So long 2014… Bem-vindo 2015

Existe uma coisa que no fim do ano me faz sempre manter a televisão ligada. Chama-se os balanços do ano. Eu adoro, tem momentos de depressão, momentos de alegria profunda e momentos assim-assim. Por norma é o tipo de coisa que ajuda a elaborar os 12 pedidos da meia-noite do dia 31 de Dezembro para o dia 1 de Janeiro. Pelo menos comigo funciona. Eu sou uma pessoa muito descolada das coisas materiais, mas como diz o Pedro, muito sentimentaloide no que toca ao ser. Seja humano ou animal. Tudo menos aranhas, só de pensar começo a ficar cheia de comichões.

Assim, e depois de ler registos tão bons como o do Ricardo Araújo Pereira em Balanço do Ano, ou ouvir a musica criada pela RFM sobre o balanço do ano, eu decidi aproveitar e começar a elaborar a minha lista de o que fazer ou não fazer em 2015. Tudo porque, quer queiramos quer não, o universo oferece-nos a cada 24h um novo dia e a cada 365/366 dias um novo ano. Ou seja, está na hora de começar a organizar o ano que se avizinha e delinear uma espécie de plano de batalha. Em suma, para 2015 eu pondero não repetir erros. PONDERO, note-se que não me estou a armar em carapau de corrida. Eu sou humana e os humanos falham, logo eu estou a oferecer-me a possibilidade de falhar, mesmo no ano em que decidi ser mais ponderada… Posto isto, vamos a partes práticas.

Para um 2015 melhor… quanto muito igual

  • Discutir menos com o mundo; (este é muito difícil para mim… não sei porquê mas acho sempre que existe uma conspiração entre os astros para me fazer tropeçar nas situações mais caóticas)
  • Ter menos momentos de má disposição; (ou seja, vou tentar não ser rabugenta…. esta é quase impossível… o meu meio de desabafo é o recurso a rabugice)
  • Ser mais paciente, com quem se coloca em frente da televisão quando eu estou a ver algo altamente importante; (Ui isto vai dar uma trabalheira)
  • Ser mais paciente, com quem fala comigo quando eu estou a ler; (Se o livro está aberto e nas minhas mãos é para eu não ser incomodada… mas se isso te faz feliz, eu ouço)
  • Trincar a língua, de cada vez que alguém entra em casa e diz:”Hmm cheira-me a queimado”; (não vale de nada ficar aborrecida, isso passa para o que está no forno e o resultado é um bolo mirrado)
  • Dizer Não quando alguém começa a fazer vários pedidos incessantes; (dizer sempre sim não faz de ti boa pessoa, até porque mal digas não passas para o rol dos piores do mundo)
  • Ignorar a ignorância alheia;(deixa as pessoas, de contrario acabas por saber a vida toda delas para alem de confirmares a ignorância)
  • Agradecer todos os dias ao universo, o facto de ter 27 anos, uma cama quente para dormir e comida sempre que quero; (Não agradeças empanturrando-te de comida… Agradece simplesmente agradecendo.. do tipo: “Obrigada universo”)
  • Não alinhar nas conversas do bota-abaixo; (ninguém cresce a meter o outro abaixo)
  • Levar sempre os telemóveis comigo para a casa de banho e nunca os deixar ir abaixo; (nunca se sabe quando uma entidade empregadora te vai querer ligar);
  • Não ligar para os programas da TVI, SIC ou RTP; (Por algum motivo te sentes mais pobre quando a senhora diz:” a sua chamada está inscrita”)
  • Não jogar no Euromilhões na semana dos valores altos. (Nessa semana todos jogam e as tuas possibilidades de ganhar reduzem bastante);
  • Não ler sms’s com com entoação; (Tu não estas na cabeça do escritor, provavelmente ele não soa tão zangado);
  • Agradecer todos os dias ao Universo teres pais que te adoram, um cão que só não lambe o caminho que fazes porque isso é nojento, um namorado que tem muita paciência para me aturar e amigos que se preocupam comigo.

