31 Dezembros…

Ai Dezembro!

Pronto não há mais para a acrescentar.
O espírito natalício atravessou-me como uma flecha do cupido. Faltam precisamente 7 dias para o meu aniversário e 13 para a noite de consoada.
TREZE!
Portanto, está na hora de começar a fazer preparação para a insanidade da consoada de natal. Preparar o estômago, sem lhe provocar um flagelo só. Como quando vamos fazendo caminhadas de preparação para a maratona. Neste caso é preparar o estômago para a noite mais longa do ano, a comer. Porque longa mesmo, só a noite de S. João e a da passagem de ano, que também acontece ainda este mês…
Tenho de acrescentar na minha lista de actividades deste mês, insistir nas caminhadas com o Sheldon para caber no vestido da passagem de ano…
Voltando ao tema base, hoje fiz a primeira experiência, rabanadas recheadas. Eu adoro rabanadas, desde que assadas… E sem óleo… Porque durante as épocas festivas isto é uma a bomba entre gorduras de comida e acidez de estômago…
C’um carago!
Para quem como eu adora doçuras de natal misturadas com queijo da serra, daquele mesmo agressivo de bom e ainda bacalhau com azeite…
Raios, já senti o refluxo…
Pronto, hoje Não me alongo mais, até porque conto cá vir nos próximos dias com as minhas versões de doces de Natal… E anos. Afinal, Dezembro é natal para muitos, mas para mim é a dobrar, nasceu o menino Jesus numa manjedoura, e eu num quarto da Ordem do Carmo, no dia 19!
31 Dezembros!
RABANADAS RECHEADAS
O que vais precisar?
  • 2 copos altos, daqueles de sumo, cheios de leite, eu uso magro;
  • 1 Ovo L;
  • Pão de forma, paras as quantidades eu usei 8 fatias;
  • Nocilla, podes também usar Nutella;
  • Manteiga sem sal;

Como vais fazer?

  1. Ligas o forno a 150º;
  2. Misturas o ovo com o leite, misturas com auxilio de um garfo, até ficar um liquido homogéneo;
  3. Cortas as extremidades do pão, e com um rolo da massa esticas o pão, até ficar bem fininho e esticado;
  4. Com uma faca, barras bem o pão com Nocilla/Nutella;
  5. Enrolas o pão, como se de um rolinho se tratasse e mergulhas no liquido do leite com ovo;
  6. Num tabuleiro de forno, vais dispondo os rolinho e pelo meio vais distribuindo nozes/quadrados de manteiga;
  7. Levas ao forno e quando começarem a alourar, viras ao contrário até ficarem tostadinhas;
  8. Retiras do forno e polvilha com açúcar em pó e canela. As minha não levam canela porque o Pedro tem um ódio de estimação pela canela…

Et voilá. Difícil é deixar que arrefeçam…

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Adeus Adeus Bolachinha

Ainda na linha da manteiga de amendoim…

 

Nós temos dois armários de “porcaria” comestível, mas que deixa qualquer barriga em estado vegetativo, caso se ingira mais do que a quantidade legalmente permitida. Um dos armários está na cozinha e está naturalmente recheado de bolachas com e sem chocolate e batatas fritas de pacote, e cereais açucarados. O outro, está na sala. Este está recheado de chocolates, rebuçados, chupa-chupas e paçocas. Normalmente, estes armários estão em dia, datas, e quantidades sempre actualizadas. No entanto, hoje cheguei a casa e dei com os únicos pacotes de bolachas existente, só por aqui já começa a ser assustador, passados de data…. COMO?! Exacto, foi precisamente isso que eu me questionei, como deixei que tal fosse acontecer?

Eu sou uma pessoa, que gasta tempo a mais a pensar em comida. Ao ponto de uma conversa que começa com stick de queijo faz-me desfiar todo um rosário, acabando nas sobremesas de um jantar… Eu juro que isto é muito complicado de gerir, principalmente quando dou por mim com a boca a salivar, porque alguém se lembrou de falar em bolo de chocolate húmido ou guisado de vaca…

Em suma, o armário das bolachas estava vazio, e eu dei por mim cheia de vontade de comer bolachas.

