Biografias do médio-Oriente

Eu já fiz aqui referência a alguma da minha leitura. Os Gabriels, os Grey’s e também “Como água para chocolate”. Contudo não contei que esta minha mente tem um lado negro e obscuro… Eu tenho um fascínio pela literatura biográfica vinda do médio oriente. Eu já li “Queimada viva”, “Vendidas”, “Naziran” e a minha última aquisição foi “Divorciada aos 10 anos”.

Eu juro que não sei o que mais me prende a estas histórias, se o facto de em todas elas existirem crianças privadas de o ser, se o facto de em todas elas existir uma violência doentia. Faz-me muita confusão, um mundo tão pequenino ter tantas divergências culturais. Num continente as mulheres são seres idolatrados, no continente mesmo ali ao lado são elementos não gratos da sociedade que servem para servir… (que grande redundância que eu aqui elaborei). A verdade é que os tempos evoluíram e a lei começa a ser mais “amiga” de todas aquelas que permitem este mundo andar para a frente. Pois vejamos bem, eu não sou nada feminista, sou mais defensora dos pobres e oprimidos, mas a realidade é q se as mulheres não existissem como haveria forma de se gerar um bom gestor de topo? Ou então, os inteligentes que fazem as leis para obrigarem as mulheres a casar com 9 anos… Atenção, que não se confunda, eu sou 100% a favor da existência masculina e mais, eu tenho noção que é o homem que determina se vem menina ou menino, mas neste momento a minha defesa é a favor de todas as mulheres que não têm direito à igualdade. Gostaria de deixar aqui escrito que eu sou a favor da igualdade, mas de uma igualdade que implique abrirem portas para passarmos, chocolates quando fazem asneiras e um elogio de cada vez que vou ao cabeleireiro… é uma igualdade um bocadinho desigual eu sei, mas nós somos muito frágeis…

Choca-me por exemplo o facto de não existir um carinho de um pai para uma filha, choca-me por exemplo o facto de as próprias mulheres entre si não serem solidárias umas com as outras. É óbvio que tudo isto também acontece no ocidente, mas aqui acontece e é uma vergonha, lá acontece e é um orgulho. Lá, um homem que bate numa mulher é um Homem, aqui um homem que bate numa mulher é um homito (palavras sábias do meu Pai).

Enfim, no fundo eu leio este tipo de literatura porque faz-me ver o mundo tal como ele é. Em casa eu e a minha irmã somos as “meninas das bruxas”. Nós temos e sempre tivemos tudo, muito miminho, muito carinho, muita atenção e acompanhamento. Fomos criadas por um grupo de adultos interessante composto pelos nossos tios, os nossos pais e os filhos dos nossos tios que também ajudaram. Temos sem dúvida uma família barulhenta, que encontra na cozinha o lugar de abrigo, mas acima de tudo uma família que respeita a vontade e necessidades dos outros. Uma família que ajuda. Os homens da minha família ensinaram-me os números, os cálculos e mais à frente o blackjack. As mulheres ensinaram-me a cozinhar, a beber cevada com café e pão e ainda a maquilhar-me. A única preocupação deste meu clã é: “então Gequinha, tá tudo bem mor?”.

O que me deixaria mesmo feliz, era que todas as meninas mulheres, que sofrem abusos e maus tratos encontrem na vida delas pessoas como as minhas. Que as valorizem e as amem. Que não as obriguem a casar com 9 anos ou então, que não lhes dêem um banho de ácido só porque não estão satisfeitas com o casamento ou engravidaram antes de casar… Incompreensível….

Desgraças à parte, a minha mãe notou em mim uma necessidade de ir para a cozinha depois de ter lido “divorciada aos 10 anos”. Reparou também que eu precisava de ir para a cozinha fazer uma coisa diferente… Ensinou-me por isso a fazer os famosos Bilharacos dela. Contudo, eu não posso partilhar a receita… ela diz que é dos poucos segredos de família… Eu sinceramente, acho que ela não quer partilhar porque é das poucas receitas que faz praticamente toda a gente babar em qualquer altura do ano. Por isso, eu não vou partilhar a receita, mas vou partilhar fotos da elaboração!!!

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3 pensamentos sobre “Biografias do médio-Oriente

  1. eu tambem já liesses livros menos o ultimo quando tiver tempo mas os bilharacos foi a minha mãe que me ensinou e não só….são muito bons

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