Panquecas…

Uma das coisas que mais me faz pensar nos meus hábitos matinais, enquanto adepta fervorosa de pequenos-almoços, são as séries norte americanas. Ele é french toasts, ele é pancakes, ele é gofres, ele é o diabo a 7, e o meu pequeno-almoço não passa de um café duplo com leite e três fatias de pão d’avó torradas com manteiga. Ora bolas, como conseguem eles ter estes pequenos-almoços todos elaborados? Pois bem, os anos têm-se encarregado de me mostrar, MASSAS PRONTAS do supermercado. Oh oh, assim também eu, abres o pacote, metes um ovo e leite, batedeira e está feito, aqueces a fritadeira, sem gordura, massa la para dentro et voilá,  panqueca pronta. A sério??

Pois bem, as panquecas estão na moda, não sei se é uma coisa do concelho, do país ou do mundo, sei que cá em Espinho estão na moda, ele é panqueca de aveia, chocolate ou normal, leva molho do que se imaginar. Há panquecas na boca do mundo. Ora eu até há bem pouco tempo, resignava-me a ver a panqueca típica das séries americanas, cheguei até a comprar uma garrafa de massa do Lidl, confesso, mas depois dessa minha tirada, decidi não repetir, até porque, a massa não era de grande coisa.

No entanto, e com tanta casa de brunch em Espinho a abrir, dei comigo sentada a uma mesa, a comer scones com nutela enquanto via o Pedro a comer um pequeno monte de panquecas com nutela e morangos. O Pedro odeia dividir, mas deve ter visto faíscas a saltar-me dos olhos porque prontamente me perguntou se eu queria experimentar… Oh que bom… Bom mesmo. No entanto, foi um bocado numa de, Ok é bom, estou consolada, não vou pensar mais em panquecas. Mas o tempo vai passando, e a febre das casas de brunch não passa e portanto, a palavra panqueca tem andado a pairar no meu cérebro, quanto a isto eu não fiz nada. Até que fui de férias para Barcelona, onde os pequenos-almoços era uma loucura de tão intercontinentais que eram. No entanto não havia panquecas. Havia tudo, fruta, feijão, ovo estrelado, cozido e escalfado, bacon, pão, manteiga, queijo, bebidas de tudo e mais alguma coisa, e tinha nocilla, a nutela dos espanhóis, mas não tinha panquecas. Durante todas a férias, eu comia bem, bem demais até se me é permitido, mas as panquecas que até ali tinham passado a ser palavra frequente, não existiam.

As férias acabaram, e ainda no avião, 23h dizia-me o Pedro muito triste; “e agora? Vamos voltar aos pequenos-almoços simples?”. Aquilo mexeu comigo, sim, claro que vamos. As férias acabaram e eu tenho de ficar em forma, mas tens razão… Adormeci, acordei no Porto de volta à realidade. No dia seguinte já a meio da tarde acordei e pensei, e agora o pequeno-almoço? Acho que é mais ao menos assim que funciona com os viciados, ” e agora, o álcool? os medicamentos? a droga? O CHOCOLATE?!”.  Naquele dia, vivi de volta à realidade, mas durante a noite, fui iluminada, pelo Pancake God. O mesmo que é tão aclamado na terça-feira gorda de Carnaval. Acordei de manha, fiz uma rápida pesquisa, e encontrei a receita mais simples de panquecas, do mundo, recheei-as de nutela, espremi laranjas, coloquei tudo num tabuleiro, e fui acordar o Pedro.

“Bom dia!! Afinal ainda estamos de férias.”

Digamos que o Sheldon por esta altura, estava sentado em cima da cama, impávido com o cheiro que o invadia.

PANQUECAS

(http://www.e-konomista.pt/artigo/receitas-de-panquecas-rapidas-e-fofas/)

O que vais precisar? (10 panquecas)

  • 1 chávena de leite;
  • 1 colher de sopa de açúcar ;
  • 1 ovos;
  • 1 c. de chá de óleo vegetal;
  • 1 c. de chá de extrato de baunilha;
  • 1 chávena de farinha de trigo;
  • 1/2 c. de sopa de fermento em pó.

Como vais fazer?