Isto também é algo que me acontece com frequência, ter vontade de comer alguma coisa que não tenho à mão de semear, como por exemplo comer um crepe de nutella no Trocadero, virada para a Torre Eiffel… Não dá, no entanto na maior parte dos casos dá para resolver, conduzindo-me somente para a minha cozinha. Como foi o caso hoje. Não haviam bolachas, mas eu tinha muita vontade de comer bolachas…

Então, na minha cabeça listei o que tinha no armário vizinho do armário das bolachas. O armário da mercearia gourmand, e percebi que havia coisas mais que suficientes para fazer bolachas de pepitas de chocolate e manteiga de amendoim… Esta ultima tinha mesmo de acabar, não tenho muitas opções onde a usar.

O resultado foi incrível, arrisco a dizer, que foram as melhores bolachas que já fiz até hoje. Acho que vai passar a ser um habitué cá de casa. Não me safo da manteiga de amendoim.

Eu segui uma receita americana, mas deixo aqui as quantidades que eu usei.

BOLACHAS DE PEPITAS DE CHOCOLATE E MANTEIGA DE AMENDOIM (ORIGINAL)

O que vais precisar?

  • 1 1/2 Chávena de farinha;
  • 1 Colher de chá de bicarbonato de sódio;
  • 4 Colheres de sopa de manteiga à temperatura ambiente;
  • 3 Colheres de sopa de manteiga de amendoim com pedaços de amendoim;
  • 1/2 Chávena de açúcar branco;
  • 1/2 Chávena de açúcar amarelo;
  • 1 Chávena de chá de essência de baunilha;
  • 1 Ovo grande;
  • 75gr de Chocolate de culinária cortado em pedaços.

Como vais fazer?

  1. Ligar o forno a 130º;
  2. Numa taça misturas a farinha com o bicarbonato de sódio e deixas ficar;
  3. Na batedeira misturas as manteigas, quando estiverem bem misturadas, adicionas os açucares, e continuas a misturar, depois a baunilha, o ovo e finalmente o chocolate, e deixas a batedeira misturar tudo muito bem, de forma a criar uma espécie de pasta;
  4. Agora adicionas a farinha lentamente e misturas, sempre com auxilio da batedeira;
  5. Quando a massa estiver consistente mas elástica, esta na altura de separar a massa em pequenas bolachinhas;
  6. Num tabuleiro, foras com papel vegetal e colocas pequenos montinhos de massa, depois com uma colher molhada passas em cima para a bolacha ficar com forma redonda.
  7. Levas ao forno e deixas uns 10minutos no máximo, ou até as pontas começarem a ficar castanhas, mas o meio ainda mole;
  8. Retiras do forno, deixas arrefecer o tabuleiro, e depois tiras o papel (com as bolachas em cima) do tabuleiro e coloca sobre uma superficie fria, como o balcão da cozinha, durante mais uns 10 minutos;
  9. Depois é só resistir e guardar, ou perder a cabela e começar a comer…image4

Só para conhecimento geral, o título é a ode que o Monstro das Bolachas canta…

Amendoim…

Quando eu andava na universidade, há uns milhões de anos atrás, quando os dinossauros ainda podiam habitar a terra, fui informada pela Andreia que o amendoim é um super alimento para o cérebro, por causa dos ácidos gordos.

Isto aconteceu numa tarde, em que ela estava a jogar o “apanha o M&M’s que cai no teclado”.

Basicamente, o jogo consiste em abrir um pacote de M&M’s e despejar em cima do teclado, e de cada vez que a tecla selecionada tiver um M&M’s pumba come-se. Como podes ver é um jogo muito produtivo, ganhas volume extra nas coxas, barriga e braços. Tens o consolo de “enfardar” um pacote inteiro de M&M’s sem te aperceberes, e melhor que tudo, ganhas sempre, porque os M&M’s são ovais, e portanto rolam facilmente sobre o teclado.

