorvi aquilo, como absorvo os meus pequenos almoços de fim de semana. Calmamente.

16 Junho 2018

“Andreia, ainda demoras para irmos provar os vestidos?”

“Não, estou a chegar. A Sofia ’tá doente. Tínhamos planeado levar-te, depois dos vestidos a um brunch. Vamos as duas?”

Ideia tentadora, mas estávamos só as duas, e durante a tarde era a minha despedida de solteira…

“Não. Ou vamos todas, ou não vai ninguém”

23 de Junho 2018

6h da manhã

Acordei com um martelar tresloucado mesmo por cima da minha cabeça, luzes acesas. Olhei para o relógio e pensei “O que é que aconteceu?”

Levantei-me para ir à casa-de-banho, encontrei-me com o meu pai no corredor. Trocamos um olhar silencioso, mas que me diz muito… diz: “a mãe já anda a 1100/h”. Entrei na casa-de-banho dois minutos depois, a cabeça mais bonita de todas, com os olhos mais maternais que eu conheço, aparece-me na casa de banho e diz: “Bom dia!!! dormiste bem??”

“Não, tu meteste a porcaria da máquina a lavar” assim, bruta e fria… O que poderia eu fazer?? Era verdade, ela tinha-me prometido calma… eram 6h da manhã, já estávamos todos acordados… mais valia termos ido todos para o brunch

Hmpf… Voltei para a cama, dormi mais duas horas. Levantei-me, fui acordar o meu pai, como já não fazia à algum tempo.

Tomei um pequeno almoço, com muito açúcar. Fui para o cabeleireiro, estive com as minhas primas, e comi mais meia bola de Berlim. Voltei a casa, vieram os fotógrafos e a maquiadora, e um caixa de miniaturas de bolos.

Vesti-me, tirei um milhão de fotos. Estive com todos os convidados, que souberam da “casa aberta” e ainda cortei broa com o meu vestido vestido.

Às 14h saímos de casa.

Não tive um brunch, propriamente dito, mas tive uma manhã cheia de pessoas e muita comida, desde doces a salgados! Bendita manhã de casamento, e mãe que não faltou com nada!

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FRENCH TOAST DA ANGIE
O que vais precisar?

  • 100ml de leite;
  • 1 ovo;
  • 1/2 colher de café de canela;
  • 1/2 colher de sopa de açúcar;
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 20gr de chocolate negro;
  • 2 fatias de pão de forma;

Como vais fazer?

  1. Num prato de sopa colocas, o leite, a canela, o açúcar e o ovo, mexes tudo muito bem;
  2. Coloca uma frigideira anti aderente ao lume e a colher de manteiga para esta derreter.
  3. Mergulha o pão no preparado anterior, de um lado e do outro, bem ensopado, e coloca na frigideira (como se estivesses a fazer rabanadas, mas com muito menos gordura);
  4. Repete o processo para a outra fatia de pão;
  5. Quando ambas estiverem tostadas, não queimadas, de ambos os lados, colocas o chocolate sobre uma fatia e cobre com a outro fatia;
  6. Deixas tostar mais um bocadinho de cada lado e serve;

De manhã começa o dia…

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Ele sabe que é sábado!

Nós costumamos dizer que o Sheldon sabe quando é sábado. Eu até brinco e digo que ele conta pelas almofadinhas. No entanto hoje eu percebi o que o faz comportar-se diferente aos fins-de-semana.

Durante a semana, a rotina cá em casa é, acordar, fazer o pequeno-almoço, tomar o pequeno-almoço levar o sheldon a passear, voltar, deixa-lo e sair para trabalhar. Todos os dias fazemos isto. Ele é preguição pela manhã, mas depois dos seus 10 minutos a espreguiçar, a semi-cerar olhos e a esconder a cabeça debaixo dos cobertores, acaba por se levantar e deitar no escuro da sala, enquanto o pequeno-almoço não sai. Entenda-se pequeno-almoço como torradas, café e chá para o Pedro e a Gecla, côdeas para o Sheldon.

