Oh Ilda que t’enliaste…

“OH MIGAAA, VOCÊ ESTÁ BOA?”

“ESTOUUUUU”

“ESSA BIDAA”

“SOU SABIDA?”

Era mais ou menos assim que se iniciavam as nossas conversas, quando ia a casa dos meus pais para ver toda agente. Ela estava normalmente sentada no sofá, à espera. Não me posso convencer de que esperava por mim, até porque não ia lá todos os dias, mas ela estava ali. Para mim era reconfortante ver a minha “miga” ali. Vivemos ininterruptamente um ano juntas, cada uma no seu quarto claro, mas eu sentia-a. É parvo dizer que era como quando a Marta lá estava. Não era. Eu e a Marta perdido e achado estávamos pegadas, mas sabíamos que por muito que nos custasse, fomos inclinas do útero da minha mãe, e portanto tínhamos de aprender a ser uma para a outra. Com a Ilda não. Primeiro porque se tivéssemos dividido útero, provavelmente estaríamos num qualquer filme holiwodesco e não na vida real. Segundo porque ela não pertence à minha árvore genealógica.

Lembro-me de ter 5/6 anos, estar num jardim gigante, numa casa que cheirava estranho, uma senhora num cadeirão verde e duas senhoras de meia idade de bata, muito bem arranjadas a tratar do jantar. Tenho vagas imagens dos meus pais, e sei que estava com a Marta, nas pueris correrias pelo jardim, depois de ter comido pescada cozida, iuk, e ouvir alguém chamar para a sobremesa. Era uma voz esganiçada e altiva. A sobremesa era um feast daqueles dos anos 90 que não tinha chocolate pelo meio só por fora. Estava cheio de cristais de gelo por ter sido congelado e descongelado vezes sem conta… não sabia bem, mas depois de pescada cozida, que mais podíamos pedir??

Os anos passaram e a mais velha das duas sempre foi desagradável. Eu acredito que fosse pela vida que levou. Muito trabalho, pouca alegria. Viviam umas para as outras, mãe e 3 filhas. Um dia, a mais velha casou, engravidou, e a mãe e as irmãs meteram-se num barco, e foram ajudar a criar o sobrinho. Uma vez perguntei se nunca se tinha apaixonado. Deu-me como resposta que “lá na América, havia um Italiano que queria casar comigo, mas eu não quis. Nunca quis rapaz. Eles queriam dançar comigo e tudo, mas eu não queria”, “Porquê?”, perguntei eu. “I don’t know Marta, Angélica. I don’t know”. Vou sentir falta disto. Toda a vida fui Angélica, e nos últimos anos, até me sinto um bocadinho Marta. Não havia dia, em que eu não fosse Marta, o Pedro João, a Marta Angélica, o Sr. Arsénio Séninho e a dona Irene, “como se chama Dona Irene?”.

Um dia, os meus pais foram dar uma volta, e ficamos as duas 3 dias em casa sozinhas, mandamos castrar o cão e o gato e ficamos as duas a tomar conta deles. Quando os fomos buscar ao veterinário, eles estavam mais para lá do que para cá. Ela chorou todo o caminho, mandou-me ligar 2 vezes ao veterinário para termos certeza de que não iam morrer. Eu disse que era normal, eles estavam sedados. Ela respondeu-me que quando mandaram capar a taruqinha, ela não vinha assim. Então eu decidi contar-lhe a verdade, a taruca na verdade era um taruco, e elas tinham sido enganadas pelo taxista que estava farto de ser chamado para levar a gata/gato ao veterinário. Portanto, ele ficou com o dinheiro da castração, deu uma volta com o gato no carro e depois entregou-o “capado”. CANDONGUEIRO, foi a resposta dela. “Nós éramos, mesmo umas Julinhas”.

Candongueiro, a Marta é a nossa candongueira.

Julinhas, essa era a Ilda. “Oh Ilda, você não me saia Julinha.”, “Não, que eu sou muito esperta”

No outro dia, vinha para sair de casa e disse:

“Good bye Ilda”

“See you Later Angélica”

Voltei atrás e disse:

“Como disse?”

“I don’t know Marta”

Vou ter saudades disto.

Santo Agostinho, diz que se amamos não choramos. Eu vou-me esforçar. Hoje é o ultimo dia de choro.

Resta-me saber que a minha Miga agora está com a Mãezinha, a Gracinda e a Micas. Resta-me saber que a minha Miga, agora pode comer pizza, porque voltou a ter os dentes todos, que inexistentes tantas vezes lhe doíam. Resta-me saber que a minha Ilda foi amada como, tia, avó e mãe nestes últimos tempo. Resta-me saber que fizemos tudo para que fosse feliz.

See you later Ilda!