Pronto, isto são mais de doze elementos eu sei, mas a verdade é que reduzir para doze os pedidos, é frustrante e eu não posso começar o ano a pensar pequenino. Tenho de pensar grande, porque eu sempre ouvi dizer: “Ao pensar grande, o normal já está garantido. Ao pensar pequeno, difícil é chegar ao normal”.

Posto isto, desejo a todos os que me acompanharam em 2014, um 2015 melhor ou igual ao que passou. Nunca pior. Lembra-te ao longo do ano, que errar é humano, mas pedir muitas vezes desculpa é fraco sinal. Dá-te sempre oportunidade de seres feliz. Vive e valoriza o que tens e quem tens. Nunca sabes quando vai ser o ultimo dia com as pessoas. Mas acima de tudo, ri-te da vida e com a vida. Não te permitas chorar perante as contrariedades, saca de um taco de golfe e dá uma tacada bem forte. Quando olhares para trás já te vais rir. Tens 365 dias para não repetires erros, aproveita-os muito bem.

Quanto a tudo o resto, espero-te aqui no Angie Clouds em 2015 com novas receitas, e o caos que me faz chegar a elas.

Boas saídas, melhores entradas.

Até para o Ano.

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Quando o calor te traz marmelada!!!

Chegou aquela altura do ano em que as arvores brotam frutos. Vá este ano com algum atraso porque o clima anda tresloucado, mas não importa. Finalmente começaram a chegar cá a casa os frutos tão doces e típicos do mês de agosto, figos e marmelos. Dos figos o pouco que posso dizer está relacionado com o fascínio do meu pai, da minha mãe e da tia Lina, que não é minha já que eu a partilho com toda a gente. Estes três elementos fulcrais na minha vida, para alem do fascínio por figos e o amor que nutrem por mim, são diabéticos. Um deles é inclusivamente insulina-dependente. Não vou nomear quem é, dou só a pista que é o elemento que não é só meu mas do mundo. Pois bem estes três adoram figos. Contudo, existe algo que eles gostam mais do que figos, chama-se marmelada e geleia. De tal forma que rapidamente foi introduzida na minha cultura, a sobremesa Romeu e Julieta. O meu pai comia com muita frequência e depois ganhou juízo.

Só  à parte, eu tenho um primo que não conhece mais nenhum tipo de sobremesa, somente Romeu e Julieta. Bruno, estamos contigo, mas o mundo é vasto em coisas novas… e que tal profiteroles ou mousse de chocolate???

Pois bem, voltando à marmelada e geleia, todos são fãs. Principalmente quando é caseira. Para nossa sorte nesta altura, aparecem sempre muitos cestos de marmelos ca em casa… seja porque a tia Lina marralhou na feira, ou porque um amigo aleatório dos meus pais tem um marmeleiro e decidiu abençoar-nos com a sua dádiva. Até ao corrente ano eu fui só menina de cheirar o vapor dos cozinhados de marmelada e geleia. Vá, dava para provar. Além disso, sempre que faço um rolo recheio com geleia, porque quando não o faço, tanto o meu pai como a minha mae, como a tia Lina verbalizam o seguinte:’ tá bom, mas para a próxima recheia com geleia’… e acabo a fazer isso mesmo. Contudo, este ano fui eu quem fez as conservas cá de casa!!! Vá, não fiz bem bem sozinha. Primeiro, porque os marmelos apareceram descascados, e tanto eu como as minhas unhas agradecemos. Segundo, porque a minha mãe funcionou praticamente como um GPS atualizado e foi-me dando as indicações acertadas para eu não acabar a estragar 10kg de marmelos… de qualquer forma, devo dizer que foi um trabalho árduo. Estar na cozinha, a mexer os panelões, sempre preocupada com as consistências, tonalidades e cheiro… foi tão desgastante. De tal forma, que nesse dia acabei por ir até à praia descomprimir. Atividade que este ano, apesar da chegada dos marmelos, se está a tornar cada vez mais escassa por causa do tempo temperamental.

