Aquele prato com sabor a Portugal

Há algo de tipicamente português nos meus comportamento alimentares.

Um dia destes, ouvia um comediante falar do hábito, que nós os portugueses temos, de falar de comida enquanto comemos, ou simplesmente enquanto vivemos. Somos um povo, que gosta de comida, desde a confecção ao sabor. Damos preferência a sabores tipicamente nossos, e normalmente quando viajamos e provamos sabores “de fora” sentimos a tentação do: “é bom, mas acho que fazemos melhor”.

Em minha casa, e julgo que em muitas casas do país, e talvez até do mundo, havia o hábito de só levantar da mesa quando o prato estivesse vazio. De só ter direito a sobremesa, quando o prato estivesse vazio. Em minha casa, e em muitas do país e talvez até do mundo, não haviam esquisitices, mesmo que essas recaíssem sobre uma bela caldeirada de peixe, que na altura me agoniava e hoje me faz babar enquanto escrevo. Em minha casa, e em muitas casas do país e talvez até do mundo, havia salada de polvo com batata cozida e molho verde, feito com salsa que a minha mãe me encarregava de comprar na Solidade, a vizinha que vivia dois quarteirões a sul de nossa casa e todos os dias tinha a porta aberta com legumes fresco. Na altura, não sei se a minha renitência era o polvo, se o caminho até à Solidade… Eu ia normalmente feliz e sozinha, mas sabendo que íamos acabar a comer polvo, quase que me arrastava até à Solidade….

Em minha casa, e em muitas casas do país e talvez até do mundo, o assado ia para o forno às 10h da manhã de domingo, e só ficava pronto a comer às 13:30h. O assado era acompanhado de batatas assadas que eram adicionadas a meio do processo, e ainda arroz branco. Também não era muito fã, como na verdade não são a maioria dos miúdos, a boca educa-se, como a mente. A verdade é que enquanto escrevo veio-me ao nariz o cheiro do assado de domingo e à boca o sabor, bolas afinal era bem bom.

Eu sou realmente crente que a boca é de ser educada como a mente. Nós temos de ser ensinado a saber saborear, ou não fosse o paladar um sentido. Se ver, e tocar é tão importante como cheirar, então e saborear?

“Ah, não comas isso com tanta vontade que assim até engordas mais… ”

Hmpf, mentira, eu engordo se comer com 1 terço da língua ou se lá estiver a língua toda. Até porque a língua só fala com o cérebro, já a comida, aloja-se nas coxas… Ah, como são bons os nossos sabores…

A Isa, uma amiga nutricionista, diz que eu sou Portuguesa com certeza, ela é Brasileira, e isto com sotaque soa melhor. Oh Isa, vou-te contar o que foi o jantar cá em casa, ontem. Foi light à Portuguesa, alheira assada no forno, com batata assada e ovo cozido. Super ligh, a alheira assada lentamente, a batata levou a casca como sempre, com pimentão de trás-os-montes e sal marinho, o ovo foi cozido, mas com a gema ainda a modos que mole…

Não há nada como ser feliz ao lembrar a importância da raíz…

 

 

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De volta…

Estamos de volta a casa.

Estivemos fora 15 dias.

Depois de 7 anos de namoro, pedimos ao Sr. Padre José Pedro, que nos abençoasse a união. Vá, que nos casasse. Decidimos convidar só família chegada e amigos, daqueles que são mais família do que amigos. Escolhemos um local que nos fizesse recordar, o quão romântico Sintra é. Decidimos fazer uma lua-de-mel, daquelas que implicam uma mochila às costas de cada um e uma mala com rodas mais ou menos resistente que sobreviva às atrocidades das viagens de avião. Escolhemos o dia 23 de Junho, porque o S. João é um santo feliz e festivo, tal como nós.

Foi um dia, que eu julgo, nunca mais na vida me vou esquecer. E quando a morte vier, vou tentar que não me apague da memória o sorriso do meu marido quando me viu, ali, a chegar ao altar, pronta para o abraçar. Vou também pedir-lhe que me deixe na memória a alegria que atingiu todos os nossos convidados e staff que nos rodearam naquele bonito dia de verão. E que dia. Nós rimos, comemos, dançamos, choramos e amamos. Amamos toda a gente.

No fim do dia, não foi um fim de festa, foi um até já meninos divirtam-se na vossa aventura…

No dia seguinte entregamos ornamentos e indumentárias aos nossos pais, num jantar de francesinhas. Nova festança em família.