Ilda

 

 

 

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Life doesn’t have to be perfect to be wonderful

Versão Portuguesa

Estou sentada na mesa de jantar da minha sala e enquanto aprecio a vista estou a pensar em como as coisas mudaram.

Antes de mais, a minha vista tem tanto de incrível como assustadora. Um campo verde que parece pertencer a ninguém, prédios que provavelmente são mais altos que o meu, mas daqui parecem-me bem mais pequenos, e o mar. O mar que tanto traz alegrias como infortúnios a esta cidade à beira mar plantada.

Eu perco-me quase diariamente enquanto tomo o pequeno almoço a admirar o facto deste mar não se mexer. Ele mexe, eu sei que mexe, mas daqui parece um quadro que retrata um momento parado. Isto é assustador. Um momento parado.

Está prestes a fazer um ano que as coisas mudaram de facto. São  365 dias de uma nova vida. Não porque eu não gostasse da antiga, mas porque o universo assim o quis. Sim, eu culpo muitas vezes o universo, a minha mãe diz que a culpa nunca morre solteira…

26 de Março 2016, jardins do Palácio da Pena, frio, chuva, um mapa sem uso.

“é por este lado… olha olha esta árvore parece a mãe da Pocahontas, que incrível”

“Sim, e não é que parece mesmo?! Põe-te ai, vamos fazer uma foto”

“oh de costas? Pronto ta bem…”

“Já tá?…Já tá?”

“SIM”

Foi mais ou menos esta a conversa que nos levou a um dos momento mais incríveis da minha vida.

Eu tive uma fase que dizia que não queria casar, pronto não queria. Depois conheci o Pedro e mudei completamente de forma de pensar. Juro que sonhava com aquele momento. Quem não sonha, e não entendo bem o porquê. Acho que está relacionado com a imaginação das meninas. A Kate Midleton e a Leticia Rocasolano, não ajudam. Mostram viver numa espécie de conto de fadas da vida real…

23 de Julho 2016, 23.30h, sobem-se escadas, um cão ladra incessantemente. Fecha-se uma porta.

Foi mais ou menos assim, que eu e o Pedro começamos a viver juntos. Enchemos os nossos carros com os nossos mais preciosos pertences, roupa interior. E rumamos em procissão até à nossa nova casa. Mais um momento incrível que me fica na memória. Desde esse dia que a minha vista passou a ser esta. Da janela, tenho acesso a uma paisagem que me parece muitas vezes parada no tempo, para cá da janela vivem dois seres humanos e um cão que têm experienciado as mais bizarras e incríveis situações. Conto de fadas da vida real? Esquece.

O Diogo e a Andreia ofereceram-nos um tabuleiro, nós usamo-lo como quadro e diz assim “life doesn’t have to be perfect to be wonderful”.  Sempre que passo pelo quadro ganho um sorriso. Porque para mim a vida é isto, um universo como escritor e encenador que nos pousa aqui no meio e nos vai deixando actuar. Às tantas mete uma árvore no caminho.

Ps: Eu juro que continuo a comer coisas incríveis e a fazer experiências na cozinha, mas ainda estou um bocado perdida nesta nova vida. Assim que tome o rumo, eu volto às receitas 🙂

English Version

I’m sited at my dining room table and while I absorb the view I’m thinking on how things have changed.

First of all, my view has both of incredible and frightening. A green field that seems to belong to no one, buildings that are probably taller than mine, but from here they seem smaller, and the sea. The sea that brings both joys and misfortunes to this seafront city planted.

I lose myself almost daily while having breakfast, admiring the fact that this sea does not move. It moves, I know it moves, but from here it looks like a picture that shows a stopped moment. This is scary. One stopped moment.

It’s almost a year now, that things have indeed changed. 365 days of a new life. Not because I did not like the old, but because the universe wanted it. Yes, I often blame the universe, my mom says that guilt never dies alone …

March 26, 2016, Palacio da Pena’s garden, cold, rain, an unused map.

“It’s on this way … look looks, this tree looks like Pocahontas’ mom, how amazing”

“Yes, indeed. Put yourself there, let’s take a picture”

“Oh, of my back? okay …”

“Is it yet? … is it yet?”

“YES”

It was more or less like this, the conversation that led to one of the most incredible moments of my life.

Once I thought I didn’t want to get married, I didn’t. Then I met Pedro and I completely changed my way of think. I swear I dreamed with that moment. Who does’t dream, actually I don’t understand why. I think it’s related to girls’ imaginations. Kate Midleton and Leticia Rocasolano, don’t help. They show living in a kind of real-life fairy tale …

July 23, 2016, at 11:30 p.m., up on stairs, a dog barks incessantly. A door is closed.