Em resumo, hoje trago a receita de marmelada e geleia da minha mãe. Ah aposto que pensavas que te ia dar a famosa receita do Romeu e Julieta… pronto, eu dou. Tudo em prol do facto de teres alguém na família que suspira pela combinação agridoce desta sobremesa… que não passa de uma fatia de queijo limiano, grossa, e uma fatia de marmelada, igualmente grossa… é verdade o meu pai adora… quanto ao meu primo Bruno, não vou comentar, a relação dele com esta sobremesa é parecida com a relação do Romeu e da Julieta, todos são contra mas eles amam-se.

Quanto aos meus três diabéticos, tenho a dizer que passo a vida a esconder a geleia e a marmelada… mas eles farejam… é como se o açúcar lhes estivesse no sangue… espera eu sei, está.

MARMELADA

O que vais precisar?

  • 2kg de marmelos descascados (reservas as cascas);
  • 1,750kg de açúcar.

Como vais fazer?

  1. Começas por retirar os caroços aos marmelos. Junta as cascas e os caroços e reserva, com eles vais fazer a geleia;
  2. Cozes os marmelos em agua;
  3. Côa-se o liquido e passa-se com a marinha mágica;
  4. Adicionas o açúcar ao marmelo cozido e levas ao lume. Com uma colher de pau vai mexendo a marmelada ate engrossar;
  5. Deixa arrefecer e um bocado e divide por recipiente de conserva.

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GELEIA

O que vais precisar?

  •  cascas e caroços dos 2kg de marmelos;
  • Açúcar q.b.

Como vais fazer?

  1. Cozes em água as cascas e caroços. Coze muito bem;
  2. Coa o liquido e reserva;
  3. Pesa o liquido e adiciona a mesma quantidade de açúcar. Por exemplo, 1litro de liquido 1kg de açúcar;
  4. Leva novamente ao lume e vai mexendo até ficar com um tom avermelhado;
  5. Divide por recipientes de conserva e tens geleia todo o ano.

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Favores em cadeia!

Sim , sim, tens toda a razão. Eu ando mesmo desaparecida… As razões são muitas, mas nenhuma que justifique um afastamento tão brutal. Não é hoje que te vou contar o porque de andar assim meio que afastada, até porque a informação valiosíssima que te trago hoje não combina com o facto de eu andar desaparecida. Combina sim com um dos meus últimos acontecimentos vividos.

