Irmãos…

Hoje não trago uma história que me levou a uma receita. Trago sim uma historia que me levou à gelataria da Olá no Arrábida shopping. Sim, eu cometi uma insanidade durante esta dieta longa e prolongada. Dizem os entendidos que quem faz dieta não é feliz, e quem é feliz não faz dieta. Eu não sou apologista. Até porque, os dias de erro são os dias do culminar de uma semana de boca fechada.

Pois bem, à uns tempo andava eu pelo meandros das internetes, quando me deparei com uma muito bonita Ode dedicada aos irmãos. Ao que tudo indica, já apanhei esta ode um pouco tarde, visto que já foi publicada em 7 de Junho de 2014. Vou deixar no fim o link para veres o quão intensa e verídica é esta ode.

Acontece, que quando comecei a ler, identifiquei-me com imensos pontos. Contudo, o parágrafo que vou transcrever, fez-me ver o copo meio cheio:

(…)”Nós não sabemos quanto vale um irmão. Nem pensamos nisso. Pensamos todos os dias no valor incomensurável dos filhos e dos pais, sabemos o quanto vale cada amigo, mas não contabilizamos os irmãos. É diferente com eles. É diferente porque os irmãos são de graça. Eles caem-nos ao colo sem planeamento, sem poder de escolha, sem pensarmos nisso. Também é diferente porque nós crescemos com eles e crescemos juntos em tudo. Começamos desde pequeninos a lutar, a brincar, a discutir, a partilhar a casa de banho, o quarto, as meias, os jogos, os pais e os outros irmãos. Eles crescem a meias connosco e por isso acabam por ficar mais ou menos nós.”

Por: Inês Teotónio Pereira

http://www.ionline.pt/iopiniao/os-meus-irmaos

Eu sofro desta patologia, a de quem não sabe o valor a um irmão. Não porque não tenho um irmão, sendo que não tenho mesmo, mas sim porque tenho uma irmã. A verdade, é que não sei mesmo o valor da minha irmã. Se ela estivesse a ser avaliada por peso, provavelmente chutava um valor e acertava. Contudo como ser humano, não sei avaliar… Não te sei dizer se ela é boa ou má irmã. Sei que me zango com ela por tudo e por nada. Sei que passamos a vida ao telefone quando estamos separadas. Sei que durante a adolescência muitas vezes éramos confundidas por gémeas, e mais adultas por um casal de lésbicas. Sei que durante 26 anos dormiu no quarto ao lado, e algumas dessas vezes ocupou a minha cama como se fosse dona e senhora. Sei que me copiou várias vezes os trabalhos de casa das explicações de matemática, sendo que no fim teve tanto como eu no exame de admissão à faculdade. Sei que lhe parti um dedo, porque me obrigou a fazer a cama…. e me partiu um dente porque eu fui parva.

Sei ainda que se ficar 2 dias sem lhe ligar, ela vai-me telefonar irritada porque não quero saber dela. Sei também que quando era miúda usava as bugigangas delas, e ela ficava possessa. Contudo, uns dias antes de ir viver com o futuro marido ela fez um saco de bugigangas e outro de vernizes para me oferecer. Sei que trabalha mouramente, no entanto arranja sempre tempo para vir cá a casa saber novidades, ou simplesmente fazer um cochilo no sofá. Sei que usei muitas camisolas dela, sem pedir autorização e nos pegamos muito quando ela descobria. Dividimos amigos, lágrimas mas quase nunca brinquedos. Porque eu estragava os meus e ela não queria os dela também destruídos.

Apesar de tudo isto continuo sem saber o valor da minha irmã. Não é porque seja insensível, é porque não tenho meio de comparação. Eu só tive direito a uma irmã. Para mal de todos os meus pecados, não a posso voltar a meter dentro da minha mãe e dizer:”agora tu, Oh Todo Poderoso, modifica aí o feitiosinho desta, ou então troca por um menino…” Não dá para fazer isto por dois motivos. Primeiro, o Senhor Todo Poderoso e a ciência ainda não conseguiram alcançar este feito. Segundo, não dá porque a minha irmã é mais velha. Julgo que só por aí teríamos uma grande dor de cabeça.

Posso, porem, agradecer todos os dias o facto de ter sido abençoada por uma família que tinha uma irmã para mim. Uma irmã com quem tive todo o tipo de lutas, dramas e gestos de carinho. Uma irmã, que é capaz de ceder quando, eu não sou eu quando tenho fome, ou quando, eu não sou eu quando sou acordada abruptamente. Uma irmã que já ouviu coisas muito desagradáveis e mesmo assim soube sempre perdoar e dar-me o beneficio da duvida. Uma irmã que a meio da noite foi espancada, porque eu achava que estava a bater na minha prima,(sim eu tenho alguma vergonha deste sucedido) mas mesmo assim, teve paciência para me acalmar. Uma irmã que me encobria sempre que eu não controlava o xixi durante a noite…

Uma irmã, que ao ver o meu sofrimento perante uma tão alongada e prolongada dieta e uma vontade incomensurável de comer um swirl se ofereceu para me levar à gelataria da cidade. Ou então ao café da esquina, onde poderíamos comprar o gelado. Percebendo a minha irritação, acabou por desandar para não acabar atingida pelos raios do desconsolo. Contudo, aposto que foi para casa com o coração negro… 10minutos depois ligou-me. Como sempre atendi o telefone com voz de exasperação. Ela mesmo assim disse:” dá-me 30m e anda buscar-me que vou contigo lá”. Eu desliguei o telefone, esperei o tempo combinado, fui busca-la sempre de mau feitio e a mandar vir. Rumei ao Arrábida shopping, comemos cada uma o seu swirl e voamos para casa porque ela tinha um turno para fazer.

Quando a deixei no trabalho, surgiu-me a “ode aos irmãos” como eu lhe chamo. Nesta altura percebi. Um irmão não tem valor, porque por muito que o tentes massacrar e irritar, ele não deixa de ser teu irmão e vai continuar ali.

Assim, aquilo que escrevi hoje é só para agradecer o facto de ter a irmã mais chata do mundo, que por dia me liga 1000 e muitas vezes. Contudo quando ela não me liga, eu acho que algo de muito errado se passa com ela.

A ti parvinha!

fotooooo

Esta foto não foi tirada por mim, pelo que tenho de lhe atribuir os devidos créditos. A foto foi tirada por Gustavo Teixeira.

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3 pensamentos sobre “Irmãos…

  1. Eu também queria uma irmã! Apesar de sermos como a agua e o vinho gosto de ti, gosto de ser tua irmã!!!! Baba e ranho!!! Apesar de “separadas” ao fim de 20 q poucos anos, continuas sempre no meu coração! Ps: de tanto doce estas a parecer manteiga!

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