O que a Andreia estava a tentar dizer-me, era que o jogo que ela estava a fazer, com a saca de M&M’s era um jogo para alimentar o cérebro, enquanto o exercitava, na escolha de letras. Como quando vamos ao ginásio, a pensar no pote de gelado que vamos comer de seguida…. Nunca te aconteceu? A mim também não… Só que não…

Depois deste dia, o amendoim passou a ser para mim o amiguinho do meu cérebro, e como tal, se houver martinies há amendoins, para descarcar. Temos de dar luta ao cérebro, antes de o alimentar, quase como num laboratório de estudo de macacos, ele acertou o número, dá-lhe um amendoim.

Eu adoro amendoins, seja normal, seja com sal ou com caramelo. Paçoca é um dos meus guilty pleasures que a Andreia venera. Agora sal e caramelo, não. Shame on you Lidl. Amendoins com sal e caramelo é horrível. Eu caí na asneira de só ler meio pacote, e levada pela gula comi uma mão cheia deles… Não sei como descrever a sensação de vómito que me acorreu… Ainda tentei dar ao Pedro, numa de deixa ver se sou só eu que não gosto. O resultado nele foi bem pior que em mim, ao ponto de eu ter estado com olhos, ouvidos e mãos alerta, para o dia que a Andreia, inocentemente escolheu o pacote de amendoins com sal e mel. Salvei-a de boa.

Outro tipo de amendoim que eu não sou fã, é a manteiga. Manteiga de amendoim não é a minha onda. Ainda no outro dia, aproposito de uns brownies de banana e chocolate, vi-me obrigada a comprar um pote de manteiga de amendoim. Eu queria mesmo experimentar aquela receita, valeu a pena, mas fiquei desconsolada, por não conseguir chegar aos zebrados que aparece na receita. Faz que não te arrependes. O problema é que no fim sobra todo um pote de manteiga de amendoim, visto que na receita é só decorativo.

Detesto coisas inúteis. E ainda detesto mais, quando deixo passar prazos de validade de coisas inúteis… A manteiga de amendoim não é inútil, nós lá em casa é que não lhe damos uso. Portanto, ando desde a quarta-feira passada a pensar no que fazer com o pote de ácidos gordos que tenho lá em casa.

Ontem, enquanto conduzia para casa, debaixo da depressão Beatriz, tive uma visão. Brownies. Sheldon louco com cheiros, Pedro contente com o doce… Mas que brownies… Tenho farinha de aveia que já não sei o que fazer com ela, manteiga de amendoim… Pronto, vou pensar nuns brownies!

Et Voilà!

BROWNIES DE MANTEIGA DE AMENDOIM E CHOCOLATE

O que vais precisar?

  • 1 Chávena de farinha de aveia;
  • 2 Colheres de sopa de óleo;
  • 2 Colheres de sopa de chocolate em pó (amargo/ culinário);
  • 3 Colheres de sopa de açúcar;
  • 3 Ovos inteiros;
  • 3 Colheres de sopa de manteiga de amendoim ( generosas), eu usei da que tem pedaços de amendoim;
  • 25gr de chocolate culinário cortado grosseiramente.

Como vais fazer?

  1. Liga o forno a 130º;
  2. Com a batedeira, mistura tudo, menos o chocolate culinário;
  3. Dispõe a massa num tabuleiro, e espalha o chocolate por cima da massa;
  4. Leva ao forno, por 30 mins;
  5. Retira, deixa arrefecer, corta em quadradinho, e só para ficar mais giro espalha açúcar em pó por cima!

Aquele prato com sabor a Portugal

Há algo de tipicamente português nos meus comportamento alimentares.

Um dia destes, ouvia um comediante falar do hábito, que nós os portugueses temos, de falar de comida enquanto comemos, ou simplesmente enquanto vivemos. Somos um povo, que gosta de comida, desde a confecção ao sabor. Damos preferência a sabores tipicamente nossos, e normalmente quando viajamos e provamos sabores “de fora” sentimos a tentação do: “é bom, mas acho que fazemos melhor”.