It was more or less like that, when Pedro and I began to live together. We fill our cars with our most precious belongings, underwear. And we proceeded in a kind of procession to our new home. Another incredible moment that I keep in memory. From that day on my view has become this. From the window outside, I have access to a landscape that seems to me often stopped in time, from the window inside lives two humans and a dog who have experienced the most bizarre and incredible situations. Real life fairy tale? Forget about it.

Diogo and Andreia offered us a tray, we used it as a wall frame and it says “life does not have to be perfect to be wonderful”. Whenever I pass by the picture I instantly smile. Because, for me, life is this, a universe as a writer and director that puts us here in the middle of nowhere and lets us act. Suddenly, a tree is on our way.

Ps: I swear I keep eating amazing things and doing experiments in the kitchen, but I’m still a little lost in this new life. As soon as find myself on it, I come back with recipes 🙂

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Parecia saído de um filme…

Versão Portuguesa

De cada vez que se vêm vídeos na Internet, de cães malandrecos, aparece sempre um beagle a roubar papel higiénico. Eu acho sempre uma piada incrível, penso sempre como é castiço, aquele cachorro com típicos olhos de piedade com a boca cheia de papel higiénico. Muito engraçado, aliás hilariante, da sempre vontade de ir ter com ele e dizer: “há isso não se faz, mas tu és tão fofo e tão engraçado, deixa la.”

Depois, nós adotamos um beagle, e ele é fofo e engraçado, e tem olhinho de piedade, principalmente depois de fazer asneirada…

A semana passada, o Pedro saiu para o ginásio e eu optei por ficar para arrumar. O Sheldon como sempre, andava atrás de mim, eu limpava e ele patanhava. Julgo que na cabeça dele, ele está a ajudar-me. Na realidade, tenho de aceitar o facto de ele, ter um prazer incomensurável em ser a minha sombra. Tanto que andava na casa de banho nas limpezas e ele sempre atrás de mim… Entretanto, voltei para a cozinha. No entanto, o Sheldon não veio. Eu pensei, Ok fartou-se, e está neste momento no puff dele. Os minutos passaram e eu sem me preocupar, com o cachorro bebé que co-habita connosco. No entanto, ele teimava em não aparecer e eu usei o método, a que ele responde tão bem, chamei-o. SHELDON!! Foi instantâneo. Ele apareceu. vindo da casa de banho com o papel higiénico na boca. Mas não era o rolo, não que isso é mais difícil de tirar, era a ponta do papel higiénico. Ou seja, os corredores que ligam à cozinha, estavam cobertos por um tapete de papel higiénico. Quanto ao Sheldon, apresentou-se ao chamamento com as orelhinhas a abanar e a ponta do rolo na boca…

Inicialmente e dei uma gargalhada, mas depois fiquei chateada e queria ralhar com ele, mas não dava. Ele sentou-se largou o papel e fez o olhar de piedade, também conhecido como, eu sou um carneirinho e tu adoras-me… É a realidade, mas bolas nos filmes tem mais piada que na vida real…

 

English Version

So, there’s this videos on youtube, of dogs doing wrong thing, it’s hilarious. Normally they have in it, a beagle that steals toilet paper and runs around the house, creating kind of Halloween decorations. I laugh hard, every time I watch it, and feel like it ain’t that bad, it’s like him trying to prank the owner. There’s no need to punishment.

As I already told, we adopt a beagle, or the new actor in scene. I have to say that those beagle eyes and hears make me feel like as if everything he does, ain’t that bad… Because he is so cute. But then, things happen.

Last Saturday, Pedro went to the gym, and I decided to stay in order to put some order at home. While I was doing it Sheldon decided to help. I clean and he paw prints everything. So I went to clean the bathroom and my little shadow followed me. After finishing it, I went to the kitchen but no shadow was around. So I thought he might have given up, and was sleeping on his bed. Minutes passed no signs of Sheldon. So I used the best way to make him appear, I yelled SHELDON, and puff he appeared. What an appearance. The scenario was like in the movies. A carpet of toilet paper after him and the beginning was on his mouth he even came running with his hears bouncing around… My first reaction was, to laugh, but then I realize it wasn’t a movie, it was my home, just after my cleaning… I became furious and when I was about to start arguing with him, he made the look… You know, that beagle look, lamb eyes and hears even downer… Gosh… I couldn’t do much… So I forgave him, cleaned up all the mess, and said to myself, that at movies this looks really better, in real life it is not that good.

 

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Crónicas do Sheldon

Versão Portuguesa

The big bang theory estreou-se em 2007 nos EUA. Honestamente não sei quando se estreou na rtp2. Sei que adorava ver as series que davam entre os desenhos animados e o telejornal, e uma dessas series era precisamente The big bang theory. Confesso que, depois do primeiro episódio, colei. Era a Peny e os rapazes, e apesar de eu e os meus amigos estudarmos todos engenharia, eu identifiquei-me com ela. Não pela falta de conhecimentos físicos e matemáticos, mas pela falta de capacidade de perceber a maior parte da conversa nerd… O personagem que me arrebatou, foi o Sheldon Cooper. Não sei se por ser um autista não diagnosticado, ou como ele diz:”normal porque a mãe fez-lhe exames”, ou pelo facto de ser diferente. Uma pessoa completamente desprovida de senso comum.