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Ao sábado o ritmo é diferente, normalmente o Pedro dorme até tarde, e eu levanto-me por volta das 9.30 para fazer pequenas tarefas que não faço durante a semana, ou simplesmente para ligar à minha mãe e ir dar uma volta, quanto mais não seja, tomar um café, meter conversa em dia (que já fazemos diariamente, no entanto ao sábado sabe a ouro). Ora acordo às 9.30, saio 10.30/11h não vou passear o cão. Ao sábado arrasto as saídas do Sheldon para mais tarde e mais longas. Imagine-se o que faço eu, entre as 9.30 e as 10.30/11h?! Exato, tomo o pequeno-almoço. Tomo o pequeno-almoço, como se estivesse num hotel, com a diferença que num hotel tudo me é servido, cá em casa sou eu que o preparo. Preparo-o com calma, com gozo, com prazer. Enquanto faço isto, o Sheldon está deitado, no meio da cozinha, como se de um tapete se tratasse e também ele aguarda calmamente pelo pequeno-almoço que a Gecla prepara. Côdeas durante a semana, panquecas ao Sábado! Ah como ele sabe.

O incrível é que eu acordo mesmo com vontade de pegar em tudo o que é preciso para fazer um pequeno-almoço bem saboroso e reforçado. Por vezes, à sexta à noite, já penso no que vai acontecer no dia seguinte de manhã.

É assim que eu acho que o Sheldon sabe que é fim-de-semana, o pequeno-almoço é gigante e ele pode sentar-se ali, calmamente à espera de ter direito a um bocadinho de alguma coisa diferente.

Hoje não foi exceção. Hoje acordei com as panquecas na cabeça, sim eu sei, vestido de noiva em um mês, para de comer Angélica… Mas eu descobri uma maneira de fazer umas panquecas menos calóricas e tão ou mais saborosas que as tradicionais. Além do mais, li em algum lado, que comer de manhã controla mais as vontades durante o dia (não está a acontecer, mas também eu sofro de gulodice aguda). Começo então o processo, uma maçã, sem caroço, inteira dentro do liquidificador. Depois é meio copo de leite, três colheres de farinha, 1/3 de colher de fermento, canela em pó, ou baunilha quando partilho com o Pedro. Liquidificador no máximo. Frigideira antiaderente ao lume, e a magia acontece.

Por esta altura, já o Sheldon está em frente ao fogão à espera que as panquecas cheguem até ele. Tenho de me despachar, porque o Sheldon quer ir enfiar-se debaixo dos cobertores com o Pedro… Mas antes, Gecla passa para cá um naquinho de panqueca.

O difícil no meio disto tudo é aguentar até ter tudo pronto.

PANQUECAS DE MAÇÃ

O que vais precisar?

  • 1 Maçã;
  • 3 Colheres de farinha;
  • ½ Copo de leite;
  • 1 colher de café de fermento;
  • 1 colher de sopa de essência de baunilha/1 colher de café de canela;

Como vais fazer?

  1. Descaroçar a maçã, cortar em pedaço mais pequenos, não descasques a maçã. Vai inteira mesmo;
  2. Colocas no liquidificador, e deixas desfazer o máximo, depois adicionas o leite e voltas a ligar o liquidificador;
  3. Quando a mistura estiver bem ligada, adicionas a farinha, o fermento e a canela;
  4. Voltas a ligar no máximo, deixas misturar bem. No fim vê se a massa está espessa, se não estiver adiciona mais uma colher de farinha;
  5. Coloca uma frigideira antiaderente ao lume, e quando estiver bem quente distribuis a massa, deixas cozinha bem, viras de lado, cozer bem. Retiras, e ou comes assim mesmo, ou recheias, seja nutela/nocciola, doce de morango… o que for, o que importa é que te sentes calmamente a comer o pequeno-almoço!

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Crinkles, get out of here

Esta historia de chegar aos 30, ainda que não os sinta em parte nenhum do corpo, fez-me pensar numa publicidade que dava à uns anos, revitalift da Loreal. Não consigo precisar quando, mas sei que foi à algum tempo.

(Confesso que para mim, anos 90 & 00 soam tudo ao mesmo. Daí não ser capaz de precisar no tempo)

A publicidade mostrava a Andy MacDowell a falar sobre um fantastico creme anti-rugas. Depois de explicar as capacidades milagreiras do creme, a modelo dizia uma frase, tipo punch line. A frase era “wrinkles, get out of here“. A primeira vez que ouvi, repeti um milhão e cem vezes “crinkles, get out of here“. Na minha cabeça fazia todo o sentido. Uns dias mais tarde, numa aula de inglês, falou-se em wrinkles. O meu cérebro viajou na maionese, e eu percebi que andava com a punch line estragada. Mudei, e repeti mais um milhão e cem vezes “wrinkles get out of here“.