Em minha casa, e julgo que em muitas casas do país, e talvez até do mundo, havia o hábito de só levantar da mesa quando o prato estivesse vazio. De só ter direito a sobremesa, quando o prato estivesse vazio. Em minha casa, e em muitas do país e talvez até do mundo, não haviam esquisitices, mesmo que essas recaíssem sobre uma bela caldeirada de peixe, que na altura me agoniava e hoje me faz babar enquanto escrevo. Em minha casa, e em muitas casas do país e talvez até do mundo, havia salada de polvo com batata cozida e molho verde, feito com salsa que a minha mãe me encarregava de comprar na Solidade, a vizinha que vivia dois quarteirões a sul de nossa casa e todos os dias tinha a porta aberta com legumes fresco. Na altura, não sei se a minha renitência era o polvo, se o caminho até à Solidade… Eu ia normalmente feliz e sozinha, mas sabendo que íamos acabar a comer polvo, quase que me arrastava até à Solidade….

Em minha casa, e em muitas casas do país e talvez até do mundo, o assado ia para o forno às 10h da manhã de domingo, e só ficava pronto a comer às 13:30h. O assado era acompanhado de batatas assadas que eram adicionadas a meio do processo, e ainda arroz branco. Também não era muito fã, como na verdade não são a maioria dos miúdos, a boca educa-se, como a mente. A verdade é que enquanto escrevo veio-me ao nariz o cheiro do assado de domingo e à boca o sabor, bolas afinal era bem bom.

Eu sou realmente crente que a boca é de ser educada como a mente. Nós temos de ser ensinado a saber saborear, ou não fosse o paladar um sentido. Se ver, e tocar é tão importante como cheirar, então e saborear?

“Ah, não comas isso com tanta vontade que assim até engordas mais… ”

Hmpf, mentira, eu engordo se comer com 1 terço da língua ou se lá estiver a língua toda. Até porque a língua só fala com o cérebro, já a comida, aloja-se nas coxas… Ah, como são bons os nossos sabores…

A Isa, uma amiga nutricionista, diz que eu sou Portuguesa com certeza, ela é Brasileira, e isto com sotaque soa melhor. Oh Isa, vou-te contar o que foi o jantar cá em casa, ontem. Foi light à Portuguesa, alheira assada no forno, com batata assada e ovo cozido. Super ligh, a alheira assada lentamente, a batata levou a casca como sempre, com pimentão de trás-os-montes e sal marinho, o ovo foi cozido, mas com a gema ainda a modos que mole…

Não há nada como ser feliz ao lembrar a importância da raíz…

 

 

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Eish tira-me isso da frente….

Para mim, uma sobremesa especial, tem de me deixar sonhar. Tem de explodir enquanto saboreio.

Eu gosto de comida salgada, doce, amarga e meia amarga. No entanto, se me derem a escolher entre por exemplo uma mousse de chocolate caseira, e um alto bife mal passado, cujos sucos estão a fazer a dança mais sensual existente à face da terra, eu vou optar pela mousse de chocolate. Não por ser chocolate, mas pela doçura que isso acarreta. Já dentro das sobremesas, se me derem a escolher entre uma mousse de chocolate caseira, um crumble de maçã, ou um tiramisu, eu vou demorar muito tempo a escolher. Mencionei estas três, mas a panóplia é extensa. Tudo porque, quando vamos jantar fora, eu sou assertiva e precisa nos pratos principais, sei o que gosto, conheço os meus limites e sei muito bem do que não gosto. Já quando a sinfonia toca a valsa das sobremesas, eu não sei o que escolher. Eu paro, e não consigo decidir se guio ou sou guiada… No entanto, existe ali um momento, mesmo após a sobremesa me ser servida, que eu tenho uma conexão intima entre o meu cérebro e o meu corpo, eu sei o que gostaria que aquela sobremesa me provocasse, mas receio vezes sem conta sair desconsolada. É difícil acontecer, bem sei, mas acontecer o que me aconteceu à dias, é ainda mais difícil.

Eu estive em Paris. Não interessa quando, porquê ou com quem. Interessa a sobremesa que eu provei. Interessa, que depois de me terem dado a lista de sobremesas, eu não me senti, por recato, tentada a comer nada, mas da segunda vez não consegui resistir. Eu acho que o meu cérebro apagou, durante a primeira proclamação da lista de sobremesas, mas na segunda já não conseguiu. Tudo porque no fim a menina dizia, com o seu sotaque tão parisiense, “Tirramisu Nutella”.