Pois bem, ainda que o verão esteja ridiculamente tímido, eu voltei a fazer as minhas caminhadas. Eu e o meu companheiro de jornadas, o Leo. Sim, porque o Rui acha que as minhas caminhadas são o meu momento de introspecção e não um momento de exercício físico. Ainda bem que o Leo não me deixa sozinha, senão era quase um marasmo. Enfim, voltando ao que quero contar. Voltei então ás minhas caminhadas aceleradas, todos os dias lá vai a Angie esplanada fora meia sozinha, mas não vai levar o almoço à avozinha. Todos os dias são parecidos, à excepção da minha tonalidade que de dia para dia se torna mais veraneia. Contudo no sábado passado, tudo o que devia ter corrido conforme o plano, não correu… Segundo o Rui estas coisas acontecem-me porque eu sou uma cabeça no ar, segundo a minha mãe, é o meu anjinho da guarda que tanto dorme e quando acorda faz coisas de jeito. Isto porém agora não vem ao caso. Vem sim ao caso que durante a minha estafante caminhada perdi o meu telemóvel… Sendo que só dei pela falta dele quando precisei de ligar à minha mãe… Sim isto aconteceu. Tudo começou quando durante a minha caminhada me lembrei de ligar a um amigo para saber se estava tudo bem com ele, ele não atendeu eu coloquei o telemóvel no bolso e segui caminho. Acontece que provavelmente não o meti no bolso, mas segui mesmo caminho. Às tantas, mais precisamente 30m depois, meti a mão ao bolso e telemóvel nada. Paniquei… Com o outro telemóvel ligo para a minha irmã em pânico para me bloquear o cartão e ligo para a minha mãe a avisar o que está a acontecer. No entretanto, uma alma com princípios, ao passar pelo sitio onde aconteceu o crime, ouviu o meu telemóvel a tocar e muito prontamente ligou de volta para o numero. O numero era o da minha mãe. Ou seja, a minha mãe falou com a pessoa que, teve um sentido de responsabilidade moral acima da média, e decidiu que o telemóvel fazia muito mais falta ao dono do que a si. Tudo seria incrível se fosse só assim. Acontece que comigo, nada decorre com a normalidade pretendida… Ou seja, eu descubro que estou sem telemóvel, começo a andar no sentido oposto à procura dele, o Leo que estava prestes a ter uma paragem cardíaca não me consegue acompanhar porque está estafado. Eu começo a chamá-lo e a assobiar por ele e ele não consegue perceber que tem de andar, vou buscá-lo meto-lhe a trela e ele começa a abafar ainda mais. Eu pego no Leo e sempre a correr para me encontrar com a alma que encontrou o telemóvel e liga a minha irmã que me quer contar que também ela falou com o salvador do meu telemóvel. Eu e o Leo de língua de fora. As pessoas a olharem para mim e a perguntar-se se o melhor não é chamar uma ambulância… Enfim o drama. Para piorar a única coisa que me passa pela mente é: “Então e as mensagens que eu guardei do Rui? nunca mais as vou ver?”. Podia ter pensado no contactos que perdia, mas a falta de oxigénio só me fez pensar nas mensagens do Rui…

Pronto, foi então que consegui chegar ao pé do rapaz que encontrou o meu telemóvel, e o Leo encontrou energia de super herói para correr feito doido… O meu cérebro no momento estava com tal falta de oxigénio, que para alem de eu estar com ar de quem acabou de fazer a maratona, mal conseguia proferir uma palavra… mas consegui e disse:” muito obrigada, toda a sorte e felicidade do mundo. Obrigada mesmo por mo ter dado, tenho a minha vidinha neste telemóvel.”. Então aí eu respirei… Coloquei-me direita e disse à minha mãe: “vamos embora”. Entrei no carro e diz a minha mãe: “como se chamava o rapaz?” e eu respondo:” não faço a mais pequena ideia”. Em suma, mesmo que eu queira colocar um anuncio de agradecimento no jornal da Arrifana, não dá porque não sei o nome dele. Arrifana porque é a localidade dele. Enfim eu volto a agradecer aqui, pode ser que tenhamos conhecidos em comum que lhe possam mostrar isto. O brigada mesmo por teres decidido entregar-me o telemóvel com as mensagens guardadas do Rui.

Pois bem, imbuída deste espírito de favores em cadeia, eu decidi que hoje não vou dar uma receitas, mas vou dar as dicas que a minha mãe e a tia Lina me foram ensinando ao longo destes 26 anos de vida! Perdi mesmo mesmo a cabeça e vou partilhar 10 dicas fundamentais. Eu testei-as todas e funcionam.

10 DICAS DA MÃE E DA TIA

  1. Lava a fruta só na hora de comer, assim conserva-se inteira por mais tempo;
  2. Para afastar moscas de dentro de casa, coloca meio limão com 5 cravinhos da índia espetados, dentro do espaço;
  3. Para afastar as moscas de um espaço aberto, coloca sacos de plástico cheio de água pendurados;
  4. Para acabar com o cheiro a fritos, queima um pau de incenso ou então coloca a ferver sumo de limão, laranja ou tangerina, junto com as cascas, um pau de canela e cravinho. Depois de levantar fervura, desliga e deixa o cheiro entranhar-se pela cozinha;
  5. Mesmo que não sejas crente, faz o sinal da cruz por cima de uma massa acabada de amassar, seja pão, base de piza ou regueifa doce. Isto vai ajudar a crescer a massa e deixa-la mais fofa. Resulta mesmo!
  6. Coloca sal grosso na água onde estão as batatas para fritar. Dão melhor paladar;
  7. Quando fizeres uma nódoa de gordura, coloca directamente liquido da louça por diluir e deixa repousar. Depois vai à maquina e sai;
  8. Para acabar com a tosse, faz xarope de cenoura e açúcar amarelo. Colocas num frasco cenoura à rodela com açúcar amarelo e deixa repousar por 24h. Depois toma uma colher;
  9. Para acabar com o cheiro da comida nas mão, lava as mãos passando-as pela lamina de uma faca de alumínio,
  10. Quando o almoço ou jantar for muito pomposo ou pesado, bebe um chá quente de hortelã, gengibre e canela, não há melhor para a digestão.