  1. Colocas tudo no liquidificador e deixas a misturar;
  2. Colocas uma frigideira, ao lume sem gordura nenhuma, e anti aderente;
  3. Quando estiver bem quente colocas um pouco de massa e deixas cozinha, quando começar a fazer bolinhas na massa viras.
  4. Assim que estiver cozinhada, colocas num prato e barras com o que quiseres, doce de morango, mel, chocolate simples ou de avelã;
  5. Repetes o processo para toda a massa e vais sobrepondo as panquecas;
  6. Tenta não ir comendo pelo meio… Depois não saboreias tanta quantidade.
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Tempo é ouro…

Versão Portuguesa

Uma das coisas que eu ouço desde miúda é que a evolução dos tempos faz-nos aprender a gerir sem aproveitar o tempo. Nós não sabemos saborear a comida, nem nos apercebemos do ritmo a que nos mexemos. Eu sempre achei um máximo as rotinas supersónicas, até chegar a mim. Esta semana enquanto almoçava, consegui no meio da insanidade perceber a loucura do meu ritmo. Consegui entender, que não estou a aproveitar uma das coisas que eu mais gosto na vida, saborear a minha comida… Vê tu bem, como se processa uma das minhas horas de almoço. Vou tentar descrever isto como se tu fosses eu…

12h – Pego na mala, saio do escritório dirijo-me para o meu carro.

12:0.5 – Aperto o cinto de segurança, ligo o carro, rumo a casa.

12.15 – Estaciono o carro lá em baixo e corro escadas a cima até casa.

12.17 – Abro a porta de casa, seguida da porta da cozinha para receber o Sheldon que está À espera do momento, almoço a dois.

12.20 – Ou aqueço almoço que consegui deixar do dia anterior, ou inicio o processo de arranjar almoço. Normalmente é a segunda opção.

12.21 –  Iniciar o almoço, normalmente este processo demora 10 minutos, opto por coisas simples e rápidas, como uma omelete de tomate e pimentos;

12.31 – Sento-me para almoçar.

12.36 – Arrumar a tralhar do almoço;

12.38 – Colocar o arnês ao Sheldon e sair para o passear;

12.48- Estou de volta a casa, com um Sheldon passeado, pronto

12.50 – Estou a entrar no carro e a voar para o trabalho;

13h- Estou de volta ao recinto de trabalho.

O que há de errado nisto? 10 minutos a passear o cão, 5 minutos a almoçar, para piorar a omelete que fiz esta semana estava tão, mas tão boa que acabei por gastar uns extravagantes 7 minutos a almoçar… Quem ficou triste foi o sheldon porque só passeou minutos… Tempo é ouro!

English Version

One of the things I’ve heard all my life is that evolution of the times makes us learn to manage without enjoying time. We don’t know how to savor food, nor do we realize our rhythm. I’ve always found supersonic routines to be amazing, until I was inside it. So, this week while I was having lunch, I was able, through all the rush, realize the madness of my rhythm. I was able to understand that I’m not enjoying one of the things I like most in life, food … This is how, my lunch hour works.

12h – I pick up my bag, I leave the office and run to my car.

12. 05 – I fasten my seat belt, start the car, and head home.

12.15 – I park the car downstairs and run upstairs to the house.

12.17 – I open the door, followed by the kitchen door, and see Sheldon that is waiting for this moment since morning, lunch for two.

12.20 – I heat lunch that I managed to leave the previous day, or I start the process of making me lunch. Usually, is the second option.

12.21 – Start lunch. This process normally takes 10 minutes. Normally I do simple and quick things, such as a tomato and peppers omelet;

12.31 – I sit down for lunch.

12.36 – Clean everything;

12.38 – Put the leash on Sheldon and go for a walk;

12.48- I’m back home, with Sheldon walked

12.50 – I’m getting in the car and flying to work;

13h- I’m back to work.

What’s wrong with this? 10 minutes to walk the dog, 5 minutes to lunch, to make matters worse the omelet I made this week was so, so good that I ended up spending an extravagant 7-minute lunch … Sheldon was the one sacrificed, only 8minuts walk . .. time is gold!

OMELETE

O que vais precisar?

  • 2 ovos;
  • 1 pimento pequeno;
  • 1 tomate pequeno;
  • Queijo ralhado;
  • Molho inglês;
  • 1 noz de manteiga

Como vais fazer?

