Iogurtes da pequena Gequinha!

Já contei que em miúda fui muito mimadinha, que fui a menina bonita e a mais nova de 4 até aparecer a Piolha. Mas não contei que apanhava joaninhas, passava por baixo do vagões do comboio e que caía como se não houvesse amanhã. Também não contei que comia iogurtes caseiros porque a minha mãe os adorava fazer. Pois bem, hoje vou contar algumas das diabruras que fazia, incitada pela tia Lina, o meu pai ou até mesmo os meus vizinhos. No fim pretendo restituir a receita que a minha mãe fazia e que depois de uma tarde de arrumações decidimos voltar a fazer, iogurtes caseiros.

Pois bem, eu moro numa das zonas mais pitorescas da cidade de Espinho. Ao fundo da rua tenho a praia, ou seja, em noite de temporal ouço as ondas e vejo os relâmpagos, e em tardes de inicio de verão tenho acesso aos mais belos pôr-do-sol que se possa imaginar. Um misto de laranja, vermelho, amarelo, a beijar o verde azulado da água. Na outra ponta da rua, em tempos completamente aberto, tenho as linhas do comboio. A imagem pode não ser simpática, mas acreditem é. Leva-me sempre ao filme de a “Dama e do Vagabundo”, quando o Vagabundo entra em cena para descrever os seus dias. Era assim em Espinho, antes da obra de enterramento da linha.

A vizinhança, essa é pacífica, tirando as pegas entre famílias, porque o marido de A se envolveu com a mulher de B. Hoje pouco se houve a expressão “sua relaxada”, mas aquando da minha meninice ouvia muito e era tão genuíno. Vê-las na rua, nas suas tão típicas poses de revolta a encetar uma luta de palavras agressivas, em que a rua era a arena. Eu falo da rua, porque nessa altura poucos eram os carros que vinham aqui para os nossos lados, era considerada a zona pobre da cidade e nós podíamos brincar ao pirogalo na rua. Hoje já não dá. Hoje a zona tornou-se muito procurada pelos turistas e mesmo Espinhenses, ou seja, já não se vêm miúdos a brincar na rua.

Eu, sendo a mais novinha, ia sempre atrás dos meus primos e nunca queria ficar para traz e brincava à macaca, aos berlindes e claro ao meiinho. Mas também tinha os meus momentos de botânica, que o meu pai considerava horrível porque eu estava a roubar a primavera… Eu juntava as caixas de fósforos da tia Lina e à vinda da escola, pedia-lhe para pararmos na zona da linha do comboio, onde havia muita verdura, para apanhar joaninhas. Eu depois cuidava delas. Não as deixava morrer. Via-me era obrigada a liberta-las porque o meu pai insistia que eu era uma delinquente que roubava a primavera… Raios que inocente. Depois de apanhar as joaninhas, costumávamos ter de passar pelos vagões que estavam parados na linha. Ou subíamos os vagões, ou passávamos por baixo. Este exercício era bastante perigoso e minucioso, os vagões podiam começar a ser deslocado a qualquer momento… Já para não falar que às vezes a mochila ficava presa… vendo bem, era a loucura. O problema é que faziamos isto coma tia Lina… Raios, ela era pior do que nós. Findada esta alquimia de actividades, quase diárias, eu podia brincar com os vizinhos, que por incrível que pareça eram mais rapazes… daí ter até aprendido a jogar berlindes e claro, passar a vida com arranhões e joelhos esfolados. Tudo era uma aventura.

Hoje, por mais incrível que pareça, consegui realizar uma das minhas aventuras de miúda, fazer o caminho para casa pelos caminhos de ferro do vouguinha. Foi delicioso. Eu costumava fazê-lo com o meu pai, mas ele insistia que tinha de ser pelo trilho…. era tão difícil e eu era tão descoordenada… hoje não deu para o fazer, porque o Leo vinha comigo, mas viemos a saltar entre as sulipas do caminho de ferro. Eu gargalhei a ver a desorientação do Leo e bateu a nostalgia… a verdade é que ao chegar a casa e abri o frigorífico para repor energias, eis que lá estavam eles, os iogurtes caseiros. Foi só um cheirinho da minha feliz, alegre e amada infância. Contudo foi o suficiente para me fazer lembrar que já se passaram 20 anos e nunca é tarde para recordar aquilo que tanta alegria nos deu!

IOGURTES CASEIROS

O que vais precisar?

  • Uma iogurteira
  • 1 iogurte natural
  • 1litro de leite
  • 1 colher de sopa de leite em pó
  • 1 colher de sopa de essência de baunilha

Como vais fazer?

  1. Numa taça mistura os ingredientes todos com auxilio de uma varinha mágica. O leite em ultimo;
  2. Divide o preparado pelos copos de iogurte e deixa repousar na iogurteira, ligada, durante 12h;
  3. Ao fim das 12h leva o ao frigorífico por 4h e está pronto a comer.

Eu costumo adicionar uma colher de doce de morango ou outro doce qualquer. Mas também podes pôr uma colher de açúcar. Isto porque ficam iogurtes naturais!

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Um pensamento sobre “Iogurtes da pequena Gequinha!

  1. ai meu Deus tu lembras-te de cada coisa, que eu ao ler isto ponho-me a pensar afinal ainda não estou assim tão velha, tantas coisinhas boas que eu vos fazia e vos ensinei, as vezes a ler até me vêm as lagrimas aos olhos, nestas coisas de papariquisses sais a mim

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