 

Iogurtes da pequena Gequinha!

Já contei que em miúda fui muito mimadinha, que fui a menina bonita e a mais nova de 4 até aparecer a Piolha. Mas não contei que apanhava joaninhas, passava por baixo do vagões do comboio e que caía como se não houvesse amanhã. Também não contei que comia iogurtes caseiros porque a minha mãe os adorava fazer. Pois bem, hoje vou contar algumas das diabruras que fazia, incitada pela tia Lina, o meu pai ou até mesmo os meus vizinhos. No fim pretendo restituir a receita que a minha mãe fazia e que depois de uma tarde de arrumações decidimos voltar a fazer, iogurtes caseiros.

Pois bem, eu moro numa das zonas mais pitorescas da cidade de Espinho. Ao fundo da rua tenho a praia, ou seja, em noite de temporal ouço as ondas e vejo os relâmpagos, e em tardes de inicio de verão tenho acesso aos mais belos pôr-do-sol que se possa imaginar. Um misto de laranja, vermelho, amarelo, a beijar o verde azulado da água. Na outra ponta da rua, em tempos completamente aberto, tenho as linhas do comboio. A imagem pode não ser simpática, mas acreditem é. Leva-me sempre ao filme de a “Dama e do Vagabundo”, quando o Vagabundo entra em cena para descrever os seus dias. Era assim em Espinho, antes da obra de enterramento da linha.

A vizinhança, essa é pacífica, tirando as pegas entre famílias, porque o marido de A se envolveu com a mulher de B. Hoje pouco se houve a expressão “sua relaxada”, mas aquando da minha meninice ouvia muito e era tão genuíno. Vê-las na rua, nas suas tão típicas poses de revolta a encetar uma luta de palavras agressivas, em que a rua era a arena. Eu falo da rua, porque nessa altura poucos eram os carros que vinham aqui para os nossos lados, era considerada a zona pobre da cidade e nós podíamos brincar ao pirogalo na rua. Hoje já não dá. Hoje a zona tornou-se muito procurada pelos turistas e mesmo Espinhenses, ou seja, já não se vêm miúdos a brincar na rua.

Eu, sendo a mais novinha, ia sempre atrás dos meus primos e nunca queria ficar para traz e brincava à macaca, aos berlindes e claro ao meiinho. Mas também tinha os meus momentos de botânica, que o meu pai considerava horrível porque eu estava a roubar a primavera… Eu juntava as caixas de fósforos da tia Lina e à vinda da escola, pedia-lhe para pararmos na zona da linha do comboio, onde havia muita verdura, para apanhar joaninhas. Eu depois cuidava delas. Não as deixava morrer. Via-me era obrigada a liberta-las porque o meu pai insistia que eu era uma delinquente que roubava a primavera… Raios que inocente. Depois de apanhar as joaninhas, costumávamos ter de passar pelos vagões que estavam parados na linha. Ou subíamos os vagões, ou passávamos por baixo. Este exercício era bastante perigoso e minucioso, os vagões podiam começar a ser deslocado a qualquer momento… Já para não falar que às vezes a mochila ficava presa… vendo bem, era a loucura. O problema é que faziamos isto coma tia Lina… Raios, ela era pior do que nós. Findada esta alquimia de actividades, quase diárias, eu podia brincar com os vizinhos, que por incrível que pareça eram mais rapazes… daí ter até aprendido a jogar berlindes e claro, passar a vida com arranhões e joelhos esfolados. Tudo era uma aventura.