Dois dias depois metemo-nos em três aviões com destino a Veneza, depois Florença, depois Roma, depois Dubrovnik e finalmente Barcelona. Caminhamos imenso, fotografamos sem fim, e fizemos o chamado culturismo. Aquisição de cultura  por meio de atos sociais, o que inclui idas a teatro, cinema, exposições e museus. Recebemos tanta informação, que acabamos minimeus num mundo de gigantes.

Voltamos no sábado, trazíamos o coração apertadinho porque não víamos o nosso companheiro de casa há 15 dias. Deixamo-lo numa academia de verão.

Quando nos reunimos os três em casa, fui invadida pela descompressão. Dores de garganta, nariz a pingar, tosse seca… No entanto nada disso tem valor, porque hoje tive finalmente paciência para estufar bifes. Deixar que a carne estufasse lentamente, enquanto tratava dos meus “rapazes”.

Hoje, voltei para ser a “mãe” da família Rocha Couto.

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BIFES ESTUFADOS

O que vais precisar:

  • 1 Chalota moída;
  • 1 Colher de sopa de azeite;
  • 1 Colher de sopa de Manteiga;
  • 2 Colheres de sopa de rabo de boi em Pó;
  • 1 Cerveja;
  • Agua qb;
  • 1 Colher de café de Sal grosso;
  • 1 Colher de café de molho Inglês.

Como vais fazer?

  1. Colocas todos os ingredientes, menos os bifes numa frigideira funda;
  2.  Misturas bem, e quando levantar fervura, colocas os bifes;
  3. Deixa os bifes estufar durante 1,5h;
  4. Vai acrescentando água, e retificando os condimentos;
  5. Serve com arroz/ batatinhas assadas.

 

 

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Bola de carne via WhatsApp

Eu, a Marta e a minha Mãe (o nome dela é Mãe, daí o M), temos uma relação muito estranha. Ambas, eu e a Marta, estamos diariamente com os meus pais, no entanto mal nos vemos.

Ah, ok, então não são muito próximas. Ora aí está o problema, somos. Somos demasiado próximas eu diria, mas de uma forma estupidamente desapegada. Ou seja, ambas sabemos da vida uma da outra, por intermédio da nossa Mãe e ainda do nosso  BFF, WhatsApp.

Isso, WhatsApp.

Nós temos um grupo as três, onde diariamente, partilhamos, localizações, um bebé, uma gata, três cães e três maridos… Iup, isso mesmo. Nós estamos sempre ligadas. Ao ponto da Mãe, se ter esquecido de como se escrevem SMS, e acabar constantemente a dar recados, a pessoas que estão sem wi-fi e dados móveis desligados…

Estamos a treinar está parte com ela. Descobrimos, quando percebemos que estávamos a perder parte da informação.

O WhatsApp tornou-se tão importante nas nossas vidas, que às 8h todos os dias, hora que a Mãe acorda, os telemóveis tocam com um bom dia, e daí até à hora da última se deitar, é uma alegria.

Obrigada aos criadores do WhatsApp, porque uniram de uma forma muito intensa, pouco física a Gajas. Nome que demos ao nosso grupo.

Nós estamos tão sincronizadas, ou a Marta e a Mãe, que no domingo entre a parafernália de fotos aparece uma bola recheada de ovo. Segundo a Mãe, a receita passou no Malato e é muito boa, ao ponto do Pai repetir.

Entretanto, chega a Marta que tinha estado a fazer alguma coisa com a Eva e diz que fez precisamente o mesmo almoço, mas adicionou queijo à carne.

Confesso que me perdi e pedi para explicar o que fizeram… A Mãe disse: “Quando vieres eu conto…”

Tinha de ser fisicamente, porque ela ainda não percebeu como funciona a útil funcionalidade de gravar instruções, que o WhatsApp tem.

Então, quando lá fui a casa ela explicou…

“Cozes um ovo, mas não muito, depois descascas muito bem e envolves em carne, passas por ovo, farinha e fritas”

E eu disse: “Então e se o ovo for escalfado?”

“Oh não inventes, faz como te digo que é muito bom…”

Viemos embora, era dia de borrasca e não há nada como estar em casa enquanto a chuva e o vento fustigam as janelas.

Durante a tarde, enquanto assistia Alta Infedeltà, pensei em como fazer a comida das gajas.

Fui para a cozinha, a pensar nos casos de infidelidade óbvia que tinha visto, e sem peso na consciência enganei a receita toda. O pior é que ficou muito bom.

