Risoto para enganar o estômago

Pronto, finalmente acabaram-se os festejos. Reis inclusive. Isto de em duas semanas só se comer pão embebido em leite ovos e açúcar, frito, cabaça, açúcar e ovos, frita, leite curado, ovos, farinha e açúcar, frito, da cabo do fígado de qualquer ser vivo. Confesso que vejo o bacalhau, com batata e couve cozida, como a forma de dizermos ao nosso corpo, tem calma, também há coisas cozidas. No entanto, nunca em momento algum, a refeição de bacalhau e batatas é suficiente para equilibrar as asneiradas bem gordas que fazemos estes dias… Ao ponto de eu, me colocar de lado no meu espelho e sentir-me bastante tentada a adquirir um teste de gravidez.

Está na hora de começar novamente a pensar que tenho de voltar ao meu eu, de antes de Dezembro começar. Todos os anos é isto, julgo que seja por causa disso, que aí fim de 30 anos, não mantenha o mesmo peso, isto porque, aparentemente 11 meses não são suficientes para eu perder os ganhos de Dezembro… Culpa da família toda que me faz ter festas quase todos os meses… Na verdade a culpa é minha, eu n sei ver sem comer. Tio Sabino, eu admito eu cedo à tentação.

Peso na consciência, é o que sinto normalmente a partir de 6/1 depois do almoço… Ou seja, ao jantar de dia 6, acabo a cozinhar algo que para mim soa a saudável, porque não inclui carne. É muito difícil encontrar um vegetariano rechonchudo. Portanto, disse ao Pedro vou fazer um risoto. Ele ficou feliz e eu disse, mas não é de alheira, é de cogumelos… Ele engoliu a felicidade e eu continuei, portanto vamos ter para jantar, sopa e risoto de cogumelos. Desapareci. Não podia ficar ali, a absorver a tristeza do Pedro. Já me chegava a minha tristeza, por estar prestes a fazer uma refeição 100% vegetariana. O que abona a meu favor, é que eu sou feliz a cozinhar, portanto olha entrei na cozinha, amarrei o cabelo num puxo alto, vesti o avental e comecei ao meu caldo/sopa de legumes.

40mins mais tarde, estávamos os dois a jantar. O risoto estava tão saboroso que os cogumelos sabiam a carne. Até o Pedro ficou mais bem disposto!

RISOTO DE COGUMELOS

O que vais precisar?

  • 1 mini chalota;
  • 2 dentes de alho;
  • 1 mão de arroz arbóreo por pessoa;
  • 200gr de cogumelos frescos;
  • 50gr de manteiga;
  • Azeite qb;
  • Queijo cheddar para ralar;
  • Legumes para fazer uma sopa com batata (a escolha de legumes é aleatória, precisa de pelo menos uma batata);
  • 1 colher de chá de sal.

Como vais fazer?

  1. Numa panela pões os legumes a cozer para fazer sopa. Tem de ter bastante água, porque a água da sopa é que vais permitir ter o caldo para o risoto (este truque aprendi com a Andréia, que por sua vez aprendeu com um expert. Portanto é válido e a Andréia faz um risoto de alheira de tapar o tacho);
  2. Quando a água da sopa levantar fervura, está na hora de iniciar o risoto;
  3. Ralas a cebola e o alho e cólicas em azeite ao lume, quando a cebola começar a alourar, colocas o arroz e deixar começar a fritar, assim que iniciar o barulho de fritar adicionar 1 copo de vinho branco e o sal e deixas o vinho desaparecer;
  4. Agora está na hora de adicionar o caldo de legumes, em quantidade de colher de sopa;
  5. Deixa ir a água evaporando e vai adicionando mais;
  6. Coloca os cogumelos, previamente laminado com a última colher de caldo;
  7. Quando o arroz estiver bem cozido, prova, e com quase água nenhuma adicionais a manteiga e o queijo e mexe bem;
  8. O Risoto deve ser  servido na hora, de contrário fica arroz empapado…