  1. Colocas uma frigideira ao lume com a nos de manteiga;
  2. Partes os ovos, adiciona uma colher de café de molho inglês e bate os ovos freneticamente, até ficarem uma mistura homogénea;
  3. Assa o pimento, tira a pele e parte-o finamente e reserva;
  4. Lava o tomate e corta-o aos cubos, reserva
  5. Coloca os ovos na frigideira e deixas fritar, vais descolando as pontas e mexendo a frigideira para que o ovo que está por cima também acabe frito;
  6. Quando o ovo em cima começar a ficar mais consistente, adicionas o tomate o queijo e o pimento;
  7. Fecha a omelete e deixa fitar mais um pouco o ovo, mas não até queimar ou ficar seco;
  8. Tira para um prato e saboreia.
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Omelete

Acontecimentos em cadeia…

Sábado passado, fomos jantar a Gaia. Eramos 4, e a intenção era ir jantar ali na bela zona da Afurada. Correu mal. Já tinha começado a correr mal, quando eu finalmente acordei para a vida e percebi que nesse sábado os Scorpions iam dar um concerto no MEO Marés Vivas e cujos bilhetes já estavam esgotados há meses. Superei calmamente esta mega desilusão, no entanto superei-a tão calmamente que me olvidei do quão pouco inteligente era ir pr’Afurada jantar… Portanto depois de uns valentes 20 minutos de voltas e mais voltas, acabamos em direção ao tabuleiro inferior da ponte de D. Luis. Passar a ponte, não era inteligente, já passava largamente das 21, e portanto se na Afurada a confusão estava instalada, na ribeira não se rompia, optamos portanto estacionar o carro num parque e lá fomos nós na debanda de um restaurante onde se jantasse bem e onde pudésemos conviver uns com os outros… Eu honestamente, nunca tive muito boas experiências em restaurantes próximos do rio, são poucos os que servem bem e cujos empregados são humildes o bastante para nos fazer sentir confortáveis. Portanto, cética lá fui eu em busca de ementas, enquanto os rapazes, vinham perdidos nas suas conversas. Pelo caminho, encontrei a Rita, já não a via há imenso tempo e a verdade é que o encontro com ela deu-me uma felicidade enorme. Isto, porque estamos a falar de uma pessoa com uma aura feliz, pelo menos é assim que eu vejo a Rita, uma aura feliz. Fiquei verdadeiramente contagiada com a energia dela, e portanto um pouco à frente tomei a decisão, depois de ler peito de frango recheado com alheira. Chamei o empregado, e ele disse que tinha mesa para nós. Vieram as entradas, fizemos o pedido, e eis que chega o esperado peito de frango recheado de alheira.

Preciso mesmo de fazer um parágrafo. QUE FRANGO! Oh meu Deus, que carne tão suculenta, que combinação tão especial. De cada vez, que ouço este tipo de combinações soa-me sempre a enjoo pela certa, mas aqui não faltava nada. Não faltava mesmo. Era uma explosão incrível na boca. O Pedro que tinha optado pelo bife de pimentas, que também era saboroso, mas normal, ficou deliciado e acho que desconsolado por não ter pedido o mesmo. Enfim, ele como tem a regra de que a comida não se divide, só teve direito a um bocadinho, e foi porque eu marralhei um pedacinho do bife dele.

Muito bom mesmo. Taberna d’Maria, pouco antes da praça Sandeman em Gaia.

Esta semana, tirei uns bifes para o jantar de quarta-feira. Não sabia bem o que fazer para o jantar, mas tirei bifes, atá à hora descortinaria uma solução. Deixei os bifes dentro da banca a descongelar. Dentro da banca, porque temos uma cabra do monte cá em casa, e não um cão, e a nossa cabra do monte tem sangue de Beagle, logo um faro hiper mega apurado. Achei que dentro da banca era um lugar seguro para a vaca, aparentemente, a cabra do monte fareja e salta mais do que o imaginado, portanto quando cheguei a casa, vaca nem vê-la. ANGÉLICA 0 – SHELDON 1, foi o resultado possível… O problema é que a hora do jantar aproximava-se e eu nada tinha para cozinhar. Lá encontrei uns peitos de frango. Coloquei a descongelar, com auxílio de água quente. Cá em casa janta-se às 20h, era 18.30 quando coloquei o frango a descongelar… 19.30 e o frango ainda era pedra… Estava quase a desesperar, quando os pais do Pedro ligam para irmos jantar fora. Nem pensei duas vezes, arrumei tudo e lá fomos… Desta vez pus o frango no frigorífico, já li em qualquer lado que a inteligência das cabras do monte as obrigam a ir ao mesmo sítio duas vezes…

Desde que o frango está no frigorífico que tenho pensado, que merece um tratamento especial. Merece ser servido num prato digno da espera. Ora ontem pensei, é desta. Vou repetir o jantar da semana passada e deixar o Pedro a salivar. No entanto, esqueci-me de me precaver, vendo a data da alheira que estava no frigorífico.

