Quando a saudade bate à porta…

A tia Lina faz uma bola de carne que é do tipo, fora do comum. É aquela bola de carne que comemos quente, fria, ou recessa, não importa. Sabe sempre bem.

Confesso que tenho a tia Lina como um exemplo na comida, e até acho que já aqui falei dos almoços que ela fazia. Tanto eu como a Regina gostávamos tanto, que antes de chegar a casa da escola, já vínhamos nas apostas sobre o que seria o almoço. Ah, como eu tenho saudades… Tantas, que já não é a primeira vez que ligo à tia Lina e pergunto se por acaso não há almoço para mim… Vergonha? Nop. Perdia devia ter uns cinco anos, quando disse em casa de alguém, esse pano é igual ao que a minha mãe não sabe onde está. Portanto, ligar para a tia Lina e pedir almoço, não é vergonhoso. Além disso, ela adora saber que la vou almoçar.

A tia Lina faz uma massa de carne, como eu nunca comi em mais lado nenhum, umas batatas fritas diferentes de todos os outros sitios, uma pizza de comer e chorar por mais, e a melhor bola de carne de sempre. Não sei onde desencantou a ideia de, da massa de pão fazer bola de carne. Só sei que quando me trouxe a primeira vez eu babei. Babei tanto que ela passou a fazer frequentemente, e sempre que haviam festas havia bola da tia Lina. Sempre que eu tinha algum passeio, havia bola. Ah e que bola. Acho que nunca ninguém disse algo de inapropriado em relação à bola, pudera é quase perfeita. Só não a chamo de perfeita, porque tudo tem espaço para crescer!

Já não é muito justo eu pedir à tia lina que amasse a massa da bola. Não é. Ela já não tem a vitalidade de antigamente, e também já não tem a paciência que teve em tempos, no entanto este fim-de-semana bateu-me uma saudade. Uma saudade tão profunda que senti o cheiro da bola dela. Uma nostalgia atravessou-me, pensei que o tempo não para, que não vou ter a tia Lina para sempre, que se não me apresso, vou perder a chata que me obrigava a dar beijos a toda a gente. Se não me apresso vou ficar sem a minha amigalhaça…

Ela não dá as receitas dela. ou melhor, dá mas não deixa escrever. Para o fazer tem de ser sem que se aperceba, porque se se aperceber não conta os segredos. Ai esta minha tia Lina é uma matreira. Então eu, que sou sobrinha dela, aprendi algumas coisas. A massa da bola sabe a limão e tem consistência de pão… Olha, meti mãos à obra, e pronto consegui algo parecido.

Não é a da tia Lina, não sabe com a dela. Mas sossegou parte do meu desassossego.

BOLA DE CARNE

O que vais precisar?

  • 150gr de água morna;
  • 20gr de fermento de padeiro;
  • 250gr de farinha;
  • 1 colher de chá de açúcar e outra de sal grosso;
  • 3 colheres de sopa de azeite;
  • Raspas de limão;
  • Queijo;
  • Fiambre;
  • Chourição;

Como vais fazer?

  1. Colocas o fermento, a água o sal, o açúcar e o azeite num recipiente e desfazes bem o fermento, de forma a fazer um liquido espesso;
  2. Colocas a farinha na banca, abre um buraco no meio colocas o liquido, e amassas até fazer uma massa bem leve e elástica. Eu tenho uma daquelas maquinas que sozinhas fazem o serviço, mas mesmo assim, depois da bola feita eu amasso bem com as mãos, para ter a certeza que o fermento começa a trabalhar;
  3. Deixa-se repousar a massa por 1h a 1.5h, ou até a massa dobrar o tamanho;
  4. Quando a massa já estiver em tamanho dobro, esticas bem cobres com queijo, depois o fiambre, depois o chourição;
  5. Enrolas como se fosse um rolo(bolo);
  6. Levas ao forno em lume médio, até a massa começar a ganhar cor;
  7. Este é o resultado final

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