Infelizmente os episódios deixaram de dar na rtp2. Foram precisos alguns anos até eu poder voltar a acompanhar tudo.

Em 2010, já eu estava a trabalhar e via os episódios regularmente. Diariamente, fazia viagens de comboio com o Diogo, e passávamos esse tempo a comentar sobre a série. O nosso vicio era tal, que o Pedro acabou por ter curiosidade em ver, ou seja acabou como nós, viciado.

A série é de tal forma um sucesso internacional, que a LEGO criou o backstage com as personagens, em 2015. Neste mesmo ano, eu estive em Colónia na Alemanha e fui propositadamente à loja da lego comprar o presente de Natal do Pedro.Imagina o que?! A verdade é que aproveitei para lhe dizer que ia ser o nosso primeiro bibelot.

2016 chegou, e o bibelot já estava montado.

Em Julho, eu e o Pedro iniciamos a nossa vida em concubinagem. Em Setembro adoptamos um cão. Passamos por tanto a ser os companheiros de casa do Sheldon Cooper. Um beagle irrequieto, com um sinal no nariz, que muitas vezes nos faz perder a paciência, mas que nos está a ensinar a ser pacientes. Ou seja, um Beagle peculiar, como o homónimo Sheldon Cooper. Estou mesmo à espera da altura em que ele bate três vezes à porta e repete o meu nome pelo meio.

Resumindo, o Sheldon é o novo personagem da nossa historia. Ele é tão louco que me faz ter vontade de vir aqui contar-te as aventuras dele. Além disso, apesar de ter “ajudado” a criar 2 cães, tenho a sensação que não percebo muito disto. Como tal, decidi uma vez de vez em quando, abrir este espaço às Crónicas do Sheldon. Vou tentar contar as diabruras, e novidades que este Beagle nos vai obrigar a vivenciar diariamente.

Espero que esta seja mais uma maneira de te fazer ter vontade de cá vir.

PS: Ele ainda só tem 2 meses, e eu já fiz mais noitadas do que quando andava na universidade…

 

English Version

The big bang theory was released in 2007 in USA. Honestly I don’t remenber when it was released in nacional television, in Portugal. I know that I loved to watch shows between cartoons and television news, and one of those shows was the Big Bang Theory. I admit that I became addicted instantly. Peny and the guys, made my day. Even though, I and almost all of my friends were studying engineering, I identified myself with Peny. Not for the lack of knowledge, but the inability to realize most of the nerd talk. From all of the guys, Sheldon Cooper was the one that I fell for. I do not know whether if by the fact he is an undiagnosed autistic, or as he says:” normal because my mother tested me”, or by being different. A person with a complet lack of commonsense.

Unfortunately, nacional television stop the show. It took me a while to catch everything again.

In 2010, when I started to work, I was watching the show regularly. So, during my train travel to work with Diogo, we used to discuss everything about the show. Our addiction was in such a way, that Pedro turned out to be curious enough to see it and just like us became hooked.

The show reached international success, and for that reason, LEGO created the backstage with the characters in 2015. That same year, I went to Cologne in Germany and purposely went to the LEGOvstore to buy Pedro’s Christmas present, imagine what ?! The truth is that I glued a paper to it saying: “this is going to be our first trinket”.

2016 arrived, and our trinket was already assembled.

In July, Pedro and I started our concubinage life. In September we adopt a dog. Basically, we became Sheldon’s housemates. A fidgety beagle, with a sign in the nose, which often makes us lose patience, but is teaching us to be patient. That is, a peculiar Beagle Just like his homonymous Sheldon Cooper. I’m just waiting for the time when he knocks three times on the door and repeatedly says my name in the middle.

In short, Sheldon is the new character of our history. It’s so crazy that makes me want to come here to tell about his insanities. Moreover, despite having “helped” breeding of two dogs, I feel that I don’t know nothing about it. As such, I decided to once in a while I will open this space to Sheldon Chronicles. I will try to tell his way of seeing the world, and ou way of living with a Beagle.

I hope this gives you another excuse to make you come here!

 

PS: Sheldon’s only two months, and I’ve already lost more nights than during college!