“Oi? Como disse?” Perguntei eu, já com o meu cerveau gormand (foram 10h lá, já sou quase fluente) e ela repetiu “ohhhh Tirramissu Nutella”. Pronto, não deu para dizer não. Como assim dizer não?!É tiramisu, tem Nutella… ui ui ui ui (não posso repetir todos os “uis” que me dispararam no momento)… hmmm eu estava mesmo a candidatar-me a um crepe na torre Eiffel… Mas, serei eu capaz de ultrapassar tal sobremesa? Não Angélica, nunca na vida tu vais ultrapassar a perda de oportunidade de provar semelhante incremento ao teu cardápio ( e coxas…) “Ah, oui! Un tiramisu Nutella pour moi”. A moça, sai saltitante e feliz, e passado um bocadinho volta, novamente saltitante e feliz, com um copinho, cheio de uma mistura de cores… Branco, castanho escuro, branco, castanho chocolate, sim porque se o azul pode ser Klein, o castanho pode ser chocolate!

O copo foi-me “oferecido” acompanhado de uma daquelas colheres, que retêm o conteúdo de uma forma quase maternal. Conchinha. Eu respirei, e naquele momento, não criei expectativas, não pensei nos sabores independentes de um tiramisu, muito menos no sabor obsceno da Nutella. Eu enterrei a colher no copo, e retirei um pedaço de cada camada, e levei à boca.

Já alguma vez ouviste a Carmina Burana de Carl Orff?? No Inicio começa com Fortuna. E tem ali uma introdução forte, que te cola ao banco/cadeira

“O fortuna,

Velut Luna

Statu variabilia

Semper Crescis

Aut decrescis”

Foi isto, que eu senti ser a banda sonora da experiência de comer um tiramisu de Nutella. Uma sorte como a lua, mutável, que sempre cresce ou diminui. O café misturado com amaretto, o amargo das natas e mascarpone e a doçura viciante da Nutella. Era uma ópera o que cantavam as minhas papilas gustativas e eu queria mais. Era uma Ópera tocada pela mais doce e fantástica orquestra, do mundo. Foi incrível. E eu comi sem pressas, sem culpas, como quando se assiste a uma ópera. Comi como quem saboreia uma ópera tão completa como a Carmina Burana. E como quem sai da ópera, cheia de informação, cheia de sentimento, eu saí cheia de tiramisu, eu não me lembro do facto de a massa de pesto e tomate cherry ter sido simplesinha, eu lembro-me da sensação de saborear cada colher de sobremesa.

Lembro-me que, já depois desta sobremesa fiz cerca de 20Mil passos, e a cada passo que dava tentava mentalmente separar cada sabor para poder perceber como recrear. Para tentar que outros pudessem experiênciar uma ida à Ópera.

Sábado fiz. No sábado, transformei a minha cozinha num salão de ensaio. Optei por trocar o mascarpone por Skyr porque o sabor do queijo é mais intenso, troquei o amaretto por Martini Rosso, porque o Martini trás-me fantásticas memórias e a doçura misturada com café forte arrepia-me a nuca , e troquei a Nutella por Nocilla. Confesso, que acho a Nocilla zero açucares, e sem óleo de palma, muito mais natural e intensa, mas atenção eu não dispenso Nutella, só que cá em casa há sempre um pote de Nocilla!

Resultado? A mim foi como voltar a ir à opera, foi novamente sentir todas as sensações e mais algumas, desta vez ouvi Granada cantada pelo José Carreras, não sei se pela Nocilla ser espanhola, se pelo facto desta canção me arrepiar dos pés à cabeça, quando cantada pelo Sr. Carreras… No entanto, como na ópera, o meu grupo teste, não achou piada nenhuma, e foi precisamente a explosão de sabores que causou confusão. Paciência, hei-de repetir só para mim, e já que não vou à opera, ao menos ouço-a na minha cabeça!