Hoje, por mais incrível que pareça, consegui realizar uma das minhas aventuras de miúda, fazer o caminho para casa pelos caminhos de ferro do vouguinha. Foi delicioso. Eu costumava fazê-lo com o meu pai, mas ele insistia que tinha de ser pelo trilho…. era tão difícil e eu era tão descoordenada… hoje não deu para o fazer, porque o Leo vinha comigo, mas viemos a saltar entre as sulipas do caminho de ferro. Eu gargalhei a ver a desorientação do Leo e bateu a nostalgia… a verdade é que ao chegar a casa e abri o frigorífico para repor energias, eis que lá estavam eles, os iogurtes caseiros. Foi só um cheirinho da minha feliz, alegre e amada infância. Contudo foi o suficiente para me fazer lembrar que já se passaram 20 anos e nunca é tarde para recordar aquilo que tanta alegria nos deu!

IOGURTES CASEIROS

O que vais precisar?

  • Uma iogurteira
  • 1 iogurte natural
  • 1litro de leite
  • 1 colher de sopa de leite em pó
  • 1 colher de sopa de essência de baunilha

Como vais fazer?

  1. Numa taça mistura os ingredientes todos com auxilio de uma varinha mágica. O leite em ultimo;
  2. Divide o preparado pelos copos de iogurte e deixa repousar na iogurteira, ligada, durante 12h;
  3. Ao fim das 12h leva o ao frigorífico por 4h e está pronto a comer.

Eu costumo adicionar uma colher de doce de morango ou outro doce qualquer. Mas também podes pôr uma colher de açúcar. Isto porque ficam iogurtes naturais!

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Ai o cinema…

Ontem fui ao cinema, mas não fui ao cinema por ir. Porque com eu já disse, sou uma forreta, agarrada! Assim sendo, evito este tipo de actividades para poder poupar algum, e sou tão unhas-de-fome que me recuso a dar um balúrdio por um cartão gigante de pipocas. Ou seja antes de sair de casa, encho um saco de plástico com rebuçados de fruta e de cada vez que o vizinho de lado me enraivece com o som da pipoca doce a estalar na boca eu ingiro um rebuçado de fruta…

Como estava a contar, ontem fui ao cinema, fui pela primeira vez fazer uma maratona de filmes, isto sai bastante em conta porque só se gasta 1 viagem de ida e volta de deslocação e depois dá para aproveitar as promoções, eu fui com o meu bonitão e conseguimos ver 2 filmes, “velocidade furiosa 6” e a “Ressaca3”  e ainda jantar, pela módica quantia de 10€. Sim, os meus pais financiaram a viagem de carro, mas eu não tenho culpa do meu país me querer dependente dos meus progenitores.

Em resumo fui ao cinema, bolas já estou para contar sobre a minha receita de pipocas à um século e meio e mesmo assim estou a perder-me com pequenas coisas… Caramba Angie. Pois bem, fui ao cinema, no primeiro filmes eram poucas as pessoas da sala, eu e o namoradão não ouvíamos pipocas mas comemos os rebuçados de fruta que ele tanto aprecia e que eu me tornei viciada. Às tantas no segundo filme, lotação esgotada, todas aquelas pessoas traziam super-hiper-mega-ri gigantes cartões de pipocas e eu só pensava… ai o cheiro da pipoca caramelizada… Foi então que me lembrei do que faço, quando a noite de cinema é transposta para o meu lar ou para o lar do meu moçoilo, Pipocão caramelizado e garrafão de 1,5l de água para apagar a sede… Não sei porquê mas idealizo sempre que a água vai cortar o efeito do Pipocão! Isto sabe-me pela vida. Escusado será dizer que eu posso ser forreta mas não sou egoísta, por isso faço pipocas para a família e divido por taças que antes da minha sessão de cinema começar, divido pelas várias divisões da casa. É a consolação em forma caramelizada. Ora eu não posso fazer pipocas para todos, posso sim dar a receita a todos e assim, quando um bom filme surgir porque não vê-lo acompanhado do pipocão baratinho e mais saboroso?!