 

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Cozinhar que é bom… nada

Versão Portuguesa

Quando me propus a criar este blog, encontrava-me numa fase diferente. O tempo era extenso e a cozinha ficava no andar inferior. Entretanto, a vida foi me dando limões, e eu fui experimentando vária receitas de limonada. O problema, é que nem sempre a limonada tem de ser feita na cozinha. É precisamente isso que me está a acontecer… Estou a deixar de fazer tantas limonadas na cozinha, e a fazer limonadas noutros sítios. Ou seja, já não faço tantas experiências na cozinha como fazia à pelo menos um ano atrás. Tudo isso me afasta um bocadinho do propósito deste espaço, que supostamente seria para contar uma historia que me levou a cozinhar alguma coisa. Desengane-se quem acha que eu deixei de fazer bombas calóricas, eu mantenho esse espirito, o problema é que comecei a cozinhar pelo seguro.

Porquê? Não faço ideia mesmo.

Sei que, com esta história de controlar o peso, condição médica que me foi imposta, já não posso provar de tudo… Vá, eu posso provar de tudo, eu não posso é comer de tudo. Isso leva-me ao abismo. Tudo porque a minha relação com a comida é uma relação amorosa ativa. Uma daquela relações prematuras, em que não se consegue resistir quando o outro fala baixinho ao ouvido. Obviamente, a comida não me fala baixinho ao ouvido, não no sentido físico, mas fala-me no sentido imaginário. Não sei se te lembras de quando eras miúdo, dos desenhos animados da rua sésamo, havia sempre uma personificação de tudo, desde comida a objetos, animais a vegetação. Todos comunicavam. Pois bem, eu vivo num desenho animado, porque sinto por exemplo o chamamento do chocolate de cada vez que vou ao frigorífico. Ou o chamamento, a roçar o erótico, das batatas fritas quando estão a ser colocadas na frigideira…. O mesmo não consigo decifrar por parte dos brócolos, ou do peixe em geral. Pela certa, falam uma das muitas línguas que eu não domino.

Enfim, o que eu quero dizer, é que não tenho escrito com tanta frequência, porque também não tenho cozinhado com tanta frequência. Contudo, como com igual frequência, e a comida é o que alimenta o cérebro, principalmente os frutos secos não acompanhados de sal ou de uma larga camada de chocolate. Por isso o bichinho de partilhar as minhas loucuras, que vejamos, são cada vez mais frequentes, fazem-me querer vir aqui. Ou seja, para alem de viver dentro de um desenho animado, estou amarrada a um vicio.

Assim, quero me desculpar a todos aqueles que cá vem verificar as quantidades de açúcar da minha ultima receita. Vai acontecer eu partilhar receitas, mas se por algum motivo eu não o fizer (como vai acontecer hoje), por favor não me desvalorizes. Pensa que eu estou prestes a ser pesada a qualquer momento como os animais, e se não tiver atingido o peso certo, posso correr grandes riscos de acabar no prato de alguém.

Quanto à limonada, o ideal é adicionar, gengibre fresco, e folhas frescas de hortelã. Sabe a verão, isso eu garanto!

English Version

When I decided to create this blog, I found myself in a different phase. Time was extensive, and the kitchen was downstairs. However, life was giving me lemons, and I was experiencing various lemonade recipes. The problem is that not always lemonade must be made in the kitchen. That is precisely what is happening to me … I am stopped making so many lemonades in the kitchen and started making it elsewhere. Thismeans, that I no longer spend so much time in the kitchen as I did at least one year ago. All this keeps me a little of the purpose of this space, which was supposed to be to tell a story that led me to cook something. Forget if you think I stopped doing calorie bombs, I keep this spirit, the problem is that I started cooking it safe.

Why? I have no clue.

I know that with this story of controling weight, medical condition that was imposed on me, I can no longer taste everything … Well, I can taste everything, I can not eat everything. This brings me to the abyss. All because my relationship with food is an active love affair. Like in a premature relations, when one can not resist when the other speaks softly in his ear. Obviously, the food does not talk to me softly, not in the physical sense, but talk me in the imaginary sense. I do not know if you remember when you were kid, in  Sesame Street, there was always a personification of everything from food to objects, animals to vegetation. All of them communicated. Well, I live in a cartoon, because I ear the call of chocolate every time I go to the refrigerator. Or the call, skiming the erotic, when french fries are being placed in the pan …. The same does not apply to broccoli, or fish in general. That might e because they speak a language ​​I do not understand.

Anyway, what I mean is that I haven’t written so often, because I have not cooked so often. However, I eat with equal frequency, and the food is what fuels the brain, especially nuts ithout salt or a large chocolate layer. So the gut to share my craziness, that is becoming more frequent, make me want to come here. In other words, in addition to live within a cartoon, I am tied to an addiction.

So I want to apologize to all those who come here to check the quantities of sugar from my last recipe. Sharing recipes will continue to happen, but if for some reason I do not do this (as will happen today), please do not underestimate me. It probably might be linked to the fact that I’m about to be weighed at any time. Like animals, if I have not reached the right weight, I can take big risks to end up in someone’s plate.