Na semana em que fiz 30 anos, dei comigo a adicionar no facebook um grupo novo, onde as pessoas vão postando e falando de pratos de comida que fizeram. (Ah, só existem dois prazeres nesta vida e um deles é comer).  Adicionei o grupo, e quando comecei a correr o meu ecrã, apareceram uns bolinhos com um aspecto incrível, pareciam uns bolos enrugado, tipo crosta de broa, falavam em crinkles. Eu fiquei fascinada. Olhei para a foto e disse para mim mesma “crinkles, get out of here!”. Desta vez fez muito sentido.

Pesquisei sobre o assunto, e li receitas com muito bom aspecto e de vário sabores. Experimentei as de chocolate, e o resultado, foi uns bolinhos com cara lisa sem wrinkles/crinkles. Pensei que tinha funcionado o creme milagreiro de punch line que memorizei. Ainda que bons, eram bolinhos de chocolate, nada mais do que isso, muito longe dos que vi. Pudera, só os deixei 7h no frigorífico e para piorar coloquei-os ao forno com um guisado

Esta semana, repeti a proeza. Deixei a massa 24h no frigorífico. Coloquei o forno a uma temperatura mais baixa, e subi os tabuleiros.

Quando tirei o primeiro do tabuleiro do forno a punch line voltou à minha cabeça: “Wrinkles, get out of here“.

Não sei porque na altura aquilo me ficou na cabeça, sei que sempre que vejo estas bolachas me salta à memoria esta punch line. Também sei que os 30 só me trouxeram rugas de expressão, e dessas eu sou hiper fã, como sou de Crinkles.

CRINKLES

O que vais precisar?

  • 1 tablete de chocolate amargo/culinária;
  • 100gr de açucar branco;
  • 60gr de manteiga;
  • 200gr de farinha;
  • 1 colher de café de baunilha;
  • 2 Ovos;
  • 1 colher de sobremesa de fermento em pó;
  • Açucar em Pó QB.

Como vais fazer?

  1. Derretes o chocolate com a manteiga e reservas;
  2. Bates os ovos inteiros com o açúcar e a baunilha, até dobrar a quantidade e ficar esbranquiçado;
  3. Adicionas o chocolate aos ovos e misturas muito bem;
  4. Adicionas a farinha e o fermento ao preparado, até atingires uma massa bem consistente;
  5. Tapas e levas ao frigorífico por 24h;
  6. Ao fim das 24h, fazes pequenas bolas e untas com açúcar em pó;
  7. Levas ao forno, pré aquecido a 130º, o tempo de cozedura, é de aproximadamente 15/20 mins;
  8. Quando vires as rugas todas a aparecer, e a massa já não reluzir, retiras, deixas arrefecer e colocas num prato;
  9. Serve como sobremesa, como acompanhante de chá… Eu sei lá, até para calar a gula serve!

 

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Pipocas

Ah pipocas…

Em Março do ano passado, 26/3 mais propriamente, escolhi uma Steakhouse, para irmos festejar 6 anos de namoro.

O Pedro adora bifes, e já varias vezes tínhamos falado em ir experimentar uma Steakhouse. Já tínhamos estado numa muito boa em Lisboa, Carvoaria. Muito simples, mas muito bem servido e deixam a vaca em forma pedaços comestíveis. Desculpem-me todos os anti-carne, mas olhar para um desenho de uma vaca, descrita por partes, trás à tona a mulher das cavernas que eu tenho a certeza, fui um dia. Fomos, eu a Andreia e o Pedro à Carvoaria, num sábado ao almoço, tinha tudo para ser mal servido, até porque o restaurante estava a abarrotar, no entanto, foi um almoço divinal. Uns dias mais tarde, ainda falávamos dos belos nacos de carne que comemos.

No entanto, não é sobre a Carvoaria que escrevo hoje, é sobre o almoço que tivemos no dia em que fizemos 6 anos de namoro.

Eu andei a esforçar-me por fazermos alguma coisa diferente. 6 anos de namoro, primeiro a viver juntos. Tínhamos falado em ir fazer um fim-de-semana, mas o tempo estava muito chuvosa, e a inercia tomou conta de nós. Eu não queria mesmo que o dia passasse despercebido, então andei a procurar um bom restaurante para irmos, de preferência para o Porto. Assim, se estiasse acabávamos a lanchar num qualquer sitio novo e charmoso… Não estiou, e eu não encontrava nenhum restaurante que me fizesse ter vontade de ir. Pensei no do Avilez, mas deixei passar a janela da marcação… As tantas,  o Casal Mistério lança uma crónica sobre o melhor restaurante do Porto segundo as redes sociais. Pensei que só podia ser brincadeira, eu à dias a tentar encontrar o melhor restaurante do Porto, e eis que o universo me atira aquele texto. Não demorei muito a abrir o texto, e fiquei petrificada só com as fotografias. Fiz um milhão e meio de pesquisas sobre o restaurante. Toda a gente falava bem, um ou outro comentário desagradável ao preço, mas uma Steakhouse boa, tem preços elevados para manter a qualidade dos produtos. Pelo menos é este o meu ponto de vista. Não marquei, e era um domingo. Também não contei ao Pedro onde íamos, quis criar suspense, afinal era aniversário de namoro, e nestas coisas o suspense só torna tudo mais excitante.