TIRAMISU NOCILLA

O que vais precisar?

  • 2 iogurtes Skyr;
  • 1 pacote de natas (200ml)
  • 1 colher de açúcar;
  • 2 pacotes de palitos de champagne;
  • 6 cafés fortes;
  • 2 colher de sopa de Martini Rosso;
  • Nocilla qb.

Como vais fazer?

  1. Bater as natas com o skyr e o açucar, até criar um creme bem espesso;
  2. Misturar o café e o Martini;
  3. Derreter a Nocilla até ficar liquida;
  4. Embeber os palitos de champanhe no café, mas não at+e amolecer, só até ficarem húmidos, e forrar o fundo da taça;
  5. Cobrir os palitos com o creme de natas e Skyr, uma camada de 1/2cm;
  6. Cobrir a camada de creme com Nocilla, não é preciso tapar todos os pontos brancos, mas ao menos espalhar bem;
  7. Repetir camadas, até acabar os ingredientes mas acabar com Nocilla!

Hmmm agora difícil vai ser perceber o que canta o teu cérebro…

 

 

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O Sheldon já senta…

Finalmente consegui ensinar alguma coisa, para alem de xixi e cocó na rua, ao Sheldon.

Confesso que estava a achar que nunca mais na vida ia ser possível, ensinar o orelhas a fazer tarefas básicas como, senta, dá a pata, dá a outra pata, Hi5. Não consigo, para já mais do que isto, e custou-me tanto chegar aqui, que descobri que dentro de mim existe uma mulher mais persistente do que alguma vez pensei possível. Ainda por cima é, sem duvida, uma luta inglória. Primeiro, porque dedico o tempo que aquecimento do meu almoço, à actividade de ensinar o Sheldon. Julgo ser o melhor momento, cheira a comida na cozinha e como sempre, tudo acontece ali, na nossa cozinha de chão preto e branco. Inicialmente, tentei que ele aprendesse só com o meu tom de voz, não funcionou, até porque ele só quer mesmo o que vem do forno. Depois experimentei a cena dos treinadores. Reforço positivo. No entanto, isto do reforço positivo tem muito que se lhe diga, ele enquanto o biscoito agrada é um santo descoordenado, quando o cheiro da comida começa a inundar a casa ele ignora-me. Ignora mesmo, ao ponto de estar sentado, aparentemente a ouvir o que estou a dizer, na verdade a olhar para o biscoito, e assim como que num piscar de olhos levanta-se contorna-me se senta-se de frente para o forno. Hoje, até me dei ao trabalho de absorver toda a cena. Ele sentou-se de frente para o forno, a ladrar, lentamente, tipo filme em slow motion, e parecia que o forno lhe dava resposta: “Calma míudo, daqui a nada esta cena ’tá pronta”. Ah, se o meu forno falasse era ainda mais calão que o cão. Ele não tem culpa, culpa tem o cão que lhe arrancou os botões, pouco depois de vir cá para casa viver. Para piorar besunta-mo-lo com chipotle, nesta altura quem sofreu foi o cão, que bebeu duas taças de água em duas horas sem exercício… Eu imagino muitas vezes as conversas que o Sheldon tem com o forno. Muitas vezes é uma conversa muda, outras vezes demasiado barulhenta. Já com a batedeira, bem é um forobodó, ela está a dar andamento aos ovos com açúcar enquanto o Sheldon canta um fado. Cá em casa, quando eu dedico tempo para fazer um bolo ou uma sobremesa, que implique a utilização da batedeira, tudo se torna uma chinfrineira infinita, o Sheldon fica doido. O processo de abrir a porta do armário que leva ao mundo da Pâtisserie, torna-me mais descontraída, mais feliz e torna o sheldon um cão louco. Julgo que seja a insanidade dos cheiros, que para mim são mudos, mas para ele… Bem, para o Sheldon são a Banda de Melros em plena procissão da Senhora da Agonia.

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Eu adoro isto. Eu adoro saber, que tenho ovos, açúcar e farinha. Eu adoro saber que há hipótese de fazer coisas novas, quando chegar a casa.