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Guisado não é estufado

Adoro quando o Pedro não está presente para poder fazer zapping muito rápido. A ver se encontro algum reality show de noivas, ou multimilionárias, ou então de vidas passadas, ou pessoas que falam com mortos, mas também de comida. Se vir bolos ou panelas paro. Então se for uma panela com comida preparada pela Martha Stewart, Filipa Gomes ou pela Nigella Lawson, bem aí ninguém me arranca deste meu sofá.  Não sei porquê, mas estas três fazem-me ter ainda mais vontade de ir para a cozinha. Sinto uma alegria naquilo que fazem. Não digo da Martha Stewart, mas digo da Filipa e da Nigella (perdoa-me esta coisa de as tratar pelo primeiro nome mas elas vêm a minha casa, portanto eu posso) elas têm uma sensualidade na forma como cozinham que me prendem ao ecrã. Eu queria ser como elas na cozinha, ter um aspecto suave, doce e ainda acabar com coisas boas na panela. Quando elas abrem as panelas, eu fico sempre expectante… Até parece que o programa não é gravado e que aquilo que ali está não vai ser espectacular. Vai de certeza, mas eu aguardo, nunca se sabe. Depois elas dizem, hmmm que cheirinho tão bom. Eu penso, não da para saber daqui e agora? Lá vou eu para a cozinha tentar repetir tudo.

Esta semana, tive um AHA moment. 

Na quinta-feira, ficou instituído que sexta o jantar era em nossa casa. Nós cá em casa temos um acordo, terças, quintas e sextas o jantar é em casa dos pais do Pedro, no entanto, existem sextas, em que o jantar acontece em nossa casa. Normalmente eu não cozinho à sexta, porque vou para o voluntariado, no entanto, às vezes dá-me muita vontade de fazer alguma coisa diferente, e desdobro-me para conseguir cozinhar. Foi o que aconteceu precisamente esta sexta. Vinha eu do trabalho, e liguei para a minha mãe: “como se faz um guisado?” Ela respondeu-me, explicando-me como se fazia um estufado. Fiquei um bocado frustrada, e desliguei o telemóvel, não sem antes me despedir. Então comecei, na minha cabeça, a visualizar todos os programas de culinária que já vi até hoje, para me tentar recordar de um que tivesse um guisado. Veio-me então a imagem da Martha Stewart, na sua cozinha XPTO, e a explicar como se fazia, e como se devia aproveitar bem todos os sucos da carne. Não me lembrava de maneira nenhuma, que condimentos tinha usado, mas lembrava-me da cor do molho, e do processo. Então pensei, é desta que vou experimentar um guisado.

Cheguei a casa, amarrei o cabelo e coloquei o meu avental mais bonito. Cortei a carne em cubos, peguei na minha panela de ir ao forno, e pus mãos à obra. No meio fui ao voluntariado e voltei, e o guisado quase sem líquido. Equilibrei e la ficou mais um pedaço.

Ao jantar servi com arroz. Estava muito bom, senti-me uma Martha Stewart, porque não tenho nem a sensualidade nem a doçura da Nigella e da Filipa

GUISADO (serve 5 pessoas)

O que vais precisar?

  • 0.5kg de carne para assar, cortada em cubos. A minha era Alcatra;
  • 10 Batatas descascadas e também cortadas em cubos (se forem grandes 5);
  • 4 Cenouras, descascadas e cortadas em 4;
  • 1 Cebola ralada;
  • Azeite e manteiga, para cobrir o fundo da panela (meio meio);
  • 1 Colher de sopa de sopa de rabo de boi
  • 1 Colher de sopa de molho inglês
  • Pimenta, colorau,  chipotle q.b.
  • 250ml de vinho branco
  • 1 folha de louro
  • Água q.b.

Como vais fazer?

  1. Tens de ter uma panela de ir ao forno, e acende o forno a 130º;
  2. Metes a panela ao lume colocas o azeite, a manteiga e a cebola.
  3. Deixas alourar e de seguida colocas a carne e os condimentos secos, todos;
  4. Deixas a carne tomar o sabor e selar completamente, ou seja deixar de ter cor crua;
  5. Adicionas as batatas e as cenouras, o vinho e cobre com água até tapar completamente a carne e os legumes;
  6. Tapas a panela com o testo, ou com folha de alumínio e leva ao forno durante pelo menos 2h. Ao fim de uma hora eu tive de repor água e condimentos. Portanto ir provando ao longo do processo ajuda.
  7. Retirar do forno quando a carne já se desfizer e as batatas já estiverem bem cozidas.

