A Páscoa em Portugal!

VERSÃO PORTUGUESA

Para mim não há nada mais tipicamente português do que a Páscoa.

Os festejos começam 1 semana antes, no chamado dia de ramos, quando todos se deslocam às suas madrinhas para oferecer o ramo. Depois vem a semana da azáfama. Limpam-se as casas, colocam-se flores, faz-se uma mesa bonita, com atoalhados de renda e recebe-se os padrinhos e o compasso com popa e circunstância, no tão aguardado Domingo de Páscoa.

Para quem vive em cidades grandes, e nunca ouviu falar nestes termos, eu explico. O Compasso, é um grupo de pessoa, com ou sem Padre, que se deslocam a casa dos fieis para dar a Boa Nova. A noticia é: afinal Jesus ressuscitou. Sim, as típicas famílias portuguesas, com raízes na igreja Católica, vivem a Páscoa de uma forma tão ou mais intensa do que o Natal. Se no Natal nasce o menino. Na Páscoa, o menino é já um Homem que entrega a vida por nós, mas volta ressuscitado. Isto soa muito estranho, mas estamos a falar de uma religião. Tudo é discutível, mas eu não discuto religião, porque na verdade a religião é uma forma de alimentar a alma, e do meu ponto de vista, ninguém tem o direito de questionar o que oferecemos à alma para a alimentar, até podiam ser nozes… e depois!?

Pois bem, voltando ao ritual da Páscoa. “(…)Faz-se uma mesa bonita (…)”, não quero com isto dizer, que todos os anos na Páscoa se constrói uma mesa… Não, todos os anos na Páscoa preparam-se doces típicos para se colocar na mesa. A regueifa doce, o folar doce ou salgado, os ovos de chocolates, as amêndoas de todas as cores e feitios, os ovos moles e o pão-de-ló, bolo de laranja, empanadinhas da Páscoa (que estou à espera que a Andreia se lembre, e me traga uma para eu não acabar desconsolada), vinho do porto (que ajuda o compasso a chegar à Igreja bem acompanhado). Enfim, a intenção é sentir-se o cantar da mesa, como se de uma sereia da Ilíada se tratasse. Canto este que é de tal modo afinado, que quando nos apercebemos estamos com o mesmo rabo do coelhinho da Páscoa… que por muito estranho que possa parecer, é um mamífero que dá ovos… de chocolate… Ora bem, se formos a falar da tradição dos ovos de chocolate, acabamos numa outra típica Páscoa que não a portuguesa, visto que o ovos da Páscoa são uma tradição importada…

Pois bem, esta época leva-me à minha infância, quando a tia Lina amassava 500kg de regueifa sozinha… vá com ajuda do tio Álvaro, com muita chateação minha, da Marta, da Regina, da Inês, da Patrícia e do Arsénio… Ainda hoje não entendo como foi possível, numa casa com pouco mais do que 24m2, colocar 9 pessoas a comer e 500kg de regueifa a cozer. Ainda hoje me questiono, onde ia ela buscar paciência para nos ir procurar, enquanto a massa crescia. Ainda hoje me questiono como conseguiram que tudo parecesse tão simples.

Eu acho que sei, chama-se a Páscoa de cada um de nós. Dar a vida pelos nossos, acabar morto pelo cansaço e no fim dizer, que venham muitas mais épocas como esta.

Para mim isto é tipicamente Português. Fazer das tripas coração, correr para que nada falte e no fim, depois da exaustão, sentir que para ano vai haver mais e eu vou lá estar. Por tudo isto, a Páscoa é algo tão Português. Este povo, muitas vezes esquecido vive em constante Páscoa, e quando os sinos gritam Aleluía Aleluía, é dia de festa e de voltar a viver!

Feliz dia de Páscoa!

Ps: não trago regueifa doce da tia Lina, mas trago fotos das da mãe Irene, que não me canso de comer…

ENGLISH VERSION

To me there is nothing more typically Portuguese than Easter.

The festivities begin one week before, the so-called day of Holly day, when every one offers a branch to godparents. Then comes the week rush. First cleaning the houses and placing flowers. Then, a beautiful table is set with lace toal to receive godparents and “compasso” with huge joy, in the highly anticipated Easter Sunday.

For those who live in big cities, and never heard those terms, I explain. The “Compasso” is a group of people, with or without priest, moving into home of the faithful to give the Good News. The news are: after all, Jesus was resurrected. Yes, the typical Portuguese families with roots in the Catholic church, live Easter in a way as/or more intense than Christmas. If Christmas is the born of a child. At Easter, the boy is already a man giving his life for us, but comes resurrected. This sounds very strange, but we are talking about a religion. Everything is debatable, but I do not discuss religion, because religion is in fact a way to feed the soul, and from my point of view, no one has the right to question what we offer to the soul for food, they could even be nuts. .. and then what!?

Well, back to the ritual of Easter. “(…) setting a beautiful table (…)” I do not want to say, that every year at Easter we have to build a table … No, every year at Easter we prepare typical food to put on the table. The “regueifa”, sweet or salty “folar”, chocolate eggs, almonds of all colors and sizes, soft eggs and sponge cake, orange cake, “empanadinhas da Páscoa” (I’m waiting for Andreia to remember, and bring me so I do not end up dreaming with it), Port wine (which helps the “compasso” to get to the church in good company). Finally, the intention is to feel the singing of the table, like a mermaid at Iliad. This sing is so tuned that when we realize we have the same but as a Easter Bunny … which is strange as it may seem, because it is a mammal that gives eggs … chocolate ones… Well, if we are talking about the tradition of chocolate eggs, we’ll get in another matter different from typical Portuguese Easter, as the Easter eggs are an imported tradition …

Well, this season brings me to my childhood, when Aunt Lina use to bake about 500kg of “regueifa” alone … well with Uncle Alvaro’s help, and the anoyance of me, Marta, Regina, Inês, Patricia and Arsenio … still do not understand how it was possible, in a house with little more than 24m2, put 9 people eating and 500kg of “regueifa” to bake. Still ask myself, where she would get the patience to go look for us, while the dough grew. Still ask myself how did it all seem so simple.

I think I know, is the so called Easter ofeach one of us. Giving our lives for ours, ending up dead with fatigue and at the end say, come many more times like this.

For me this is typically Portuguese. Do our best, and at the end, after exhaustion, feel that for years there will be more and I’ll be there. For all this, Easter is so Portuguese. These people, often overlooked are constantly on Easter, and when the bells cry Alleluia, is a day of celebration and return to live!

Happy Easter day!

Ps: do not brought Aunt Lina’s “regueifa”, but brought photos of Mom Irene’s ones, who I can not get enough eating …

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Um pensamento sobre “A Páscoa em Portugal!

  1. realmente tens razão, embora eu procurava estar em casa nesses dias para dar uma ajudar com as crianças, para a tia Lina fazer os tais 500kg eu acho que ela teve anos que ía aos 600kg num fogão a gaz daqueles pequenos .Bem haja o amor que ela vos deu numa casinha tão pequenina e vós deste gente bj

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