Aquele prato com sabor a Portugal

Há algo de tipicamente português nos meus comportamento alimentares.

Um dia destes, ouvia um comediante falar do hábito, que nós os portugueses temos, de falar de comida enquanto comemos, ou simplesmente enquanto vivemos. Somos um povo, que gosta de comida, desde a confecção ao sabor. Damos preferência a sabores tipicamente nossos, e normalmente quando viajamos e provamos sabores “de fora” sentimos a tentação do: “é bom, mas acho que fazemos melhor”.

Em minha casa, e julgo que em muitas casas do país, e talvez até do mundo, havia o hábito de só levantar da mesa quando o prato estivesse vazio. De só ter direito a sobremesa, quando o prato estivesse vazio. Em minha casa, e em muitas do país e talvez até do mundo, não haviam esquisitices, mesmo que essas recaíssem sobre uma bela caldeirada de peixe, que na altura me agoniava e hoje me faz babar enquanto escrevo. Em minha casa, e em muitas casas do país e talvez até do mundo, havia salada de polvo com batata cozida e molho verde, feito com salsa que a minha mãe me encarregava de comprar na Solidade, a vizinha que vivia dois quarteirões a sul de nossa casa e todos os dias tinha a porta aberta com legumes fresco. Na altura, não sei se a minha renitência era o polvo, se o caminho até à Solidade… Eu ia normalmente feliz e sozinha, mas sabendo que íamos acabar a comer polvo, quase que me arrastava até à Solidade….

Em minha casa, e em muitas casas do país e talvez até do mundo, o assado ia para o forno às 10h da manhã de domingo, e só ficava pronto a comer às 13:30h. O assado era acompanhado de batatas assadas que eram adicionadas a meio do processo, e ainda arroz branco. Também não era muito fã, como na verdade não são a maioria dos miúdos, a boca educa-se, como a mente. A verdade é que enquanto escrevo veio-me ao nariz o cheiro do assado de domingo e à boca o sabor, bolas afinal era bem bom.

Eu sou realmente crente que a boca é de ser educada como a mente. Nós temos de ser ensinado a saber saborear, ou não fosse o paladar um sentido. Se ver, e tocar é tão importante como cheirar, então e saborear?

“Ah, não comas isso com tanta vontade que assim até engordas mais… ”

Hmpf, mentira, eu engordo se comer com 1 terço da língua ou se lá estiver a língua toda. Até porque a língua só fala com o cérebro, já a comida, aloja-se nas coxas… Ah, como são bons os nossos sabores…

A Isa, uma amiga nutricionista, diz que eu sou Portuguesa com certeza, ela é Brasileira, e isto com sotaque soa melhor. Oh Isa, vou-te contar o que foi o jantar cá em casa, ontem. Foi light à Portuguesa, alheira assada no forno, com batata assada e ovo cozido. Super ligh, a alheira assada lentamente, a batata levou a casca como sempre, com pimentão de trás-os-montes e sal marinho, o ovo foi cozido, mas com a gema ainda a modos que mole…

Não há nada como ser feliz ao lembrar a importância da raíz…

 

 

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