Este campo de batalha hoje cheira a caril

Foi assim sem aviso prévio, que a minha casa se tornou num campo de batalha… foi quase tão rápido como a decisão de elaborar um caril de frango para o almoço. Sobre isso conto no fim, agora sobre o campo de batalha… vou contar agora.

Cá em casa, habita um animal de 4 patas chamado Leo. O Leo veio para cá ainda pequenino, tipo 2 meses, tivemos inclusivamente de o alimentar com leite em pó para ele ganhar barreiras de protecção. Em suma foi como se um grupo de 4 adultos acabassem de adoptar um bebé. Imagina só a loucura… Os anos passaram, mais precisamente 4 anos passaram e o Leo, palavras da veterinária, não é um cão é uma flor de estufa com a ideia que é pessoa. Ou seja é um cão viciado em pessoas e que não acha piada nenhuma a outros animais. Tornou-se mimado e depressivo sempre que houve um não. Eu compreendo, também contribui para a dependência deste cão. Acontece que pensei sobre como resolver esta drama, arranjar outro cão estava fora de questão, um já chega. Foi então que comecei a pensar em papagaios. Ah e tal eles até comunicam e provavelmente o Leo ia achar piada a ter uma ave verde a falar para ele. Para mal dos meus pecados, os papagaios são um negocio de luxo, ou seja são caros como tudo, ainda “namorei” alguns, mas sempre que lia a etiqueta do preço via-me obrigada a recorrer a uma fatia de bolo para esquecer a tristeza. Foi então que num bonito dia de feira, encontrei o B, ele era lindo um pássaro incrível, um Agaporne azul, apaixonei-me e acabei por o trazer para casa. Sabes aquela sensação de, “ah tenho uma coisa nova…”, foi tão bom… Até que cheguei a casa e o Leo não achou piada nenhuma, inclusivamente achou que aquilo era para ser comido. Note-se que isto é comportamento de gato. Enfim, coloquei-o numa gaiola, alimentei-o falei-lhe meiguinho e apercebi-me da ciumeira estampada no olhar do Leo, mas achei que era tudo invenção da minha cabeça. Não era… no dia seguinte tive de sair de casa durante o dia e quando voltei descobri que o Leo se atirou contra a gaiola, a porta desta abriu e o B voou… que depressão… Ora a minha mãe que se apercebeu do fascínio que eu ganhei pelo B, decidiu que estava na hora de o substituir. Daí a passar a ter em casa um casal de Agapornes, um casal de Mandarins e um cão que mais parece um gato, foi tipo num piscar de olhos. Sim é verdade, esta gente vive toda em minha casa, esta gente toda mais 3 adultos, sendo eu um desses adultos. Eu sei, “nas quintas vivem mais criaturas e tudo funciona”. Tá bem, mas nas quintas não vive o Leo, cujo cognome é o carente.

Tu não fazes ideia da batalha que se transformou a minha casa nas primeiras 3 semanas de habituação, eram os pássaros a querer fugir da gaiola, era o Leo a ladrar e a lamber os beiços virado para as gaiolas, eram os Agapornes a criarem toda uma relação amorosa… Foi caótico e stressante. Foi quase como entrar nas trincheiras da primeira guerra mundial, em vez de lama era comida de pássaro e em vez de canhões era o latido histérico do Leo. Que canseira.

A sorte foi que da mesma maneira que isto se tornou caótico, também isto começou a acalmar. O Leo continua a lamber os beiços quando os pássaros trocam de piar, mas já não lhes dá tanta atenção. Inclusivamente aprendeu que a limpeza das gaiolas não é momento para a presença dele. Quanto aos pássaros, os mandarins construíram ninho e já não tentam fugir da gaiola, o Agapornes andam constantemente ou pegados ou tão enamorados que até assusta.

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Posso com isto concluir, que finalmente posso novamente, dedicar-me ao que eu tanto gosto de fazer, invenções na cozinha. Foi imbuída deste espírito que hoje experimentei uma coisa que há tanto penso em fazer e nunca tive oportunidade, Caril de frango! isto é quase desumano, tenho eu duas famílias distintas de aves, e mesmo assim continuo a ser consumidora assídua de aves… Isto é uma questão de ética. Eu não dou frango aos meus pássaros e também não me alimento de pássaros. E como diria a Jéssica Simpson: “O atum é o frango do mar”. Logo isto é quase uma refeição de peixe e eu não tenho peixes em casa… por agora.

CARIL DE FRANGO (3 PESSOAS)

O que vais precisar?

  • 3 pedaços de frango
  • 1 chalota cortada em pedaços pequenos
  • 1 dente de alho cortado em pedaços pequenos
  • 1 colher de sopa de azeite
  • 1 colher de sopa de óleo
  • 3 colheres de sopa de caril em pó
  • 1 colher de chá de raspa de gengibre
  • 3 colheres de chá de açafrão
  • 400ml de leite de coco
  • 1 copo de vinho branco
  • Sal e pimenta a gosto

Como vais fazer?

  1. Num tacho colocas o azeite, o óleo, a chalota e o dente de alho, e deixas refogar;
  2. Adicionas o frango e todos os outros condimentos, menos o leite de coco;
  3. Deixa ganhar paladar e quando começar a levantar fervura, adicionas o leite de coco;
  4. Deixa cozinhar bem o frango neste molho, e assim que ao picares o frango o vires a começar esfarripar, está na altura de apagar o lume
  5. Serve acompanhado de arroz branco seco, tipo basmati.

Bom proveito

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