Lamento esta minha foto, mas como demorou imenso tempo a cozinhar, depois tive de correr com a panela para a mesa. Aconselho portanto a experimentares para perceber como funciona bem!!

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Pastéis é em Chaves

A aldeia do avô do Pedro, hoje adotada por todos fica a 20 minutos, estradas municipais, de Chaves. Ou seja, quando alguém vai la acima, é quase volta obrigatória ir até Chaves. Eu não me importo nada, até porque acabo sempre por lucrar um pastel. Ai como eu adoro aqueles pastéis.

No dia 1 de Maio, a família do Pedro costumava juntar-se e fazer uma romaria até à aldeia e arredores, ou seja Vidago e Pedras Salgadas. Tornou-se um hábito que acabou por cair em desuso. Muita pena eu tive disso, mesmo sem nunca ter feito parte de ajuntamento. Digo isto porque acho o jardim do Vidago Palace, e o jardim do hotel das Pedras Salgadas algo digno de ser explorado. São dois lugares realmente muito bonitos. Cheios de recantos e natureza no seu melhor.

Ora, este ano, o pai do Pedro, decidiu que estava na altura de se voltar a comemorar o 1º de Maio. Como tal, aqui em casa levamos o Sheldon à baby-sitter, metemos bolachas e leitinhos no carro e la fomos em romaria. Fomos à aldeia, almoçamos em Pedras salgadas, e a avó do Pedro, Matriarca da família, decidiu e muito bem, que devíamos ir até Chaves. Já la não ia há muito tempo.

Estacionamos o carro num parque próximo do rio e subimos a pé até ao castelo.

Às tantas, a dona Alice achou que ir a Chaves e não comer ou levar pasteis é como ir a Paris e não ver a tour Eiffel. Portanto, demos por nós numa casinha saída da aldeia do filme da Bela e do Monstro. Uma casinha de fachada em madeira e toda azul. Saía de lá um cheirinho, que mesmo para quem tinha almoçado há tão pouco tempo, fazia crescer água na boca.

Trouxemos os pastéis, voltamos para casa.

Ao jantar fizemos deles refeição. Bem, e que refeição. Que pasteis tão saborosos.

Estou a contar isto agora, porque me vieram à memória e não só. Estou a contar isto agora porque tenho carne picada e não quero fazer o jantar comum, até porque é sábado e ao sábado eu gosto de fazer uns jantares mais elaborados, porque tenho mais tempo.

Portanto, sabes que mais, é isso mesmo, vou fazer uns pastéis de chaves mesmo bem recheados.

Amanhã volto a fazer dieta.

PASTÉIS DE CHAVES

O que vais precisar?

  • 300gr de carne picada (vaca e chouriço);
  • 1 Colher de sobremesa de colorau;
  • 1 Colher de sopa de sopa de rabo de boi;
  • 1 Colher de café de sal grosso;
  • 1 Colher de café de molho inglês;
  • 1 Chávena de vinho branco;
  • Pimenta q.b.;
  • Molho picante chipotle q.b.;
  • 1 Rolo de massa folhada;
  • 1/3 de cebola ralada;
  • 2 Dentes d alho ralados;
  • 2colheres de sopa de azeite;
  • 10 Tostas mini;

Como vais fazer?

  1. Colocas a cebola e o alho a alourar no azeite num tacho;
  2. Quando a cebola começar a ganhar cor, colocas a carne a fritar;
  3. Numa chávena colocas todos os ingredientes e adicionas o vinho e misturas bem, para fazer uma pasta;
  4. Adicionas a pasta à carne e colocas mais uma chávena de água;
  5. Tapas o tacho e deixas a carne absorver todo o líquido;
  6. Aproveita para triturar as tostas, e assim que a carne estiver bem cozinhada, adicionas as tostas para secar a carne. Se achares que precisa de mais tostas para secar, então tritura mais algumas e adiciona. A intenção é a carne ficar bem seca;
  7. Ligas o forno a 130º;
  8. Abres a massa folhada e divides em dois. Eu só fiz dois, para serem suficientemente compostos para o jantar;
  9. Distribuis a carne pelos dois pedaços e fechas, como os pastéis;
  10. Levas ao forno, e deixas assar bem a massa folhada;
  11. No fim serves com umas batatinhas fritas!