Foi tão óbviamente enganada, que quando mostrei à Mãe ela disse: “Que mania que tu tens em mudar tudo. Isso n é uma bola…. Mas ‘tava bom não ‘tava???”

 

Mães

BOLA DE CARNE RECHEADA (serve 2)

O que vais precisar?

  • 300gr de carne picada (mistura de vaca e chouriço corrente);
  • 100gr de queijo ralado (usei mozzarella);
  • meia colher de café de sal grosso;
  • 1 colher de sobremesa de molho inglês;
  • 3 colheres de sopa de pão ralado;
  • 2 colheres de sopa de molho mostarda, mel e endro (encontrei isto no Lidl e é incrível);
  • 1 colher de café de molho picante;
  • 2 ovos;

Como vais fazer?

  1. Liga o forno a 200º;
  2. Misturas tudo na carne e fazer uma massa gigante;
  3. Divides em dois;
  4. Pegas num quadrado de papel de alumínio, e untas com azeite, colocas-lhe a carne em cima e espalmas;
  5. Abre um ovo, colocas por cima da carne, e moldas a carne ao ovo, eu não fechei (este processo é complicado, porque o ovo tem tendência para escorregar, por isso faz uma conchinha com a mão para ajudar);
  6. Levas ao forno (baixa para 170º), por uns 15 minutos. Retiras, fechas o papel de alumínio, com cuidado para não  te queimares e voltas a colocar no forno por mais 20 minutos;
  7. Retiras, abres o alumínio e tiras a “bola” de carne;

Eu acompanhei com arroz, mas acho que esta carne pode ser acompanhada com praticamente tudo, até puré de batata.

 

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Quando a saudade bate à porta…

A tia Lina faz uma bola de carne que é do tipo, fora do comum. É aquela bola de carne que comemos quente, fria, ou recessa, não importa. Sabe sempre bem.

Confesso que tenho a tia Lina como um exemplo na comida, e até acho que já aqui falei dos almoços que ela fazia. Tanto eu como a Regina gostávamos tanto, que antes de chegar a casa da escola, já vínhamos nas apostas sobre o que seria o almoço. Ah, como eu tenho saudades… Tantas, que já não é a primeira vez que ligo à tia Lina e pergunto se por acaso não há almoço para mim… Vergonha? Nop. Perdia devia ter uns cinco anos, quando disse em casa de alguém, esse pano é igual ao que a minha mãe não sabe onde está. Portanto, ligar para a tia Lina e pedir almoço, não é vergonhoso. Além disso, ela adora saber que la vou almoçar.

A tia Lina faz uma massa de carne, como eu nunca comi em mais lado nenhum, umas batatas fritas diferentes de todos os outros sitios, uma pizza de comer e chorar por mais, e a melhor bola de carne de sempre. Não sei onde desencantou a ideia de, da massa de pão fazer bola de carne. Só sei que quando me trouxe a primeira vez eu babei. Babei tanto que ela passou a fazer frequentemente, e sempre que haviam festas havia bola da tia Lina. Sempre que eu tinha algum passeio, havia bola. Ah e que bola. Acho que nunca ninguém disse algo de inapropriado em relação à bola, pudera é quase perfeita. Só não a chamo de perfeita, porque tudo tem espaço para crescer!

Já não é muito justo eu pedir à tia lina que amasse a massa da bola. Não é. Ela já não tem a vitalidade de antigamente, e também já não tem a paciência que teve em tempos, no entanto este fim-de-semana bateu-me uma saudade. Uma saudade tão profunda que senti o cheiro da bola dela. Uma nostalgia atravessou-me, pensei que o tempo não para, que não vou ter a tia Lina para sempre, que se não me apresso, vou perder a chata que me obrigava a dar beijos a toda a gente. Se não me apresso vou ficar sem a minha amigalhaça…

Ela não dá as receitas dela. ou melhor, dá mas não deixa escrever. Para o fazer tem de ser sem que se aperceba, porque se se aperceber não conta os segredos. Ai esta minha tia Lina é uma matreira. Então eu, que sou sobrinha dela, aprendi algumas coisas. A massa da bola sabe a limão e tem consistência de pão… Olha, meti mãos à obra, e pronto consegui algo parecido.

Não é a da tia Lina, não sabe com a dela. Mas sossegou parte do meu desassossego.

BOLA DE CARNE

O que vais precisar?