As for the lemonade, the ideal is to add fresh ginger and fresh mint leaves. It will taste like summer. That I guarantee!

Quando num dia estás e no outro já não…

Versão Portuguesa

Existem momentos nas nossas vidas que nos fazem questionar, até que ponto vale a pena andar por estes lados.

Eu tive um desses momentos este fim-de-semana.

Eu não sou muito de olhar para a vida, e pensar na sorte de ser bafejada com tantas coisas boas e pessoas incríveis. Sou mais do tipo, ainda bem que aqui estás. Sigo em frente, amanhã é outro dia, mas o que conta é o hoje. O problema é que tudo é efémero, e já dizia o João Pedro Pais:” Ninguém é de ninguém, mesmo quando se alma alguém”. Todos temos um caminho, pessoas a encontrar, todos temos pessoas a quem tocar. Ou seja, a vida é feita de pequenas ligações que de alguma forma nos vão fazer chegar a outros, ou que de alguma forma nos vão fazer crescer.

Todos temos, ao longo dos anos, encontros e desencontros, e muitas vezes fazemos comentários como: “Raios, 10 minutos da minha vida perdidos”. A verdade, é que não é bem assim, esses 10 minutos, a certa altura da vida vão responder a alguma questão.

Quando eu era miúda, comecei a conviver com 3 senhoras com alguma idade, 2 ainda não eram consideradas idosas, mas a terceira não só era idosa, como teve uma passagem física por mim quase tão rápida como o desenvolvimento de um bebé na barriga da mãe. Porém, gravo memórias dela sentada na sua poltrona e muito parca em palavras. Do contacto com essas três “meninas”, recordo o gelado feast, mas não é aquele que hoje temos à venda, é um primo afastado cujo interior era feito de leite e o exterior chocolate negro e amêndoa. Este gelado aparecia imensas vezes, depois de jantares que tínhamos em casa daquelas três. Eu e a Marta acabávamos quase sempre, no jardim a lambuzarmo-nos com o gelado, enquanto os adultos à mesa conversavam sobre coisas que nunca me chamaram muita atenção. Os jantares ali repetiram-se durante alguns anos, alguns deles já sem a velhinha, mais velhinha.

Os aos passaram, e as duas restantes mantiveram-se sempre por perto. Ou porque as laranjas tinham rebentado e estava na hora de ir buscar algumas, ou porque o natal estava à porta e as couves estavam à espera. Enfim, sempre foram duas pessoas que perdido e achado lá ouvíamos falar nelas.

Entretanto os invernos, que aos olhos da juventude sabem a camisolas quentes, novas e giras, aos olhos da Ilda e da Gracinda, tornaram-se demasiado frios. Como os amigos eram a única opção para as duas, a decisão foi pedir ajuda para passar mais um inverno.

Os amigos, os meus pais, fizeram o que tantas vezes sentiram não ser capazes de fazer, adotaram as duas como se de filhas se tratassem. Filhas mais velhas é certo, mas filhas. Ora eu e a Marta, já sem feast, aproveitamos e adotamo-las também. Tias ou as Avós que tão cedo nos foram arrancadas.

Em resumo, passamos de uma família de 4 com um cão a uma família de 6 com cão e gato. Fizemos tudo o que uma família normal e feliz faz. Até tínhamos aquela avó que fala muito e não diz coisas muito acertadas, que também é a avó que opina sobre tudo o que não sabe. Que também é a avó que muitas vezes queremos que se cale um bocadinho, porque já chateia. Contudo, é avó. Os avós são aquelas pessoas que apesar de tudo, ficam altamente felizes quando estamos por perto. A Gracinda era assim, adorava que lhe arranjasse as unhas, que lhe desse coisas doces, que na mesa houvesse sempre salada com tomates e alfaces do campo dela, que ao domingo o meu pai a levasse ate ao café para ela poder conversar com as novas amigas. Era uma pessoa de lida simples, o que justifica o facto de tanta gente a conhecer. Era uma pessoa vaidosa, com 50 saias no armário e mesmo assim, precisava de uma nova… Teimosia não lhe faltava, o não, ia acabar sempre em sim. Enfim, uma jovem num corpo travesso e mal mandado.

Os invernos são mesmo muito rigorosos, para alguém tão vivo de espirito e fraco de corpo. Os invernos levam-nos parte da alma quando não conseguimos ver com clareza a cor das flores… Mas foi no fim da primavera que a Gracinda deixou de ver tudo, a partir do corpo que lhe designaram à 85 anos atrás.