 

NB: Se sobrar carne, guarda, e adicionas molho de tomate, cozes massa esparguete e aí tens mais uma refeição. ;P

 

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Lasanha Vapt-Vupt

Andava eu a fazer as minhas compras de recheio de frigorífico e despensa, quando dou por mim perdida no corredor dos condimentos. Depois do corredor dos chocolates, este é dos que me faz gastar mais tempo nas compras. Isto porque comparo preços, e dou comigo a tentar recordar sabores, quando pego por exemplo na mostarda dijon, ou nas várias misturas de pimentas. O molho de tomate, normal ou com alho e cebola? Ah e as tortilhas, maiores mais pequenas… Quanto maiores mais quesadilha como, portanto melhor trazer as mais pequenas. Ando ali para trás e para a frente, sopa de rabo de boi, sopa de marisco, Knorr de carne, Knorr de frango… Eis que me aparece, a mistura Knorr para lasanha e bolonhesa.

Eu adoro lasanha, adoro mesmo. Assim que me recorde, a minha mãe nunca fez, mas eu fui percebendo como se fazia, e la ia inventado a minha lasanha, tinha sempre o problema de as placas não ficarem suficientemente moles, o que estraga logo tudo. O meu grande problema em fazer lasanha é que acabo por gasta-la só na limpeza da cozinha. Ora vejamos, panela para o ragu, panela para o molho bechamel, panela para aquecer água para amolecer as placas, e ainda a assadeira da lasanha… Bolas, so de enumerar até fiquei cansada, 3 panelas ao lume e uma assadeira sobre a cortiça, para não acabar estalada com as diferenças de temperatura. Quero com isto dizer, que faço lasanha muito menos vezes do que gostaria de a comer. Bom para mim, muitos dirão, menos esse nas coxas. Pois, mas isso agora não é o problema, o problema é que quero fazer lasanha, bem boa, e não ter de passar 2h só a esfregar tachos.

Ora bem, vi num blog de nome Kitchn, uma lasanha (que se clicares no link chegas logo lá) do tipo super básica de fazer e ainda prometia a utilização de só uma panela. Eu na verdade nem era para ir ver, porque estou bastante contente com a minha lasanha super trabalhosa que acaba sempre por ser desconsolante, no entanto a promessa de uma so panela fez-me sonhar. Até este momento, lasanha rápida saborosa e pouco trabalhosa, era uma utopia. Começo a ler, mas não li grande coisa, eu estava sedenta era com a possibilidade de uma lasanha rápida e pouco trabalhosa. Às tantas diz lá, fazes o ragu, partes a massa da lasanha e enfias no meio do ragu. Coloca mesmo por baixo, para conseguires camadas. A esta altura, o meu nível de ceticismo era tipo máximo. Pensei:”Hmm ta bem, mete la para o meio que aquilo faz camadas ta bem tá… a ver se experimento isto em casa”.

Já aqui falei da minha vontade de aceitar desafios, certo? Pois bem, esta receita eu fi-la no sentido do desafio. Ou seja, se funcionar vou ganhar um jantar incrível para fazer a meio da semana. Se perder… Bem se perder, la se vai o jantar de hoje, e a utopia mantem-se… Então decidi jogar as cartas todas, se é para jogar, mete-se logo os ases e as biscas na mesa. Pimba, saquei do Knorr de lasanha, fiz como indica lá, frita-se a carne em azeite e manteiga, adiciona-se o pó de perlimpimpim, e água, deixa-se levantar fervura. Depois segui os conselhos de Kitchn, parti a massa da lasanha e fui metendo para o meio, depois cobri com bechamel e cubos de mozarela fresco. Meti no forno e fiquei na cozinha feita palerma a olhar para o forno e a pensar, qual vai ser o Plano B… são 20.20h, não tenho muito tempo para arranjar outro jantar. Esperei os 20 minutos que demora para gratinar bem. Chamei o Pedro, servi o jantar… e voltei a servir mais duas vezes, porque a lasanha estava incrível.

Hoje experimentei com massa de canelones. Se vale a pena, viva os senhores da Knorr que criaram uma ótima mistura de ragu e viva Kitchn por se ter lembrado de fazer a melhor lasanha de meio da semana!

LASANHA VAPT-VUPT

O que vais precisar?

PLANO A

  • 1 Saqueta de mistura KNORR para lasanha;
  • Azeite q.b.
  • 400gr de carne picada, eu uso uma mistura de vaca e chouriço;
  • Massa de Lasanha partida em bocados ou Canelones
  • 200ml de molho bechamel;
  • 1 Queijo mozarela fresco.