  • 150gr de água morna;
  • 20gr de fermento de padeiro;
  • 250gr de farinha;
  • 1 colher de chá de açúcar e outra de sal grosso;
  • 3 colheres de sopa de azeite;
  • Raspas de limão;
  • Queijo;
  • Fiambre;
  • Chourição;

Como vais fazer?

  1. Colocas o fermento, a água o sal, o açúcar e o azeite num recipiente e desfazes bem o fermento, de forma a fazer um liquido espesso;
  2. Colocas a farinha na banca, abre um buraco no meio colocas o liquido, e amassas até fazer uma massa bem leve e elástica. Eu tenho uma daquelas maquinas que sozinhas fazem o serviço, mas mesmo assim, depois da bola feita eu amasso bem com as mãos, para ter a certeza que o fermento começa a trabalhar;
  3. Deixa-se repousar a massa por 1h a 1.5h, ou até a massa dobrar o tamanho;
  4. Quando a massa já estiver em tamanho dobro, esticas bem cobres com queijo, depois o fiambre, depois o chourição;
  5. Enrolas como se fosse um rolo(bolo);
  6. Levas ao forno em lume médio, até a massa começar a ganhar cor;
  7. Este é o resultado final

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Polvo conta como peixe?

Estou aqui no meu sofá, 40 mins depois de uma aula de pilates que deu cabo de mim, e estou a pensa quantas vezes partilhei uma receita cujo conteúdo tem algo do mar (peixe, marisco, moluscos…).

Na minha cozinha, canto que eu tanto adoro, coze um arroz de polvo, que da ultima vez que o provei estava com sabor divinal.

Cá em casa somos carnívoros fervorosos, a minha mãe sempre disse que peixe não puxa carroça, e o Pedro não torce só o nariz quando se lhe faz peixe, na verdade todo ele se transforma num contorcionista.

Eu fui criada à beira mar, peixe em nossa casa era com fartura, mas eu acho que ao longo da minha vida raramente comi um peixe que me soubesse a satisfação. Com excepção de uma dourada cozinha num restaurante de renome em Espinho. Era uma dourada bem fresca, bem assada na brasa, só com sal. Foi um almoço incrível, mas no fim para compensar, la veio a mousse de chocolate. Não posso ter uma refeição low-calorie, parece mal ao meu estômago e cérebro. Eu agora até ando a praticar pilates para tentar orientar corpo e mente, mas mesmo assim, enquanto o meu arroz de polvo coze estou a pensar no arsenal de chocolates que se encontram no armário da vergonha. Sim arsenal, porque tanto chocolate é letal.

Eu gosto de arroz de polvo, se a calda for bem concebida, se o sabor for equilibrado, se houver polvo. No entanto, ainda não consegui acertar muito bem nos temperos. Hoje estou a testar sabores novos. Comecei a semana a fazer bifanas com um molho de pimentão e limão que são de comer e chorar por mais. A mistura de condimentos correu muito bem e estou a testar aplicar ao arroz de polvo, da ultima vez que fui ver como estavam os sabores, senti um arrepio de prazer, se entretanto não tiver estragado tudo acho que vai valer a pena.

Vou esforçar-me na calda, ainda por cima há pão fresco em casa.

Se correr bem, vamos ter um jantar de moluscos!!

Vivam os molusco, se vem do mar é peixe…

ARROZ DE POLVO

O que vais precisar?

  • Cebola ralada e azeite qb;
  • meio copo de vinho branco;
  • 1 pimento baby cortado em pedacinhos bem pequenos;
  • 1 colher de café de paprika;
  • 1 colher de café de molho inglês;
  • umas gotinhas de molho picante;
  • meia colher de café de sal grosso;
  • 1 copo de arroz carolino;
  • 3 copos de água;
  • 250 grs de miolo de polvo já cozido (eu compro do congelado pronto a usar);

Como fazer?

  1. Primeiro colocar o azeite com a cebola a refogar;
  2. Quando começar a ganhar cor, adicionar o vinho, o pimento, a paprika, molho inglês, molho picante e sal, deixar levantar fervura e adicionar o arroz;
  3. Esperar que o arroz fique sem vinho, e então adicionar a água, e deixar o arroz cozer;
  4.  quando o arroz começar a abrir, adicionar o polvo, perceber se os sabores estão equilibrados, e adicionar mais meio copo de água, para o arroz não perder a calda;
  5. Deixar cozer, até o molho engrossar e o arroz ficar bem cozido;
  6. Servir na hora, de contrario perde aquele molho que me fez usar o pão como só nos os Portugueses sabemos;

Quero deixar bem claro, que o arroz estava mesmo bom!