Ontem o meu pai fez anos, e no dia anterior, o Pedro foi buscar-me ao aeroporto, e enquanto vínhamos no carro a caminho de casa e já depois de conversar um bocadinho com os meus pais. Diz-me o Pedro: “porque não fazemos um jantar em nossa casa para o teu pai? Fazes uma daquelas tuas coisas especiais”.

Eu pensei na banda de Melros na Senhora da Agonia, pensei como o meu dia seguinte ia precisar de uma festa no fim… Só lhe disse: “Olha, boa ideia”. Mas dentro de mim, só contava minutos para aquele momento na minha cozinha, e no culminar de um bolo simples de aniversário, como o meu pai tanto gosta e como eu tão feliz sou a fazer!

BOLO DE BANANA E CHOCOLATE

O que vais precisar?

  • 2 Bananas bem maduras;
  • 1 chávena de Açúcar;
  • 10 colheres de sopa de manteiga derretida, não uses liquida, derrete manteiga;
  • 2 chávenas de farinha;
  • 2 Ovos;
  • 30gr de chocolate negro 70% cacau cortado em pedacinhos;
  • 1 colher de presencia de baunilha;
  • meia colher de café de fermento em pó;
  • 4 colheres de sopa de leite

Como vais fazer?

  1. Liga o fogão 150º e unta uma forma, eu usei redonda, mas normalmente este bolo vem em formas rectangulares;
  2. com ajuda de um garfo, desfaz a banana numa papa, descasca-a primeiro;
  3. Coloca a manteiga, com o açúcar e bates bem, quando estes estiverem bem misturado, tipo pasta, adicionas os ovos, o leite e a baunilha, mexes tudo novamente, e no fim adicionas a banana e o chocolate;
  4. Agora adicionas a farinha e o fermento, e misturas com a colher de pau;
  5. Vertes para uma forma e levas ao forno, o meu demorou uns 40 minutos a cozer, mas isto depende dos fornos, e por isso o melhor é testar com o palito.

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O irmão mais novo

Ser-se o irmão mais novo, num grupo de dois, tem muito que se lhe diga. Primeiro, para se ser o favorito, temos de lutar com unhas e dentes e muito dificilmente lá chegamos. Temos de conseguir conquistar tudo e todos, mal a nossa mãe recebe a noticia da nossa existência.

Primeiro informar a mãe, que muitas vezes está a desejar aquela segunda existência, outras vezes entra em choque, porque se sai um como o primeiro o caldo está entornado.

Depois informar o pai. Normalmente este reage com alguma pacificidade, afinal tem 9 meses, ou menos, para se adaptar. Primeiro tem de cuidar da mãe hormonal, depois do primeiro filho que se auto-exclui à priori, e finalmente vai lembrar-se de todas as noites mal dormidas que tem e começa a ganhar um pouco de “asco” ao próximo elemento que se aproxima. Normalmente quando se dá conta deste passo, já o segundo está cá fora e aos berros porque ou tem cocó ou tem fome…

Depois temos a conquista por um lugar no coração daquele Ser que tem mais idade do que nós, mas que pouco ou nada tem de voto na matéria. Ok, há muitos irmãos mais velhos, que pedem encarecidamente um mano aos pais, mas ele não sabe o que está a fazer, lembrem-se é uma criança, e se o estado só lhe atribui legalidade aos 18 anos, porque hão-de os pais, ouvi-lo antes disso?

Pois, no meu caso não deu sequer para isso, no entanto, olhando para o meu video de baptizado, ( sim eu tenho um video porque os padrinhos da minha irmã, são emigrantes franceses e lá toda a novidade chegava primeiro do que cá) concluo que a minha irmã, nunca iria pedir um mano/a. Ela era doida pelos meus pais, e eu aposto que o primeiro pensamento assassino que ela teve, foi pouco depois de me conhecer, tinha ela dois anos e 1 mês. Aposto que quando lhe disseram, olha aqui a mana que te vai sugar o papá e a mamã nos próximos anos cruciais da tua infância. A bonitona do olhão grande. Já ninguém te vai ver como o bebé, de hoje em diante és a micro adulta, que tem de ajudar a mamã a trocar fraldas…. Presumo que isto tenha sido dito, na maternidade. Porque se tivesse sido na cozinha, a minha irmã transformava-se num pequeno Chucky, e que venham de lá as facas de cozinha!!!