PLANO B – Caso não queiras utilizar ou não exista os sacos perlimpimpim da Knorr

  • 400gr de carne picada;
  • Sal, pimentas, molho inglês, pimentão em pó, piri piri chipotle;
  • Uma cebola ralada ou picada
  • 2 Dentes de alho picados;
  • Azeite q.b.
  • Molho de tomate;
  • 1 Cerveja;

Como vais fazer?

PLANO A

  1. Fritas a carne no azeite, e segues as indicações da saqueta;
  2. Quando a carne estiver pronta, adicionas a massa de lasanha aos poucos, ou os canudos dos canelones, de forma a que a carne entre nos canudos;
  3. Cobres tudo com o molho bechamel;
  4. Cortas o queijo em cubos ou rodela e distribuis por cima;
  5. Levas ao forno até gratinar;
  6. Retiras e serves.

PLANO B

  1. Picas a cebola e o alho e colocas no azeite;
  2. Quando começar a alourar, adicionas a carne.
  3. Quando esta estiver meia frita, adicionam-se todos os ingredientes, inclusivamente a cerveja e o molho de tomate.
  4. Deixas a carne tomar sabor, regulas os condimentos e vê se precisa de um bocadinho de água;
  5. Quando a carne já estiver pronta adicionas a massa de lasanha aos poucos, ou os canudos dos canelones, de forma a que a carne entre nos canudos;
  6. Cobres tudo com o molho bechamel;
  7. Cortas o queijo em cubos ou rodela e distribuis por cima;
  8. Levas ao forno até gratinar;
  9. Retiras e serves.

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Hygge de frango

Sabes quando chegas a casa e a lareira está acesa, e lá fora está um frio do caraças?

Sabes quando te deitas em conchinha, com a tua pessoa, e adormeces num sono tão profundo que te sabe como se tivesses dormido uma vida?

Sabes aquele abraço que vem sem contar. Que chega e te envolve e tu libertas tantas feromonas, que te sentes a pessoa mais feliz do mundo?

Sabes quando te enroscas no sofá com um cobertor, meião quente, divides uma tigela de pipocas, na TV passa um filme qualquer e lá fora chove um mundo inteiro?

A sensação que tenho quando imagino estas imagens, chama-se Hygge. É uma palavra dinamarquesa. Não tem tradução direta para português. No entanto, eu traduzo Hygge como conforto. Isto porque, eu acredito piamente que o ser humano só é feliz, quando está confortável. Ninguém de sanidade, é capaz de ser feliz numa situação desconfortável. E se somos felizes numa situação desconfortável, é porque estamos confortáveis com o desconfortável. Portanto, Hygge, (HUGA como se diz) é o conforto.

O conforto é o que precisamos muitas vezes no outono e inverno. Nestas épocas somos mais tristes, somos mais moles. Precisamos de mais mimo. Precisamos de lareiras acesas, de abraços sem contar, de poder enroscar. Precisamos de fazer conchinha. Nesta época do ano, temos necessidade de procurar a felicidade que é tantas vezes espontânea na primavera e no verão, principalmente porque os dias são gigantes.

No outono e no inverno, acabamos a tentar compensar, muitas vezes em comida, o que não vem espontaneamente. Mas até a comida, tem de ser mais quente, mais saborosa. Só uma salada não chega. Porque está frio, porque está a chover (nem por isso), porque estou a trabalhar e já é de noite.  Nesta altura do ano, procuramos o conforto quase tanto, como no verão procuramos água. É uma necessidade.

Na verdade, para mim o conforto é uma necessidade.

Faz uns dias, andava a visitar uns blogues e deparei-me com uma receita de frango. A verdade é que a foto daquela receita de frango, tirou-me de onde estava e sentou-me na minha mesa da cozinha, a jantar com o Pedro, enquanto o Sheldon, do outro lado da barricada aguarda, que um de nós lhe ceda um momento de degustação. E aquilo soube-me a conforto, soube-me a amor. Aquilo soube-me a Hygge.