Resta-me agora a avó Ilda, de cabeça branquinha como a neve, pele crestada pelo sol, e olhos da cor do céu em dia de sol. Para compensar, o facto de nem sempre ter tido paciência com a Gracinda, vou aproveitar bem a Ilda. Não sei se ma tiram no fim deste verão ou só do próximo. Sei, que não quero nada sentir a sensação de perda que senti este fim-de-semana que passou.

English Version

There are moments in our lives that make us question, why are we here?

I had one of those moments this past weekend.

I’m not much to look at life, and think about the good fortune to be graced with so many good things and amazing people. I’m more like, I’m glad you’re here. Go on, tomorrow is another day, but what counts is today. The problem is that everything is ephemeral, like João Pedro Pais’ song: “No one belongs to anyone, even when you’re in love.” We all have a way, people to find, people to tuch. In other words, life is made of small encounters that somehow we are going to have and somehow will make you grow.

Over the years, we might say sometimes: “Damn, 10 minutes of my life lost, because of this person” The truth is, these 10 minutes, at a certain point of life will answer any questions in our life.

When I was a kid, I started to private with 3 ladies with long age, 2 were not considered elderly, but the third was not only elderly, as had a physical passage for me almost as fast as the development of a baby in the womb . However, I remember her, sitting in her chair and sparse in words. In the contact with these three “girls”, I remember the ice cream feast, but it is not one that today we have for sale nowadays, is a distant cousin whose interior was made of milk and the outside black and almond chocolate. This ice cream appeared many times, after dinner we had at home of those three. Myself and Marta spent time after dinner eating ice cream in the garden, while the adults at the table talked about things that never caught my attention. The dinners there were repeated for a few years, some of them already without the elder lady.

Years gone, and the remaining two ladies were always around. Either because oranges were busted and it was time to go get some, or because the Christmas was at the door and the sprouts were waiting. Anyway, they were always 2 people in our life.

Suddenly winters came by. For the eyes of young people this means warm, cute and new sweaters, but for both, Ilda and Gracinda, it became too cold. As friends were the only option for the two, the decision was to ask for help to spend another winter.

Friends, my parents, did what so often they felt not be able to do, have adopted two daughters as if they were theirs. Older daughters, but daughters. Now myself and Martha have no feast, but decided to adopt them as well. Aunts or grandparents, like the ones that so early were taken from us.

In short, we went from a family of 4 with a dog to a family of 6 with dog and cat. We did everything a normal, happy family does. We even had one grandmother who talks a lot and says things not very right, which is also the grandmother who opines on everything you do. Which is also the grandmother who often you want to shut up a little, because it’s boring. However, she is grandmother. Grandparents are those people who after all, are highly happy when we’re around. Gracinda was like that, she loved when we spent time doing her nails, when we gave her sweet things, when salads were cooked with tomatoes and lettuce from her field, when on Sunday my father took her to the café house so she could talk to the new friends. It was a person of simple deal, which justifies the fact that so many people knew her. She was also a bit vain, 50 skirts in the closet and still needed a new one … Stubbornness was her deal, not, would always end in a yes for her. Finally, she was a young woman in a mischievous and evil warrant body.

Winters are really strict, for someone with such an alive spirit and weak body. Winters take us part of the soul when we cannot see clearly the color of the flowers … But it was in the late spring that Gracinda left to see everything from the body given to her 85 years ago.

Now we only have Ilda, a grandmother with hear colored as snow, light brown skin colored by the sun, and eyes with the color of the sky on a sunny day. To compensate, the fact that I did not always had patience with Gracinda, I will have more patience with Ilda. I do not know if she will be taken from me later this summer or just on the next one. I know, I do not want anything to feel the sense of loss I felt this past weekend.

Dama de honor parte final!

Este post traz um atraso descomunal…. de quem é a culpa?? Provavelmente minha. Dizem os meus sábios pais que: “quem vai à festa três dias não presta”. No meu caso já se foram 5 dias e eu ainda me sinto a ressacar.

Pois bem, aqui a dama de honor foi honrar compromissos, e no sábado passado ajudou a noiva a não tropeçar no vestido. Assim achava eu, que a minha primordial ocupação era manter a noiva de pé… ao que parece fui péssima nessa actividade, estava mais concentrada em chorar baba e ranho, do que me preocupar com o véu mal colocado. Até o Sr. Padre reparou nisso… Segundo ele era função das damas de honor ser um bocadinho de acólitas na missa, mas nem eu nem a Sofia tínhamos cabeça para tal. Acabei por levar um raspanete em plena missa, porque me esqueci de auxiliar o Padre na entrega do pão às crianças… Eu fui ajudar, mas já fui tarde… Ora Padre que é Padre não dá ponto sem nó, e aqui a menina acabou picada pela agulha. Terminada a celebração, eu e a Sofia fizemos o serviço final, que era distribuir pétalas e bolas de sabão pelos presentes, orientar as pessoas para a foto de família, e distribuir o lacinho dos carros. Acho que nesta parte merecia nota 20, ou como dizem os nossos irmão de língua, nota 10.

