Natinhas com sabor a fado da Sina

Existem coisas que são tipicamente portuguesas, é normal, somos um país cheio de história e claro um país de fado. Um pais onde a palavra saudade não só não é traduzível como a sentimos de uma maneira mais intensa. Somos um povo sofrido, um povo que chora e se assume como tal. Um povo de raízes. Somos um povo que recebe o Júlio Iglésias de braços abertos, mesmo tendo ele uma musica sobre o bacalhau e em vez de no vídeo clip retratar a mulher portuguesa, retrata a brasileira. Somos um povo que assumiu uma revolução de cravos para deixar um regime autoritário. Somos um povo que em tempos era dono de metade do mundo (o restante era espanhol) e hoje temos este pequeno território que para muitos é conhecido como província espanhola. O mais engraçado no meio de tudo isto é que mesmo vendo toda esta injustiça, pouco ou nada fazemos para mostrar a indignação que nos persegue. Por vezes sinto até que nos escondemos debaixo da carapaça para não vermos o que nos rodeia. Eu contra mim falo, porque quando me sinto triste contra as injustiças que sofro, como jovem adulto num país que pagou a minha educação e que agora me fecha portas porque me falta experiência, ou tenho demasiada experiência, ou na verdade tenho a experiência toda mas o lugar é para outro, escondo-me n minha carapaça e vou até à cozinha fazer uma coisa boa enquanto canto um fado triste da Amália. Que cenário tão português e tão feminino… mas que ei-de eu fazer? Abandonar a minha nação? Deixar para traz os pais e restante família que tantas vezes me alimentaram? Pois provavelmente a solução é esta, solução que há tanto tempo me martela o cérebro e que há tanto tempo decidi tomar, é só esperar a onda certa. Como o Macnamara fez na Nazaré… o futuro realmente é incerto, principalmente pra quem sempre foi fora de série a elaborar planos de vida e a adapta-Los às constantes mutações. Mas eu não tenho medo, foi assim que este meu país me ensinou a lidar com a vida, só é preciso uma pá de forno para tornar possível a conquista. Assim, hoje, nesta primeiro dia de primavera, escrevo a contar que acordei com esta sensação de fado no coração, este pano roxo quaresmal que sinto a aquecer-me o coração e imagina só o que fiz para consolar a alma… Sim um doce tão nosso, tão português e tão cobiçado no mundo inteiro, Natinhas! Enquanto na minha cabeça tocava o tão bonito fado da Sina da Hermínia Silva eu fiz Natinhas. Se me sinto melhor? Obviamente, sinto-me mais leve e claro mais consolada porque já comi uma natinha.

Natinhas

O que vais precisar?

  • 200ml de natas
  • 200ml de leite
  • 4 colheres de sopa de açúcar
  • 1 pau de canela
  • raspa de limão
  • 2 colheres de farinha maizena
  • 1 rolo de massa folhada
  • 2 gemas de ovo

Como vais fazer?

  1. Liga o forno a 200º;
  2. Distribui a massa folhada por tabuleiro de cupcakes;
  3. Num fervedor colocas as natas, 100ml de leite, o açucar o limão e a canela e leva ao lume;
  4. Num copo colocas o restante leite, a farinha Maizena e as gemas e misturas tudo muito bem até ficar liquido;
  5. Quando o que está ao lume começar a levantar fervura, adiciona o que misturaste no copo e com auxilio de uma colher de pau mexe. No deixes ficar muito espesso nem com grumos, por isso não pares de mexer;
  6. Distribui o recheio pelas bases de massa folhada que já tens no tabuleiro de cupcakes;
  7. Leva ao forno e deixa que comecem a ficar queimadinhas por cima;
  8. Retira e serve. O melhor é esperares que arrefeçam.

 

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Faz bom proveito e deixa a Hermínio Silva cantar para ti.

https://www.youtube.com/watch?v=rdpHmj5rWl8

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2 pensamentos sobre “Natinhas com sabor a fado da Sina

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