Ao fim de 20 mins de caminho, chegamos ao Terminal 4450. Confesso que ficamos meios perdidos por não conhecermos bem, e a entrada não era propriamente óbvia. Ou pelo menos, não para nós. Lá demos com a entrada, e como dois miúdos a numa manga de avião, seguimos às cegas até desaguar numa sala com malas e meia luz. Palavras para quê… O restaurante está super bem decorado, e a vista é para o terminal de navios de Leixões. Chovia, é certo, e o restaurante estava cheio, mas senti uma sensação de orgulho a atravessar-me do tipo:”estiveste mesmo bem, miúda!”, até porque havia mesa para estes dois miúdos.

Sentamo-nos, olhamos para o mega mural a pensar o que comer.. Black Angus? T-Bone? O que é isto aqui? Uma caneca cheia de pipocas… cada um comeu uma, e outra e outra… acabamos por pedir e bem, T-bone (conto lá voltar para o Black Angus). Carne super suculenta, não tivemos barriga para sobremesa, até porque aquelas pipocas eram um vicio. O pão vinha num saco de papel e a manteiga tinha chouriço… Mas as pipocas. A que sabiam mesmo as pipocas? Bacon? Linguiça? Eu achava que era linguiça.

Depois do almoço, o tempo piorou muito e voltamos para casa, mas vínhamos satisfeitos com aquele almoço. As pipocas não me saiam da cabeça.

Há uns dias, andava à procura de um sitio para levarmos a minha mãe a jantar, no aniversário dela. Tinha uma lista de 3 restaurantes possíveis, e durante a noite (confesso que foi uma noite de insónias) lembrei-me do Terminal. Fui à net voltar a pesquisar numero para reservas (não vou cometer a mesma insanidade) e dei comigo a abrir o instragram do restaurante. Perdi-me com as fotografias. O verdadeiro conceito de foodporn. Às tantas, aparecem as pipocas. Assim, como se de uma Fénix se tratasse, renasce em mim a obsessão pelas pipocas.

Li sobre pipocas salgadas, e nem sei bem como pensei no colorau que a dona Alice me trouxe da aldeia. Colorau feito pela Laidinha. Vermelho fogo. Aquilo na carne e no arroz é luxuriante… Espera lá, e se for isso mesmo que colocam nas pipocas? Afinal, eles têm as navalhas transmontanas no terminal.

Fui para a cozinha, tentar perceber como fazer, se misturava no óleo, ou só depois das pipocas já estarem feitas…

Primeira tentativa – Casa defumada com um cheiro a queimado intoxicante… Se não morremos desta, ainda podemos voltar a experimentar as pipocas originais.

Segunda tentativa – Milho todo pipocado, fundo da panela preto como carvão, porque insisti em adicionar o colorau ao óleo. Como as pipocas, não estavam carbonizadas, retirei-as para um tupperware com tampa. Coloquei uma colher de sobremesa de colorau, 1/3 de colher de café de sal e uma colher de café de molho inglês. Fechei as pipocas, misturei-as bem para todas receberem o colorau, o sal e o molho inglês. Elas ficaram vermelhinhas. Dei ao Pedro para provar, aparentemente, também as aprovou.

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Próxima paragem, voltar ao terminal, para perceber bem o sabor das pipocas. Ah e provar o Black Angus!

Kiwis

Quando eu era adolescente, vá pré adulta… sejamos honestos, uma jovem, tinha um ritual de sábado com a minha mãe. Sair de casa bem cedo, ir às compras, tomar um café e passar em casa da minha tia Carmen. Não era uma coisa que acontecesse semanalmente, e o ritual também não era necessariamente desta maneira, no entanto, a minha mãe esforçava-se por passar em casa da irmã, porque tinha saudades. Segundo ela, esta minha tia faz lembrar a minha avó e portanto, julgo que aquele bocadinho era para a minha mãe como voltar a estar com a minha avó, nem que fosse por uns minutos.