PIPOCAS CARAMELIZADAS

O que vais precisar?

  • 1 Panela
  • 4 Colheres de sopa de açúcar
  • 2 Colheres de sopa de água
  • O fundo da panela tapado com óleo
  • 1 Mão cheia de milho
  • 1 Colher de pau
  • 1 Recipiente para colocar as pipocas

Como vais fazer?

1º Na panela com o óleo coloca o açúcar e a água e leva ao lume. O ideal é lume sempre baixinho.

2º Com ajuda da colher de pau mexe tudo bem

3º Coloca o milho e mais uma vez, dá uma volta com a colher de pau

4 Tapa a panela e espera para ouvir o som da explosão da primeira pipoca

5º Depois da primeira explodir, todas explodirão de seguida, o método é ir abanado a panela.

6º Retira do lume e vê se ainda explode, se parou está na hora de virar para um recipiente.

7º COME! Quentinhas são deliciosas!

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O chocolate alimenta a alma!!!

Desde que descobri os cigarros de chocolate, provavelmente teria 4/5 anos, percebi que a sensação de consolo provocada por este consolo é alucinante. Refiro-me como é óbvio, ao pecado do chocolate… não do cigarro.

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Assim, é possível perceber quão cedo eu me tornei uma viciada em chocolate. Existe quem seja viciado em álcool, quem seja dependente de droga e há também os fanáticos por desporto. Eu sou uma chocolatra assumida, saí do armário faz tempo suficiente para dizer estas palavras sem arrepio possível. Porem, a minha genética não me permite ingerir chocolate todos os dias… primeiro porque se o fizesse não caminhava, rebolava. Por outro lado activa de tal forma o meu cérebro que até enxaqueca aparece. Pois é e o pensamento geral será, porreiro então sabes que não podes comer, não comes… ERRADO, sei que não posso comer mas também sei que não sei resistir… Foi por esta fase que percebi que a minha dependência é bastante séria. Tão séria, que um dia destes em conversa com alguns amigos percebi que me comporto, não como uma diva quando não ingiro chocolate, mas como uma addict… eu procuro chocolate, cheiro o chocolate, saboreio-o e depois… ah depois o mundo faz muito mais sentido porque a minha alma fica alimentada. O céu é um lugar atingível!

Pois é, este drama perseguiu-me de tal forma que o meu canto bíblico contém 1000 receitas de chocolate e outros… Eu achei por bem aumentar o arsenal de conhecimentos de chocolate, e até arrastei o namorado e amigos a um sítio que há muito ansiava conhecer, a feira do chocolate. Oh o cheiro era inebriante…

Numa destas minhas jornadas em torno do chocolate elaborei o “Chocolate quente da Gecas”… esta é aquela bebida que pode ser feita em qualquer altura do ano, mas principalmente quando a raiva ataca. Os americanos chamam-lhe confort food, de conforto tem tudo agora de comida…

Aqui fica então esta confort drink

O que vais precisar?

  • 100g de chocolate em pó negro
  • 100g de açúcar em pó
  • 3 Colheres de amido de milho, é farinha maizena mas existem outras marcas…
  • Leite (q.b.)
  • 1 Frasco
  • 2 Bacia
  • 1 Fervedor
  • 1 Peneira

Como fazer?

1º Mistura com ajuda de uma colher o chocolate e o açúcar, numa bacia;

2º Com auxílio de uma peneira, peneira a mistura anterior para a 2ª bacia, isto vai evitar os grumos provocados pelo açúcar;

3º Adiciona a farinha e volta a mexer com ajuda da colher;

4º Podes guardar tudo num frasco e usar sempre que precisares;

5º No fervedor põe cerca de 250ml de leite e leva ao fogão.