Eu adoro, mesmo de verdade, chegar a casa e iniciar todo o processo de preparação da única refeição aceitável que faço e ingiro durante o dia. Na verdade eu acho que se me medissem os níveis de feromonas nesta altura, quase que os podiam comparar (menos um pedaço) com os que eu liberto quando o Pedro me dá um abraço.

Eu sou realmente uma pessoa feliz, na minha cozinha no terceiro andar.

Sou tão feliz, que nas minhas viagens de regresso a casa, faço duas tabelas na minha cabeça, uma com ingredientes das receitas, outra com ingredientes da dispensa e frigorifico. Quando subi ao terceiro andar, e depois de 10minutos ininterruptos de mimos vindos de um orelhudo, acabo a vestir o meu avental, ligar o rádio e mão à obra. O resultado foi diferente do da receita original, até porque mudei alguns ingredientes, mas confesso que já repeti varias vezes, e em todas elas compreendo o porquê de haver necessidade de se ter uma única palavra para descrever o conforto da felicidade!

Viva o conforto/felicidade/Hygge

 

Cheesy Chicken and Brocolli

Eu substituí os brócolos por esparregado, substituí a maionese e o alho, por molho de Alho da Calvé. Substituí o queijo cheddar por mozzarela ralado. Tubes crescent Rolls, eu usei massa folhada.

  • Basicamente é cozer um peito de frango, cortar em cubinhos, e numa taça misturar o frango, com natas, com molho de alho, queijo e esparregado, formando um recheio.
  • Abrir a massa folhada, colocar-lhe o recheio, fechar o embrulho e levar ao forno.

Qualquer dúvida diz, que se eu conseguir eu ajudo. Mas experimenta de verdade, é realmente muito bom!

 

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Tempo é ouro…

Versão Portuguesa

Uma das coisas que eu ouço desde miúda é que a evolução dos tempos faz-nos aprender a gerir sem aproveitar o tempo. Nós não sabemos saborear a comida, nem nos apercebemos do ritmo a que nos mexemos. Eu sempre achei um máximo as rotinas supersónicas, até chegar a mim. Esta semana enquanto almoçava, consegui no meio da insanidade perceber a loucura do meu ritmo. Consegui entender, que não estou a aproveitar uma das coisas que eu mais gosto na vida, saborear a minha comida… Vê tu bem, como se processa uma das minhas horas de almoço. Vou tentar descrever isto como se tu fosses eu…

12h – Pego na mala, saio do escritório dirijo-me para o meu carro.

12:0.5 – Aperto o cinto de segurança, ligo o carro, rumo a casa.

12.15 – Estaciono o carro lá em baixo e corro escadas a cima até casa.

12.17 – Abro a porta de casa, seguida da porta da cozinha para receber o Sheldon que está À espera do momento, almoço a dois.

12.20 – Ou aqueço almoço que consegui deixar do dia anterior, ou inicio o processo de arranjar almoço. Normalmente é a segunda opção.

12.21 –  Iniciar o almoço, normalmente este processo demora 10 minutos, opto por coisas simples e rápidas, como uma omelete de tomate e pimentos;

12.31 – Sento-me para almoçar.

12.36 – Arrumar a tralhar do almoço;

12.38 – Colocar o arnês ao Sheldon e sair para o passear;

12.48- Estou de volta a casa, com um Sheldon passeado, pronto

12.50 – Estou a entrar no carro e a voar para o trabalho;

13h- Estou de volta ao recinto de trabalho.

O que há de errado nisto? 10 minutos a passear o cão, 5 minutos a almoçar, para piorar a omelete que fiz esta semana estava tão, mas tão boa que acabei por gastar uns extravagantes 7 minutos a almoçar… Quem ficou triste foi o sheldon porque só passeou minutos… Tempo é ouro!

English Version

One of the things I’ve heard all my life is that evolution of the times makes us learn to manage without enjoying time. We don’t know how to savor food, nor do we realize our rhythm. I’ve always found supersonic routines to be amazing, until I was inside it. So, this week while I was having lunch, I was able, through all the rush, realize the madness of my rhythm. I was able to understand that I’m not enjoying one of the things I like most in life, food … This is how, my lunch hour works.

12h – I pick up my bag, I leave the office and run to my car.

12. 05 – I fasten my seat belt, start the car, and head home.

12.15 – I park the car downstairs and run upstairs to the house.

12.17 – I open the door, followed by the kitchen door, and see Sheldon that is waiting for this moment since morning, lunch for two.