A minha tia mudou-se para uma casa enorme, numa zona bem alheia da vizinhança e com uma vista privilegiada para o pinhal. Confesso que à noite era para mim um pouco assustador passar lá, por estar tão próximo do pinhal. No entanto, durante o dia, ela transformou a casa dela, num espaço saído de um livro infantil. Um lugar bonito e acolhedor. Na verdade eu acho que só a existência da minha tia lá em casa torna tudo muito acolhedor. Ela não é uma pessoa meiga e de palavras doces. Ela é como a minha mae, e todas as minhas outras tias, tem o coração e o cérebro em luta para ver quem chega primeiro à boca.

Havia algo nas nossas idas lá a casa ao sábado de manha que me deixava cheia. Não  estomago mas alma.

Ao sábado, e depois de ter feito o seu tão apreciado forno a lenha, a minha tia cozia pão. Ela amassava-o de manha bem cedo, e por volta das 11 já o forno estava pronto para receber o pão. A minha tia sempre fez parecer toda a tarefa, amassar pão, meter lenha no forno, aguardar que este atingisse a temperatura certa, meter-lhe o pão e calmamente aguardar que este cozesse, fosse a tarefa mais simples do mundo. Isso notava-se no pão. Era simples, muito simples, mas cheio de sabor. Sabor de pão caseiro. Inicialmente eu fazia-me de rogada, e dizia que não havia necessidade, mas às tantas deixei-me de modos… A minha tia passou a ter sempre um bocadinho de pão quente para mim. Nós não íamos lá de maneira nenhuma pelo pão, mas aquele pão quente, que eu mal tinha oportunidade barrava com manteiga, trazia-me uma felicidade impensável. Sabia-me a amor.

O tempo passou. A minha tia emigrou. Eu praticamente deixei de passar.

Um dia destes, combinei passar em casa da minha tia, na verdade hoje é a casa das minhas primas. Passei para deixar umas coisas.

Cá o sol ainda brilha, com brilho de primavera. As flores ainda não recolheram a 100% e portanto, tudo ainda tem cores de primavera.

Quando cheguei reparei, que tudo está como à uns largos anos atrás. A minha tia não está, mas as minhas primas, cuidam da casa e do jardim como se fossem a minha tia. Entrei, e la andava o João preocupado em manter o jardim bonito. Os cães felizes da vida por me verem chegar, como se eu fosse o primeiro-ministro dos cães. Estivemos à conversa, eu e o meu primo, e às tantas pergunta-me ele, queres kiwis? Nunca me faço de difícil a fruta biológica, portanto prontamente disse que sim. Ficaria muito agradecida. Lá entrei em casa, estive com a minha prima. Tudo igual como no tempo da minha tia, fogão da cozinha ligado, para fazer algo de muito bom. Tal como, quando eu lá ía ao pão quente.

A sensação que tive foi que o tempo não passou, só faltou ver o pequeno António, aos pinchos porque não quer leite com crepitas! Senti-me novamente uma miuda, ali naquela cozinha.

Aos sair, lá estavam os kiwis que o João me foi buscar. Eram lindos, ainda verdes e enormes. Trouxe-os como se fossem preciosos. Pelo caminho revivi tudo isto. Subi as escadas, pousei-os na bancada da minha cozinha e pensei, merecem tratamento como o que acabei de receber.

Descasquei-os, cortei-os, adicionei-lhe maçãs e fiz um doce de excelência, Kiwi e Maçã.

Existem dias que nos fazem sentir nostalgia.

DOCE DE KIWI E MAÇÃ

O que vais precisar?

  • 6 Kiwis grandes;
  • 3 Maçãs pequenas
  • 250gr de açúcar(obrigada tia Teresa e Cláudia);
  • 100gr de água;
  • 1 Colher de sobremesa de essência de baunilha;
  • 1 Pau de canela

Como vais fazer?

  1. Descasca os kiwis e as maças, e corta em pedaços pequenos, atenção tira os talos das maçãs;
  2. Num tacho largo, coloca os kiwis, as maçãs, a canela, o açucar, a água e a baunilha e leva ao lume baixo;
  3. Mistura inicialmente tudo com uma colher de pau, e deixa ficar a cozinhar, até ficar com textura de doce/geleia.
  4. Eu deixei 1h a cozer.

NB: Porque os meus kiwis ainda não estão maduros, obtive um sabor to tipo acidulce. Tipo as gomas cheias de açúcar pelo exterior, mas muito melhor. Portanto, secalhar corta um bocadinho no açúcar se os teus kiwis já estiverem madurinhos.

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