6º Num copo normal enche metade com leite e coloca 2/3 colheres do preparado anterior e dissolve bem.

7º Quando o leite levantar fervura, adiciona o preparado do ponto 6, baixa um bocadinho o lume e com ajuda de uma colher de pau mexe bem até espessar.

8º Quando o chocolate atingir a espessura que tu gostas verte para uma caneca e delicia-te!

Hmm.. faz ou não alimentar a alma e o coração?!

Elas vão ser mamãs e eu não sei o que oferecer…

Quando eu era miúda, a minha mãe insistia que eu aprendesse ponto de cruz. Alias, ela obrigava-me como actividade de férias a fazer exercícios de ponto de cruz…. Eu não gostava nada daquilo… para além de chato era cansativo… ai e como era rígido.

Os anos passaram-se e eu comecei a adorar pintar. Pronto, eu admito, sempre fui muito mais arts and crafts do que a minha irmã (entre nós, ela também foi obrigada ao ponto de cruz, mas ela gosta…) pois bem, um dia vi o lindíssimo trabalho de pintura que uma amiga da minha mãe faz. Ela é expert em pinturas de tecido, faz coisas tão bonitas! Admito que na altura pensei provavelmente também era capaz de fazer isto… pelos vistos a minha mãe pensou o mesmo porque uns dias mais tarde levou-me a uma loja de materiais de pintura e comprou-me tintas. Não posso precisar, mas julgo que na altura comprei os tons básicos, branco, amarelo magenta e azul… e um autocarro de pincéis… não faço ideia porquê mas se há coisa que me dá prazer comprar e escolher são pincéis.

Em resumo, cheguei a casa e mais uma vez a minha incitadora de trabalhos manuais, deu-me uma T-shirt usada e coçada para eu experimentar qualquer coisa. Julgo, e mais uma vez não posso precisar, que na altura fiz um urso… não sei o que é feito desse exemplar… Sei que na altura a minha mãe achou piada e não sendo conhecedora da técnica ofereceu-me o meu primeiro exemplar de “Faça Fácil” uma revista muito boa que ensinava entre muitas coisas, técnicas de decoração. Julgo que já nem tem distribuição em Portugal… Pois bem, eu devorei a revista e comecei a pedir para me trazerem peças de roupa estragadas para eu as “curar”.

Hoje dedico-me mais ao que me fez escrever este Post, presentes personalizados para os bebés das amigas e primas. Em suma quando a notícia “Vou ser mamã!” surge, eu resolvo logo ir comprar fraldas e por mãos à obra.

Terminada a minha pequena dissertação sobre pintura em tecido aqui ficam os meus 8 passos para pintar em tecido:

1º Decide que figurinha queres que apareça;

2º Com ajuda de um papel químico decalca a imagem na fralda. Podes sempre desenhar directamente no tecido!

3º Arranja 1 pano, 1copo com água, as tintas que vais querer usar e um arsenal de pincéis. Ter tudo à mão evita acidentes durante o processo de pintura…ImagemImagem

4º Por baixo do tecido, coloca um cartão ou até papel grosso, assim podes pintar por cima que não sujas tudo;

5º Inicia o teu processo de pintura. Eu acredito que cada um adquire o seu método, o meu é assim, começo por pintar o que fica por baixo. Por exemplo uma menina com as pernocas de fora, primeiro pinto as pernocas e só depois o vestido.

6º Depois do processo de pintura terminado, coloca a secar, não ponhas ao ar livre porque este gesto pode pôr em risco todo o trabalho que tiveste até agora… Os pássaros por exemplo não sabem o conceito de casa de banho…

7º Quando tocares no tecido e o sentires seco, está na hora de o passares a ferro. Passa a ferro sempre do lado avesso. Uma prima minha ensinou-me este processo que ajuda a tornar a pintura mais resistente.

8º Dobra bem, embrulha num papel bonito, coloca uma fita bonita e oferece!

Como dá para entender é bem mais simples do que ponto de cruz!Imagem