19.40, pego na alheira, 9/7/2017, liquido branco dentro do saco… Simulo um vómito e com as pontas dos dedos meto-a no lixo… Não quero de maneira alguma saber de onde vem aquele líquido… Ora bolas e agora?! LINGUIÇA! Ora aqui está outro enchido que eu adoro, principalmente nas francesinhas. Se eu adoro, o Pedro tem-lhe um amor de estimação. Assim, compus-me e refiz-me rapidamente da desilusão que se apoderou de mim, e lá fui eu fazer um jantar digno de um sábado à noite.

Desculpa a extensão do texto, mas só queria provar que tudo acontece por uma razão. Se não tivéssemos optado por ir jantar a Gaia, nunca teria visto a Rita, nunca teria provado um prato tão saboroso, do qual falei praticamente toda a semana. Se o Sheldon não tivesse devorado os bifes, eu nunca teria iniciado a demanda de reproduzir o prato, nunca teria chegado ao saboroso jantar de ontem… Afinal, o universo conspira!

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Cabra do Monte com a barriga cheia de bife AKA Sheldon Cooper

 

PEITO DE FRANGO RECHEADO COM LINGUIÇA (2 pessoas)

O que vais precisar?

  • 2 Peitos de frango;
  • 1 Linguiça;
  • Queijo ralhado (eu tenho sempre no frigorífico um mix, mozarelha, ilha e flamengo, tudo num tupperware)
  • Azeite;
  • Meia cerveja;
  • 1 Caldo de frango;
  • 50gr de manteiga;
  • 3 Colheres de sopa de farinha;
  • 1.5 Copos de leite frio;

Como vais fazer?

  1. Corta a linguiça longitudinalmente, até obteres duas metades;
  2. Abres o peito de frango, colocas-lhe queijo, metade de linguiça, e enrolas;
  3. Repetes, para o outro peito de frango;
  4. Numa assadeira, colocas o azeite e os peitos de frango e cobres com a cerveja;
  5. Leva ao forno, até começar a alourar. Quando assim for, vira para ficar lourinho dos dois lados;
  6. Para fazeres o molho, colocas a manteiga a derreter com o caldo de galinha;
  7. Quando estiverem reduzidos a líquido adicionas a farinha, para fazer uma embamata/ roux, quando ficar uma pasta, adicionas o leite e mexes bem até obter um líquido parecido ao molho bechamel;
  8. Tiras o peito de frango do forno cobres com o molho e serves com salada e arroz branco, ou salada e chips de batatas. Eu tenho um viciado em chips cá em casa e portanto optei pelo segundo acompanhamento.

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Barriga vazia, alma cheia…

Canellonis em salga. Foi o jantar que eu fiz no passado domingo… Exactamente, em salga.

Eu tenho por hábito ir provando a comida, para ter a certeza que está com o tempero correcto, mas desta vez, quando o fiz já era demasiado tarde, não havia como dar a volta ao resultado. Ora bolas, e a fome era tanta…

Dia da criança, 2017. Eu e o Pedro, achamos que merecemos comemorar este dia presenteado o outro. Em suma, eu ofereci um fidget spinner ao meu futuro marido e ele ofereceu-me uma garrafa daquelas que filtram água, julgo que para me lembrar que preciso de me dedicar um pouco mais ao ginásio, e um livro que há muito eu ando a namorar. Escrito na Água da Paula Hawkins. Ora até aqui, eu levava uma vida comum, chegar a casa organizar actividades, ver novidades e praticamente o dia estava feito. No entanto, quando este livro me apareceu, eu entrei numa espécie de transe. Não sei o que me deu, eu estava de tal forma fixada no livro que até insónias tive. Eu precisava saber o que ia acontecer a seguir. Confesso, que fiquei mais colada do que quando li o livro da mesma autora, A rapariga do Comboio.