12.20 – I heat lunch that I managed to leave the previous day, or I start the process of making me lunch. Usually, is the second option.

12.21 – Start lunch. This process normally takes 10 minutes. Normally I do simple and quick things, such as a tomato and peppers omelet;

12.31 – I sit down for lunch.

12.36 – Clean everything;

12.38 – Put the leash on Sheldon and go for a walk;

12.48- I’m back home, with Sheldon walked

12.50 – I’m getting in the car and flying to work;

13h- I’m back to work.

What’s wrong with this? 10 minutes to walk the dog, 5 minutes to lunch, to make matters worse the omelet I made this week was so, so good that I ended up spending an extravagant 7-minute lunch … Sheldon was the one sacrificed, only 8minuts walk . .. time is gold!

OMELETE

O que vais precisar?

  • 2 ovos;
  • 1 pimento pequeno;
  • 1 tomate pequeno;
  • Queijo ralhado;
  • Molho inglês;
  • 1 noz de manteiga

Como vais fazer?

  1. Colocas uma frigideira ao lume com a nos de manteiga;
  2. Partes os ovos, adiciona uma colher de café de molho inglês e bate os ovos freneticamente, até ficarem uma mistura homogénea;
  3. Assa o pimento, tira a pele e parte-o finamente e reserva;
  4. Lava o tomate e corta-o aos cubos, reserva
  5. Coloca os ovos na frigideira e deixas fritar, vais descolando as pontas e mexendo a frigideira para que o ovo que está por cima também acabe frito;
  6. Quando o ovo em cima começar a ficar mais consistente, adicionas o tomate o queijo e o pimento;
  7. Fecha a omelete e deixa fitar mais um pouco o ovo, mas não até queimar ou ficar seco;
  8. Tira para um prato e saboreia.
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Omelete

Acontecimentos em cadeia…

Sábado passado, fomos jantar a Gaia. Eramos 4, e a intenção era ir jantar ali na bela zona da Afurada. Correu mal. Já tinha começado a correr mal, quando eu finalmente acordei para a vida e percebi que nesse sábado os Scorpions iam dar um concerto no MEO Marés Vivas e cujos bilhetes já estavam esgotados há meses. Superei calmamente esta mega desilusão, no entanto superei-a tão calmamente que me olvidei do quão pouco inteligente era ir pr’Afurada jantar… Portanto depois de uns valentes 20 minutos de voltas e mais voltas, acabamos em direção ao tabuleiro inferior da ponte de D. Luis. Passar a ponte, não era inteligente, já passava largamente das 21, e portanto se na Afurada a confusão estava instalada, na ribeira não se rompia, optamos portanto estacionar o carro num parque e lá fomos nós na debanda de um restaurante onde se jantasse bem e onde pudésemos conviver uns com os outros… Eu honestamente, nunca tive muito boas experiências em restaurantes próximos do rio, são poucos os que servem bem e cujos empregados são humildes o bastante para nos fazer sentir confortáveis. Portanto, cética lá fui eu em busca de ementas, enquanto os rapazes, vinham perdidos nas suas conversas. Pelo caminho, encontrei a Rita, já não a via há imenso tempo e a verdade é que o encontro com ela deu-me uma felicidade enorme. Isto, porque estamos a falar de uma pessoa com uma aura feliz, pelo menos é assim que eu vejo a Rita, uma aura feliz. Fiquei verdadeiramente contagiada com a energia dela, e portanto um pouco à frente tomei a decisão, depois de ler peito de frango recheado com alheira. Chamei o empregado, e ele disse que tinha mesa para nós. Vieram as entradas, fizemos o pedido, e eis que chega o esperado peito de frango recheado de alheira.

Preciso mesmo de fazer um parágrafo. QUE FRANGO! Oh meu Deus, que carne tão suculenta, que combinação tão especial. De cada vez, que ouço este tipo de combinações soa-me sempre a enjoo pela certa, mas aqui não faltava nada. Não faltava mesmo. Era uma explosão incrível na boca. O Pedro que tinha optado pelo bife de pimentas, que também era saboroso, mas normal, ficou deliciado e acho que desconsolado por não ter pedido o mesmo. Enfim, ele como tem a regra de que a comida não se divide, só teve direito a um bocadinho, e foi porque eu marralhei um pedacinho do bife dele.

