Pão-de-ló de Maracujá

Versão Portuguesa

Ao longo dos anos, a minha comunidade familiar, foi-me ensinando ditados portugueses como: “Quem está no convento é que sabe o que lhe vai dentro“. Eu, honestamente, achei sempre que era um parvoíce acreditar nestas coisas dos mais velhos. Como sempre, o jovem traz o sangue na guelra e em nada se afecta pelas crenças dos mais velhos. Acontece que hoje fui confrontada com a minha própria insensatez… A falta de capacidade de acreditar, um bocadinho que seja, nas palavras dos antepassados, que não necessitam de estar mortos para o ser.

Ora eu hoje acordei com vontade de fazer um pão de ló, dos gigante, com sabor a exótico. Depois de pensar em frutos exóticos enquanto ingeria o meu pequeno almoço, eis que me lembrei do maracujá. Sim é verdade, enquanto comia croissant com queijo magro e fiambre de peru e ainda uma caneca de café duplo com umas colherinhas de leite, surgiu-me na mente o maracujá. Escusado será dizer, que enquanto terminava as minhas actividades matinais, não me conseguia dissociar do maracujá. Lá desencantei uma lata de maracujá, porque nesta altura maracujás só no Brasil, e meti mão à obra. Fiz tudo com o amor e carinho que consigo desencantar nos meus momentos culinários. Hoje a Andreia ta por casa e ajudou na actividade pós-almoço que incluíram fazer o pão-de-ló de maracujá. Tu aparentava normalidade, o bolo será um sucesso… Coloquei-o no forno. As tantas fui ver como estava a crescer. Tudo estava bem e o bolo quase pronto. Contudo, ao fechar o forno, fiz algo que nunca fiz, porque nunca aconteceu… Bati com a porta… Não quis saber, continuei dona e senhora de mim… Acho que o facto de os meus bolos terem um aspecto bonito me ajudou a ter uma confiança ridícula… Enfim… O tempo de cozedura terminou, retirei o bolo do forno e eis que ele começa a mirrar de um lado… Foi estranho… Era como de o meu forte e bonito bolo estivesse triste comigo… Não estava a perceber nada, comecei a preocupar.me com o acontecido. Foi então que a Andreia e a minha mãe me explicaram que os bolos detestam que se lhes bata com a porta na cara… Eu compreendo, se há coisa que me irrita é baterem-me com a porta na cara… mas bolas, eu sou uma menina, tenho sentimentos… Ao que parece, os bolos também…

Segundo Laura Esquivel, em “como água para chocolate”, a comida que fazemos sabe ao estado de espírito do cozinheiro, deve ser por isso que o meu bolo se chateou…

Enfim, o bolo ficou bom, mas está com aspecto de triste. Sabe bem, mas está ofendido…

English Version

 Over the years, I was teached Portuguese sayings like: “No one knows where the shoe pinches, but he who wears it” I honestly, always thought that believing in these sayings of the elders was silly. As always, the youngster has fresh blood and doesn’t care for this beliefs. It turns out, that today I was faced with my own folly … The lack of ability to believe, a little, in the words of the ancestors..

So, today I woke up with the mood to make a sponge cake, a giant one, with a taste of the exotic. After considering exotic fruits while ate my breakfast, I visualized passion fruit. That’s right, while eating my croissant with low fat cheese and turkey ham and even a mug of double coffee with a two milk spoons, came into my mind the passion fruit. Needless to say, that while I was finishing my morning activities, I couldn’t separate me mind from passion fruit.
At my mom’s pantry, I found a passion fruit can, because at this time, passion fruit might only be found in Brazil, and and started my baking. I did everything with love and affection that only baking is able to give me. Today Andreia is at home, and helped in the post-lunch activity that included baking passion fruit cake. It looked normal so the cake just had to be a success … I put it in the oven. As regularly I do, I went to see how It was growing. Everything was good and almost ready cake. However, by close the oven, I did something I never did, because it never happened … I slammed the door and kept my job … I think the fact that my cakes have a beautiful aspect, helped me to have a ridiculous confidence … Anyway, cooking time reach the end, I removed the cake from oven and behold, he begins to wither one side … it was weird … it was like, my strong and beautiful cake was sad at me … I wasn’t understanding a thing. I started to worry… Then Andreia and my mother explained to me that cakes hate the baker slams the door in the face … I understand , because if there is a thing that annoys me, is slamming me the door in the face … but I’m a girl, I have feelings … Apparently, cakes do too …

According to Laura Esquivel in “like water for chocolate”, food acquires cook’s state of mind and when one it’s it feels it, Maybe this is why my cake got upset …

Anyway, the cake was good, but has sad aspect. It feels good, but is offended …

PÃO-DE-LÓ DE MARACUJÁ
O que vou precisar?
  • 12 ovos;
  • 350gr de açúcar;
  • 300gr de farinha;
  • 1 lata de polpa de maracujá
Como vou fazer?
  1. Aquece o forno a 150º;
  2. Separa as gemas das claras e bate as claras em castelo;
  3. Bate as gemas, cm o açúcar e meia lata de polpa de maracujá. Quando a massa estiver homogénea, adiciona as claras em castelo e continua a misturar bem.
  4. Adiciona a farinha a este preparado, verte para uma forma previamente untada e enfarinhada e leva ao forno;
  5. Quando estiver pronto, retira do forno, desenforma, pica com um palito e rega o bolo com a restante polpa de maracujá.

Serve.

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