Eu não posso, de maneira alguma entrar em pormenores. Primeiro porque eu não sou das que lê e conta, a não ser que peçam muito. Depois, porque eu imagino o quão injusto é para quem escreve, ver todo o trabalho esparramado. Posso só revelar que é viciante. Tão viciante, que eram 8h e pergunta o Pedro, o que vamos jantar? Vejamos, eu estou a 20 paginas do fim, a informação surge em catadupa e pum, vem a pergunta que eu achei que ainda ia demorar uns 30 minutos a surgir… Ora bolas… Parei de ler, e fui à cozinha, olhei para a carne picada descongelada disse calmamente, enquanto visualizava na minha cabeça o que ia acontecer a seguir no livro:”hmm, canellonis

Estava a fazer o ragu como sempre faço, azeite, cebola moída, deixo alourar, carne picada, deixo ficar pálida adiciono o molho de tomate, um pouco de colorau, pimenta, molho inglês, uma folha de louro, água e umas pedras, poucas de sal. Só que neste momento, estou a pensar nas lágrimas que tantas vezes fala na historia… sei lá eu porquê, feita palerma coloquei, para 300gr de carne picada, duas colheres de sobremesa mini de sal grosso… Fiz isto como se estivesse a abrir a porta a um convidado, normalmente. Deixei a carne cozinhar, li mais 3/4 paginas do livro e vou rechear os cannellonis. Nesta altura, recebo o chamado clique, provar a carne para ver como está… IUK está salga… são 8.30, como vou resolver isto!?!?! Água e deixo cozinhar mais um pouco? Não dá tempo, já sei, recheio o cannellonis e coloco água na assadeira, e enquanto assam libertam este sal…

SÉRIO??? SÉRIO?? Iup, a sério, foi o que me ocorreu…

Eu adoro cannellonis, o Pedro adora cannellonis, tínhamos passado a tarde a jogar Paddle, tínhamos muita fome. Resultado?! Quando servi os cannellonis, pareciam uma papa, por causa da água, e o sabor a sal mantinha-se… Eu mal toquei na comida, acabei por ir dormir cheia de fome, o Pedro comeu tudo visto estar esfaimado. Tudo o que tinha no prato, o que ficou na assadeira, suposto meu almoço para o dia seguinte, foi para o lixo… Fiquei super desconsolada. Para me compensar fui acabar o livro.

Ah, e que livro!

 

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Ps: Desaparecidas, de Megan Miranda é igualmente muito bom!

Quartas-feiras loucas…

Cheguei a casa e tinha de correr muito, por sinal… É dia de ir levar o cesto de roupa para passar. A minha rica mãe, como já devo ter contado, deixou-me sair de casa na condição que lhe levava a roupa todas as semanas para passar… Isto porque, ela tem um serviço contratado, que quanto mais peças menos paga… Por peça… No fim vai tudo dar ao mesmo…

Oh Ilda que t’enliaste…

“OH MIGAAA, VOCÊ ESTÁ BOA?”

“ESTOUUUUU”

“ESSA BIDAA”

“SOU SABIDA?”

Era mais ou menos assim que se iniciavam as nossas conversas, quando ia a casa dos meus pais para ver toda agente. Ela estava normalmente sentada no sofá, à espera. Não me posso convencer de que esperava por mim, até porque não ia lá todos os dias, mas ela estava ali. Para mim era reconfortante ver a minha “miga” ali. Vivemos ininterruptamente um ano juntas, cada uma no seu quarto claro, mas eu sentia-a. É parvo dizer que era como quando a Marta lá estava. Não era. Eu e a Marta perdido e achado estávamos pegadas, mas sabíamos que por muito que nos custasse, fomos inclinas do útero da minha mãe, e portanto tínhamos de aprender a ser uma para a outra. Com a Ilda não. Primeiro porque se tivéssemos dividido útero, provavelmente estaríamos num qualquer filme holiwodesco e não na vida real. Segundo porque ela não pertence à minha árvore genealógica.

Lembro-me de ter 5/6 anos, estar num jardim gigante, numa casa que cheirava estranho, uma senhora num cadeirão verde e duas senhoras de meia idade de bata, muito bem arranjadas a tratar do jantar. Tenho vagas imagens dos meus pais, e sei que estava com a Marta, nas pueris correrias pelo jardim, depois de ter comido pescada cozida, iuk, e ouvir alguém chamar para a sobremesa. Era uma voz esganiçada e altiva. A sobremesa era um feast daqueles dos anos 90 que não tinha chocolate pelo meio só por fora. Estava cheio de cristais de gelo por ter sido congelado e descongelado vezes sem conta… não sabia bem, mas depois de pescada cozida, que mais podíamos pedir??