Assim, deste momento em diante, a minha irmã, tomou rédeas da casa, eu chorava comia e andava a conhecer lentamente o mundo, e ela aprendeu precocemente a servir o meu pai, a falar, e no meio, a ganhar uma relação amor-ódio por mim. Amor, porque eu fazia xixi na cama e ela protegia-me sem fim, ódio, porque eu comia tudo num ápice e depois queria mais do que ela lentamente saboreava. Eu sinto, nas fotos da nossa infância, um certo prazer nos olhos dela, de me ver encarecidamente a pedir um bocadinho do que quer que fosse que ela estivesse a comer, e eu já tivesse devorado.

Ah era uma luta, diária.

Entramos para a escola, ela era sempre melhor que eu. Não dava erros, comia de faca e garfo, aprendeu cedo a fazer bolos. Nunca rompeu umas meias de vidro. Já eu… apanhei piolhos, não havia meias que quisessem as minhas pernas, dava em media 10 erros por ditado e fazia os F’s ao contrario. Os meus pais suspiravam, exasperavam, mas depois olhavam para o prodigio e descontraiam.

A primeira vez que a Marta fez um bolo lá em casa, foi de uma receita de uma aula de francês. Até me arrepio, só de pensar em tudo. Ela chegou a casa, cheia de pose, e depois de na aula terem traduzido a receita de fio a pavio, pediu à minha mãe para fazer o seu primeiro bolo. A minha mãe, nunca tinha visto semelhante receita, mas confiava tanto na Martinha, e lá lhe deu o que ela precisava e ela sozinha fez o primeiro bolo. Um bolo de ananás. Era incrível. Estou aqui a escrever e a salivar, mas a minha primeira reacção foi: “Porra que porcaria”. No entanto, às escondidas, lá ia mais uma fatia.

Ah bons tempos, em que comer meio bolo não implicava dois kg em cada coxa.

O prodígio passou a ser a menina bonita até na cozinha. Já eu, quando pedia para fazer um bolo, a minha mãe não largava a cozinha, e o ambiente era tão pesado… Não sabes separar ovos, tu és uma descoordenada. Tens de bater mais as claras. Para, tu só gastas coisas e não fazes nada.

PORRA, eu desistia. Assim como desistia de fazer ponto de cruz, renda e outras coisas como aulas de piano, que para os meus pais eram essenciais.

Graças a Deus, às tantas encontramos um equilíbrio. Eu fiquei mais calma e a minha irmã começou a partir louça. Eu passei a separar bem os ovos, e a minha irmã a chegar depois de horas. As minhas meias já não tinham foguetes, e a minha irmã lutava por uma calças à boca-de-sino.

Eventualmente, passamos a ser as irmãs Rochinha, como nos morangos com açúcar (mas sem a projecção mediática delas), e eu aprendi a fazer bolo de ananás!

 

BOLO DE ANANÁS

O que vais precisar?

  • 4 Ovos
  • 2 chávenas de açúcar;
  • 1 chávena de farinha;
  • 1 chávena de amido de milho;
  • 1 colher de café de fermento em pó;
  • 1/2 chávena de óleo;
  • 1/2 chávena de calda de ananás em lata;
  • O ananás da lata;
  • Óleo e açúcar para untar a forma;

Como vai fazer?

  1. Ligar o forno;
  2. Bater os ovos inteiro com o açúcar, até dobrar o tamanho;
  3. Colocar o óleo e a calda, depois as farinhas e fermento;
  4. Quando a massa fizer bolinhas está pronta para ir ao forno;
  5. Untar a forma com óleo e polvilhar com açúcar normal, por toda a forma, distribuir depois as rodelas de ananás pela forma, e por fim verter a massa, e levar ao forno;
  6. O bolo estará cozido, quando após o teste do palito, este sair sequinho.

Et Voilá, a todos os irmãos mais novos!

 

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