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Direccionamo-nos para o local do copo de água, eu e a Sofia descontraímos, aqui os noivos são Reis, a noiva não vai precisar de nós. Engano, a noiva tem uma mini bexiga e precisa de ajuda para ir à casinha. A brigada vermelhinha, foi lá e ajudou. Acabei de inventar este nome para mim e para a Sofia, visto a nossa indumentária ser vermelha intensa, assim como as cores do meu Benfica. Depois deste momento, a noiva entregou-se à festa e se bem me recordo, só voltamos a ser requisitadas no momento bouquet da noiva. Porém, isto aconteceu já quando a procissão estava de regresso à capela.

Regressemos ao momento, chegada ao copo de água. Eu fui verificar as mesas e percebi que estava numa mesa muito bem acompanhada. Depois reflecti e percebi… Então eu vim para a mesa do personal trainer do ginásio???. Oyeah, eu calhei na mesa do Duarte, o meu primo personal trainer, no ginásio onde eu finjo fazer exercício físico para me manter em forma… Todo o santo casamento ouvi aquela voz a descrever as horas de exercício, a que teria de ser submetida, depois de comer o que estava a comer… Rais parta o menino. Acabei por me desfazer na pista de dança, dei cabo da virilha e na segunda-feira quando fui ao ginásio estava lesionada, ou seja todo o exercício de pernas foi p’ró tecto… Queria eu mostrar que estava em forma, mas afinal ainda tenho muitas horas de passadeira para correr.

O casamento foi acontecendo, tudo muito bonito, a minha mesa estava meia morta, porque todos estavam envergonhados para dançar. A minha sorte, é que o Pedro sabe a namorada que tem e alinha. Acabamos muitas vezes sozinhos na pista de dança, outras vezes acabei eu sozinha… Não que eu estivesse alcoolizada, errado, eu sou alérgica. Somente porque estava contente, e sentia-me à vontade no meu vestido incrível!

As horas foram-se passando, o bolo da noiva foi cortado e chegou ao momento que eu achava temível para muitas solteiras, mas afinal é temível para muito solteiros. É o caso do Pedro, o Diogo e o João. Ora todas as solteiras são chamadas à pista, a brigada vermelhinha estava com tudo sob controle, para actuar no momento certo. Como ambas não somos casadas, aproveitamos e fomos também ao momento ramo da noiva. Neste momento, para alem de mim e da Sofia e muitas outras convidadas, estavam a Raquel, namorada do Diogo e Blogger no bookshellf e a Milai, namorada do João. Estamos nós ali, hiper descontraídas, conscientes que não nos vai cair a nós o ramos no colo e é então que eu olho para o lado… O Pedro, o Diogo e o João, estão os três com ar de pânico e stress a rezar para que a sua namorada (respectivamente) não seja bafejada pelo ramo da noiva. A Milai e a Raquel já tinham saído da roda, mas eu ainda lá estava. O Pedro estava horrorizado por eu ainda ali estar, foi então que a noiva cortou a minha fita, eu fui a correr ter com o Pedro e disse:”podes respirar, eu não sou a próxima”. O resultado foi o sorriso mais irresistível que o meu namorado me podia oferecer. Como se o euromilhões lhe tivesse saído. Enfim, um casamento de cada vez e com espaçamento suficiente, para ser possível voltar a rechear os bolsos. Como sempre, o momento ramo da noiva é mais para a noiva e a bafejada, que no caso foi a Sofia, que casa em Setembro. Pois então, e as outras solteirinhas? A noiva pensou, nisso e calhou a mim e à Sofia distribuir o ramo de chupas a cada “não-bafejada”. Honestamente, julgo que ficaram mais bem servidas. Que o digam os rapazes da minha mesa, que se apresaram a brindar com chupas, o facto de não serem os próximos a casar.

Em resumo, a festa foi lindíssima. As damas de honor foram incríveis, é isso que vou escrever no meu CV quando acrescentar:”Maio de 2015- Dama de honor”. Os convidados energéticos, é sem duvida uma festa a repetir. Não sei quem será a próxima, mas o que a gente quer é casamentos com muito kuduro, brasileirada, kizomba, o que for. O que se quer é festa.

Viva a festa.

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Hoje o Angie Clouds completa 2 anos, e também vai haver festa. Não do tipo casamento, mas do tipo aniversário. Ainda não está bem pensado. Contudo, vai acontecer. Dizem os meus pais que:” até ao S. João é com devoção”, por isso ainda vai a tempo.

Ah e hoje não trago receitas, ainda estou com o estômago estragado e sábado tenho mais festas… mas sobre essa conto noutra altura.