Os anos passaram e a mais velha das duas sempre foi desagradável. Eu acredito que fosse pela vida que levou. Muito trabalho, pouca alegria. Viviam umas para as outras, mãe e 3 filhas. Um dia, a mais velha casou, engravidou, e a mãe e as irmãs meteram-se num barco, e foram ajudar a criar o sobrinho. Uma vez perguntei se nunca se tinha apaixonado. Deu-me como resposta que “lá na América, havia um Italiano que queria casar comigo, mas eu não quis. Nunca quis rapaz. Eles queriam dançar comigo e tudo, mas eu não queria”, “Porquê?”, perguntei eu. “I don’t know Marta, Angélica. I don’t know”. Vou sentir falta disto. Toda a vida fui Angélica, e nos últimos anos, até me sinto um bocadinho Marta. Não havia dia, em que eu não fosse Marta, o Pedro João, a Marta Angélica, o Sr. Arsénio Séninho e a dona Irene, “como se chama Dona Irene?”.

Um dia, os meus pais foram dar uma volta, e ficamos as duas 3 dias em casa sozinhas, mandamos castrar o cão e o gato e ficamos as duas a tomar conta deles. Quando os fomos buscar ao veterinário, eles estavam mais para lá do que para cá. Ela chorou todo o caminho, mandou-me ligar 2 vezes ao veterinário para termos certeza de que não iam morrer. Eu disse que era normal, eles estavam sedados. Ela respondeu-me que quando mandaram capar a taruqinha, ela não vinha assim. Então eu decidi contar-lhe a verdade, a taruca na verdade era um taruco, e elas tinham sido enganadas pelo taxista que estava farto de ser chamado para levar a gata/gato ao veterinário. Portanto, ele ficou com o dinheiro da castração, deu uma volta com o gato no carro e depois entregou-o “capado”. CANDONGUEIRO, foi a resposta dela. “Nós éramos, mesmo umas Julinhas”.

Candongueiro, a Marta é a nossa candongueira.

Julinhas, essa era a Ilda. “Oh Ilda, você não me saia Julinha.”, “Não, que eu sou muito esperta”

No outro dia, vinha para sair de casa e disse:

“Good bye Ilda”

“See you Later Angélica”

Voltei atrás e disse:

“Como disse?”

“I don’t know Marta”

Vou ter saudades disto.

Santo Agostinho, diz que se amamos não choramos. Eu vou-me esforçar. Hoje é o ultimo dia de choro.

Resta-me saber que a minha Miga agora está com a Mãezinha, a Gracinda e a Micas. Resta-me saber que a minha Miga, agora pode comer pizza, porque voltou a ter os dentes todos, que inexistentes tantas vezes lhe doíam. Resta-me saber que a minha Ilda foi amada como, tia, avó e mãe nestes últimos tempo. Resta-me saber que fizemos tudo para que fosse feliz.

See you later Ilda!

Ilda

 

 

 

Life doesn’t have to be perfect to be wonderful

Versão Portuguesa

Estou sentada na mesa de jantar da minha sala e enquanto aprecio a vista estou a pensar em como as coisas mudaram.

Antes de mais, a minha vista tem tanto de incrível como assustadora. Um campo verde que parece pertencer a ninguém, prédios que provavelmente são mais altos que o meu, mas daqui parecem-me bem mais pequenos, e o mar. O mar que tanto traz alegrias como infortúnios a esta cidade à beira mar plantada.

Eu perco-me quase diariamente enquanto tomo o pequeno almoço a admirar o facto deste mar não se mexer. Ele mexe, eu sei que mexe, mas daqui parece um quadro que retrata um momento parado. Isto é assustador. Um momento parado.

Está prestes a fazer um ano que as coisas mudaram de facto. São  365 dias de uma nova vida. Não porque eu não gostasse da antiga, mas porque o universo assim o quis. Sim, eu culpo muitas vezes o universo, a minha mãe diz que a culpa nunca morre solteira…

26 de Março 2016, jardins do Palácio da Pena, frio, chuva, um mapa sem uso.