Muito bom mesmo. Taberna d’Maria, pouco antes da praça Sandeman em Gaia.

Esta semana, tirei uns bifes para o jantar de quarta-feira. Não sabia bem o que fazer para o jantar, mas tirei bifes, atá à hora descortinaria uma solução. Deixei os bifes dentro da banca a descongelar. Dentro da banca, porque temos uma cabra do monte cá em casa, e não um cão, e a nossa cabra do monte tem sangue de Beagle, logo um faro hiper mega apurado. Achei que dentro da banca era um lugar seguro para a vaca, aparentemente, a cabra do monte fareja e salta mais do que o imaginado, portanto quando cheguei a casa, vaca nem vê-la. ANGÉLICA 0 – SHELDON 1, foi o resultado possível… O problema é que a hora do jantar aproximava-se e eu nada tinha para cozinhar. Lá encontrei uns peitos de frango. Coloquei a descongelar, com auxílio de água quente. Cá em casa janta-se às 20h, era 18.30 quando coloquei o frango a descongelar… 19.30 e o frango ainda era pedra… Estava quase a desesperar, quando os pais do Pedro ligam para irmos jantar fora. Nem pensei duas vezes, arrumei tudo e lá fomos… Desta vez pus o frango no frigorífico, já li em qualquer lado que a inteligência das cabras do monte as obrigam a ir ao mesmo sítio duas vezes…

Desde que o frango está no frigorífico que tenho pensado, que merece um tratamento especial. Merece ser servido num prato digno da espera. Ora ontem pensei, é desta. Vou repetir o jantar da semana passada e deixar o Pedro a salivar. No entanto, esqueci-me de me precaver, vendo a data da alheira que estava no frigorífico.

19.40, pego na alheira, 9/7/2017, liquido branco dentro do saco… Simulo um vómito e com as pontas dos dedos meto-a no lixo… Não quero de maneira alguma saber de onde vem aquele líquido… Ora bolas e agora?! LINGUIÇA! Ora aqui está outro enchido que eu adoro, principalmente nas francesinhas. Se eu adoro, o Pedro tem-lhe um amor de estimação. Assim, compus-me e refiz-me rapidamente da desilusão que se apoderou de mim, e lá fui eu fazer um jantar digno de um sábado à noite.

Desculpa a extensão do texto, mas só queria provar que tudo acontece por uma razão. Se não tivéssemos optado por ir jantar a Gaia, nunca teria visto a Rita, nunca teria provado um prato tão saboroso, do qual falei praticamente toda a semana. Se o Sheldon não tivesse devorado os bifes, eu nunca teria iniciado a demanda de reproduzir o prato, nunca teria chegado ao saboroso jantar de ontem… Afinal, o universo conspira!

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Cabra do Monte com a barriga cheia de bife AKA Sheldon Cooper

 

PEITO DE FRANGO RECHEADO COM LINGUIÇA (2 pessoas)

O que vais precisar?

  • 2 Peitos de frango;
  • 1 Linguiça;
  • Queijo ralhado (eu tenho sempre no frigorífico um mix, mozarelha, ilha e flamengo, tudo num tupperware)
  • Azeite;
  • Meia cerveja;
  • 1 Caldo de frango;
  • 50gr de manteiga;
  • 3 Colheres de sopa de farinha;
  • 1.5 Copos de leite frio;

Como vais fazer?

  1. Corta a linguiça longitudinalmente, até obteres duas metades;
  2. Abres o peito de frango, colocas-lhe queijo, metade de linguiça, e enrolas;
  3. Repetes, para o outro peito de frango;
  4. Numa assadeira, colocas o azeite e os peitos de frango e cobres com a cerveja;
  5. Leva ao forno, até começar a alourar. Quando assim for, vira para ficar lourinho dos dois lados;
  6. Para fazeres o molho, colocas a manteiga a derreter com o caldo de galinha;
  7. Quando estiverem reduzidos a líquido adicionas a farinha, para fazer uma embamata/ roux, quando ficar uma pasta, adicionas o leite e mexes bem até obter um líquido parecido ao molho bechamel;
  8. Tiras o peito de frango do forno cobres com o molho e serves com salada e arroz branco, ou salada e chips de batatas. Eu tenho um viciado em chips cá em casa e portanto optei pelo segundo acompanhamento.

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