 

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Risoto para enganar o estômago

Pronto, finalmente acabaram-se os festejos. Reis inclusive. Isto de em duas semanas só se comer pão embebido em leite ovos e açúcar, frito, cabaça, açúcar e ovos, frita, leite curado, ovos, farinha e açúcar, frito, da cabo do fígado de qualquer ser vivo. Confesso que vejo o bacalhau, com batata e couve cozida, como a forma de dizermos ao nosso corpo, tem calma, também há coisas cozidas. No entanto, nunca em momento algum, a refeição de bacalhau e batatas é suficiente para equilibrar as asneiradas bem gordas que fazemos estes dias… Ao ponto de eu, me colocar de lado no meu espelho e sentir-me bastante tentada a adquirir um teste de gravidez.

Está na hora de começar novamente a pensar que tenho de voltar ao meu eu, de antes de Dezembro começar. Todos os anos é isto, julgo que seja por causa disso, que aí fim de 30 anos, não mantenha o mesmo peso, isto porque, aparentemente 11 meses não são suficientes para eu perder os ganhos de Dezembro… Culpa da família toda que me faz ter festas quase todos os meses… Na verdade a culpa é minha, eu n sei ver sem comer. Tio Sabino, eu admito eu cedo à tentação.

Peso na consciência, é o que sinto normalmente a partir de 6/1 depois do almoço… Ou seja, ao jantar de dia 6, acabo a cozinhar algo que para mim soa a saudável, porque não inclui carne. É muito difícil encontrar um vegetariano rechonchudo. Portanto, disse ao Pedro vou fazer um risoto. Ele ficou feliz e eu disse, mas não é de alheira, é de cogumelos… Ele engoliu a felicidade e eu continuei, portanto vamos ter para jantar, sopa e risoto de cogumelos. Desapareci. Não podia ficar ali, a absorver a tristeza do Pedro. Já me chegava a minha tristeza, por estar prestes a fazer uma refeição 100% vegetariana. O que abona a meu favor, é que eu sou feliz a cozinhar, portanto olha entrei na cozinha, amarrei o cabelo num puxo alto, vesti o avental e comecei ao meu caldo/sopa de legumes.

40mins mais tarde, estávamos os dois a jantar. O risoto estava tão saboroso que os cogumelos sabiam a carne. Até o Pedro ficou mais bem disposto!

RISOTO DE COGUMELOS

O que vais precisar?

  • 1 mini chalota;
  • 2 dentes de alho;
  • 1 mão de arroz arbóreo por pessoa;
  • 200gr de cogumelos frescos;
  • 50gr de manteiga;
  • Azeite qb;
  • Queijo cheddar para ralar;
  • Legumes para fazer uma sopa com batata (a escolha de legumes é aleatória, precisa de pelo menos uma batata);
  • 1 colher de chá de sal.

Como vais fazer?

  1. Numa panela pões os legumes a cozer para fazer sopa. Tem de ter bastante água, porque a água da sopa é que vais permitir ter o caldo para o risoto (este truque aprendi com a Andréia, que por sua vez aprendeu com um expert. Portanto é válido e a Andréia faz um risoto de alheira de tapar o tacho);
  2. Quando a água da sopa levantar fervura, está na hora de iniciar o risoto;
  3. Ralas a cebola e o alho e cólicas em azeite ao lume, quando a cebola começar a alourar, colocas o arroz e deixar começar a fritar, assim que iniciar o barulho de fritar adicionar 1 copo de vinho branco e o sal e deixas o vinho desaparecer;
  4. Agora está na hora de adicionar o caldo de legumes, em quantidade de colher de sopa;
  5. Deixa ir a água evaporando e vai adicionando mais;
  6. Coloca os cogumelos, previamente laminado com a última colher de caldo;
  7. Quando o arroz estiver bem cozido, prova, e com quase água nenhuma adicionais a manteiga e o queijo e mexe bem;
  8. O Risoto deve ser  servido na hora, de contrário fica arroz empapado…