“é por este lado… olha olha esta árvore parece a mãe da Pocahontas, que incrível”

“Sim, e não é que parece mesmo?! Põe-te ai, vamos fazer uma foto”

“oh de costas? Pronto ta bem…”

“Já tá?…Já tá?”

“SIM”

Foi mais ou menos esta a conversa que nos levou a um dos momento mais incríveis da minha vida.

Eu tive uma fase que dizia que não queria casar, pronto não queria. Depois conheci o Pedro e mudei completamente de forma de pensar. Juro que sonhava com aquele momento. Quem não sonha, e não entendo bem o porquê. Acho que está relacionado com a imaginação das meninas. A Kate Midleton e a Leticia Rocasolano, não ajudam. Mostram viver numa espécie de conto de fadas da vida real…

23 de Julho 2016, 23.30h, sobem-se escadas, um cão ladra incessantemente. Fecha-se uma porta.

Foi mais ou menos assim, que eu e o Pedro começamos a viver juntos. Enchemos os nossos carros com os nossos mais preciosos pertences, roupa interior. E rumamos em procissão até à nossa nova casa. Mais um momento incrível que me fica na memória. Desde esse dia que a minha vista passou a ser esta. Da janela, tenho acesso a uma paisagem que me parece muitas vezes parada no tempo, para cá da janela vivem dois seres humanos e um cão que têm experienciado as mais bizarras e incríveis situações. Conto de fadas da vida real? Esquece.

O Diogo e a Andreia ofereceram-nos um tabuleiro, nós usamo-lo como quadro e diz assim “life doesn’t have to be perfect to be wonderful”.  Sempre que passo pelo quadro ganho um sorriso. Porque para mim a vida é isto, um universo como escritor e encenador que nos pousa aqui no meio e nos vai deixando actuar. Às tantas mete uma árvore no caminho.

Ps: Eu juro que continuo a comer coisas incríveis e a fazer experiências na cozinha, mas ainda estou um bocado perdida nesta nova vida. Assim que tome o rumo, eu volto às receitas 🙂

English Version

I’m sited at my dining room table and while I absorb the view I’m thinking on how things have changed.

First of all, my view has both of incredible and frightening. A green field that seems to belong to no one, buildings that are probably taller than mine, but from here they seem smaller, and the sea. The sea that brings both joys and misfortunes to this seafront city planted.

I lose myself almost daily while having breakfast, admiring the fact that this sea does not move. It moves, I know it moves, but from here it looks like a picture that shows a stopped moment. This is scary. One stopped moment.

It’s almost a year now, that things have indeed changed. 365 days of a new life. Not because I did not like the old, but because the universe wanted it. Yes, I often blame the universe, my mom says that guilt never dies alone …

March 26, 2016, Palacio da Pena’s garden, cold, rain, an unused map.

“It’s on this way … look looks, this tree looks like Pocahontas’ mom, how amazing”

“Yes, indeed. Put yourself there, let’s take a picture”

“Oh, of my back? okay …”

“Is it yet? … is it yet?”

“YES”

It was more or less like this, the conversation that led to one of the most incredible moments of my life.

Once I thought I didn’t want to get married, I didn’t. Then I met Pedro and I completely changed my way of think. I swear I dreamed with that moment. Who does’t dream, actually I don’t understand why. I think it’s related to girls’ imaginations. Kate Midleton and Leticia Rocasolano, don’t help. They show living in a kind of real-life fairy tale …

July 23, 2016, at 11:30 p.m., up on stairs, a dog barks incessantly. A door is closed.

It was more or less like that, when Pedro and I began to live together. We fill our cars with our most precious belongings, underwear. And we proceeded in a kind of procession to our new home. Another incredible moment that I keep in memory. From that day on my view has become this. From the window outside, I have access to a landscape that seems to me often stopped in time, from the window inside lives two humans and a dog who have experienced the most bizarre and incredible situations. Real life fairy tale? Forget about it.

Diogo and Andreia offered us a tray, we used it as a wall frame and it says “life does not have to be perfect to be wonderful”. Whenever I pass by the picture I instantly smile. Because, for me, life is this, a universe as a writer and director that puts us here in the middle of nowhere and lets us act. Suddenly, a tree is on our way.

Ps: I swear I keep eating amazing things and doing experiments in the kitchen, but I’m still a little lost in this new life. As soon as find myself on it, I come back with recipes 🙂

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