Guisado não é estufado

Adoro quando o Pedro não está presente para poder fazer zapping muito rápido. A ver se encontro algum reality show de noivas, ou multimilionárias, ou então de vidas passadas, ou pessoas que falam com mortos, mas também de comida. Se vir bolos ou panelas paro. Então se for uma panela com comida preparada pela Martha Stewart, Filipa Gomes ou pela Nigella Lawson, bem aí ninguém me arranca deste meu sofá.  Não sei porquê, mas estas três fazem-me ter ainda mais vontade de ir para a cozinha. Sinto uma alegria naquilo que fazem. Não digo da Martha Stewart, mas digo da Filipa e da Nigella (perdoa-me esta coisa de as tratar pelo primeiro nome mas elas vêm a minha casa, portanto eu posso) elas têm uma sensualidade na forma como cozinham que me prendem ao ecrã. Eu queria ser como elas na cozinha, ter um aspecto suave, doce e ainda acabar com coisas boas na panela. Quando elas abrem as panelas, eu fico sempre expectante… Até parece que o programa não é gravado e que aquilo que ali está não vai ser espectacular. Vai de certeza, mas eu aguardo, nunca se sabe. Depois elas dizem, hmmm que cheirinho tão bom. Eu penso, não da para saber daqui e agora? Lá vou eu para a cozinha tentar repetir tudo.

Esta semana, tive um AHA moment. 

Na quinta-feira, ficou instituído que sexta o jantar era em nossa casa. Nós cá em casa temos um acordo, terças, quintas e sextas o jantar é em casa dos pais do Pedro, no entanto, existem sextas, em que o jantar acontece em nossa casa. Normalmente eu não cozinho à sexta, porque vou para o voluntariado, no entanto, às vezes dá-me muita vontade de fazer alguma coisa diferente, e desdobro-me para conseguir cozinhar. Foi o que aconteceu precisamente esta sexta. Vinha eu do trabalho, e liguei para a minha mãe: “como se faz um guisado?” Ela respondeu-me, explicando-me como se fazia um estufado. Fiquei um bocado frustrada, e desliguei o telemóvel, não sem antes me despedir. Então comecei, na minha cabeça, a visualizar todos os programas de culinária que já vi até hoje, para me tentar recordar de um que tivesse um guisado. Veio-me então a imagem da Martha Stewart, na sua cozinha XPTO, e a explicar como se fazia, e como se devia aproveitar bem todos os sucos da carne. Não me lembrava de maneira nenhuma, que condimentos tinha usado, mas lembrava-me da cor do molho, e do processo. Então pensei, é desta que vou experimentar um guisado.

Cheguei a casa, amarrei o cabelo e coloquei o meu avental mais bonito. Cortei a carne em cubos, peguei na minha panela de ir ao forno, e pus mãos à obra. No meio fui ao voluntariado e voltei, e o guisado quase sem líquido. Equilibrei e la ficou mais um pedaço.

Ao jantar servi com arroz. Estava muito bom, senti-me uma Martha Stewart, porque não tenho nem a sensualidade nem a doçura da Nigella e da Filipa

GUISADO (serve 5 pessoas)

O que vais precisar?

  • 0.5kg de carne para assar, cortada em cubos. A minha era Alcatra;
  • 10 Batatas descascadas e também cortadas em cubos (se forem grandes 5);
  • 4 Cenouras, descascadas e cortadas em 4;
  • 1 Cebola ralada;
  • Azeite e manteiga, para cobrir o fundo da panela (meio meio);
  • 1 Colher de sopa de sopa de rabo de boi
  • 1 Colher de sopa de molho inglês
  • Pimenta, colorau,  chipotle q.b.
  • 250ml de vinho branco
  • 1 folha de louro
  • Água q.b.

Como vais fazer?

  1. Tens de ter uma panela de ir ao forno, e acende o forno a 130º;
  2. Metes a panela ao lume colocas o azeite, a manteiga e a cebola.
  3. Deixas alourar e de seguida colocas a carne e os condimentos secos, todos;
  4. Deixas a carne tomar o sabor e selar completamente, ou seja deixar de ter cor crua;
  5. Adicionas as batatas e as cenouras, o vinho e cobre com água até tapar completamente a carne e os legumes;
  6. Tapas a panela com o testo, ou com folha de alumínio e leva ao forno durante pelo menos 2h. Ao fim de uma hora eu tive de repor água e condimentos. Portanto ir provando ao longo do processo ajuda.
  7. Retirar do forno quando a carne já se desfizer e as batatas já estiverem bem cozidas.

Lamento esta minha foto, mas como demorou imenso tempo a cozinhar, depois tive de correr com a panela para a mesa. Aconselho portanto a experimentares para perceber como funciona bem!!

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